14 de agosto de 2015

Lições da Bíblia: Missões transculturais

VERSO PARA MEMORIZAR:

“Eis aqui o Meu Servo, que escolhi, o Meu amado, em quem a Minha alma Se compraz. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e Ele anunciará juízo aos gentios” (Mt 12:18).



É interessante que Jesus tenha passado tanto tempo de Seus primeiros anos na Galileia, que era conhecida como a Galileia dos gentios (Mt 4:15), sem dúvida devido à influência não judaica na província. Nessa região, em Nazaré, Jesus passou a maior parte dos anos que precederam Seu ministério. Graças à sua localização, Nazaré ficava próxima às principais rotas usadas pelas unidades do exército romano, bem como pelas caravanas de mercadores. Consequentemente, Jesus deve ter tido contato com não judeus durante os primeiros anos de Sua vida (sem mencionar o tempo que Ele passou no Egito).

Depois de ter sido rejeitado em Nazaré (Lc 4:16-31), Jesus centralizou Seu ministério em Cafarnaum, cidade galileia cosmopolita. Esses contatos com os gentios e com seu mundo impactaram significativamente Seu ministério e ensino. Embora Ele Se concentrasse em Israel, Sua preocupação era o mundo. Durante os mais de três anos de Seu ministério, entre o batismo e a ascensão, em pelo menos seis ocasiões Jesus teve contato direto com pessoas de outras nações. Nesta semana, examinaremos esses contatos nos relatos dos evangelhos.

Desenvolva o hábito de realizar o culto diário em seu lar. 
Ajude sua família a viver uma maravilhosa experiência com Deus!

 

A mulher samaritana


No tempo de Jesus, o antigo Israel estava dividido em três províncias: Galileia, Samaria e Judeia. Samaria estava situada entre a Galileia e a Judeia. Os samaritanos adoravam o Deus de Israel, mas também adoravam deuses importados de terras pagãs. Como campo missionário inicial, Samaria era ideal para os apóstolos porque ficava geograficamente próxima de Israel.

1. Leia João 4:4-30. O que podemos aprender dessa história sobre a forma pela qual Jesus testemunhava aos não judeus? De que maneira Jesus ultrapassou os limites da tradição para alcançar essa mulher?

A mulher samaritana era cautelosa, estava bem informada sobre a história de seu povo e fazia perguntas inteligentes. Ela conduziu a conversa com suas perguntas. Jesus, contudo, escolheu, dentre as perguntas e as declarações que ela fez, as coisas que a beneficiariam espiritualmente. O único ponto em que Jesus mudou a conversa foi quando disse a ela que trouxesse seu marido, sabendo que ela não era casada, mas havia tido vários maridos. Naturalmente, pedir-lhe que fizesse isso abriu caminho para que Ele a alcançasse, por mais desconfortável que ela tivesse se sentido. Contudo, ao agir dessa forma, Ele conseguiu testemunhar para ela de maneira poderosa.

Além disso, não devemos passar por alto o que aconteceu em João 4:27. Os discípulos ficaram surpresos porque Jesus estava falando com uma estrangeira. Ele transgrediu alguns dos costumes judaicos: primeiro, pedindo a uma mulher samaritana que Lhe desse água; segundo, ficando sozinho com ela. Em Israel um homem não podia ser visto sozinho com uma mulher, a menos que ela fosse membro de sua família. Jesus seguia os costumes judaicos quando estava em Israel. No entanto, em Samaria Ele estava fora do território judeu, e não Se prendeu às tradições judaicas, embora, como vemos em outra parte, Jesus fizesse distinção entre as tradições criadas pelo homem e as ordens e preceitos de Deus.

Você está disposto a sair de sua “zona de conforto” para ministrar a outros? Até que ponto você deve ir para cumprir essa missão?

O oficial do exército romano


2. Leia Mateus 8:5-13 e Lucas 7:1-10. O que essa história ensina sobre o fato de que até mesmo os maiores pontos de divisão cultural podem ser superados pelo evangelho?

Em Cafarnaum um oficial romano da categoria dos centuriões (comandantes de 100 homens) procurou Jesus. Os judeus tinham ódio do exército romano, e muitos romanos odiavam os judeus. Apesar dessa grande divisão cultural e política, podemos ver aqui a estreita relação entre os romanos e os judeus.

