25 de julho de 2015

Lições da Bíblia: Exilados que se tornaram missionários

VERSO PARA MEMORIZAR:

“Foi-Lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas O servissem; o Seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o Seu reino jamais será destruído” (Dn 7:14).

 
Como povo da profecia, os adventistas do sétimo dia creem na breve volta de Jesus Cristo. Sua vinda porá fim a este mundo da forma como o conhecemos e finalmente inaugurará o reino eterno de Deus, retratado da seguinte forma no livro de Daniel: “O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o Seu reino será reino eterno, e todos os domínios O servirão e Lhe obedecerão” (Dn 7:27). Esse reino é a culminação da nossa fé; é o que o livro de Hebreus (11:16) chamou de “uma pátria superior”, aquela que todo o povo de Deus ao longo dos séculos tem esperado de modo confiante; aquela “da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11:10).

Mas o livro de Daniel é também um tipo de manual para a atividade missionária. A partir dele podemos extrair lições de como o Senhor pôde usar alguns de Seu povo para testemunhar àqueles que estavam mergulhados em ignorância espiritual e teológica. Por meio de sua fidelidade e diligência, bem como de sua inabalável fé, esses crentes revelaram a realidade do Deus vivo àqueles que conheciam apenas deuses falsos, e deram àqueles pagãos uma chance de também alcançar um lugar nesse reino eterno.

Uma sugestão para fortalecer a comunhão e realizar a missão: Incentive a formação de pequenos grupos de juvenis, adolescentes e jovens em sua comunidade.

 O exilado

1. Leia Isaías 39:5-7 e Daniel 1:1, 2. Qual é a relação entre essas passagens?

Daniel, cujo nome significa “Deus é meu Juiz”, foi forçado a marchar da cidade de Jerusalém, que havia sido derrotada, até a capital babilônica. O livro de Daniel dá vislumbres de sua vida nas cortes da Babilônia e da Pérsia. Após três anos de “educação” em Babilônia, Daniel foi empregado como funcionário civil e conselheiro real. Pelo poder de Deus, ele se elevou acima do status normal de um cativo e se tornou um missionário de alta posição em duas superpotências.

O livro de Daniel é mais do que um tesouro da literatura profética. O leitor encontra nele alguns dos desafios que os hebreus enfrentaram ao viver numa cultura estrangeira que não dava nenhum apoio aparente à sua lealdade ao Deus de Israel e, às vezes, era abertamente hostil. O livro também pinta um belo quadro de homens que aprenderam a viver sua dedicação à verdade na ausência do templo, do sacerdócio e dos sacrifícios.

2. Leia Daniel 1:8-13; 5:12; 6:4; 9:3-19. O que esses textos dizem sobre os aspectos do caráter de Daniel que o tornaram um grande missionário?

“Toda instituição que traz sobre si o nome ‘Adventista do Sétimo Dia’ deve ser para o mundo o que José representou para o Egito, ou o que Daniel e seus companheiros significaram para Babilônia. Sob a providência de Deus, esses homens foram conduzidos cativos, a fim de poder levar às nações pagãs o conhecimento do verdadeiro Deus. Deviam ser representantes de Deus em nosso mundo. Não deveriam estabelecer nenhum compromisso com as nações idólatras com as quais entrassem em contato, mas precisavam permanecer leais à fé, considerando como especial honra o nome de adoradores do Deus que criou os Céus e a Terra” (Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 8, p. 153).

Teria sido fácil para Daniel fazer concessões, especialmente nas circunstâncias em que se encontrava? Temos apresentado desculpas esfarrapadas para fazer concessões, ao contrário da atitude de Daniel?

 

Testemunhas (Daniel 2–5)


Em Daniel 2, a necessidade fez com que o profeta tivesse uma oportunidade de testemunhar do poder do verdadeiro Deus, em contraste com os falsos deuses de Babilônia. Após cantar um hino de louvor com seus compatriotas judeus e agradecer a Deus por responder às suas orações (Dn 2:20-23), ele interpretou o sonho do rei e testificou da grandeza de Deus e de Seu domínio sobre todos os reinos terrestres.

