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Para Não Esquecer - Meditação Diária

O Congregacionalismo é o Melhor Caminho?
Áquila e Priscila os saúdam afetuosamente no Senhor, e também a igreja que se reúne na casa deles. 1 Coríntios 16:19, NVI
José Bates se uniu aos White na preocupação com a ordem evangélica. Em har­monia com suas raízes restauracionistas, ele afirmava que a organização eclesiástica bíblica deveria ser restaurada antes do segundo advento. Ele argumentava que, duran­te a Idade Média, os "transgressores da lei" "haviam pervertido" elementos essenciais do cristianismo como o sábado e a organização eclesiástica bíblica. Deus havia usado os adventistas do sétimo dia para restaurar o sábado e estava "perfeitamente claro" em sua mente "que Deus usaria os guardadores da lei como instrumentos para res­taurar [...] uma 'igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga'. [...] Tal união entre fé e perfei­ta ordem eclesiástica nunca existiu desde os dias dos apóstolos. Está evidente que ela deve ocorrer antes do segundo advento de Jesus [...], na restauração de todas as coisas".
Como Bates cria na recuperação da ordem apostólica da igreja, não abria espaço para nada que não pudesse ser encontrado no Novo Testamento. Nesse período inicial, Tiago White defendia uma opinião semelhante. Por isso, escreveu em 1854: "ao dizer ordem da igreja ou do evangelho, nos referimos à ordem na associação e disciplina da igreja ensinada no evangelho de Jesus Cristo pelos escritores do Novo Testamento." Alguns meses depois, ele falou sobre o "perfeito sistema de organização, anunciado no Novo Testamento, por inspiração divina. [...] As Escrituras apresentam uma estrutura perfeita".
White, Bates e outros estavam convictos de que todos os aspectos da organi­zação eclesiástica deveriam estar explicitamente citados na Bíblia. Foi por isso que J. B. Frisbie chegou a argumentar contra qualquer nome de igreja, exceto o men­cionado por Deus nas Escrituras. Conforme ele defendeu, "Igreja de Deus [...] é o único nome que o Senhor julgou adequado dar à Sua igreja".
Com uma compreensão tão literal, não causa espanto descobrir que os pri­meiros líderes adventistas discutiam os deveres dos diáconos e anciãos ou bispos nos termos propostos por Paulo e, o que nos deixa um pouco mais confusos, defi­niam "igreja" como "uma congregação particular de crentes", dadas as implicações de Atos 15 e o papel supervisor de Paulo e seus auxiliares. No entanto, era assim que as coisas aconteciam. O Congregacionalismo foi a estrutura favorecida pelos guardadores do sábado na metade da década de 1850.
Obrigado, Senhor, por nossas igrejas locais. Ajuda-nos a nunca esquecer o papel importante que elas desempenham em Tua obra.