Lucas escreveu que o centurião foi até os “anciãos dos judeus” (Lc 7:3) para pedir que eles trouxessem Jesus para curar seu servo. É fascinante que eles fizeram exatamente isso, pedindo a Jesus que fosse curar o servo do homem. Quem eram esses anciãos? Os versos não dizem, mas parece que eles tinham um relacionamento diferente com Jesus em comparação com alguns outros líderes judeus.
Entretanto, o centurião era, obviamente, um homem de fé. As palavras que ele disse a Jesus: “Apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado”

(Mt 8:8) foram um admirável testemunho de sua fé nEle. O centurião “não esperou para ver se os próprios judeus receberiam Aquele que dizia ser seu Messias. Ao brilhar sobre ele ‘a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo’ (Jo 1:9, ARC), havia, embora à distância, discernido a glória do Filho de Deus” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 317).

O centurião entendia e respeitava os pontos delicados da religião judaica. Ele sabia que, segundo a lei, não era permitido que um judeu entrasse na casa de um pagão; portanto, pediu que Jesus atuasse de longe. O servo foi curado. A fé do centurião pagão foi recompensada. Jesus mostrou que a experiência do centurião era um modelo do que ocorrerá no grande dia em que pessoas do mundo todo se unirão aos patriarcas judeus no banquete messiânico.

Além das outras lições tiradas dessa cura, vemos que grandes pontos de divisão cultural não conseguiram manter a separação entre os judeus e esse romano. Que lições podemos obter quanto à necessidade de superar todas as diferenças culturais, mantendo a consciência limpa, a fim de alcançar outros?


Lidando com demônios


3. Leia Marcos 5:1-20 e Mateus 15:21-28. De que maneira Jesus Se relacionava com os não judeus? Qual é o significado das Suas palavras à mulher cananeia? Que lições os discípulos deviam aprender, vendo Jesus ministrar àqueles que não faziam parte do povo da aliança?

A região dos gadarenos ficava na praia oriental do Mar da Galileia. Era uma área que antes havia sido dominada pela Grécia, mas que tinha se tornado parte da província romana da Judeia. O homem de Gadara estava obviamente possuído, e sua possessão se manifestava de forma horrível. Ele precisava verdadeiramente da ajuda divina, e a obteve.

O fato de que essa libertação tenha ocorrido em território pagão é confirmado pela presença dos porcos. É interessante notar a reação à perda econômica quando os porcos se afogaram; o povo da cidade pediu a Jesus que saísse de seu território. Jesus, por Sua vez, pediu ao homem curado que ficasse. Ele devia testemunhar ao seu povo sobre Jesus; sem dúvida, sua vida transformada, ainda mais que suas palavras, seriam um poderoso testemunho.

No incidente seguinte, a criança sidônia estava “endemoninhada e [...] sofrendo muito” (Mt 15:22, NVI). Sua mãe, que era cananeia, ilustrava a mistura cultural que havia naquela região. Seus ancestrais cananeus haviam sido desalojados de sua terra quando Israel a herdou, sob a liderança de Josué. Nesse episódio, novamente, vemos Jesus interagindo com aqueles que não pertenciam a Israel.
Ao falar com ela, Jesus usou uma linguagem um tanto áspera, comparando o povo dela a cães, mas isso provou a fé da mulher e mostrou sua humilde disposição de obter a ajuda de que necessitava.

“O Salvador ficou satisfeito. Provou-lhe a fé nEle. Por Seu trato com ela, mostrou que aquela que era tida como rejeitada de Israel, não mais era estranha, mas uma filha na família de Deus. Como filha, teve o privilégio de partilhar das dádivas do Pai. Cristo assegurou-lhe então o que pediu, e concluiu a lição dada aos discípulos” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 401).

A lição foi que, contrariamente ao que os judeus pensavam, a obra do evangelho não se destinava apenas a eles, mas devia ir também a outras nações.


Dez leprosos


4. Leia Lucas 17:11-19. Que lições há nesse relato, independentemente de nossa nacionalidade ou origem?

Note, primeiro, que todos aqueles homens conheciam Jesus. Chamaram-No tanto pelo nome quanto pelo título, suplicando Sua intervenção. O que é igualmente fascinante é que eles não foram purificados ali, naquele momento. Simplesmente lhes foi dito que fossem se apresentar aos sacerdotes, como é especificado em Levítico 14:2. O fato de que eles simplesmente se viraram e foram mostra que creram em Jesus e em Seu poder para curá-los.