3. Quais palavras do rei mostram que ele sabia algo a respeito do verdadeiro Deus? Dn 2:47

Em Daniel 2, o profeta teve que escolher: dar ao rei o que este desejava ou enfrentar a morte. De igual maneira, no capítulo 3 seus três amigos poderiam ter evitado a fornalha de fogo somente se tivessem obedecido à ordem do rei de adorar a estátua de ouro. Em vez disso, por seu fiel testemunho, puderam testificar do poder do Deus verdadeiro.

“Como Nabucodonosor soube que a forma do quarto personagem era semelhante à do Filho de Deus? Ele tinha ouvido a respeito do Filho de Deus por meio dos cativos hebreus que estavam em seu reino. Eles haviam trazido o conhecimento do Deus vivo que governa todas as coisas” (Ellen G. White, The Advent Review and Sabbath Herald, 3 de maio de 1892).

4. Em Daniel 4, que confissão o rei Nabucodonosor fez novamente a respeito do Deus verdadeiro, graças ao testemunho de Daniel? Dn 4:37

O capítulo 5 descreve a última vez que Daniel apareceu na corte babilônica, onde foi chamado para explicar a inscrição fora do comum, feita na parede do palácio de Belsazar, que predizia a queda do império babilônico pelas mãos dos medos e persas. Embora Belsazar tenha ficado impressionado com o que Daniel fez, era tarde demais: a sorte do rei estava praticamente selada. Triste é saber que, segundo a Bíblia (Dn 5:17-23), Belsazar havia tido a oportunidade de inteirar-se da verdade e se humilhar diante dela. Como sabemos, ele não aproveitou a oportunidade.

Considere sua vida e responda a estas importantes perguntas: Que tipo de testemunho tenho apresentado ao mundo? O que preciso mudar em minha vida? 


Daniel na Pérsia


5. “Quando ia se aproximando da cova, chamou Daniel com voz que revelava aflição: ‘Daniel, servo do Deus vivo, será que o seu Deus, a quem você serve continuamente, pôde livrá-lo dos leões?’” (Dn 6:20, NVI). O rei chamou Daniel de “servo do Deus vivo”. O que está implícito nessas palavras?

Em Daniel 6, com a mudança de império e de rei, o profeta ainda conservou sua posição e foi até promovido, tornando-se um dos três presidentes a quem 120 sátrapas deviam prestar contas. O rei Dario até pensou em colocá-lo como governador sobre todo o reino, despertando a antipatia dos outros presidentes e sátrapas, os quais induziram o rei a emitir um decreto para todo o reino que, na verdade, tinha o objetivo de atingir apenas Daniel. Ele foi lançado na cova dos leões, mas Deus interveio dramaticamente numa situação que nem mesmo o rei, que lhe era favorável, podia reverter. O livramento de Daniel agradou de tal forma o rei que ele fez um decreto para todo o império exaltando o Deus de Daniel.

“Então, o rei Dario escreveu aos povos, nações e homens de todas as línguas que habitam em toda a terra: Paz vos seja multiplicada! Faço um decreto pelo qual, em todo o domínio do meu reino, os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel, porque Ele é o Deus vivo e que permanece para sempre; o Seu reino não será destruído, e o Seu domínio não terá fim. Ele livra, e salva, e faz sinais e maravilhas no céu e na Terra; foi Ele quem livrou a Daniel do poder dos leões” (Dn 6:25-27).

6. Leia Daniel 6. O que, nesse capítulo, indica que ele já havia sido uma testemunha para o rei? O que, no decreto do rei, indica que ele conhecia mais sobre o Deus de Daniel do que poderia ter aprendido apenas por meio desse livramento dramático? O que isso nos diz sobre o testemunho de Daniel para ele?


Daniel e o reino eterno de Deus


Daniel não era meramente um intérprete de sonhos, por mais significativo que isso fosse nesse contexto. Os capítulos 7 a 12 de Daniel mostram que ele teve suas próprias visões, as quais revelavam o futuro de grandes potências mundiais. A visão de Daniel enfatizava especialmente que, apesar dos governantes terrenos e de seus planos e maquinações, Deus tem o controle final das nações. No fim, Ele e Seu reino definitivo triunfarão, e esse triunfo será completo (Dn 2:44).