O Congregacionalismo Não Basta!
Ao passar pelas cidades, entregavam aos irmãos, para que as observassem, as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros de Jerusalém. Atos 16:4
A igreja apostólica descobriu que algumas questões transcendiam a congre­gação local e necessitavam de uma decisão proveniente de uma estrutura coorde­nadora mais ampla. No concílio de Atos 15, anciãos e apóstolos se reuniram para decidir como fazer congregações judaicas e gentílicas desenvolverem um relacio­namento satisfatório. A assembleia tomou decisões válidas para todas as igrejas.
Os primeiros adventistas também descobriram que não conseguiam resol­ver todas as questões somente na igreja local. Se, na primeira metade da década de 1850, os guardadores do sábado criaram estruturas e cargos dentro das igrejas locais, na segunda parte, eles se concentraram no que significaria "união" para elas.
Pelo menos quatro assuntos forçariam líderes como Tiago White a olhar para a organização da igreja de maneira mais abrangente. A primeira, sobre a proprieda­de legal, sobretudo, da editora e dos prédios da igreja. A última coisa que ele que­ria era a responsabilidade de ter uma editora em seu nome.
O segundo tópico que motivou sua reflexão foi a questão do pagamento dos pas­tores. Essa era uma situação especialmente difícil, uma vez que os ministros guar­dadores do sábado não serviam a congregações locais específicas naquela época, mas viajavam de igreja em igreja, como evangelistas itinerantes. O apoio financeiro aos pregadores se complicava pelo fato de que os adventistas não recolhiam o dízi­mo, nem contavam com outra forma de angariar recursos para pagá-los.
O terceiro motivo que levou White a pensar numa forma mais ampla de orga­nização da igreja envolvia a distribuição dos pregadores. Em 1859, Tiago escreveu que, enquanto comunidades como Battle Creek costumavam ter vários pastores atuando de uma vez, outras permaneciam "destituídas, sem ouvir uma pregação por três meses". Quer todos gostassem, quer não, em 1859, Tiago White agia como um supervisor na distribuição geográfica e no pagamento dos pregadores, mas sem qualquer estrutura oficial para respaldar seus esforços. Tal sistema o deixava vul­nerável a críticas relativas a má administração e apropriação indevida de recursos.
O quarto problema estava ligado à transferência de membros, sobretudo quan­do a pessoa fora excluída de uma igreja e desejava entrar em outra.
As igrejas necessitavam de um sistema e de ordem a fim de seguir em frente unidas. Isso porque vivemos em um mundo imperfeito, com pessoas nada perfeitas.

Crise no Ministério
Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho, 1 Corintios 9:14
Os pastores podem até tratar das coisas celestiais, mas até eles necessitam de alimento material, e isso tem um custo.
Como pagar os ministros na denominação em desenvolvimento foi uma ques­tão que se transformou em crise na metade dos anos 1850. Um dos casos foi a situação do jovem John Nevins Andrews, que posteriormente serviu a igreja como seu principal erudito, primeiro missionário oficial em terras estrangeiras e presi­dente da Associação Geral. Contudo, na metade da década de 1850, a exaustão e as privações o forçaram se afastar do ministério ainda aos vinte e poucos anos. No outono de 1856, ele trabalhava como balconista na loja de seu tio em Waukon, Iowa.
Aliás, Waukon se transformava rapidamente em uma colônia de apáticos adventistas guardadores do sábado. Outro ministro influente que encontrou refú­gio em Waukon em 1856 foi John Loughborough, o qual ficara, em suas palavras, "um pouco desanimado com as finanças".
O casal White reverteu temporariamente a crise no ministério adventista, fazendo uma viagem perigosa a Waukon, no meio do inverno, com o objetivo de despertar a adormecida comunidade guardadora do sábado e recuperar os minis­tros desertores.
No entanto, isso não mudou a realidade financeira. Por exemplo, durante os três primeiros meses de trabalho após deixar Waukon, Loughborough recebeu casa e comida, um casaco de pele de búfalo que valia cerca de 10 dólares e mais 10 dóla­res em dinheiro. O problema estava longe de uma solução. A Sra. Loughborough deve ter chegado a essa conclusão.
Tiago White escreveu: "Estou cansado de ver declarações de necessidade entre nossos pregadores e apelos por recursos na Review. Estou cansado de publicá-los. Esses apelos inespecíficos para todos, e não a alguém em particular, não chegam a lugar nenhum, só servem para encher papel e incomodar o leitor. Tais coisas pre­judicam a Review e são uma mancha à causa."
Os obreiros cristãos não vivem só de pão, mas necessitam dele. A esposa e os filhos também. Paulo é claro ao afirmar: os "que pregam o evangelho que vivam do evangelho."
Como? A resposta é óbvia: com a contribuição de cada um de nós.
Ao provermos recursos para seu sustento, participamos da bênção do minis­tério deles.

