27 de julho de 2015

O rei do norte e a terceira guerra mundial

Papel profético?
No fim de 2013, o mundo estava agitado pelos ventos de guerra que sopravam do Oriente Médio. Jihadistas da Al-Qaeda juntamente com outros grupos rebeldes tentavam derrubar o presidente da Síria Bashar al-Assad trazendo grande instabilidade à região. Por outro lado, os EUA e outros países do ocidente também enviaram navios de guerra e tropas para uma possível invasão e tomada da Síria, e talvez de outros países, sob a alegação de que o presidente sírio era um ditador que violava os direitos humanos. O fato é que a Rússia e o Irã deram suporte logístico à Síria, que acabou resistindo às milícias rebeldes, e por fatores ocultos aos olhos humanos, as tropas dos EUA e da Otan voltaram para casa e a iminente invasão que poderia ser o início do cumprimento profético de Daniel 11:40 não ocorreu: “No tempo do fim o rei do sul lutará [nagah] com ele [rei do norte], e o rei do norte arremeterá contra ele com carros, cavaleiros e com muitos navios, e entrará nas suas terras, e as inundará, e passará.”

Note que o verbo nagah, no hebraico, significa chifrar, ferir, lutar. O que dá a entender que antes de o rei do norte (Vaticano usando os EUA e a Otan) invadir o Oriente Médio e o norte da África, o rei do sul deve feri-lo primeiro. É o estopim que falta para cumprir a profecia. Nas últimas vezes em que o rei do sul foi mencionado (v. 25 e 29), o texto profético apontava para as Cruzadas, quando o rei do norte (Igreja Romana) lutaria com o rei do sul (exércitos muçulmanos) pela disputa da Terra Santas. Tendo isso em mente, é de se esperar que o rei do sul nos versos 40-45 se trate também dos exércitos muçulmanos.

No decorrer de 2014 e 2015, o cenário político do Oriente Médio sofreu diversas mudanças, o que possibilitou a consolidação de um movimento muçulmano sunita radical: o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mais conhecido como Estado Islâmico. “Quando, a 29 de junho de 2014, um grupo conhecido até então por diferentes siglas decidiu que passaria a se chamar apenas Estado Islâmico e proclamou a criação de um califado, seu porta-voz, Abu Mohammed al-Adnani, anunciou o nascimento de ‘uma nova era da jihad internacional’” (Público).

O Estado Islâmico é um movimento “formidável, mais eficaz do que qualquer outro grupo jihadista na história”, diz J. M. Berger, co-autor de Estado Islâmico – Estado de Terror, numa entrevista recente ao jornal Público. Trata-se de “um grupo apocalíptico, fanático, e as pessoas que atrai e que nele se envolvem têm uma enorme tolerância à mensagem”, sublinha o investigador.

Segundo Jon B. Alterman, diretor do Programa Para o Médio Oriente do Center for Strategic and International Studies (CSIS), de Washington, “ao contrário da Al-Qaeda, que operava quase exclusivamente em árabe, o Estado Islâmico integra forças que falam árabe, inglês, francês, tchetcheno, russo, turco e mais” (Público).

“Eles são uma ameaça maior do que a Al-Qaeda, principalmente porque, com recursos como o petróleo, não precisam de apoio de outros grupos”, explica Heni Ozi Cukier, cientista político e professor de Relações Internacionais da ESPM. “Mas o foco deles hoje é expandir seu território. Para isso eles precisam de militantes e, para atrair esses militantes, eles atacam no Ocidente para demonstrar poder. Não há limites para o EI” (Último Segundo).

As ambições apocalípticas do Estado Islâmico chocaram as autoridades quando divulgaram a ameaça de promover um atentando similar ao 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos. Em vídeo de 11 minutos intitulado “Nós vamos queimar a América”, divulgado na internet, os extremistas afirmam que não “há segurança para qualquer americano no globo” (Yahoo).

Como parte de sua estrutura de propaganda ostensiva, o Estado Islâmico passou a publicar uma revista em árabe e em inglês, Dabiq, nome dado em homenagem à pequena cidade síria tomada pelo EI, onde, de acordo com sua escatologia, acontecerá a última cruzada apocalíptica profetizada por Maomé.