7. O que é descrito em Daniel 7:13, 14? Como isso está relacionado com a ideia de levar o evangelho ao mundo?

Sejam quais forem os assuntos relacionados a esses versos, o ponto central é o estabelecimento do reino eterno de Deus, que só virá após a volta de Jesus. Que fator o próprio Jesus disse que era importante a respeito de Sua vinda?

“Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes” (Mt 24:14-16).

As profecias de Jesus sobre o fim do mundo, em Mateus 24, estão ligadas às profecias de Daniel. O “abominável da desolação” predito por Daniel (Dn 11:31; 12:11) foi explicado e aplicado por Jesus ao período que abrangia Sua época e se estendia além dela. O ponto principal é que Jesus relacionou intimamente o livro de Daniel ao tempo do fim, o que, é claro, não é uma surpresa, porque Daniel, em muitos lugares, de fato apontou para o tempo do fim (Dn 8:17, 19; 11:35; 12:4, 13). De acordo com Jesus, o fim só virá quando for “pregado este evangelho do reino por todo o mundo” (Mt 14:14).

O evangelho deve ser pregado a “todo o mundo”, e só então Jesus voltará. Nós somos chamados a pregá-lo. Alguns argumentam que Jesus não pode voltar enquanto não concluirmos essa obra. Como devemos entender nosso papel a respeito do tempo da volta de Jesus? Comente sua resposta com a classe.


Mais exilados que se tornaram missionários


Daniel foi um israelita que enfrentou um involuntário exílio de Israel, da mesma forma que José e Moisés no Egito, e Neemias e Ester na Pérsia. A vida deles revela que é possível viver de maneira fiel a Deus em um ambiente espiritual e culturalmente hostil. Com a direção de Deus, foi possível até mesmo chegar a importantes posições administrativas nesses lugares estrangeiros. Cada um deles viveu uma vida criativa e produtiva, ajustando habilmente complexas dinâmicas religiosas, sociais, políticas e econômicas, muito diferentes daquelas da cultura de sua pátria. Não somente foram membros leais das comunidades hebreias exiladas, mas foram também, a seu próprio modo, missionários eficientes para o Deus de Israel.

Ester
Daniel
1. Não se identificou como membro do povo hebreu
1. Identificou-se como membro do povo hebreu
2. Manteve sua religião para si mesma
2. Tornou conhecidas suas convicções religiosas
3. Deus a protegeu, bem como sua família
3. Deus o protegeu, bem como os seus amigos
4. Testemunhou junto às pessoas de alta posição para salvar sua vida e a de seu povo
4. Testemunhou junto às pessoas de alta posição para salvar sua vida e a de outras pessoas
5. Ajudou a estabelecer a liberdade religiosa e o direito de defesa própria para uma minoria religiosa
5. Influenciou diretamente o rei Ciro a permitir que os exilados hebreus reconstruíssem o templo de Jerusalém

8. Leia o capítulo 41 de Gênesis. De que forma José conseguiu testemunhar aos egípcios? Quais são os paralelos dessa história com a de Daniel e seus companheiros em Babilônia?

Em que situações você se encontra agora nas quais pode testemunhar de sua fé? Você está dando um testemunho passivo, ativo ou ambos? Quais são as coisas que você pode dizer ou fazer que deixariam nos outros uma impressão mais poderosa sobre a bondade e o amor de Deus?

Estudo adicional


“Multidões serão chamadas para um ministério mais amplo. O mundo todo se está abrindo para o evangelho. [...] De toda parte deste nosso mundo, vem o clamor de corações feridos pelo pecado em busca de conhecimento do Deus de amor. [...] Recai sobre nós, que recebemos esse conhecimento, e sobre nossos filhos, a quem o podemos comunicar, responder ao seu clamor. A toda casa e escola, a todo pai, professor e criança sobre quem resplandeceu a luz do evangelho, impõe-se, neste momento crítico, a pergunta feita à rainha Ester naquela grave crise da história de Israel: ‘Quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?’” (Et 4:14, ARC; Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 484, 485).

Perguntas para reflexão

1. Comente as profecias do livro de Daniel, especialmente os capítulos 2, 7 e 8. De que forma essas profecias são um testemunho poderoso, não só da confiabilidade da Bíblia, mas do conhecimento que Deus tem do futuro? Note como, entre Daniel 2, 7 e 8, três dos quatro reinos principais são mencionados. Como isso nos ajuda a confiar na Palavra de Deus e em Suas promessas?