Porém, somente o samaritano expressou apreciação pelo que Jesus havia feito. Os outros nove não se esqueceram de ir aos sacerdotes, mas negligenciaram a gratidão para com Aquele que os havia curado. O samaritano, segundo o texto, voltou antes mesmo de chegar aos sacerdotes. Embora o texto não diga que os outros nove fossem judeus, o local torna isso muito provável; além disso, o fato de que Lucas mencionou especificamente que ele era um samaritano e que Jesus Se referiu a ele como “este estrangeiro” (Lc 17:18), torna provável que os outros nove fossem, de fato, judeus. Embora os judeus normalmente não se associassem com os samaritanos, a doença deles transcendeu essas barreiras. O infortúnio e a tragédia em comum, o que Albert Schweitzer denominou de “a comunhão do sofrimento”, havia derrubado uma divisão étnica. Sua necessidade comum de purificação, cura e salvação os havia aproximado coletivamente de Jesus.

Contudo, os samaritanos e outros estrangeiros não eram o alvo imediato do ministério de Jesus: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24). Primeiro Ele planejava estabelecer uma base missionária forte entre os judeus. Ao longo de todo o Seu ministério, porém, deu evidências a Seus seguidores de que o evangelho devia ir ao mundo todo. Embora esse ponto tenha se tornado claro somente após Sua ressurreição, mesmo antes disso Jesus fez coisas que deviam abrir a mente dos discípulos para a ideia de que a missão mundial se tornaria a principal tarefa deles.

Embora todos esses homens tivessem mostrado fé, somente um deles voltou e agradeceu ao Senhor pelo que havia recebido. Por que o louvor e a ação de graças são tão importantes para a fé? Quais são as coisas pelas quais você deve ser grato? Você seria mais feliz se as conservasse sempre em mente? Existe maneira melhor de fazer isso do que agradecer a Deus por tudo que Ele faz em sua vida a cada momento?

Os gregos e Jesus


5. “Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem” (Jo 12:20-23). Como esse incidente nos ajuda a compreender o sincero clamor das pessoas, em toda parte, por salvação, esperança e respostas que só podem ser encontradas em Jesus?

Esses gregos eram provavelmente conversos ao judaísmo, uma vez que lhes foi permitido entrar na área do templo, pelo menos até ao pátio dos gentios. Comentaristas têm notado que os gregos foram até Filipe, que, embora judeu, tinha nome grego, o que talvez os tivesse atraído a ele. Assim, embora uma obra cristã pioneira possa ser realizada por missionários estrangeiros que tenham sensibilidade cultural e uma solidária compreensão das pessoas que desejam ganhar para Cristo, o trabalho inicial mais eficaz é feito por pessoas que têm a mesma cultura ou experiência das pessoas a serem alcançadas.

Os gregos vieram somente alguns dias antes da crucifixão de Jesus. Sem dúvida ficaram impressionados com Suas palavras sobre Seu sofrimento, morte e vitória final. Além disso, a voz do Céu lhes deu o que pensar. Jesus teria sido encorajado pelo desejo deles de vê-Lo. A chegada deles assinalou o início da evangelização mundial. Ela foi predita até pelos fariseus, que exclamaram: “Eis aí vai o mundo após Ele” (Jo 12:19).

O que vemos nessa narrativa são homens de fora do judaísmo que desejavam ir a Jesus. Que sinal de que o mundo estava pronto para Sua morte expiatória! Esses gregos, representando as nações, tribos e povos do mundo, estavam sendo atraí­dos para Ele. Em breve a cruz do Salvador atrairia a Ele as pessoas de todas as terras e de todas as épocas subsequentes (v. 32). Os discípulos encontrariam o mundo pronto para receber o evangelho.

Leia João 12:20-32. O que Jesus estava querendo dizer ao falar sobre perder a vida para preservá-la? Dentro do contexto imediato da passagem, por que Ele disse isso? Você já experimentou isso?

