Lições da Bíblia: Pedro e os gentios

VERSO PARA MEMORIZAR:
“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (At 2:38, 39).



Pedro foi o primeiro apóstolo a proclamar a salvação aos gentios. Após a fundação da igreja, ele continuou a liderá-la por vários anos, mesmo depois de Paulo ter se tornado o excelente missionário aos gentios. Pedro e Paulo ajudaram a igreja primitiva e sua liderança, composta em sua maior parte por judeus, a compreender a universalidade da grande comissão.

Pedro trabalhou para conseguir uma igreja integrada, unindo os conversos gentios, que não tinham conhecimento dos detalhes mais específicos da cultura judaica, e os conversos judeus, cujos costumes tendiam a assumir a condição de absolutos divinos. Como todos os missionários pioneiros, Pedro teve que fazer distinção entre os absolutos divinos imutáveis e as práticas culturais e relativas, sem importância significativa na vida do cristão, fosse judeu ou gentio. Assim, foi Pedro que, no Concílio de Jerusalém, declarou, a respeito dos gentios, que Deus “não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração” (At 15:9); foi ele, também, que ajudou a resolver as questões que ameaçavam a unidade da igreja primitiva.

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Pedro no Pentecostes


As últimas palavras de Jesus, antes de Sua ascensão, foram de natureza missionária: “Sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra” (At 1:8). Vemos, novamente, a ordem de levar o evangelho a todo o mundo. Somente 50 dias depois esse chamado começou a se cumprir, e Pedro teve um papel fundamental nesse cumprimento.

1. Leia Atos 2:5-21. Como esse acontecimento mostra a intenção de Deus no sentido de que o evangelho fosse a todo o mundo, e também o papel que os judeus deviam ter nessa proclamação?

A grande comissão se cumpriu no dia de Pentecostes. O derramamento do Espírito Santo tinha como objetivo a evangelização do mundo. Esse derramamento inicial do Espírito produziu grandes resultados nesse dia. Contudo, isso foi apenas um prenúncio dos resultados muito maiores que viriam nos anos seguintes.

O sermão de Pedro continha alguns pontos importantes que têm relevância até hoje:

Primeiro: As profecias e promessas do Antigo Testamento são cumpridas em Cristo (At 2:17-21), uma verdade revelada através das poderosas obras e sinais que acompanharam Seu ministério, bem como por intermédio de Sua morte e ressurreição (v. 22-24).
Segundo: Jesus foi exaltado, colocado à direita de Deus, e agora é o Cristo (Messias) e Senhor de todos (v. 33-36). NEle, todos os que se arrependem e são batizados recebem o perdão dos pecados (v. 38, 39).

Vemos o ativo e falante discípulo Pedro defendendo sua crença em Jesus. Ele foi chamado por Cristo para ser um líder forte nos primeiros dias da igreja. Embora conhecesse menos lugares, fosse menos eficiente e menos adaptável a outras culturas e religiões do que o apóstolo Paulo (Gl 2:11-14), Pedro abriu caminho para que o evangelho chegasse a 15 nações quando pregou aos judeus da diáspora que estavam em Jerusalém. Dessa forma, usou uma ponte muito importante para levar as boas-novas à região do mundo que, em sua época, constituía o Oriente Médio.

O que a história do Pentecostes revela sobre nossa completa necessidade do Espírito Santo na vida? Que escolhas podemos fazer para estar mais sintonizados com a direção do Espírito?


A conversão de Cornélio – parte 1


2. Leia Atos 10:1-8, 23-48. O que a história desse gentio que se tornou seguidor de Jesus ensina sobre salvação e testemunho?

A conversão de Cornélio, um pagão, oficial do exército romano, tem sido denominada o Pentecostes gentio. Essa história é fundamental no livro de Atos, pois aborda o assunto que mais causou divisão na igreja primitiva: Pode um pagão se tornar cristão sem primeiro se tornar judeu?

O quartel-general do exército romano para toda a Judeia, incluindo Jerusalém, era Cesareia. Cornélio teria sido um dos seis centuriões que comandavam os 600 soldados pertencentes à coorte* italiana que tinha sua base ali. Seu nome indicava ser ele descendente de uma ilustre família militar romana da qual, no passado, viera o comandante Públio Cornélio Cipião Africano, que em 202 a.C. havia derrotado Aníbal, general cartaginês que causara muitos problemas a Roma durante anos. Mais importante ainda: Cornélio era um homem temente a Deus, que desfrutava de comunhão espiritual com sua família, orava regularmente e era generoso para com os necessitados. Deus ouviu suas orações e enviou um anjo com uma mensagem especial para ele.