2. Nos relatos de Daniel e em algumas outras histórias (como a de José) há alguns milagres que, naturalmente, aumentaram grandemente a credibilidade do testemunho dos servos de Deus aos pagãos que estavam ao seu redor. Ao mesmo tempo, que aspectos do caráter deles deu ainda mais credibilidade ao seu testemunho? Isto é, de que forma o caráter e a fidelidade, mais ainda do que sinais e maravilhas, podem ser um poderoso testemunho sobre a realidade de Deus e do que Ele pode fazer em nossa vida?

3. Como vimos na lição de quarta-feira, Mateus 24:14 diz que o evangelho precisa ir até aos confins da Terra, e então virá o fim. Isso significa que Jesus só voltará depois que fizermos a obra que Ele nos chamou a fazer? Comente com a classe.

Respostas sugestivas: 1. Daniel relata o cumprimento da predição feita por Isaías, que já dizia que jovens israelitas seriam levados cativos para o palácio do rei da Babilônia. 2. Daniel tomou a firme decisão de permanecer leal aos princípios de Deus. Era conhecido por seu espírito excelente, conhecimento, inteligência, fidelidade e integridade absolutas. Sua atitude foi colocar-se como participante do pecado da nação, e não como alguém superior. 3. Ele se referiu ao Deus de Daniel como o Deus dos deuses e o Senhor dos reis, o que mostra que ele reconhecia o Deus vivo como superior aos outros deuses. 4. Ele disse que tudo o que Deus faz é certo e que os Seus caminhos são justos, e que Ele pode humilhar os arrogantes. 5. Está implícito que Daniel, em todos os momentos, lugares e circunstâncias, procurava fazer a vontade de Deus, e também que o Deus a quem ele servia era vivo, não morto como os ídolos. 6. O capítulo ressalta que o rei já conhecia o Deus de Daniel, pois seu decreto mostra que ele sabia que o Deus de Daniel permaneceria para sempre, que Seu reino jamais seria destruído e que Seu domínio não teria fim. Isso deixa implícito que Daniel já havia dado testemunho a ele a respeito de Deus. 7. A inauguração do reino eterno de Deus; nesse tempo, todos os povos, nações e homens de todas as línguas adorarão o Filho do homem. Isso quer dizer que o evangelho terá sido levado a todo o mundo; isso será feito pelo povo de Deus. 8. José conseguiu testemunhar aos egípcios por sua vida e por sua interpretação correta de sonhos dados por Deus ao rei, ressaltando ao mesmo tempo que essa interpretação não vinha dele, mas do Deus a quem ele servia. O mesmo ocorreu com Daniel.

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Comentários: Exilados que se tornaram missionários




Introdução

No período anterior aos exílios assírio e babilônico houve maior interesse na adoração a Baal e o relacionamento com Deus foi relegado ao mero formalismo, apesar das constantes denúncias e apelos dos profetas para um retorno à aliança. No entanto, a história do povo de Deus nessa época revela que Ele está no controle dos eventos e Seus propósitos são realizados, apesar da infidelidade do povo. Enquanto vivessem em Babilônia, os judeus deveriam construir casas, plantar jardins e servir aos seus mestres, colaborando para a prosperidade da cidade em que estivessem. Deveriam confiar nos planos do Senhor e testemunhar da Sua vontade para Seus filhos (Jr 29).

O exilado

Daniel e seus companheiros foram levados das terras de Judá como prova de submissão do reino de Judá ao poderio babilônico. Somente por esse motivo já seria muito improvável o testemunho deles no novo contexto, e ainda mais improvável seria testemunhar diante da corte de Nabucodonosor ou diretamente ao rei. No entanto, por sua maneira de viver, Daniel e seus companheiros tiveram oportunidade de testemunhar. Isso não tinha a ver somente com alimentação, mas com relacionamento e adoração. Apesar de estarem sujeitos ao rei de Babilônia, eles demonstraram que serviam ao Rei do Universo e que reconheciam, portanto, que tudo que possuíam era de Deus e deveria ser utilizado para Ele. “A simples simulação de haver comido o alimento ou bebido o vinho seria negação de sua fé. Proceder assim era enfileirar-se ao lado do paganismo e desonrar os princípios da lei de Deus” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 244).