Como Conseguir Recursos?
No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando. l Coríntios 16:2
O angariamento de recursos para a obra dos adventistas guardadores do sábado era uma questão central na metade dos anos 1850. Samuel H. Rhodes de Brooksfield, Nova York, tornou-se, sem saber disso, o catalisador do diálogo para a criação de um plano nesse sentido, ao enviar dois dólares para a Review, em dezembro de 1856, dizendo a Tiago White que acreditava no que dizia l Coríntios 16:2, sobre o dever de separar dinheiro para a causa do Senhor a cada domingo.
White ficou empolgado com as possibilidades desse plano. "Recomendamos a todos os cristãos uma análise cuidadosa desse texto. É evidente que se trata de uma obra individual que 'cada um' deve realizar no temor de Deus." Se todos os adventistas fizessem como Rhodes, "o tesouro do Senhor estaria cheio de recur­sos para o avanço da preciosa causa da verdade".
Três semanas depois, outra pessoa enviou dinheiro para a Review, citando o mesmo texto. White observou: "é impossível criar um plano melhor do que o apre­sentado pelo apóstolo." "Apeguem-se a ele", desafiou os leitores. Entretanto, como Brian Strayer destaca, eles "não se apegaram". Em abril de 1858, White escreveu: "desanimos repetidos estão entristecendo e desencorajando nossos pregadores." Alguns "se mudaram na expectativa de ser sustentados pelos irmãos [...] mas estes, com frequência, têm falhado em seu dever". Por isso, vários ministros "estão afun­dados na pobreza, saúde fragilizada e desencorajamento".
Nessa época, Tiago White, um tanto desesperado, pensou num segundo plano, apelando a que enviassem equivalente aos impostos anuais. "Contudo", observa Strayer, "se os adventistas já haviam demonstrado relutância em adotar o plano de l Coríntios 16, pareciam ainda mais hesitantes em responder ao plano do impos­to eclesiástico". Três semanas depois, White disse que Satanás "exultava" por causa da falta de um programa bem-sucedido para financiar a igreja.
Diante disso, em 1858, a congregação de Battle Creek, formou um grupo de estudo, para pesquisar na Bíblia um plano de apoio financeiro ao ministério. Sob a liderança de John Andrews, o grupo desenvolveu um conceito que seria adotado no início de 1859.
Às vezes nos esquecemos de como aqueles que nos antecederam lutaram com questões que nunca nos incomodaram. A verdade pura e simples é que estamos sobre os ombros deles, beneficiando-nos, a cada dia, de suas provas e soluções. E podemos aprender com suas dificuldades.

Benevolência Sistemática
Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. 2 Coríntios 9:7
Em fevereiro de 1859, Tiago White anunciou, com alegria, os resultados que o grupo de estudo havia descoberto sobre como custear a obra da igreja. Ele apre­sentou um conceito conhecido como "benevolência sistemática", que daria a todos os membros a oportunidade de fazer doações regulares para o sustento da igreja.
Bem convicto de que tal plano provinha de Deus, White enfatizou l Coríntios 16:2 a fim de justificar ofertas semanais, e textos como 2 Coríntios 9:5-7, que lançam o princípio de colher o que foi semeado, e de que o Senhor ama quem dá com alegria.
White não só anunciou o novo plano de benevolência sistemática, como tam­bém estabeleceu diretrizes. Homens de 18 a 60 anos de idade deveriam dar de cinco a 25 centavos de dólar por semana, ao passo que mulheres da mesma faixa etária contribuiriam com dois a dez centavos. Todos deveriam acrescentar de um a cinco centavos a cada 100 dólares de propriedades que tivessem.
Seguindo l Coríntios 16:2, os fundos da benevolência sistemática eram reco­lhidos a cada manhã de domingo, quando os tesoureiros visitavam os membros, com suas salvas de ofertas e o livro de registro da benevolência sistemática.
Como você já deve imaginar, isso não foi recebido com entusiasmo por todos. Porém, dois anos depois, Tiago White mostrou o lado animador da situação ao escrever: "todos esperam" o tesoureiro, "preparam-se para recebê-lo e o encontram de mãos abertas e sentimento benevolente". Escreveu ainda: "ninguém se sente mais pobre, mas todos ficam felizes depois de depositar as pequenas quantias no tesouro."
Entretanto, o uso dos recursos se tornou um problema. A princípio, White suge­riu que cada congregação decidisse por si. Depois, propôs que cada igreja tivesse pelo menos cinco dólares em caixa para auxiliar os pregadores visitantes e envias­se o restante para o evangelismo em Michigan.
A benevolência sistemática, ou o que muitos conheceriam no futuro como "irmã Betsy", foi um passo à frente, mas ainda estava bem aquém das necessidades da igreja. Além disso, em 1859, os guardadores do sábado ainda careciam de uma maneira sistemática de usar os recursos para pagar os pastores.
A maioria de nós agradece porque nos dias atuais o tesoureiro da igreja não bate à nossa porta com um livro de registros em mãos. Deus nos conduziu a um siste­ma melhor, menos invasivo e mais adequado para prover recursos à Sua igreja.

