1 de junho de 2015

Para Não Esquecer - Meditação Diária

Retrospectiva da Organização - 1
Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo nAquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor. Efésios 4:15, 16
A organização da Associação Geral marcou o fim de uma era na história adventista. Os adventistas do sétimo deixaram um formato quase desprovido de estru­tura para assumir outro levemente hierárquico.
Os White (líderes "não oficiais" da igreja) estavam bem satisfeitos com a nova organização. Os dois tinham vivenciado bem de perto a condição caótica do adventismo durante o fim dos anos 1840 e início da década de 1850. Por isso, nunca dei­xavam de elogiar a autoridade da igreja exercida de maneira adequada.
Ellen White escreveu uma de suas declarações mais fortes sobre o valor da organização em 1892. Olhando para o passado, recordou: "Enfrentamos uma luta difícil para estabelecer a organização. Apesar de o Senhor dar testemunho após testemunho sobre o assunto, a oposição era ferrenha e precisava ser enfrentada vez após vez. Mas sabíamos que o Deus de Israel estava nos conduzindo e guian­do mediante Sua providência. Engajamo-nos na obra de organização, e prosperi­dade marcante resultou desse movimento de avanço. [...]
"O sistema de organização demonstrou ser um grande sucesso. [...] Não permi­ta que ninguém abrigue o pensamento [...] de que podemos prescindir da organi­zação. Foi-nos necessário bastante estudo e muitas orações pedindo sabedoria, as quais sabemos que Deus respondeu, para criar essa estrutura. Ela foi erguida sob a orientação divina. [...] Não deixe nenhum de nossos irmãos se enganar e tentar lançá-la por terra, pois você acarretará uma condição com a qual não sonhou. Em nome do Senhor, eu lhe declaro que ela precisa permanecer, ser fortalecida, estabe­lecida e consolidada. [...] Que todos sejam extremamente cautelosos e não inquie­tem a mente com coisas que Deus ordenou para nossa prosperidade e sucesso no avanço de Sua causa (Ct 32a, 1892).
Deus acredita na organização, e eu também. A propagação do evangelho eterno e dos outros ensinos de Apocalipse 14 a todo o mundo não aconteceu por aciden­te. Os adventistas desenvolveram a organização para fazer avançar a missão deno-minacional. Foi isso que aconteceu. O sucesso da decisão de criar uma Associação Geral, em junho de 1863, para servir de órgão coordenador deixaria absolutamente surpresos aqueles que votaram a favor de tal passo.


Retrospectiva da Organização - 2
Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho que o Espírito Santo entregou aos seus cuidados. Atos 20:28, NTLH
A força propulsora por trás da iniciativa de organização era um complexo inte­grado de ideias. Uma das mais importantes era a crescente compreensão da mis­são da igreja, baseada na Bíblia. Em 1861, alguns líderes da denominação concluí­ram que precisavam alcançar o mundo e, em 1863, a recém-formada comissão diretiva da Associação Geral começou a discutir o envio de um missionário para terras estrangeiras. Uma visão mais ampla da missão levou a um reconhecimento mais abrangente da necessidade de desenvolver uma organização adequada para custear essa missão. Em suma, Tiago White e outros passaram a perceber gradual­mente que nenhum esforço missionário significativo poderia ser realizado sem um sistema racional e eficaz de apoio financeiro.
Uma segunda realidade que aiudou Tiago e seus companheiros de fé a expandir seu conceito de estrutura da igreja foi a necessidade de manter a unidade doutri­nária. Em 1864, ele contrastou os bons frutos da organização adventista do sétimo dia com a "condição miseravelmente confusa daqueles que rejeitam a organização".
George Butler desenvolveu essa linha de raciocínio um pouco mais em 1873, quando escreveu: "Somos um povo completamente organizado, e nossa organiza­ção não se baseia em meras aparências, mas em um sólido fundamento. Depois de lutar contra todo tipo de influência interna e externa, agora somos uma unidade, falamos a mesma coisa de um oceano a outro, e não é fácil nos quebrar em pedaços."
A questão doutrinária, é claro, estava fortemente ligada à missão. Como os membros se encontravam unidos na doutrina, mostravam-se dispostos a se unir na missão de levar a mensagem aos extremos dos Estados Unidos e, futuramen­te, a todo o mundo.
Por fim, foi a missão da igreja que exigiu uma estrutura eclesiástica adequa­da. Conforme Tiago White observou repetidas vezes: "Não foi a ambição de criar uma denominação que levou à organização, mas, sim, a pura necessidade do caso."
Para Tiago, em 1871, a marca de um sistema adequado era ver "a engrenagem funcionando bem". Ao mesmo tempo, os primeiros adventistas buscavam basear suas estruturas organizacionais em um fundamento que se encontrasse em har­monia com os ensinos bíblicos sobre os princípios subjacentes à natureza e mis­são da igreja. No longo prazo, a organização consistiu num subproduto da com­preensão bíblica da igreja de seu oapel de advertência ao mundo no tempo do fim antes do segundo advento.


