Jesus: o Mestre das missões

VERSO PARA MEMORIZAR:
“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai Me enviou, Eu também vos envio” (Jo 20:21).

 
De acordo com a Bíblia, uma das atividades centrais da Trindade é a missão. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estão envolvidos em salvar a humanidade. Sua Palavra se iniciou na queda e continuará até o fim. O Pai, o Filho e o Espírito Santo restaurarão, então, este mundo redimido à plena unidade com a vontade divina.

Segundo os evangelhos, Jesus passou pela mudança radical assumindo a forma humana, necessária para que Sua missão tivesse sucesso. Em Jesus Cristo, o significado da História é colocado no devido foco, toda a atividade missionária de Deus se torna coerente e são satisfeitas as mais profundas necessidades do ser humano quanto a uma existência significativa.

O Novo Testamento nos torna cientes dos propósitos da encarnação de Jesus Cristo. Ali vemos como Ele delineia o programa de missão, e obtemos vislumbres de como Jesus lidou com pessoas de outras nações e de outras religiões. Na Palavra de Deus podemos ver a incrível atividade salvadora de Deus em favor da humanidade caída.

O que Jesus fez para nos salvar? Veio ao mundo e morreu na cruz. Se Ele me salvou, o que posso fazer por alguém que ainda não conhece a salvação? Ore e trabalhe em favor de uma pessoa que ainda não conhece Jesus.

Jesus no Antigo Testamento


“Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do Seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a Sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2Tm 1:8, 9).

Além de ser um ótimo texto sobre a futilidade da salvação pelas obras, essa passagem revela a natureza eterna da salvação; mostra que o plano de nossa redenção já havia sido formulado há muito tempo.

Portanto, não é de admirar que, ao longo do Antigo Testamento, Jesus Cristo seja revelado de várias formas. São especialmente poderosas as profecias, que mostram claramente que Jesus é, de fato, o Messias.

1. Leia as seguintes passagens do Antigo Testamento, que se aplicam a Jesus. O que elas dizem sobre Ele e Sua função como Messias? Is 61:1; Dn 9:24-27; Is 7:14; 9:6; 42:1-9

O profeta Isaías descreve a missão de Jesus com estas palavras: “‘Eis o Meu servo, a quem sustento, o Meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nEle o Meu Espírito, e Ele trará justiça às nações. [...] Eu, o Senhor, O chamei para justiça; segurarei firme a Sua mão. Eu O guardarei e farei de Você um mediador para o povo e uma luz para os gentios, para abrir os olhos aos cegos, para libertar da prisão os cativos e para livrar do calabouço os que habitam na escuridão’” (Is 42:1, 6, 7, NVI).

Reflita sobre a incrível ideia de que Jesus, o Criador, tomou sobre Si nossa humanidade, e nela viveu e morreu por nós. Que grande esperança isso lhe oferece neste mundo sem esperança alguma?

O Desejado de Todas as Nações


Jesus Cristo é Senhor da igreja e do mundo. Sua vinda foi o cumprimento das expectativas do Antigo Testamento a respeito de uma comunidade de salvos que se estenderia muito além do povo judeu. A vinda de Jesus, especialmente Seu sofrimento e ressurreição, iniciou uma nova era na qual desapareceu a distinção entre judeus e gentios, no que diz respeito ao evangelho. Jerusalém continuaria sendo o centro, pelo menos por certo tempo. Contudo, o ponto de partida não mais seria o templo de Herodes localizado ali, mas os judeus convertidos a Cristo; eles haviam se tornado o templo vivo. Esses cristãos judeus seriam, então, o verdadeiro “remanescente” de Israel.

Esse anúncio da missão mundial, universal, de Cristo, como Salvador de todas as nações, foi repetido em Seu nascimento, durante Sua infância e em Seu batismo.

2. O que as passagens seguintes ensinam sobre a missão universal de Jesus ao mundo?

Lucas 2:8-14
Lucas 2:25-33
Lucas 3:3-6
João 1:29

Sem dúvida, Jesus veio como Salvador de toda a humanidade. O que essa verdade significa para nós, no contexto da missão?
“O espírito missionário necessita ser reavivado em nossas igrejas. Cada membro deve estudar de que modo poderá contribuir para o avanço da causa de Deus, tanto em seu país quanto em terras estrangeiras. Mal se tem realizado nos campos missionários a milésima parte do que deveria ser feito. Deus convida Seus obreiros a anexar novos territórios para Ele. Existem ricos campos de trabalho aguardando pelo obreiro fiel” (Testemunhos para a Igreja, v. 6, p. 29).

