17 de maio de 2015

A Canção de Karen

"Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo” (Salmo 22:6).

"Sangrou meu Salvador? Morreu meu Soberano? Daria Ele a santa fronte por um verme como eu"?, escreveu Isaac Watts em um de seus famosos hinos. Desde então, algumas pessoas têm ignorado a última frase.
Em nossa era em que reina a psicologia do "sentir-se bem" e da "autorrealização", foi colocada de lado a antiga teologia que afirma que somos vermes diante da glória de Deus. Uma geração que nega a existência do pecado certamente não quer ser humilhada por expressões como essa. Do ponto de vista bíblico, no entanto, Isaac Watts estava correto. A boa-nova sobre Deus começa com a má notícia a nosso respeito. Perante Ele, nossa justiça é como trapos de imundícia. Não há nada em nós mesmos que nos torne dignos de sermos aceitos pelo Pai. Nada. Realmente somos vermes. Enquanto não admitirmos nossa grande necessidade, a Palavra não poderá prover Sua graça.
A teologia do "verme" tem dois lados. Um deles possui um aspecto aterrorizante e até mesmo fatal. Durante uma longa viagem de avião rumo a outro país, me cansei de ler e decidi colocar o fone de ouvido para avaliar a seleção de música disponível. Uma voz da geração passada - agradável, nostálgica, com um toque de tirsteza - soou pelo sistema de som. Abri o guia de entretenimento e li que o programa oferecia canções selecionadas de Karen e Richard Carpenter. Karen Carpenter! Sua história veio à memória ao ouvir novamente a voz melancólica. Karen, acompanhada pelo irmão, Richard, conquistou grande sucesso como cantora na década de 1970, chegando a somar mais de cem milhões de cópias vendidas até a década de 1990. Encantadora e amada, Karen se tornou ídolo de muitos jovens. Porém, apesar da fama conquistada, Karen sofria de baixa autoestima. Ao observar-se no espelho, essa mulher ataente não conseguia parar de pensar em quanto era feia. Em 1983, Karen, aos 32 anos de idade, faleceu de parada cardíaca provocada pela anorexia nervosa. Por vários anos ela se obrigou a passar fome. Na época, parecia quase impossível aceitar a explicação de seu falecimento, mas desde sua morte trágica essa condição tem se tornado bem conhecida na vida de outras jovens.
O outro lado da teologia do "verme" é aquele que eu gostaria que Karen Carpenter tivesse conhecido. Aos olhos de Deus não somos vermes. Somos amados, preciosos, especiais, lindos. Somos príncipes e princesas do Rei do Céu. 


(William G. Johnson. In: Meditações Diárias 2012: Jesus a preciosa graça. Tatuí: CPB, 2012. Texto digitado por Reginaldo Santos e publicado por ele no grupo Boas Novas).

Nenhum comentário:

Postar um comentário