Os Bons e Velhos Tempos Eram Terríveis - 1
Acaso, não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Jeremias 8:22
Certa vez, C. P. Snow escreveu: "Ninguém, em sã consciência, escolheria nas­cer em uma época passada, a menos que tivesse a certeza de que pertenceria a uma família próspera, desfrutaria ótima saúde e conseguiria aceitar estoicamente a morte da maioria de seus filhos."
Para ser claro, os bons e velhos tempos não eram, nem de perto, tão maravi­lhosos quanto a nostalgia faz parecer. A expectativa de vida ao nascer [nos Estados Unidos] era de 32 anos em 1800,41 em 1850,50 em 1900 e 67 em 1950. A expecta­tiva de vida atual das mulheres nos Estados Unidos é de cerca de 80 anos, e a dos homens, um pouco inferior. Por que a mudança? A resposta é simples: melhores hábitos, saneamento e assistência médica.
Os hábitos de saúde da maioria das pessoas no século 19 deixavam muito a desejar. Os abastados engoliam grandes quantidades de alimento com toda rapi­dez e, para piorar, boa parte do que comiam não era saudável. As frutas e ver­duras eram evitadas por muitos, pois acreditavam que uma epidemia mortal de cólera, de 1832, fora ocasionada pelas frutas. Além disso, muitos suspeitavam que as frutas e verduras causavam prejuízos maiores às crianças. Noções básicas de nutrição eram desconhecidas. Além disso, até mesmo os bons alimentos costu­mavam ser encontrados em péssimas condições, por causa do processamento anti-higiênico e da falta de refrigeração.
É claro que a alimentação era apenas parte do problema da saúde. O hábi­to de tomar banho, por exemplo, também era insatisfatório. A maioria se banha­va raramente, e algumas autoridades afirmavam que o norte-americano comum nos anos 1830 nunca havia tomado um banho na vida. Em 1855, a cidade de Nova York tinha apenas 1.361 banheiras para seus 630 mil habitantes. Em 1882, somen­te cerca de 2% das casas de Nova York tinham água encanada.
Em 1872, quando Ellen White recomendou às "pessoas que estão com saúde" a tomar "pelo menos dois banhos por semana" (T3, p. 70), estava à frente no aspec­to de cuidados pessoais com a saúde. Quando lemos os escritos de Ellen White e de outros reformadores de saúde de sua época, precisamos avaliá-los naquele con­texto de ignorância, doença e morte. Podemos louvar ao Senhor por vivermos em dias melhores.