Estudo adicional


“Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos Céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 8:11, 12). Embora essas palavras tenham sido ditas num contexto específico, em referência a pessoas específicas, não devemos perder de vista o princípio. Aqueles que receberam grandes privilégios, grandes vantagens em termos de verdades espirituais e teológicas, precisam tomar cuidado. É fácil desenvolver a satisfação própria em relação a verdades que nos foram dadas, verdades que, em alguns casos, ninguém mais está pregando e ensinando. Primeiro, precisamos nos certificar de que permanecemos fundamentados nessas verdades; então, em segundo lugar, precisamos estar dispostos a ensiná-las àqueles que não as conhecem.
Perguntas para reflexão

1. A cruz nos mostra a universalidade dos seres humanos. Diante de Deus somos todos pecadores e precisamos da graça para salvação. Contudo, muitos grupos, ao longo da História, se consideraram superiores. Isso ocorre com você e com seu grupo étnico, social, financeiro ou cultural? De que forma você abriga um senso de superioridade em relação a outros diferentes de você? O que está errado com essa atitude, e como você pode aprender, ao pé da cruz, a mudá-la?

2. A mulher junto ao poço voltou e testemunhou ao seu povo sobre Jesus. O que isso nos ensina sobre as missões e a importância de usar as pessoas de uma determinada cultura para alcançar seu povo?

3. Os gregos desejavam ver Jesus. Sem dúvida ouviram falar dEle ou testemunharam algumas das coisas que Ele havia feito. Jesus, é claro, está no Céu agora, e a igreja, Seu povo, O representa na Terra. O que isso significa para nós em termos de estilo de vida e do testemunho que damos?

Respostas sugestivas: 1. Jesus não tinha preconceitos nem Se restringia a tradições. Ele ultrapassou os limites da tradição ao iniciar um diálogo com uma pessoa do sexo oposto, algo que não estava de acordo com os costumes sociais judaicos. 2. Um romano, julgando-se indigno, pediu a intercessão de alguns judeus para que seu pedido fosse levado até Jesus e, em resultado, veio a experimentar o poder de Cristo. Os judeus ajudaram um romano, membro de um povo inimigo, a receber Cristo, porque a divisão cultural foi superada. 3. Embora tivesse Seu ministério centralizado nos judeus, Jesus não deixou de atender aos pedidos e às necessidades dos não judeus, nem os deixou sem testemunho. As palavras de Jesus tinham o objetivo de provar a fé da mulher e dar uma lição aos discípulos, pois eles consideravam os gentios como cães. Os discípulos deviam aprender a lição de que o evangelho também precisava ser levado aos pagãos. 4. Em primeiro lugar, entre os leprosos havia judeus e não judeus, e todos foram a Cristo, pois tinham uma necessidade comum de cura; em segundo lugar, Jesus não fez distinção, mas curou todos. Todos precisam de Jesus, e Ele deseja salvar e curar todos, sem distinção. Portanto, a missão do evangelho é mundial. 5. Pessoas de outras nações desejavam conhecer Jesus, e pediram aos discípulos que os levassem a Ele. Da mesma forma, há muitos hoje em dia que anseiam encontrá-Lo.


Casa Publicadora Brasileira

Comentários:  



Missões transculturais

Introdução

Jesus não nasceu na área mais nobre do território israelita. Nasceu na Galileia, região com cerca de 200 mil habitantes, perto das rotas comerciais do império romano. Viver nessa região expôs Jesus a um maior contato com os gentios. Em Seu ministério, Ele demonstrou que os gentios também eram alvo do plano divino de salvação.

Como nossa vida deve ser impactada pelo exemplo de Jesus ao tratar os gentios de forma carinhosa e amorável? Como colocar em prática tudo o que nosso Mestre ensinou? Como transpor as barreiras impostas pela cultura para atingir os novos “gentios” sem que o evangelho perca a relevância?

A mulher samaritana

Quando se fala em missões transculturais, Jesus foi um revolucionário no Seu tempo. Em um período carregado de tradições "antipecado", se usarmos essas tradições como moldura para analisar o episódio do encontro entre Cristo e a mulher samaritana (João 4:4-30), vemos Jesus transgredindo essas tradições de forma explícita, a ponto de causar o espanto da samaritana e de Seus discípulos.
Era impensável o contato entre um judeu e uma mulher que não fosse de sua família. No caso de Jesus, isso se agravava porque ela era samaritana. Estava Jesus fazendo algo errado ao quebrar essas tradições? De forma alguma! Essas tradições envolviam judeus e samaritanos numa atitude de hostilidade e preconceito. Jesus respeitava as tradições e costumes (suplantando-os quando iam contra os princípios divinos). Nessa ocasião, em Samaria, Jesus contextualizou a mensagem, abandonando as tradições humanas a fim de salvar a samaritana.