“Crendo em Deus como criador do Céu e da Terra, Cornélio O reverenciava, reconhecia Sua autoridade e procurava Seu conselho em todos os negócios da vida. Era fiel a Jeová em sua vida doméstica e em seus deveres oficiais. Erguera em seu lar o altar de Deus, pois não ousava efetuar seus planos nem encarar suas responsabilidades sem o auxílio divino” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 133).
Note, igualmente, o que aconteceu quando Cornélio finalmente encontrou Pedro: ele se curvou e o adorou, um ato que deve ter deixado Pedro horrorizado. Assim, o que podemos ver é que esse gentio, favorecido por Deus, um homem devoto, ainda tinha muitas verdades a aprender, até mesmo no nível mais básico; sem dúvida, porém, ele estava prestes a adquirir esse conhecimento.

*Cada legião do exército romano era formada por 10 unidades chamadas coortes.

Apesar da falta de conhecimento de Cornélio, quais características dele fariam muito bem à nossa vida espiritual e ao nosso trabalho para alcançar pessoas?


A conversão de Cornélio – parte 2


“Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que O teme e faz o que é justo Lhe é aceitável” (At 10:34, 35). Embora essas palavras, para nós, não sejam tão revolucionárias, vindas de Pedro elas constituíram uma confissão surpreendente. Temos que nos lembrar de quem era Pedro, sua origem e suas atitudes, com as quais ainda lutava. (Ver Gl 2:11-16.) Porém, sem dúvida, sua experiência com Cornélio o ajudou a ver, ainda mais claramente, o erro de seu comportamento, e a ter uma visão melhor do que Deus pretendia fazer com a mensagem do evangelho.

3. Leia Atos 10:33. Quais palavras de Cornélio a Pedro demonstram que, apesar de sua falta de conhecimento, ele entendia que seguir ao Senhor também significava obedecer-Lhe?

4. Leia Atos 11:14. Por que devemos levar o evangelho até mesmo para pessoas piedosas como Cornélio?

5. De que forma Romanos 2:14-16 nos ajuda a entender o que estava acontecendo com Cornélio?

Como vimos, Cornélio era um gentio “temente a Deus” (At 10:2), embora ainda tivesse muito a aprender, como ocorre com todos nós. Contudo, seus jejuns, orações e esmolas revelavam um coração aberto ao Senhor; assim, quando chegou o tempo certo, Deus atuou maravilhosamente em sua vida.

Um importante ponto a ser lembrado nesse relato é que, embora o anjo tivesse aparecido a Cornélio, não pregou o evangelho a ele. Em vez disso, o anjo abriu caminho para que Cornélio se encontrasse com Pedro, que, então, lhe falou sobre Jesus (At 10:34-44). Podemos ver aqui um exemplo de como o Senhor usa os seres humanos como Seus mensageiros neste mundo.


A visão de Pedro


Como vimos ontem, quando Pedro fez contato com Cornélio, teve uma mudança de atitude e opinião a respeito dos gentios que outros cristãos judeus ainda não haviam alcançado (At 10:44, 45). O que aconteceu que mudou a conduta de Pedro?

6. Leia Atos 10:9-22 e 11:1-10. As atitudes erradas de Pedro prejudicavam o cumprimento da missão? Por que foi preciso uma experiência sobrenatural para que a mente de Pedro se abrisse?

A conversão de Cornélio e o papel de Pedro na tarefa de testemunhar foram tão importantes para a missão da igreja que Deus Se comunicou de maneira sobrenatural, tanto com o missionário quanto com aquele que viria a ser seu anfitrião: enquanto o anjo visitava Cornélio, foi dada uma visão a Pedro.

Além disso, Pedro ficou em Jope, na casa de um curtidor (At 9:43; 10:6, 32), um detalhe que não podemos passar por alto. O curtimento e os curtidores eram repulsivos aos judeus, uma vez que lidavam com animais mortos e usavam excrementos no processo. Os curtumes não eram permitidos nas cidades; notem que o de Simão ficava localizado “à beira-mar” (At 10:6).

A estada de Pedro com um curtidor indicava que, mesmo antes de sua visão, ele já havia percebido que algumas de suas atitudes passadas estavam em desacordo com o evangelho. Tanto Pedro quanto a família de Cornélio precisavam se livrar de parte de sua bagagem cultural. Todas as pessoas, representadas por todos os tipos de animais na visão de Pedro, eram filhas de Deus.