Os Bons e Velhos Tempos Eram Terríveis - 2
Também haverá um lugar fora do acampamento, para onde irás. Dentre as tuas armas terás um porrete; e, quando te abaixares fora, cavarás com ele e, volvendo-te, cobrirás o que defecaste. Deuteronômio 23:12, 13
Talvez você ache o texto de hoje estranho para um devocional, mas a verda­de é que Deus se importa com todos os aspectos de nossa vida. Se os seres huma­nos tivessem seguido as instruções das Escrituras para a saúde ao longo da histó­ria, milhões de vidas teriam sido salvas de doenças e epidemias. Caso tais vidas lossem as de seus queridos, você agradeceria ao Senhor por textos como este de Deuteronômio.
O saneamento básico era um dos problemas de saúde nos Estados Unidos no meio do século 19. Até mesmo lares de classes média e alta tinham privadas do lado de fora. A cidade de Nova York, por exemplo, só contava com 10.388 banhei­ros internos, em 1855. E o vazamento de latrinas coletivas contribuía para a proli­feração de bactérias nos lençóis freáticos.
As cidades não cuidavam do lixo. A maior parte acabava nas ruas, para os suí­nos esbanjarem livremente. Nos anos 1840, Nova York contava com milhares de porcos que ajudavam a cuidar do problema.
É claro que havia ainda fezes de cavalo em todos os lugares, que, durante o clima úmido, misturavam-se com a lama das ruas, quase todas sem pavimento. Quando o tempo estava seco, isso se transformava em uma poeira rica em subs­tâncias maléficas que soprava sobre todos. Na cidade de Nova York, em 1900, os cavalos depositavam mais de mil toneladas de esterco e quase 16 mil litros de urina nas ruas por dia. H. L. Menken descreveu certa cidade norte-americana como um "fedor sólido". A vida rural não era muito mais saudável, uma vez que a maioria das casas era cercada por "uma expansão de sujeira e estrume".
Os "bons e velhos tempos" eram uma época de ignorância, a qual cobrava um alto preço em vidas humanas Por exemplo, a epidemia de febre amarela que ocor­reu em 1878, em Memphis, Tennessee, matou 5.150 pessoas, de uma população de 38.500. As pessoas atribuíam a febre amarela e outras epidemias ao ar ruim, que as autoridades chamavam de "miasma". Por isso, muitos tinham o costume de dormir em quartos mal ventilados ou completamente fechados, a fim de conservar a saúde.
Obrigado, Deus, pelas coisas simples da vida, como a água limpa e o ar puro.


Os Bons e Velhos Tempos Eram Terríveis - 3
Nisto, chegou uma mulher que fazia doze anos que estava com uma hemorragia. Ela havia gastado com os médicos tudo o que tinha, mas ninguém havia conseguido curá-la. Lucas 8:43, NTLH
Durante a maior parte do século 19, se você adoecesse, com certeza não sen­tiria vontade de ir a um hospital. A permanência ali costumava ser uma sentença de morte em uma era anterior ao conhecimento dos germes. As epidemias eram visitas regulares naquelas instituições anti-higiênicas, originalmente fundadas para atender os pobres. Na década de 1840, o hospital era o último recurso. As pessoas que tinham condições contavam com atendimento domiciliar.
Infelizmente, a prática médica domiciliar não era muito sofisticada. As doen­ças eram tratadas como um desequilíbrio nos "humores" corporais, A cura con­sistia em reequilibrá-los. O primeiro passo nesse processo envolvia extrair parte do "excesso" de sangue, em geral, de 500 ml a um litro. A "purificação" do corpo costumava vir após a sangria. Em geral, os médicos realizavam isso por meio da administração de drogas poderosas, muitas vezes compostas, em parte, por mer­cúrio e estricnina, substâncias que hoje sabemos serem extremamente venenosas.
No entanto, numa época em que se acreditava que febre, diarreia e vômito eram sintomas de recuperação, tais drogas provocavam o efeito desejado de esva­ziar o corpo rápida e violentamente do excesso de fluidos.
As cirurgias não envolviam anestesia. É só nos lembrarmos de Uriah Smith sofrendo a amputação de uma perna na mesa da cozinha, sem nenhum anestésico, apenas segurando a mão da mãe. Mesmo após a cirurgia, a perspectiva de recupe­ração era pouca, ao se considerar a falta de condições sanitárias.
Quanto estudo era necessário para alguém se tornar um médico? Não era preciso muito. Quatro a oito meses, em instituições que conferiam diplomas em série garantiam a formatura em medicina, mesmo se a pessoa não tivesse concluí­do o ensino médio. Não surpreende que Oliver Wendell Homes tenha declarado: "Se todos os materiais médicos usados hoje fossem parar no fundo do mar, seria ótimo para a humanidade e péssimo para os peixes." Edson, filho de Ellen White, tinha um desses diplomas em medicina. Num gracejo sobre sua experiência, disse que o médico "é o vilão, [...] e a velha fábrica de médicos em série deveria ser joga­da no [rio] Delaware".
O erro mata. A verdade liberta.


