24 de novembro de 2014

Curtição sob perigo

Música é só curtição ou adoração?
O mundo da música gospel se agitou por duas recentes reportagens. A primeira: curtir música com headphone grudado no ouvido pode trazer danos à saúde. Segundo pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Otologia (SOB) e a Proteste Associação de Consumidores, em São Paulo, “80% dos adolescentes entrevistados ouvem música com fones de ouvido com volume maior que o adequado”. De pronto a notícia produziu “likes” e compartilhamentos em sites especializados.
Ainda de acordo com o estudo, a “média de altura foi de 92decibéis (dB), com pico de 109dB, quase 24 dB a mais do que o considerado seguro para a adição”, publicou o R7 Notícias”, em 30 de outubro. Isto mostra que o jeito de ouvir música definitivamente mudou!
A segunda matéria saiu no G1, dias mais tarde. O título “Banquinho, violão e selfies: Mariana Nolasco é fenômeno na web aos 16”, fez parte da série “Pop de Menor”, em 03 de novembro. O esforço de reportagem trouxe história de músicos brasileiros que, mesmo sem idade para dirigir, fazem a “cabeça” da galera. Mariana, por exemplo, “grava covers acústicos vistos 42 milhões de vezes e nunca fez um show. A garota tem [até] agência para gerenciar Instagram”, completa o texto.
O fã-clube de famosinhos que inclui o funkeiro Mc Pedrinho, 35 milhões de views (12 anos); Bruninho, sertanejo que virou fazendeiro (9 anos); Bekah Costa, gospel-teen (15 anos); Dj Kalfani, com 55 milhões de visualizações no You Tube (17 anos) são exemplos de que o jeito de consumir música também mudou. E, mais: isto é tão evidente que o “novo jeito” de curtir música, principalmente a gospel, suscita reflexão urgente e necessária.
Ponderações
Ao grudar os fios do dispositivo móvel para ouvir sua canção sacra favorita, pense nos sérios riscos à saúde. A Revista Vida e Saúde entrevista o office-boy Gustavo Teixeira, 19, que ficava conectado aos fones cerca de 12 horas por dia. “Quando estou na empresa, tento controlar a intensidade do som para que as outras pessoas não escutem. Mas, na rua, ponho o volume no máximo. Outro dia, uma pessoa no ônibus até me pediu para abaixar um pouco”, admite.
O sistema auditivo quando submetido a seguidas horas de produção instrumental sobrecarregada em sons metalizados, agudos e de alta intensidade, tem parte de suas células nervosas destruídas. Isso é grave porque são estas células que transportam os sinais elétricos dos ouvidos para o cérebro. O médico Martine Hamann, do Departamento de Fisiologia Celular e Farmacologia e pesquisador da Universidade de Leicester, explica que “essas células possuem um revestimento conhecido como bainha de mielina, o qual ajuda o sinal elétrico a viajar ao longo da célula. A exposição a ruídos com volume muito alto (acima de 110 decibéis) pode destruir este revestimento, interrompendo os sinais elétrico, o que impede que a informação seja transmitida com sucesso pelo nervo auditivo entre os ouvidos e o cérebro”.
Debate
Essa é uma informação crucial quando se trata dos “gospels” e da música sacra. Deus é um Deus vivo que Se revela, comunica-Se e deseja conectar-Se com o ser humano. É por meio de nossa capacidade de arrazoar e pensar que Ele aguarda com ansiedade por nossa resposta, decisão e compromisso. Por isso, o propósito da produção cultural sacra é espiritual, desde sua concepção. Sua finalidade última é ser instrumento de Deus para transformar vidas pelo Espírito Santo.
Quem toma a iniciativa de insistir conosco é Deus: “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal…escolhe, pois a vida” (Deuteronômio 30: 15, 19). “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor” (Isaías 1: 18). Por isso é próprio perguntar: o “hit” que ouço me ajuda na tomada de decisão? Prepara minha mente para a renovação, afim de que eu experimente a boa, agradável e perfeita vontade de Deus? (NVI, Romanos 12:2).
Aqui está o ponto para o debate: o que significa para mim “curtir” música? Ao colocar o “fone no ouvido” faço com um sentido espiritual ou é apenas “curtição” sem sentido? Teve um propósito na compra ou foi por impulso de marketing? O conteúdo me leva ser como Jesus? Faz-me desejar o Céu? Um pensamento da escritora Ellen White para aquecer a discussão e os compartilhamentos: “a música tem poder para  subjugar as naturezas rudes e incultas; poder para suscitar pensamentos e  despertar simpatia, para promover a harmonia de ação e  banir a tristeza e os maus pensamentos, os quais destroem o ânimo e debilitam o esforço”.
A grande verdade é que antes de #curtir e #consumir seu gospel favorito, você precisa fazer a coisa mais importante: saber #escolher. Peça ajuda do Espírito Santo. Só assim, o “ouvir música” transcenderá o âmbito da fruição estética para se tornar numa experiência realmente significativa para a vida eterna. O que pensa você?

Bem-vindo ao debate!


Jael Eneas

Louvor e Música Cristã

Música cristã como expressão de louvor a Deus.

Perfil do autor

Mestrando em teologia e diretor de desenvolvimento espiritual do UNASP, Campus Hortolândia. Compôs “Colheita 90”, “Nacional 89” para DSA. Lecionou música sacra para o SALT. Durante 21 anos liderou o ministério de música, comunicação e educação em Associações e Uniões nas regiões norte, noroeste e sudeste. Participou da Comissão Revisora do Hinário Adventista em 1996. Twitter: @jaeleneas

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