A atitude de Daniel ilustra a postura que os servos de Deus devem ter nos dias de hoje: embora estejam neste mundo, devem tomar a decisão de não se contaminar com os valores da Babilônia moderna, opostos aos valores do reino de Deus. Dessa forma, os cristãos têm a oportunidade de levar outros a adquirir o conhecimento de Deus e demonstrar como adorá-Lo e servi-Lo. Ainda que o foco missiológico dessa época tenha sido Jerusalém, Deus aproveitou uma situação adversa de exílio e usou Seus servos para que testemunhassem na sede do governo babilônico. O primeiro contato foi com Aspenaz (Dn 1:9) e, depois, diretamente com o rei (Dn 1:19).

Algumas vezes, por medo das consequências de nossa fidelidade a Deus, abandonamos princípios para alcançar nossos objetivos. Não é fácil deixar o Senhor conduzir nossa vida quando nossos planos estão determinados e funcionando bem. Daniel e seus amigos tinham muitos motivos para abandonar seus princípios e fazer aquilo que o rei esperava deles. Assim eles alcançariam o favor real. No entanto, escolheram fazer a vontade de Deus. Eles foram honrados por isso, não por causa de seu posição no império babilônico nem por seu status perante o rei, mas especialmente porque seu testemunho transformou vidas.

Testemunhos

Tudo leva a crer que os magos da Babilônia estavam acostumados a interpretar sonhos, mas não a adivinhá-los. Assim, Daniel teve a oportunidade de testemunhar acerca do controle divino sobre a história. Daniel permaneceu inabalável em sua fé, apesar da sua própria capacidade de resolver a questão. Ele esperou em Deus e, quando a resposta veio, ele recebeu honra e glória. O testemunho de Daniel foi impactante.

No capítulo 3, Daniel já estava entre os homens de confiança de Nabucodonosor, que havia se esquecido da grandiosidade do Deus de Daniel. Quando aqueles jovens decidiram não se curvar perante a estátua, eles se tornaram um empecilho para o objetivo espiritual, social e político do seu reinado. Foi necessário o livramento na fornalha para que Nabucodonosor reconhecesse que ele também estava submisso ao poder de Deus.

Pela lei promulgada pelo rei exaltando a Deus, evidenciou-se que o testemunho radical daqueles jovens mudou o curso de um reinado e toda uma sociedade. Há no relato uma trajetória em direção ao reconhecimento de Yahweh como único Deus verdadeiro, através da fé inabalável que gerou esses testemunhos acompanhados de milagres e livramentos sobrenaturais.

Daniel na Pérsia

Em Daniel 6, o profeta servia a um novo governo e se mantinha firme às suas convicções iniciais, a tal ponto que foram identificadas em Daniel competências técnicas e comportamentais excelentes para presidir o reino: “Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino” (Dn 6:3).

Ao passo que a excelência e integridade de Daniel fossem um forte testemunho em favor do Deus que ele adorava, era também motivo de inveja para outros. “Ele era um administrador bom demais para que seus rivais encontrassem falhas nele. Portanto, a solução foi levantar o antigo espírito de perseguição religiosa” (R. N. Champlin, Comentário Bíblico do Antigo Testamento, Livro de Daniel, p. 3.398). Contudo, a estratégia adotada pelos seus opositores, após aparente sucesso (Dn 6:12-17), resultou em mais uma oportunidade para Deus Se revelar àqueles que não O conheciam. O resultado foi um decreto de grande alcance: “Faço um decreto pelo qual, em todo o domínio do meu reino, os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel” (Dn 6:26). A experiência de Daniel em terra estrangeira, permanecendo convicto de seus princípios, mesmo em relação a aspectos culturais contrários à sua cosmovisão, é um forte exemplo do que Deus pode fazer em nossos dias, através de nós, em uma sociedade cada vez mais secularizada. Nem mesmo a maldade daqueles que maquinam contra os filhos de Deus deveria nos desanimar de seguir os caminhos do Senhor.