O Surgimento dos Reformadores de Saúde
E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. João 8:32
É no contexto da ignorância relativa à saúde que presenciamos a ascensão do movimento norte-americano de reforma da saúde durante os anos 1830. Um dos reformadores mais influentes e representativos foi Sylvester Graham. Obtemos um vislumbre de suas ideias em um artigo de 1837 extraído do The Graham Journal. Segundo ele: (1) "os principais alimentos devem ser verduras e frutas"; (2) o pão deve ser feito de farinha não refinada; (3) "pode-se usar um bom creme, em vez de man­teiga"; (4) a comida deve ser totalmente mastigada; (5) "carne e peixe [...] é melhor omitir"; (6) deve-se evitar gordura, molhos pesados e condimentos apimentados; (7) "todo o tipo de estimulante, como chá, café, vinho, tabaco (em todas as suas formas), cidra, cerveja [...] estão proibidos"; (8) "água pura e fresca" é a melhor bebi­da; (9) "a última refeição do dia deve ser leve" e consumida de três a quatro horas antes de se deitar; (10) "não se deve comer nada entre as refeições"; (11) evite comer demais; (12) "a abstinência sempre é melhor do que tomar remédio"; (13) deve-se dormir cerca de sete horas por dia em um "quarto com ventilação adequada"; (14) evite roupas apertadas; (15) "banhos [até mesmo diários] em água morna ou fria são muito recomendados; (16) "exercitar-se ao ar livre é muito necessário"; e (17) o pão só deve ser consumido de 12 a 24 horas depois de pronto.
Para os reformadores religiosos, as leis de saúde eram divinas. Por isso, Theodore Dwight Weld afirmava: "estas são leis de Deus, assim como Amarás o Senhor de todo o teu coração' e 'Amarás o próximo como a ti mesmo.'" Obedecer a essas orientações significava um corpo saudável, ao passo que a desobediência tra­ria enfermidade. A escolha, sugeriu Weld, era "entre obedecer a Deus e resistir a Ele, preservar a vida ou destruí-la, guardar o sexto mandamento ou cometer suicídio".
Claramente relacionada ao movimento de reforma da saúde e muito compatível com ele foi a ascensão de formas de prática médica que se opunham às técnicas de medicação e sangria da medicina padrão da época. Uma delas, a hidroterapia, reco­mendava a aplicação interna e externa de água para fins terapêuticos. Os médicos da cura pela água costumavam adotar o sistema de saúde proposto por Graham.
Às vezes, os adventistas acham que a reforma da saúde se originou em nossa igreja. Mas não! Deus ama todas as pessoas e toca o coração de muitas para aliviar os ais de um planeta doente. Graças ao Senhor pela extensão de Sua misericórdia!


Ellen White e os Reformadores de Saúde - 1
Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o Seu rosto sobre nós [...] para que sejam conhecidos na Terra os Teus caminhos, a Tua salvação entre todas as nações. Salmo 67:1, 2, NVI
Aqueles que têm conhecimento dos conselhos de Ellen White sobre saúde reco­nhecem que ela estava em harmonia com a maior parte das opiniões dos reforma­dores de saúde. Logo, estava em boa companhia quando rejeitou o "uso de drogas venenosas", que, "em lugar de ajudar a natureza, estão de contínuo paralisando os seus esforços" (CBV, p. 126; MS, p. 224).
Em um tom mais positivo, Ellen White apoiou os reformadores na recomenda­ção dos remédios naturais: "Ar puro, luz solar, abstinência, repouso, exercício, regi­me conveniente, uso de água e confiança no poder divino" (CBV, p. 127).
Os adventistas estavam cientes da concordância de Ellen White com os refor­madores de saúde de sua época, assim como de suas contribuições específicas. Por isso, J. H. Waggoner escreveu em 1866: "Não professamos ser pioneiros nos princí­pios gerais da reforma de saúde. Os fatos em que esse movimento se baseia foram elaborados, em grande escala, por reformadores, médicos e escritores sobre fisio­logia e higiene espalhados pela terra. Mas afirmamos que, pelo método da escolha divina [conselhos de Ellen White], a reforma foi mais clara e poderosamente expla­nada, causando um efeito que não poderíamos esperar de outra fonte.
"Quando consideradas meras verdades fisiológicas e higiênicas, podem ser estu­dadas por alguns em seu tempo livre e deixadas de lado por outros, como se não houvesse consequências; mas quando a reforma da saúde é colocada no mesmo nível das grandes verdades da terceira mensagem angélica, por sanção e autorida­de do Espírito de Deus, e considerada o meio que dará a um povo fraco forças para vencer, além de limpar nosso corpo enfermo e adequá-lo para sermos trasladados, ela se torna parte essencial da verdade presente."
Uma das contribuições de Ellen White foi a integração da mensagem da refor­ma de saúde à teologia adventista.
Desde a primeira vez em que ela escreveu sobre o assunto em 1863 até o pre­sente, os adventistas do sétimo dia têm tido um estilo de vida distinto. A longevi­dade dos adventistas praticantes da reforma de saúde tem sido demonstrada para o mundo. Esse conceito de saúde deve estar presente em todas as áreas de nossa vida.