Dízimo: Um Sistema Superior
Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em Minha casa. Ponham-Me à prova, diz o Senhor dos Exércitos. Malaquias 1:10, NVI
É interessante notar que os primeiros debates sobre a benevolência sistemáti­ca não citavam Malaquias 3:8-10, nem os escritores da Review enfatizavam as bên­çãos provenientes da fidelidade ao dar.
O que eles salientavam era o fato de a benevolência sistemática ter nature­za indolor e não requerer sacrifícios. Na verdade, era tão indolor e sem sacrifícios que não custeava de maneira adequada as necessidades da igreja em crescimento.
Só aos poucos os guardadores do sábado aceitaram o sistema de dízimos. Parece que alguns haviam pensando sobre isso em 1859, mas Tiago White estava convic­to de que a benevolência sistemática era superior ao "sistema israelita de dízimos".
As coisas começaram a mudar em fevereiro de 1876, quando Dudley Canright publicou uma série de artigos na Review, colocando Malaquias 3:8-11 em desta­que. Anunciando que os dízimos eram o plano bíblico para o sustento dos pasto­res, foi enfático em declarar: "Deus requer que o dízimo, ou um décimo de toda a renda de Seu povo seja dado para o sustento de Seus servos em seus labores." Ele continuou observando: "o Senhor não diz que você deve dar um décimo para mim, mas que a décima parte pertence a Ele." Uma vez que o dízimo já pertence a Deus, os cristãos estão meramente devolvendo para Ele. Canright também ressal­tou as bênçãos e a recompensa de dizimar. "Tenho total convicção de que a bên­ção especial do Senhor contempla aqueles que se mostram dispostos e liberais na devolução" de seu dízimo.
O sistema de dízimos obteve êxito no apoio financeiro à igreja, ao passo que a benevolência sistemática havia falhado. Na Assembleia da Associação Geral em 1876, Canright estimou que, se todos os membros devolvessem o dízimo com fide­lidade, a tesouraria receberia 150 mil dólares por ano, em vez de apenas 40 mil.
Canright continuou a apelar à Associação Geral que aprovasse o sistema de dízimos, o que aconteceu em outubro de 1876. É claro que, nessa época, a igreja já contava com uma estrutura organizacional para atuar como o "depósito" de Malaquias 3, coletando e distribuindo os recursos.
Senhor, agradecemos Tua orientação até mesmo nas questões financeiras da igreja. Valorizamos as bênçãos sobre os que seguem o plano bíblico dos dízimos e das ofertas.

