5 de abril de 2015

Um Deus que não cochila

“É certo que não dormita nem dorme o guarda de Israel” (Salmo 121:4).
Numa das principais praças de Tóquio existe uma enorme estátua de Buda, com os braços cruzados e os olhos fechados. Todo mundo sabe que aquele deus não está dormindo, está apenas meditando, mas seja como for, está com os olhos fechados. O verso de hoje, porém, nos fala de um Deus que está sempre vigilante, sempre com os olhos abertos. “Eis que não dormirá nem dormitará Aquele que guarda Israel”.
Os peregrinos que anualmente se dirigiam a Jerusalém para participar das festas, cantavam este Salmo, enquanto iam andando pelo caminho. Hoje ele é conhecido como o Salmo dos Viajantes. O Salmo todo fala do que o salmista espera de seu Deus ao longo da viagem, mas o verso 4 expressa o porquê da confiança.
Nós temos um Deus que Se preocupa com cada um de Seus filhos. Conhece a nossa entrada e a nossa saída. Será a nossa sombra a nossa direita. Não deixará vacilar o nosso pé, o sol não nos incomodará de dia, nem a lua de noite, porque o nosso Deus está acima de todos os deuses. Não é simplesmente um nome, não é apenas um grande homem que passou pela História, não é simplesmente uma filosofia de vida ou uma estátua de mármore. É um Deus pessoal, que Se interessa pelos detalhes de minha vida, olha para minhas lágrimas, Se regozija com minhas alegrias e Se entristece com as minhas tristezas. Sofre, quando em minha humanidade, tento tirá-Lo de minha experiência, porque me ama e o que mais deseja é que vivamos uma vida diária de comunhão pessoal.
Talvez nesse momento apareçam aí em seu coração, perguntas como: “Se Deus está sempre vigilante, por que meu pai morreu naquele acidente de trânsito? Por que não cuidou de meu filho? Onde estava Ele quando tudo aconteceu?”
E Deus Se fez Homem para poder entender melhor a nossa humanidade e responder às inquietudes. Não precisaria fazê-lo, porque era Deus, mas além de salvar-nos era preciso tirar as dúvidas de nossa cabeça. Fez-se Homem e morreu na cruz, e nas dores de agonia também clamou: “Deus Meu, por que Me abandonaste?”
Onde estava o Pai quando toda a tragédia aconteceu, naquela tarde de sexta-feira? Se Ele nunca dorme nem dormita, por que não interveio para poupar a vida de Seu próprio Filho?
Não estou tentando que você “tape o sol com a peneira”, nem que “enterre a cabeça como o avestruz”, não. Estou simplesmente mostrando que por trás de todo o sofrimento humano existe um propósito redentivo ou educativo, que só o tempo se encarregará de nos revelar.
Confie em Deus, embora as lágrimas o impeçam de enxergá-Lo.

Alejandro Bullon

Nenhum comentário:

Postar um comentário