Ellen White e os Reformadores de Saúde - 2
Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. João 16:12
Os adventistas nem sempre foram reformadores de saúde. Veja o exemplo das carnes imundas. Em novembro de 1850, Tiago White constatou que alguns dos guardadores do sábado estavam "perturbados a respeito da ingestão de carne suína" e que alguns se abstinham dela. Ele não objetava a essa prática, mas declarou: "De forma alguma acredito que a Bíblia ensina que seu uso adequado, na dispensação do evangelho, seja pecaminoso." Sua verdadeira objeção era a indivíduos que dis­traíam outros do centro da mensagem: o sábado na perspectiva do tempo do fim.
Anos depois, sua esposa escreveu a uma mulher chamada Curtis, dizendo que a ingestão de carne suína não era prova de fé. Tiago escreveu no verso: "Para que você saiba qual é nossa posição sobre esse assunto, devo dizer que acabamos de abater um porco de 90 quilos."
Em 1859, Ellen White aconselhou Stephen N. Haskell e outros: "Suas ideias sobre a carne de porco não seriam prejudiciais se vocês as retivessem para si mes­mos, mas, em seu julgamento e opinião, os irmãos têm feito dessa questão uma prova, e seus atos têm demonstrado o que vocês crêem sobre isso" (T1, p. 206,207).
Ela prosseguiu afirmando: "Se Deus achar por bem que Seu povo se abstenha da carne de porco, Ele nos convencerá a respeito. [...] Se for dever da igreja abster-se da carne de porco, Deus o revelará a mais do que duas ou três pessoas. Ele ensi­nará a Sua igreja o dever dela.
"Vi que os anjos de Deus não levariam Seu povo mais depressa do que pudes­se compreender e agir segundo as importantes verdades que lhe são comunicadas. Mas alguns espíritos inquietos [...] anseiam por algo novo e apressam-se [...] cau­sando assim confusão e discórdia nas fileiras. Eles não falam nem agem em har­monia com a igreja" (ibid., p. 207).
Ellen White sempre manteve a firme convicção de que Deus estava forman­do um povo e quando este se unia em determinado assunto (mas não antes disso), Ele o guiaria para o passo seguinte. O progresso até 1863 fora bem claro. Primeiro eles se uniram em doutrina, depois, na organização. Só então ficaram prontos para receber a guia divina acerca da reforma de saúde e de outras questões de estilo de vida. A orientação divina sempre se pauta por uma lógica.