 Missão em favor dos judeus

“Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24).

Entre Sua primeira aparição pública e Sua crucifixão, Jesus concentrou Seu ministério quase exclusivamente nos judeus, e especialmente na Galileia. O Senhor Se dirigiu primeiro a Israel. Antes da cruz há bem poucas mensagens de boas-novas para os gentios.
Aparentemente, Jesus desejava despertar o povo judeu para o lugar, o propósito e o papel que eles tinham na missão geral de Deus em favor da humanidade perdida. Os israelitas deviam ter a oportunidade de ser testemunhas da mensagem de Deus ao mundo.

3. Leia Mateus 10:5, 6. Que motivo Jesus teria para dizer essas palavras? Como entendê-las no contexto do propósito universal do que Cristo veio fazer e no contexto da missão como um todo? Compare essa passagem com Mateus 28:19.

Quando consideramos a vida e o ministério de Jesus, precisamos observar uma clara distinção entre Seu pensamento, ideais, princípios e planejamento, por um lado, e a maneira pela qual Ele realizou esses propósitos, por outro. Em Sua vida e ministério diários, Ele Se identificou com a cultura judaica, assim como o Antigo Testamento predisse a respeito do Messias. Mas o impacto de Sua encarnação era universalmente aplicável. Por Sua morte e ressurreição, Ele levaria os pecados do mundo (Jo 1:29).

Detectamos aqui um importante princípio bíblico para o estabelecimento da missão. O primeiro passo foi dado no sentido de criar um centro a fim de estabelecer uma base geográfica e cultural forte e estável: Israel e o povo judeu. Depois que isso tivesse sido realizado, o passo seguinte da missão seria o desenvolvimento para fora, a partir do centro, numa extensão cada vez mais ampla.

Pense na igreja que você frequenta. Ela reflete as ideias expressas acima, sendo uma base forte e estável que se expande para alcançar os outros? Como vocês podem evitar o perigo de se voltarem para si mesmos, ficando preocupados apenas com as próprias necessidades, em detrimento do testemunho e da missão?


Missão em favor dos gentios


Embora Jesus tivesse passado a maior parte de Seu tempo entre os judeus, servindo-os em seu contexto cultural, Ele deixou claro, em Seus ensinos e em Seu ministério, que Sua missão era universal. O evangelho devia ser pregado às nações, sendo Israel a base inicial. A salvação dos gentios é parte do plano de Deus. Ela foi incorporada aos ensinos de Jesus.

4. Quais declarações de Jesus indicam que a missão da igreja incluía outros povos além dos judeus?

Mateus 5:13, 14
Marcos 14:9
Mateus 13:36-43

Apesar do fato de Jesus ter trabalhado principalmente entre os judeus, não há dúvida de que, desde o princípio, Sua missão era em favor do mundo todo. Já em Seu batismo, João Batista reconheceu isso claramente: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29). A palavra “mundo” (do grego kosmos), ocorre cerca de cem vezes nos evangelhos. Aproximadamente a metade delas se refere ao propósito mundial de Jesus como Redentor.

Na parábola que Jesus contou em Lucas 14:16-24, os convidados para a ceia deram todo tipo de desculpas para não ir. Leia essas desculpas novamente. Até certo ponto, nenhuma delas parecia absurda, não é mesmo? Que lição importante aprendemos com isso? 

A grande comissão


Jesus passou os 40 dias entre Sua ressurreição e Sua ascensão primariamente na preparação dos discípulos e de Sua igreja para o evangelismo mundial. O relato da ascensão mais conhecido e citado é o de Mateus. Contudo, durante esse perío­do houve outras ocasiões nas quais o Cristo ressuscitado pode ter dado detalhes adicionais sobre a comissão evangélica. Houve duas aparições em Jerusalém, duas na Galileia (uma junto ao Mar de Tiberíades, outra no topo da colina) e uma reunião relatada em Atos 1:1-14.

5. Há seis ocasiões nas quais a narrativa da Grande Comissão é abordada, sob vários ângulos: numa montanha na Galileia (Mt 28:18-20); à mesa (Mc 16:15-20); na estrada para Emaús (Lc 24:13-31); no cenáculo (Jo 20:19-31); na praia (Jo 21:4-25); quando Cristo foi elevado aos Céus (At 1:1-11). Quais pontos-chave esses incidentes têm em comum?