Redefinição de Babilónia
Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a Terra. Gênesis 11:9
Por volta da metade de 1859, Tiago White estava pronto para lançar a iniciativa final rumo à organização formal da denominação. "Carecemos de um sistema", exclamou em 21 de julho. "Muitos de nossos irmãos estão dispersos. Guardam o sábado, lêem a Review com algum interesse, mas, além disso, fazem muito pouco ou nada, por falta de um método unido de ação entre eles." Para remediar a situa­ção, ele convocava reuniões regulares em todos os estados, a fim de dar um direcionamento para as atividades dos guardadores do sábado.
Ele escreveu: "Estamos cientes de que tais sugestões não serão bem recebi­das por todos. Os cautelosos em excesso ficarão assustados e logo advertirão seus irmãos a tomarem cuidado e não se aventurarem tão longe. Enquanto isso, o irmão Confusão bradará: 'Oh, isso parece Babilônia! Estão seguindo a igreja caída!'. O irmão Preguiça dirá: 'A causa é do Senhor, e o melhor que temos a fazer é dei­xá-la nas mãos dEle, que cuidará de tudo'. 'Amém', dizem o Amante-deste-mundo, o Indolente e o Egoísta. Já o Avarento fala: 'se Deus chama homens para pregar, que saiam e preguem, pois Ele cuidará de todos [...]'; enquanto Core, Data e Abirão estão prontos a se rebelar contra aqueles que sentem o peso da causa [por exem­plo, Tiago White] e que cuidam das almas como quem deverá prestar contas por elas, a ponto de levantarem o clamor: Vocês carregam um fardo pesado demais.'"
Tiago expressou do modo mais descritivo possível o fato de que estava can­sado de ouvir o clamor "Babilônia" toda vez que falava de organização. "O irmão Confusão comete o erro mais crasso ao chamar de Babilônia algo que está em har­monia com a Bíblia e com o bom senso. Uma vez que Babilônia significa confusão, nosso irmão errante tem a própria palavra estampada em sua testa. E nos aventu­ramos a dizer que não há ninguém debaixo do céu mais merecedor da marca da Babilônia do que aquele que professa a fé adventista, mas rejeita a ordem bíblica."
Nessa época, Tiago estava muito preocupado com a saúde do movimento adven­tista do sétimo dia. Em seu apelo por organização, redefiniu Babilônia, de "opres­são" para "confusão", palavra que descrevia adequadamente a situação em 1859.
Às vezes, é importante se posicionar e enfatizar nossas convicções bíblicas. Deus ainda usa homens e mulheres equilibrados e de convicção piedosa, assim como fez com Tiago White, a fim de ajudar Sua igreja a voltar para os trilhos. Que o Senhor nos dê coragem para erguer a voz no momento apropriado.

Pensamentos Grandiosos
Não havendo profecia, o povo se corrompe. Provérbios 29:18
Pensamentos pequenos levam a resultados medíocres. A maioria dos adventistas guardadores do sábado nos anos 1850 pensava pequeno. No entanto, a posi­ção estratégica de Tiago White no adventismo lhe possibilitou uma maneira dife­rente de enxergar as coisas.
Para Tiago, em 1859, o adventismo do sétimo dia estava confuso e exigia uma estrutura. Além disso, de acordo com seu pensamento, a igreja precisava compreender o crescimento da missão confiada a ela. Tiago também havia des­cartado sua maneira literalista de interpretar a Bíblia, deixando de crer que as Escrituras deveriam mencionar explicitamente cada aspecto da organização da igreja. Então, argumentava: "Não devemos temer um sistema que não se oponha à Bíblia e seja aprovado pelo bom senso."
Portanto, Tiago havia chegado a uma nova hermenêutica. Passara do princí­pio de interpretação que defende a aprovação mediante uma menção explícita nas Escrituras, para uma aprovação de tudo que não contradiz a Bíblia.
Essa mudança de pensamento foi essencial para os passos criadores da orga­nização eclesiástica que ele defenderia durante a década de 1860.
No entanto, essa revisão da maneira de interpretar o colocou em oposição àque­les que continuavam a defender uma abordagem literalista à Bíblia, exigindo que esta declarasse com todas as letras qualquer coisa que a igreja se propusesse a aceitar.
Para reagir a essa mentalidade, White observou que, em nenhuma parte, a Bíblia dizia que os cristãos deveriam ter um periódico semanal, uma editora a vapor, construir prédios de adoração, nem publicar livros. Ele prosseguiu afirmando que a "igreja viva de Deus" necessitava avançar com oração e bom senso.
Tiago White pensava grande. Ele pode não ter começado assim, mas, à medi­da que compreendeu a tarefa à frente da igreja, sua visão o forçou a ter pensamen­tos grandiosos e criativos.
Deus seja louvado por isso! Sem grandes pensadores como Tiago White, o adventismo do sétimo nunca teria ido além do canto nordeste dos Estados Unidos.
O Senhor ainda chama grandes pensadores para levar Sua igreja avante. E Ele pede a cada um de nós que tenhamos pensamentos mais grandiosos sobre aquilo que podemos fazer por Sua obra na Terra.

