4 de abril de 2015

Padrão de beleza: uma forma sutil de agredir

 Foto- Ilustrativa

Quando falamos em lutar contra a violência, pensamos na violência doméstica, nas agressões verbais, no abuso sexual, na exploração sexual de crianças, no bullying… mas você já pensou que existem formas mais sutis de agredir pessoas?

O que você acha dos padrões de beleza? Já parou para analisar como eles estão disseminados em nossa cultura? Veja os desenhos animados feitos para crianças. As princesas são sempre esbeltas, com cintura fina e muitas curvas. Existem cenas em que a exibição das formas corporais está diretamente associada à conquista de um personagem do sexo masculino. O que isto ensina às nossas meninas? Que elas precisam ter determinada forma física para serem belas, e que podem conquistar um homem através da exibição das formas do seu corpo.

E o que falar das bonecas? O corpo, a roupa e a pintura do rosto tem tornado as bonecas cada vez mais sensuais. Que mensagem isto passa para as meninas? Recentemente assisti a um vídeo em que uma artista transformava bonecas assim, “hipersexualizadas”, em bonecas que se parecem mais com as crianças, como naturalmente elas são, desde as roupas até a pintura do rosto. Que diferença!

Outro vídeo que me chamou a atenção recentemente foi um que mostrava a insatisfação das meninas com seus cabelos crespos ou cacheados. Onde foi que elas aprenderam que apenas os cabelos lisos são bonitos?

Toda mídia exerce influência sobre nós, os adultos, e sobre as crianças. Algumas influências tocam diretamente em nossa autoimagem, na forma como nos vemos e o que pensamos e sentimos sobre nós mesmos. Sejam as campanhas publicitárias, sejam os desenhos animados, filmes e novelas, sejam os conteúdos pornográficos, tudo isto tem poder de impactar o olhar da mulher sobre seu corpo, e cooperar para o desenvolvimento de uma insatisfação com sua imagem corporal.

A autoimagem de milhares de mulheres é agredida diariamente pela propagação de conceitos de bonito e feio, adequado e inadequado, bom e ruim, no que se refere a medidas corporais, cores de pele, tipos de cabelo, etc. E esta violência é tão sutil que a reproduzimos diariamente e nem percebemos.

Quebrar o silêncio sobre qualquer tipo de violência é algo necessário. Contudo, tenho verificado em meu consultório que pessoas que não gostam tanto de si não costumam quebrar o silêncio. Em muitos casos elas foram ensinadas, desde pequenas que possuem pouco valor, a começar por sua aparência.

Eu o convido a pensar um pouquinho sobre esse assunto. Não sei o quanto ele lhe diz respeito, mas certamente ele fala sobre alguém que está próximo a você!

Karyne Correia, Psicóloga

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