Em sua quarta edição, a revista trouxe na capa a foto do Vaticano tendo a bandeira do EI hasteada sobre o obelisco na praça de São Pedro. A chamada da capa - “A cruzada que falhou” - é uma alusão ao termo usado pelo presidente George Bush, que classificou a guerra ao terrorismo pós-11 de setembro como uma Cruzada. Além disso, a matéria de capa traz no seu texto outra imagem aérea do Vaticano com a seguinte legenda: “Nós conquistaremos sua Roma” (Dabiq).
Segundo informou o presidente do Centro de Estudos para Estratégia Militar e de Segurança da Síria ao britânico Daily Mail, o Estado Islâmico “está planejando enviar membros da sua temida força policial feminina para atacar locais religiosos na Europa. O grupo terrorista vai enviar pelo menos dez membros da cruel Brigada Al-Khansaa para atingir símbolos cristãos, possivelmente em ataques suicidas... As mulheres não têm tanta dificuldade para se infiltrar como os homens, e há muitas europeias na Brigada, como francesas e inglesas, o que torna mais fácil entrar sem ser percebidas. Não achamos que elas estarão vestindo um hijab ou uma burca... elas estarão vestidas de forma normal como todo mundo, como se fossem turistas”. Segundo suas fontes secretas, o Estado Islâmico “vai tentar atacar símbolos cristãos, como o Vaticano, por exemplo”.

Com tantas ameaças em vista, a Otan já planeja reagir. “A Organização do Tratado do Atlântico Norte e seus aliados realizarão o maior exercício militar em mais de uma década, a partir de outubro, mobilizando 36.000 soldados pelo Mediterrâneo a fim de conter a ameaça do Estado Islâmico no flanco sul da aliança militar... Mais de 30 países, incluindo nações fora da Otan, tais como Suécia e Áustria, participarão dos exercícios na Itália, Espanha, Portugal e no Mediterrâneo, que se estenderão de 3 de outubro até 6 de novembro [de 2015]” (Exame).

Fica, então, a pergunta: Será o Estado Islâmico o agente responsável por acender o estopim que falta para explodir a invasão do Oriente Médio e do norte da África pelos EUA e pela Otan (e por trás o Vaticano)? Só o tempo dirá...

“Certamente, venho sem demora. Amém! Vem Senhor Jesus!” (Apocalipse 22:20).


Nota: O texto acima foi escrito pelo pastor e teólogo Sérgio Santeli (meu colega de mestrado). Ele escreveu as primeiras quatro partes desse estudo em 2013, quando  parecia que ia estourar uma guerra no Oriente Médio e sua atenção foi chamada para Daniel 11. Porém, a guerra não ocorreu, mas agora ele atentou para o fato de que o rei do sul vai atacar primeiro, e com tantas notícias evidenciando a disposição do EI em atacar o Vaticano, a profecia pode se cumprir. Há outras linhas de interpretação de outros teólogos. Alguns interpretam o capítulo literalmente, e na parte final (v. 40-45) espiritualizam.

O fator determinante para considerar que o capítulo todo, inclusive os versos finais, possa ser literal tem que ver com o único texto que Ellen White escreveu sobre o assunto: “O mundo está agitado pelo espírito de guerra. A profecia do capítulo 11 de Daniel atingiu quase o seu cumprimento completo. Logo se darão as cenas de perturbação das quais falam as profecias” (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 14).

Santeli me disse que não consegue visualizar nada mais do guerra nessas palavras. Ele acredita que, quando acontecer um ataque no Vaticano, Roma vai posar de vítima e a  partir daí qualquer um que falar qualquer coisa contra o Vaticano será rotulado de fundamentalista, fanático, terrorista. Rapidamente os holofotes vão se voltar contra quem?

Bem, esse é um cenário possível. Como são profecias ainda por se cumprir, às vezes fica difícil saber exatamente do se trata. Vamos aguardar (e nos preparar) para ver. E pregar enquanto aguardamos. [MB]

Michelson Borges (P

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