A Escolha de um Nome
O bom nome é melhor do que um perfume finíssimo. Eclesiastes 7:1, NVI
É difícil entender como um movimento com um crescimento tão grande existiu por quase duas décadas sem um nome. Entretanto, essa foi a história dos adventistas guardadores do sábado. Alguns achavam que escolher um nome igualaria o movimento às outras igrejas. Além disso, que texto bíblico manda as igrejas terem nome?
O último questionamento é verdadeiro, mas aquilo que a Bíblia não ordenou, o governo exigiu quando a igreja, dona de propriedades, precisou se transformar em pessoa jurídica. A crise do nome resultou da necessidade de transformar em empresa a editora adventista de Battle Creek, Michigan. No início de 1860, Tiago White recusava continuar a assumir a responsabilidade pelos aspectos financei­ros da instituição. Os guardadores do sábado precisavam fazer algo para manter as propriedades da igreja de "maneira adequada".
Tal sugestão acarretou reação vigorosa. Muito embora Tiago reconhecesse que a igreja não poderia se transformar em pessoa jurídica a menos que tivesse um nome. R. F. Cottrell escreveu que ainda acreditava que "seria errado 'fazer um nome para nós mesmos', uma vez que este seria o fundamento de Babilônia.
Tiago White foi totalmente contrário à sugestão de Cottrell de que o Senhor cuidaria da propriedade da igreja, declarando que "é perigoso deixar para Deus aquilo que Ele nos encarregou de fazer". Mais uma vez, usou o argumento crucial de que "nem todo dever cristão está listado nas Escrituras".
Em 1860, uma assembleia dos guardadores do sábado tomou três votos: a trans­formação da editora em pessoa jurídica, a "organização da propriedade da igreja", no que se refere às congregações locais, e a escolha de um nome para a denominação.
Muitos desejavam que fosse "Igreja de Deus", mas a liderança destacou que já havia grupos demais com esse nome. Enfim, David Hewitt sugeriu o nome adven­tistas do sétimo dia. Sua proposta foi aprovada, e muitos delegados reconheceram que era um nome "expressivo de nossa fé e posição [doutrinária]".
Ellen White permaneceu em silêncio durante o debate, mas posteriormente declarou sua exuberante opinião. Após as reuniões, escreveu: "O nome adventis­ta do sétimo dia exibe o verdadeiro caráter de nossa fé. [...] Como uma flecha na aljava do Senhor, fere os transgressores da lei divina, induzindo ao arrependimen­to e à fé no Senhor Jesus Cristo" (T1, p. 224). Grande é o valor de um "bom nome".