Sob o poder do Espírito Santo e em obediência às palavras de Jesus, os apóstolos se espalharam rapidamente pelo mundo antigo. Paulo pregou na costa norte do Mediterrâneo; Filipe trabalhou em Samaria. Segundo uma antiga tradição cristã, Mateus viajou para a Etiópia e Tomé para a Índia.

Embora tendo começado em pequeno número, e com tanta oposição, pela graça do Senhor esses fiéis seguidores foram capazes de espalhar a mensagem do evangelho ao mundo. Apesar de suas falhas, pontos fracos, temores e lutas, eles aceitaram o chamado e trabalharam pela salvação do mundo, isto é, procuraram compartilhar o que aprenderam sobre Jesus, o que obtiveram dEle. Não é isso que significa ser cristão?

O que você recebeu em Cristo? Como sua resposta a isso deve influenciar sua atitude para com o testemunho a outros e a missão em favor deles?

 

Estudo adicional


De acordo com Mateus, Jesus predisse que “será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim” (Mt 24:14). Ao mesmo tempo, as Escrituras deixam claro outro ponto: “A respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos Céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mt 24:36). Note igualmente as palavras de Jesus: “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela Sua exclusiva autoridade” (At 1:7).

Assim, embora as boas-novas do evangelho tenham sido pregadas, e estejam sendo pregadas como nunca antes, e embora creiamos que a vinda de Cristo ocorrerá em breve, “não devemos ficar envolvidos com especulações a respeito dos tempos e épocas que Deus não revelou. Jesus disse a Seus discípulos que vigiassem, mas não em relação a um tempo definido. Seus seguidores devem estar na posição daqueles que estão atentos às ordens de seu Capitão; devem vigiar, esperar, orar e trabalhar à medida que vão se aproximando do tempo da vinda do Senhor” (The Advent Review and Sabbath Herald, 22 de março de 1892).

Perguntas para reflexão

1. Apesar do claro ensino quanto a não marcar datas para a vinda de Cristo, raramente passa um ano sem notícias sobre algum grupo cristão marcando uma data para esse evento. Por que as pessoas insistem em fazer isso, além do fato de que é uma boa técnica para levantar recursos? (Afinal, se Jesus voltará em 19 de junho de 2016, ou em qualquer outra data, para que servirá seu dinheiro agora?) Por que é tão ruim para o testemunho cristão que essas datas, ano após ano, se demonstrem falsas?

2. Pense nos obstáculos que os cristãos primitivos enfrentaram para cumprir a missão, considerando que eles eram tão poucos. Quais são os obstáculos que enfrentamos na missão hoje? O que podemos aprender sobre o sucesso da igreja primitiva que nos ajuda a fazer o que fomos chamados a empreender?

Respostas sugestivas: 1. O Espírito de Deus estaria sobre Ele para pregar, curar e libertar; Ele morreria num tempo específico, na metade da 70a semana de Daniel; nasceria de uma virgem; o governo estaria sobre Seus ombros; era Deus e eterno; seria o mediador da aliança e luz para os gentios. 2. No nascimento de Jesus, os anjos anunciaram paz na Terra entre os homens; Simeão disse que Jesus traria a salvação que Deus havia preparado diante de todos os povos, e seria luz para os gentios e glória para Israel; João Batista, referindo-se à missão de Jesus, disse que toda carne veria a salvação de Deus; também anunciou Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 3. Jesus estabeleceu primeiramente uma base em Israel, para que depois os cristãos saíssem dali e levassem o evangelho a todo o mundo. 4. Jesus chamou os discípulos de sal da Terra e luz do mundo, indicando um alcance universal de sua missão; Jesus disse que o evangelho seria pregado em todo o mundo; na parábola da ceia, disse que, como os primeiros convidados não eram dignos, o servo devia ir também aos caminhos e atalhos (o restante do mundo) e obrigar todos a entrar; na parábola do joio e do trigo, Jesus disse que o campo é o mundo. 5. O encontro com o Cristo ressuscitado; a missão de compartilhar aquilo que tiveram o privilégio de conhecer; e o fato de que essa missão deveria alcançar todo o mundo; a missão foi dada por Cristo àqueles que testemunharam Sua vitória sobre a morte.