Daniel e o reino eterno de Deus

No exílio, Deus continuou revelando o propósito do estabelecimento do Seu reino no futuro. As visões de Daniel indicavam essa realidade. Em Daniel 7:13, 14, o rei vindouro é descrito como “Filho do homem”. A expressão parece contrastar com a exclamação do rei Nabucodonor, em relação ao ser que viu dentro da fornalha ardente em Daniel 3:25, “filho dos deuses”. Na literatura neotestamentária, o próprio Jesus Se identificou como “Filho do Homem” (Mt 8:20; 9:6; 10:23; 11:19; 12:8, etc).

O início da citação de Daniel nos leva ao momento em que o Filho do Homem é apresentado. O local parece ser o mesmo citado por Jesus em Seu sermão profético de Mateus 24: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da Terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt 24:30). Elementos em comum incluem o Filho do homem, as nuvens do céu e a glória com a qual Ele será recebido por todas as nações e povos.

No entanto, o Filho do Homem não vem imediatamente do Céu para estabelecer Seu “domínio eterno” (Dn 7:14). No verso 13, o Filho do Homem Se apresenta ao Ancião de Dias, em uma representação da entrada de Cristo no lugar santíssimo do santuário celestial e o juízo divino tem seu início. “A vinda de Cristo aqui descrita não é a Sua segunda vinda à Terra. Ele vem ao Ancião de Dias, no Céu, para receber o domínio, honra e o reino, os quais Lhe serão dados no final de Sua obra de mediador” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 480). Então, depois de receber as honras do Pai, a concessão do reino é feita, e Jesus volta para buscar os Seus.

Mais exilados que se tornaram missionários

José foi outro exilado que se tornou missionário e saiu da condição de escravo para ser o governador do Egito. A influência adquirida com o exercício da função de primeiro ministro, logo abaixo do rei, foi, sem dúvida, uma grande oportunidade missionária (v. 38). José pôde testemunhar da soberania do Deus de Abraão, Isaque e Jacó a todas as nações (v. 41). Mas a prosperidade de José não deveria ser mensurada unicamente por sua posição política no reino.

O que tornava José próspero era seu intenso desejo de proclamar a vontade de Deus, independentemente da situação, local ou pessoas que o rodeavam. Desde sua infância, havia testemunhado os propósitos de Deus, não somente através dos sonhos que lhe sobrevinham (Gn 37:5, 9), mas de sua postura sempre fiel e obediente para com seu pai, Jacó. Mesmo tendo sido lançado na cova (v. 24), sem possibilidade de escapar, “ali mesmo se entregou completamente ao Senhor, e orou para que o Guarda de Israel estivesse com ele na terra do exílio” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 214). Não importava a circunstância em que se encontrava, a fidelidade de José era um testemunho poderoso de que Deus “esteve com esse jovem a cada minuto de sua vida” (Moody, Comentário de Gênesis, p. 98).

Estudo adicional

Além de Daniel, José, Ester e Neemias, que ocuparam cargos importantes em terras estrangeiras, Deus também usou pessoas aparentemente insignificantes para testemunharem dEle, como a menina escrava na Síria. O propósito para o qual o povo de Israel havia sido chamado é o mesmo para nós hoje: ser uma luz na escuridão, levando as pessoas a conhecer o verdadeiro Deus. Os personagens que estudamos nesta semana, embora estivessem em terras estrangeiras, não usaram isso como desculpa para se calarem diante da oportunidade de testemunhar. Seus princípios eram fortemente estabelecidos na Palavra de Deus e num relacionamento real com Ele.
Em 2015, estima-se que 232 milhões de pessoas sejam imigrantes internacionais, com oportunidade de levar sua religião para outros lugares. Em certo sentido, no entanto, todos somos peregrinos e estrangeiros neste mundo. “Deus pôs Daniel e seus companheiros em relação com os grandes homens de Babilônia para que, em meio a uma nação de idólatras pudessem representar Seu caráter” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 487). Onde Deus colocou você? O que você está fazendo para cumprir a missão que o Senhor lhe confiou?

Autores: 

Alisson Gregório, Guilherme Mative, Andrey Masson, Giovane Bonotto

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Orientador: Marcelo Dias: marcelo.dias@ucb.org.br
Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega



1. Os autores são alunos do 4º ano da Faculdade de Teologia do UNASP-EC que foram orientados pelo Pr. Marcelo Dias, professor de teologia e doutorando em Missiologia (PhD) na Universidade Andrews, Estados Unidos.

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