Enfim Organizados
E, promovendo-lhes em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor. Atos 14:23
Embora o conceito de ordem e estrutura da igreja não esteja ausente do Novo Testamento, esse não era um assunto preferido para muitos adventistas.
O tempo havia chegado. Em abril de 1861, os guardadores do sábado criaram uma comissão, recomendando a formação de associações distritais ou estaduais para supervisionar as atividades da igreja nas respectivas regiões.
As reações foram enérgicas, sobretudo nos estados do Leste. Tiago White rela­tou em agosto que "os irmãos da Pensilvânia votaram contra a organização, e a causa em Ohio foi terrivelmente abalada". Ele resumiu a situação: "Em nossa viagem para o Leste, até aqui temos prosseguido com dificuldade, enfrentando a influência de uma tola incerteza sobre a organização. [...] Estamos em muitos lugares, mas somos pouco mais do que fragmentos partidos, ainda espalhados e ficando mais fracos."
Ellen White era da mesma opinião. No mesmo mês, ela declarou: "Foi-me exposto que alguns temiam que nossas igrejas se tornassem Babilônia caso se organizassem; mas aqueles no centro do Estado de Nova York têm sido uma Babilônia perfeita, uma confusão. A menos que as igrejas sejam tão organizadas que possam impor a ordem, nada têm pelo que esperar; se desfarão em fragmentos." Ela achava deplorável a falta de "coragem moral" e o excesso de "silêncio covarde" por parte dos pastores que criam na organização, mas nada falavam. Suas pala­vras não deixavam dúvidas de que havia chegado o momento de eles "se unirem" sobre a questão (Tl, p. 270-272).
O momento para a ação chegara. Na reunião geral dos fiéis de outubro de 1861, o primeiro item na pauta era a "maneira apropriada de organização das igrejas". Uma das contribuições centrais da sessão foi a "recomendação" de que as igrejas no estado de Michigan se unissem sob o nome de Associação dos Adventistas do Sétimo Dia de Michigan. Tiago White se encheu de alegria. Para ele, isso era "um sinal de dias melhores". No ano seguinte, mais sete associações foram estabelecidas.
O que o diabo mais gosta de fazer é semear confusão. E ele consegue ter mais êxito nessa tarefa em meio a um grupo desorganizado. Infelizmente, o valor da organização só costuma ser valorizado depois que ela acaba.
Obrigado, Senhor, por aquilo que nos deste.

A Associação Geral
Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação. Efésios 4:4
Embora a formação de associações estaduais tenha sido útil, essa medida não solucionou todos os problemas administrativos. Quem, por exemplo, coordenaria o trabalho delas ou distribuiria os pastores pelas diferentes regiões? Joseph Harvey Waggoner levantou essa questão de maneira impetuosa em junho de 1862. Ele escreveu: "Não acredito que reconheceremos plenamente os benefícios da organi­zação até ser resolvido o assunto" de uma associação geral ou mais ampla. Vários leitores da Review responderam à proposta de Waggoner com declarações de apoio durante o verão de 1862.
Sem uma estrutura geral para representar todo o corpo de crentes, John Andrews argumentou: "Seremos lançados a um estado de confusão toda vez que houver necessidade especial de ação conjunta. Nos lugares em que a obra de orga­nização se iniciou da maneira adequada, ela tem produzido bons frutos; por isso, desejo vê-la completa, de modo que garanta todos os seus benefícios, não só para cada igreja, mas para todo o corpo de irmãos e para a causa da verdade."
B. F. Snook observou que sentimentos sectários já haviam se desenvolvido den­tro da jovem denominação, e a única maneira de conferir unidade ao movimento era por meio de uma "associação geral".
Como você já deve imaginar, Tiago White estava entusiasmado com essas decla­rações. Em sua opinião, a Associação Geral deveria ser "o grande órgão regulador" das associações estaduais, a fim de garantir "ação unida e sistema em todo o corpo de crentes". O dever da Associação Geral seria "delinear o plano geral de ação a ser seguido pelas Associações estaduais". Logo, "se a Associação Geral não tiver autorida­de mais elevada do que as associações estaduais, não vemos muita utilidade para ela". Sua função seria coordenar a obra da igreja em todo o seu espectro geográfico.
A Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia organizou uma reu­nião para esse propósito, de 20 a 23 de maio de 1863 em Battle Creek. Esse passo de importância crucial abriu caminho para uma igreja unida que, com o tempo, levaria as três mensagens angélicas de Apocalipse 14 até os confins da Terra. A extensão do programa missionário adventista nunca se realizaria por meio de um grupo de igrejas desconexas ou associações com interesses distintos.
Senhor, muito obrigado pela união e a força que vêm da organização.