Comentários:
Jesus: o Mestre das missões

Introdução

A Trindade também funciona como uma equipe na obra de salvação do ser humano. Cada um, com sua função específica, contribui para o plano da redenção, que havia sido formulado desde a fundação do mundo (Ellen G. White, Cristo Triunfante, Meditações Matinais 2002, p. 30). Como parte do plano divino de salvação, Deus Pai enviou Jesus Cristo (Jo 17:23), primeiramente para mostrar o amor de Deus pela humanidade caída, revelando o verdadeiro caráter do Pai (Ellen G.  White, Caminho a Cristo, p. 115). Em segundo lugar, para servir como exemplo e inspiração de vida, e também de missionário, ao abandonar Seu trono e tomar a forma de servo para buscar o perdido (Fp 2:7), visto que “um exemplo vale mais do que muitos preceitos” (Beneficência Social, p. 106).

Jesus no Antigo Testamento

É importante notar que o plano de Deus jamais se fundamentou em exclusivismo religioso por parte de uma nação. Desde o chamado de Abraão (Gn 12:1-3), passando pela nação de Israel (Dt 28:10), até o Servo restaurador que Deus prometeu (Is 42:1-9), o objetivo de Deus era que fossem “benditas todas as famílias da Terra” (Gn 12:3). O foco sempre foi externo. Um fato que evidencia esse foco além da nação de Israel é a própria palavra traduzida por “terra” em Gênesis 12:3. A tradução literal do hebraico ’adamah é “solo”. Essa é uma referência à maldição sobre o solo por causa do pecado (Gn 3:17). As nações passam, mas o solo permanece e, consequentemente, a maldição. O próprio homem veio da terra (Gn 2:7), tornando então a maldição inevitável a qualquer descendente de Adão (Rm 5:12). A despeito disso, Abraão deveria ser uma benção para qualquer família que estivesse sobre o solo, em qualquer época (Comentário Bíblico Adventista, v. 1, p. 288).

“Mas o povo de Israel perdeu de vista seus altos privilégios como representantes de Deus. Esqueceu-se de Deus e deixou de cumprir Sua santa missão. As bênçãos por ele recebidas não produziram bênçãos para o mundo. O povo apropriou-se de todas as suas vantagens para glorificação própria. Excluiu-se do mundo para escapar da tentação. As restrições impostas por Deus na sua associação com os idólatras como um meio de prevenir-lhe o conformismo com as práticas pagãs, ele as usou para levantar um muro de separação entre si e as demais nações” (Atos dos Apóstolos, p. 10).

O fato é que a aliança de Deus com Israel estava firmada em termos de missão, ou seja, tinha o propósito de alcançar todas as nações da Terra com o conhecimento do verdadeiro Deus. Porém, ao aderir ao exclusivismo, e rejeitar o Messias e Seus profetas, Israel deixou de cumprir o propósito missionário que Deus tinha para a nação. Devido a esse fato, a aliança de Deus com o Israel nacional chegou ao seu fim, por ocasião do discurso, visão e apedrejamento de Estêvão (Wilson Paroschi, “Estêvão, Israel e a Igreja”. Parousia: O Novo Israel, p. 47). Em Sua onisciência, o Senhor fez a promessa de um Servo, Jesus Cristo, que cumpriria o ideal da aliança que o povo de Israel não cumpriu: Ele levaria Sua salvação a todas as nações, ao resplandecer como “Luz dos gentios” (Is 42:6).

O Desejado de Todas as Nações

“Toda a planície se iluminou com a resplendor das hostes de Deus, a Terra emudeceu, e o Céu se inclinou para escutar o cântico: ‘Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens.’”

“Quando se erguer o Sol da Justiça, trazendo salvação sob Suas asas, esse cântico há de ecoar pela voz de uma grande multidão, como a voz de muitas águas, dizendo: ‘Aleluia, pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina.’”

Assim será o cumprimento de Apocalipse 18:1, onde João viu um poderoso anjo e “a Terra foi iluminada por seu esplendor”. Ellen White conclui: “Quem dera que a família humana pudesse hoje reconhecer esse cântico! A declaração feita então, a nota vibrada então, se avolumará até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra” (O Desejado de Todas as Nações, p. 48).