A mensagem de Cristo não se limita a uma cultura ou povo. Ela se apresenta a todas as culturas em todos os tempos. Muitas vezes, ao entrar num campo missionário, os aspectos culturais do missionário têm que ser deixados de lado e ele tem que se adaptar ao ambiente (sem transgredir os princípios bíblicos). É importante relembrar o conselho paulino: "Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele" (1Co 9:20-23).

O oficial do exército romano

Nos evangelhos e no livro de Atos, aparecem centuriões romanos com integridade e bom caráter. Em Lucas 7:1-10, encontramos um exemplo. Embora os judeus não tivessem afeição pelos romanos, muito menos pelos soldados, foram os anciãos da sinagoga que intercederam pelo centurião. Esse romano se importava com o povo judeu em Cafarnaum, havia construído uma sinagoga, amava seu servo e não queria que ele morresse.

Provavelmente, esse centurião tivesse ouvido acerca dos milagres de Jesus e eles o fizeram acreditar na cura do servo. O centurião parecia entender que só era preciso confiar em Jesus. Foi essa fé que Jesus admirou em alguém que não era judeu nem discípulo Seu. Sua fé foi notável, diante da perspectiva judaica, por ser um gentio. Em contraste com isso, Jesus ficou espantado diante da incredulidade dos judeus.

O servo foi curado, de acordo com a fé do centurião, à distância (Mt 8:11, 12). Vemos nesse episódio um vislumbre do reino dos Céus e da reunião dos filhos de Deus, aqueles que demonstrarem fé igual à daquele centurião.

Lidando com demônios

Duas curas, dois pedidos, dois encontros, duas consequências. Enquanto a mulher rogou encarecidamente por um milagre para sua filha, o endemoninhado pediu que Jesus fosse embora. Nos dois encontros, temos o reconhecimento de Jesus como o Messias: a mulher O chamou de “Filho de Davi,” enquanto os demônios O reconheceram como “Filho do Altíssimo”.

Duas curas em território gentílico. Jesus percorreu cerca de 200 km apenas para ter um encontro com essa mulher de Tiro. Essa foi a maior viagem de Cristo e foi feita em favor de um não judeu. Na outra viagem, Jesus cruzou o mar da Galileia para regenerar um homem que, aos olhos humanos, não podia ser salvo. Mesmo sabendo que sua popularidade diminuiria em virtude do incidente com os porcos, Jesus preferiu curar.

Deus ama todos, independentemente da sua origem. No contexto bíblico, Ele fez aliança com Adão, Noé e Abraão, e esses não eram judeus. Romanos 1:16 nos instrui que a salvação vem primeiro para o judeu, mas também para o grego (não-judeu). Na época de Cristo, aparentemente os judeus estavam recusando o pão (no relato da mulher siro-fenícia) e Jesus não apenas oferecia migalhas, mas todo Seu poder em favor dos gentios. Todos os povos deveriam conhecê-Lo.

Dez leprosos

No relato de Lucas 17:11-19, nota-se algumas atitudes dos dez leprosos, como: o interesse, a incredulidade e a ingratidão de nove deles em contraste com a fé, a gratidão e o reconhecimento do único que voltou para agradecer. O interesse demostrado ali não foi pela Pessoa de Jesus, muito menos pela salvação que Ele poderia oferecer, mas pela cura de sua enfermidade. Seu interesse era única e exclusivamente a cura física, deixando de lado a cura completa que Jesus poderia efetuar. Seu problema não era a incredulidade, mas o fato de que acreditavam parcialmente em Jesus. Acreditavam que Ele poderia curá-los, mas através de sua atitude demonstraram não acreditar que poderiam ser salvos por Ele. Por fim, foram ingratos diante da bondade e amor de Jesus, que desejava efetuar em sua vida a cura completa que só Ele pode oferecer.



1. Os autores são alunos do 4º ano da Faculdade de Teologia do UNASP-EC que foram orientados pelo Pr. Marcelo Dias, professor de teologia e doutorando em Missiologia (PhD) na Universidade Andrews, Estados Unidos.

Autores: 
Alexandre Palomares, Eliel Abreu, Emenson Câmara, Charlie Castro, Felipe Cayres Lima, Felipe Dutra e Odair Silva.

Orientador: Marcelo Dias: marcelo.dias@ucb.org.br
Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega

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