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Adolescentes viram “zumbis” da pornografia

Uma geração vem sendo destruída

Pelo menos um em cada dez adolescentes na Grã-Bretanha já teria participado de ou feito vídeos com sexo explícito. A impressionante estatística surgiu num estudo conjunto das ONGs britânicas de defesa dos direitos infanto-juvenis NSPCC e Childline, em que foram entrevistados 700 adolescentes com idades de 12 a 13 anos. Divulgado (31 março 2015), o estudo


 mostra um quadro preocupante de exposição a conteúdo explícito, sobretudo na internet. Pelo menos 20% dos entrevistados disseram ter visto imagens que os chocaram. Para a NSPCC, consumir pornografia está se transformando numa atividade cotidiana e cerca de 10% dos entrevistados temem estar ficando “viciados” em pornografia. A Childline, que conta com um serviço telefônico de apoio para crianças e adolescentes, lançou uma campanha de conscientização e de aconselhamento específico sobre os efeito do consumo de material pornográfico.

Um menino entrevistado pela NSPCC disse estar “sempre vendo vídeos pornô, alguns deles bem agressivos”. O menino disse que o consumo de material explícito teve efeito em sua percepção do sexo feminino. “Tenho medo de nunca me casar se eu continuar pensando em meninas da maneira que faço hoje”, disse o menino.

A NSPCC também divulgou uma entrevista com uma adolescente de 17 anos que foi estuprada por seu namorado quando tinha apenas 12. “Ele achou que era Ok, mas eu me senti suja, confusa e chocada”, contou a menina. “Pornografia não é apenas um vídeo de 10 minutos. Ela tem consequências.”

Usando uma série de animações, a campanha da Childline, batizada de “A luta contra os zumbis da pornografia”, discute as implicações da superexposição de meninos e meninas à pornografia. Para o diretor da ONG, Peter Liver, é importante discutir o assunto abertamente. “Crianças de todas as idades hoje têm acesso a uma grande variedade de material pornográfico. Se nós hesitarmos em tratar deste assunto, estaremos falhando em proteger as milhares de crianças afetadas”, disse Liver à BBC.

“As crianças nos contam que assistir pornografia está fazendo com que fiquem deprimidas e tenham problemas de autoestima, além de fazer com que elas se sintam pressionadas a fazer sexo mesmo que não estejam prontas para isso.”

Ele elogiou a decisão do governo britânico de incluir assuntos como estupro e sexo consensual no programa de educação sexual nas escolas já a partir dos 11 anos de idade.

“Precisamos acabar com o embaraço e a vergonha que existem em torno de discussões sobre pornografia. Queremos ajudar os jovens a ter mais informações para tomar suas decisões”, acrescentou Liver.

Fundadora da Childline, a jornalista Esther Rantzen alertou para o impacto do consumo precoce de pornografia para meninas. “As meninas, em particular, sentem que precisam ter o visual de uma atriz pornográfica e se comportar como uma para que os meninos gostem delas”, disse Rantzen. “Precisamos conversar com os jovens sobre sexo, amor, respeito e consentimento para garantirmos que eles saibam diferenciar entre relacionamentos na vida real e no mundo da fantasia da pornografia.”

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