Missão em favor dos judeus

O foco inicial da missão de Jesus era os judeus. Ele instruiu os doze discípulos, em Mateus 10:5 e 6 para que fossem apenas aos judeus e não aos gentios. O objetivo era reunir novamente esses que, por tanto tempo, tiveram a missão da inclusão. Então, seriam mais uma vez convocados, não somente para fazer parte do novo reino, mas para proclamar a mensagem. Caso Seus discípulos fossem aos gentios ou aos samaritanos primeiramente, perderiam a influência diante dos judeus, devido ao preconceito existente. “Despertando os preconceitos dos fariseus, os discípulos teriam se envolvido em conflitos que os desanimariam, no princípio de seus labores. Mesmo os apóstolos foram tardios em compreender que o evangelho devia ser levado a todas as nações. Enquanto eles mesmos não fossem capazes de apreender essa verdade, não se achavam preparados para trabalhar pelos gentios. Se os judeus recebessem o evangelho, Deus intentava fazê-los Seus mensageiros aos gentios. Eles eram, portanto, os que primeiro deviam ouvir a mensagem salvadora” (O Desejado de Todas as Nações, p. 351).

Missão em favor dos gentios

Em Mateus 28:19, a responsabilidade e o objetivo da missão foram estendidos a todas as nações. “O Salvador desejava desdobrar aos discípulos a verdade referente à demolição da ‘parede de separação’ (Ef 2:14) entre Israel e as outras nações, a verdade de que ‘os gentios são coerdeiros’ dos judeus, ‘e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho’ (Ef 3:6). Essa verdade foi revelada em parte quando Ele recompensou a fé do centurião de Cafarnaum, e quando pregou o evangelho aos habitantes de Sicar. Isso foi ainda mais plenamente revelado por ocasião de Sua visita à Fenícia, quando curou a filha da mulher cananeia. Essas experiências ajudaram os discípulos a compreender que entre aqueles a quem muitos consideravam indignos da salvação, havia famintos pela luz da verdade” (Atos dos Apóstolos, p. 19).

Neste mundo mergulhado em trevas, sob domínio de Satanás (Cl 1:13), mantendo as nações sob escuridão espiritual, Deus confiou a Seu povo, em todas as épocas, a missão de ser luz em meio às trevas. “O Senhor estabeleceu Israel na Palestina, um lugar estratégico que ligava três continentes: África, Europa e Ásia. Era desígnio de Deus que Israel se tornasse um farol da verdade, a fim de atrair para si os povos do mundo” (Tratado de Teologia Adventista, p. 1.084).

O povo de Deus deve apresentar Jesus como "a luz do mundo" (Jo 9:5). Essa é a missão que define a igreja como “um conduto de luz, e por intermédio dela Deus comunica Seus desígnios e Sua vontade” (Desejado de Todas as Nações, p. 291). “Quando [Jesus] ordenou a Seus seguidores que fossem a luz do mundo, não fez a não ser lhes dizer que deviam ser o que Ele era, nada menos” (William Barclay, Comentário de Mateus, p. 132).

A Grande Comissão

Após a morte de Cristo, um forte sentimento de medo, dor e pesar tomou conta de Seus seguidores, desnorteados e sem saber qual rumo tomar na vida. Alguns ainda indagavam se tudo aquilo não tinha passado de um sonho que se havia tornado um pesadelo. Cristo então apareceu aos descrentes, incrédulos e sofredores discípulos e os repreendeu pela sua dureza de coração e pela falta de compreensão das Escrituras que Ele mesmo havia explicado.

O Cristo ressurreto deveria ser uma realidade, assim como o poder do Espírito Santo que os capacitaria e os impulsionaria a anunciar as boas-novas da salvação. Assim como naqueles dias, em nossa imperfeição e incredulidade, somos chamados pelo mesmo Cristo ressuscitado a anunciar o evangelho eterno a todo o mundo e a toda criatura, firmados na promessa dEle: “Estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt 28:20).

Estudo adicional

Como cristãos, muitas vezes procuramos desculpas e distrações para não sair da nossa zona de conforto e assim deixamos de cumprir o mandato de Cristo, de pregar o evangelho e fazer discípulos de todas as nações. Devemos nos lembrar de que “nenhum soldado em serviço se permite envolver em negócios da vida civil, porquanto seu objetivo é agradar àquele que o recrutou para a guerra” (2Tm 2:4-6). Temos a missão de ser embaixadores do reino de Deus (2Co 5:20).

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Carlos Sérgio, Eduardo Dutra, Gabriel Luiz Ribeiro, Marcos Adauto Medeiros, Michel Colçao e Rodrigo Arruda

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Orientador: Marcelo Dias: marcelo.dias@ucb.org.br
Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega

1. Os autores são alunos do 4º ano da Faculdade de Teologia do UNASP-EC que foram orientados pelo Pr. Marcelo Dias, professor de teologia e doutorando em Missiologia (PhD) na Universidade Andrews, Estados Unidos.


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