Meditação Diária


Para Não Esquecer
George R. Knight
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A vida que vale a pena

Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. João 10:10, ARA “A maneira como vivemos é mais importante do que quanto tempo vivemos.” Encontrei essa frase e a história abaixo no livro A Revolução do Espírito, que, entre outros relatos, retrata a vida de Svea Flood. Ela e o esposo, David, em 1921, deixaram a Suécia, depois de aceitar o chamado divino para serem missionários no Congo. Com outro casal de missionários, resolveram evangelizar uma região remota do país. Chegaram à vila de N’dolera, mas não foram aceitos ali, pois o chefe tribal acreditava que se permitisse a presença dos missionários, os deuses locais ficariam insatisfeitos e abandonariam a região. Mesmo com a recusa, resolveram não desistir e se estabeleceram em uma montanha próximo à tribo, onde construíram cabanas de barro enquanto oravam para terem oportunidade de evangelizar o lugar. Isolados na montanha, a única pessoa com quem podiam ter contato era um menino, que havia sido autorizado a visitá-…

Alimentação: O que é preciso entender sobre a dieta de Adão e Eva?

“E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento”. Gênesis 1:29
Já no primeiro capítulo da Bíblia, existe uma orientação sobre qual deveria ser a alimentação do ser humano. Mas é importante compreender quais alimentos faziam parte desta alimentação original. Toda erva que dê semente é uma expressão que faz referência aos cereais (arroz, trigo, aveia, milho, centeio e cevada) e às leguminosas (feijões, grão de bico, lentilha, ervilha, soja, tremoço e amendoim).
E toda árvore, em que há fruto e que dê semente é uma referência agora são as frutas e também as sementes oleaginosas (castanhas em geral). Isso vos será para mantimento, ou seja, essa era a alimentação original de Adão e Eva. Devemos lembrar que Deus sempre tem lições para nos ensinar por meio da sua palavra. No contexto em que Adão e Eva vivam no Éden, onde não havia morte essa deveria se…

A didática da repetição

“Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa” (Mateus 6:2).
Três vezes no capítulo 6 Jesus utiliza o mesmo padrão para atingir Seu objetivo. Ele sabia que a mente humana enfraquecida pelo pecado precisa ouvir as coisas mais de uma vez para assimilar uma lição. E Jesus é o mestre por excelência.
Repare no Seu estilo. Primeiro, Ele delineia o princípio geral no versículo inicial: Não pratique atos piedosos para ser visto pelos outros. Os que assim procedem não receberão outra recompensa a não ser sua própria atitude egocêntrica. Depois, Ele passa a ilustrar essa lição principal a respeito da esmola (versos 2 a 4), da oração (versos 5 e 6) e do jejum (versos 16 a 18).
Todas as três ilustrações seguem o mesmo padrão. Primeiro, vem a descrição da falsa forma de piedade, que se concentra na exibição pública da “santid…

Salmo 23

Eu sou o bom pastor. João 10:11 É impossível ler o versículo acima sem se lembrar do salmo mais famoso da Bíblia. O Salmo 23 está entre o 22 e o 24. Você deve estar pensando agora: “Mas isso é óbvio!” Sim, é óbvio; porém, há bastante informação nessa obviedade. O Salmo 22 é conhecido como o salmo da cruz. Nesse texto, o salmista retrata o sofrimento do Messias, e o primeiro verso dessa poesia foi citado pelo próprio Cristo em sua agonia no Calvário: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Marcos 15:34). O Salmo 24, por sua vez, é tido como o salmo da glória. Nessa passagem belíssima, o Messias é exaltado e tem sua recepção nas cortes do Céu retratada. Assim, entre o salmo da cruz (22) e o salmo da glória (24), está o salmo do pastor (23). O que isso nos ensina? De certa forma, a sequência desses capítulos na Bíblia revela a trajetória de Jesus em sua missão de salvar a humanidade e pode indicar também como ocorre o processo de salvação na vida de cada um. Ning…