Mas Havia um Reformador de Saúde
O Senhor afastará de ti toda enfermidade. Deuteronômio 7:15
Assim como em tantas outras áreas, José Bates foi pioneiro na reforma de saúde. Em 1821, o capitão abandonou as bebidas destiladas, por perceber que aguarda­va com mais expectativa sua dose diária do que o alimento. Logo depois, deixou o vinho em 1822, o tabaco em 1823, e todas as outras formas de álcool em 1824. Em 1831, parou de consumir chá e café. Ele escreveu: "Essas substâncias causavam um efeito tão forte em meu organismo inteiro que eu só conseguia descansar ou dormir depois da meia-noite."
Em seguida, vieram os alimentos cárneos. Ele se recorda: "Em fevereiro de 1843, resolvi que não comeria mais carne. Alguns meses depois, parei de consu­mir manteiga, gordura, queijo, tortas e bolos recheados."
Ele ficou atento às vantagens da alimentação vegetariana pela primeira vez em 1820, ao descobrir que dois trabalhadores irlandeses que se alimentavam a base de batata produziam mais do que sete a oito de seus homens consumidores de carne. Mais tarde, escritores como Sylvester Graham o levaram ainda mais longe.
A vida de Bates era uma propaganda dos benefícios da reforma de saúde. Em contraste com quase todos os outros líderes, sua saúde era excepcional. Desde que deixou o mar no fim dos anos 1820, só sabemos de duas ocasiões em que ele adoe­ceu, provavelmente, de malária.
Aos 79 anos de idade, testemunhou em uma convenção de saúde: "Minhas convicções anteriores eram que, caso me fosse permitido viver até esta idade, eu seria um inválido sofredor, por causa de minha exposição precoce à vida do mar. Contudo, graças a Deus, [...] encontro-me completamente livre de incômodos e dores, com a alegre perspectiva de que, se continuar a reforma e abandonar todo erro, eu me apresentarei, com os seguidores remidos do Cordeiro, sem falta peran­te o trono de Deus."
No entanto, antes do início da década de 1860, Bates era um reformador de saúde silencioso sobre o assunto. Quando lhe perguntavam por que não fazia uso de determinados alimentos, sua resposta costumeira era: "Já comi demais esse tipo de coisa." Tiago White relata: "Ele não mencionava seus pontos de vista sobre a ali­mentação adequada em público naquela época, nem em particular, a menos que lhe perguntassem sobre o assunto." Entretanto, isso mudou em 1863.
Devemos refletir sobre o elo entre vida saudável e saúde vigorosa. Tal relação não era acidental na vida de Bates e tampouco será na nossa.

A Visão da Reforma de Saúde
Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da farte de Deus? 1 Coríntios 6:19
Dias atrás, destacamos que o conhecimehto da verdade é progressivo e que Deus conduz Seu povo passo a passo. Foi assim com a reforma de saúde. Depois que os passos doutrinário e organizacional foram dados, as questões relativas ao estilo de vida (inclusive a reforma de saúde) foram a etapa seguinte no desenvolvi­mento do adventismo e da verdade presente.
No dia 6 de junho de 1863, apenas quinze dias depois da criação da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen White teve uma das visões mais influentes de todo seu ministério. Mais tarde, naquele dia, ela escreveu: "Vi que agora devíamos ter especial cuidado da saúde que Deus nos deu, pois nossa obra ainda não tinha sido realizada. [...] Vi que devemos incentivar uma disposição men­tal cheia de ânimo, esperança e paz, pois nossa saúde depende de fazermos isso. [...] Quanto mais perfeita for nossa saúde, tanto mais perfeito será o nosso trabalho.
"Não devemos confiar o cuidado de nós mesmos a Deus, para que Ele zele e cuide daquilo que Ele nos encarregou de vigiar e cuidar. Não é seguro, nem agra­da a Deus que violemos as leis da saúde, pedindo então que Ele cuide de nossa saúde e nos livre de doenças, quando estamos vivendo diretamente ao contrário de nossas orações.
"Vi que era um dever sagrado zelar de nossa saúde, e despertar outros para seu dever [...]. Temos, porém, o dever de falar e de batalhar contra a intemperan­ça de toda espécie - intemperança no trabalho, no comer, no beber e no uso de medicamentos - indicando-lhes então o grande remédio de Deus: água, água pura, para doenças, para a saúde, para higiene e como um prazer" (ME3, p. 279, 280).
Embora se tratasse de um conselho pessoal para Tiago e Ellen, ele também se aplicava à igreja como um todo. "Vi", escreveu ela, "que não devemos calar-nos a respeito do assunto da saúde, mas despertar as mentes para ele" (ibid., p. 280).
Foi isso que ela buscou fazer. Desse momento em diante, seu ministério escrito se concentrou consideravelmente na necessidade e no dever de conservar a saúde.
E o momento não poderia ser mais propício. O esposo estava à beira de um derrame debilitador que limitaria seu ministério pelo restante da vida. Além disso, eles haviam perdido dois dos quatro filhos recentemente, e grande parte da lide­rança da igreja lutava com doenças crônicas.

Nada seria mais necessário naquela época do que a bênção de uma boa saúde. E essa verdade continua válida hoje.


Meditação Diária
Para Não Esquecer  
George R. Knight

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