O chamado de Pedro para testemunhar a Cornélio implicava que, embora todas as pessoas sejam aceitáveis a Deus, nem todas as religiões são igualmente aceitáveis. Cornélio já era homem “religioso”, como quase todas as pessoas na sociedade antiga. Como soldado, ele devia estar familiarizado com a adoração a Mitra, e como oficial já devia ter tomado parte no culto ao imperador. Mas essas coisas não eram aceitáveis a Deus.

Encontramos nesse ponto uma lição para os que abordam as religiões não cristãs em base de igualdade com o cristianismo. Embora isso às vezes seja feito no espírito do que é politicamente correto, tal atitude leva a uma diminuição da importância das reivindicações bíblicas a respeito da singularidade e da supremacia cristãs.
Como podemos mostrar respeito pelas pessoas cuja fé cremos estar errada sem dar a impressão de que aceitamos suas crenças? Qual é a diferença entre respeitar as pessoas e honrar suas crenças?


O decreto de Jerusalém


O sucesso inicial da missão em favor dos gentios levantou a questão crucial para a igreja primitiva em relação ao fato de os gentios se tornarem crentes em Jesus, uma crença que os enxertava na religião bíblica (Rm 11:17). Sempre aparecem tensões quando pessoas de outras religiões e culturas se unem a uma comunidade estabelecida de crentes. Nesse caso, cristãos judeus, com sua elevada consideração pelas exigências das leis e rituais do Antigo Testamento, presumiram que os conversos gentios aceitariam e seguiriam essas leis e rituais. O foco principal era a circuncisão, o sinal fundamental de entrada na comunidade judaica para as pessoas do sexo masculino, que simbolizava a conformidade com todas as exigências do judaísmo. Devia-se exigir que os gentios que se convertiam ao cristianismo se submetessem à circuncisão? Alguns cristãos da Judeia certamente achavam que sim, e declararam sua convicção em rigorosa linguagem teológica: para eles, isso era essencial para a salvação.

7. O que aconteceu no Concílio de Jerusalém que ajudou a resolver essa importante questão? At 15:1-35

Embora a questão da circuncisão fosse a principal razão para o Concílio de Jerusalém, ele tratou de várias práticas culturais que o evangelho não requeria de seus conversos. O decreto do concílio (v. 23-29) proporcionou uma plataforma comum, onde cristãos judeus e gentios podiam coexistir em companheirismo. Os valores centrais do judaísmo foram respeitados, mas foi permitido aos gentios que evitassem a circuncisão. A decisão do concílio foi não só prática, mas teológica. Estabelecia um padrão para que a igreja lidasse com as questões e os problemas, antes que causassem divisão. Missionários experientes aprendem a identificar as questões centrais da fé cristã e a manter o foco nelas, em vez de ficar presos a coisas que não são essenciais à fé.

Que lição podemos extrair do Concílio de Jerusalém que poderia ajuda a igreja hoje a lidar com assuntos controvertidos? O que eles fizeram que serve de modelo para nós?

Estudo adicional


Leia, de Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 188-200: “Judeus e Gentios”.

“Pedro falou de seu assombro quando, ao transmitir as palavras da verdade àquela assembleia na casa de Cornélio, testemunhou que o Espírito Santo Se havia apossado de seus ouvintes, tanto gentios como judeus. A mesma luz e glória que se refletira sobre os judeus circuncidados, brilhou igualmente na face dos incircuncisos gentios. Isso era uma advertência de Deus a Pedro para que não considerasse pessoa alguma inferior a outra, porque o sangue de Cristo pode limpar de toda a imundícia. [...]

“O discurso de Pedro levou a assembleia ao ponto de poderem ouvir com paciên­cia a Paulo e a Barnabé, que relataram suas experiências na obra pelos gentios” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 193, 194).

Perguntas para reflexão

1. A visão de Pedro tem sido explicada de maneira a apoiar o argumento de que as leis dietéticas do Antigo Testamento não mais são válidas – como justificativa para se comer carnes imundas. O significado da visão foi claramente explicado pelo próprio Pedro: “Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo” (At 10:28). Portanto, a visão não foi sobre alimentação, mas sobre aceitação de outros seres humanos como filhos de Deus, não importando a etnia, nacionalidade, ocupação ou religião. Porém, por que as pessoas usam a visão como argumento na questão da dieta? Que cuidado devemos ter ao lidar com as Escrituras?

2. Leia Romanos 2:14-16. De que maneira devemos considerar essa ideia em termos de missões? Se aqueles que não têm a lei escrita a têm gravada no coração, por que precisamos pregar a eles?

3. O Concílio de Jerusalém foi um modelo para a igreja hoje (At 15:1-35). Quais são algumas das coisas específicas desse concílio que constituem um modelo? Por exemplo, procure coisas como: (1) testemunhos pessoais sobre a obra missionária; (2) o papel do evangelho; (3) o papel das Escrituras; (4) o papel das missões; e (5) a maneira pela qual as pessoas se relacionaram no concílio.

Respostas sugestivas: 1. O derramamento do Espírito se manifestou por meio do dom de línguas, que não teria sentido se o evangelho não devesse ir a outras nações. Já que os primeiros discípulos de Cristo eram judeus, eles constituíam o 
núcleo que devia levar avante essa obra. 2. Que todas as pessoas são candidatas a receber salvação e que, portanto, devemos testemunhar a todos. 3. Ele disse que todos estavam ali prontos para ouvir tudo o que Deus havia ordenado a Pedro.
4. O anjo falou a Cornélio que Pedro lhe diria palavras mediante as quais ele e sua casa seriam salvos, o que significa que, mesmo sendo piedoso, Cornélio ainda precisava conhecer a salvação. 5. Cornélio, mesmo antes de conhecer a salvação em Jesus, agia em conformidade com a lei gravada em seu coração, mostrando que era sensível à atuação do Espírito Santo. 6. Seu preconceito estava tão arraigado que Deus lhe deu uma visão chocante para que sua mente se abrisse. O Espírito Santo teve que lhe ordenar que fosse à casa de um gentio, porque isso era proibido segundo os padrões judaicos. 7. Foi tomada a decisão de que a observância da circuncisão e outras práticas específicas da nação judaica não deviam ser impostas aos gentios, enquanto foi mantida a observância dos princípios bíblicos universais.



Comentarios:


Pedro e os gentios


Introdução

Diante do desafio de evangelizar todo o mundo, Jesus deu novo impulso missionário através dos Seus discípulos e apóstolos. Nessa abordagem, a pregação não é simplesmente atrair, mas também ir e espalhar o evangelho a todas as pessoas, onde quer que elas se encontrem, alcançando cada tribo, língua e grupo étnico.

Pedro no Pentecostes

Nos tempos bíblicos, para obter uma boa colheita era preciso preparar a terra e plantar boa semente. Além disso, eram necessárias as chuvas temporã e serôdia. A chuva temporã era branda, contínua, e geralmente caía no outono. Sua função era umedecer a terra e fazer com que os grãos plantados germinassem. A chuva serôdia, por sua vez, caía na primavera de forma torrencial. Ela fazia a plantação crescer e se tornar madura para a colheita.

As chuvas temporã e serôdia simbolizam o trabalho do Espírito Santo, essencial para a conclusão da pregação do evangelho. No dia do Pentecostes, Pedro e os outros apóstolos esperavam em oração o cumprimento da promessa que Jesus lhes havia feito (At 1:8-14; 2:1-4). O derramamento do Espírito ocorrido naqueles dias foi o cumprimento da promessa da chuva temporã. Essa chuva do Espírito faz a semente do evangelho germinar no coração das pessoas, e prepara o caminho para a chuva serôdia.

A chuva temporã, que começou desde o tempo dos apóstolos, está disponível para nós hoje. Por isso, devemos buscar o poder e a direção do Espírito Santo todos os dias. Se não recebermos a chuva temporã, a serôdia não cairá e não teremos eficiência em nossa vida espiritual. “A grande obra do evangelho não deverá se encerrar com menor manifestação do poder de Deus do que a que assinalou seu início. As profecias que se cumpriram no derramamento da chuva temporã no início do evangelho, devem novamente cumprir-se na chuva serôdia, na sua conclusão” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 611).

A conversão de Cornélio: parte 1

Foi necessário que Deus, por meio de Sua Igreja, rompesse as barreiras étnicas e mostrasse que “não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que O invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10:12, 13). A conversão do centurião Cornélio exemplifica o fato de que Deus não faz acepção de pessoas. Ele chama todos que, com sinceridade e temor, estão dispostos a aceitar Seu convite. O Senhor não exige deles o cumprimento dos elementos do cerimonialismo judaico, tais como a circuncisão e o “batismo” ativo e cerimonial (banho no qual a própria pessoa se “batizava” e se “rebatizava” sempre que tivesse contato com mortos e leprosos).

Cornélio e sua casa foram incluídos no cristianismo pelo batismo de Jesus. Esse batismo é moral e, portanto, envolve o perdão dos pecados (e não apenas uma purificação cerimonial). É um batismo único (acontece uma única vez) e passivo (ocorre por intermédio de um ministro de Deus). Faz parte de uma série de passos tomados por aqueles que reconhecem Cristo, buscam um relacionamento genuíno com Ele e moldam seu modo de viver pelas verdades bíblicas. Isso é o maior testemunho de que, de fato, a salvação ocorreu em sua vida.

A conversão de Cornélio: parte 2

Segundo a Bíblia, Cornélio era temente a Deus e “dava muitas esmolas ao povo”. Isso significa que ele pertencia ao grupo de gentios simpatizantes do judaísmo. Apesar disso, Cornélio não era aceito pela igreja de Jerusalém, porque os gentios, conforme a visão judaica, precisavam primeiramente entrar na aliança abraâmica para ser salvos. Isso só era possível por meio da circuncisão.

Pedro, como judeu, carregava essa herança cultural. Embora Pedro tivesse se hospedado na casa de um curtidor (considerado impuro pelos judeus), ainda precisou receber a visão do grande lençol para que entendesse que Deus não faz acepção de pessoas. Essa visão não trata especificamente de alimentação. A visão, na verdade, buscava mostrar ao apóstolo que os judeus não mais deveriam considerar os gentios impuros. Ambos os grupos, a partir de então, teriam o mesmo valor diante de Deus. Os muros dos preconceitos para a pregação do evangelho estavam sendo demolidos.

A visão de Pedro

Na perspectiva humana, Pedro e Cornélio nada tinham em comum. Cornélio era comandante de um batalhão e trabalhava entre soldados e criminosos. Pedro era um simples pescador e tinha experiência com barcos e peixes. Cornélio era gentio e lidava diretamente com homens romanos. Pedro, sendo judeu, cuidava para que seu contato social se restringisse às pessoas de sua etnia.

Mas na perspectiva divina, Pedro e Cornélio tinham algo importante em comum: eram reconhecidos como homens de oração. Cornélio “de contínuo, orava a Deus” (At 10:2) e suas preces foram ouvidas (At 10:31). Como resultado, Deus lhe concedeu uma experiência extraordinária: teve a visão de um anjo com vestes resplandecentes (At 10:3, 30) e recebeu o Espírito Santo em sua vida (At 10:44).
A oração também marcou de forma extraordinária a vida de Pedro (At 3:1). Em uma ocasião, por exemplo, após Pedro orar ajoelhado, Deus trouxe Tabita de volta à vida (At 9:40). Em outro momento de comunhão com Deus, Pedro recebeu a visão “do grande lençol”, e isso mudou radicalmente sua maneira de pregar o evangelho (At 10:9-11). Também foi a partir de momentos de oração que, juntamente com outras pessoas da igreja, Pedro recebeu a plenitude do Espírito Santo no Pentecostes (At 1:13-14; 2:1-4).

Talvez não sejamos soldados, a exemplo de Cornélio, nem pescadores, como Pedro. Mas se a oração fizer parte de nossa vida, também poderemos ter experiências extraordinárias com Deus. E ao vivermos em harmonia com Sua vontade (At 5:32), também poderemos receber a plenitude do Espírito Santo.

O decreto de Jerusalém

O concílio de Jerusalém foi um momento importante na compreensão da identidade do cristianismo e sua relação com as culturas. À medida que a missão se expandia e alcançava novos povos era necessário entender a possibilidade de tradução do evangelho para a realidade das outras culturas. Alguns apontam essa decisão como uma das principais para a sobrevivência e expansão da igreja.
Várias leis cerimoniais que orientavam a conduta da vida religiosa, incluindo a circuncisão, tinham uma aplicação específica para o povo de Israel. Várias delas apontavam também para a morte do Filho de Deus e durariam somente até Sua morte, quando o tipo encontraria o antítipo.

A submissão à Palavra revelada e ao Espírito Santo foi fundamental para o êxito do concílio e para pôr fim a essa controvérsia. A decisão foi que os conversos gentios não precisavam se tornar judeus para ser cristãos. Eles estavam livres dos ritos cerimoniais. Porém, deviam abandonar os costumes incoerentes com os princípios do cristianismo.

O mesmo Espírito que guiou a Igreja naquele concílio, continua guiando-a ainda hoje. Devemos celebrar a condição do cristianismo de transpor e transformar culturas. Para que esse poder de transformação se manifeste em nossa vida, é importante estudar a Palavra de Deus e estar atento às ações do Espírito Santo na conversão de pessoas.

Estudo adicional

“Muitos dos gentios tinham sido ouvintes interessados da pregação de Pedro e dos outros apóstolos, e muitos dos judeus gregos se haviam tornado crentes em Cristo, mas a conversão de Cornélio foi a primeira de importância entre os gentios.

Havia chegado o tempo de ser introduzida pela igreja de Cristo uma fase de trabalho inteiramente nova. A porta que muitos dos judeus conversos haviam fechado aos gentios devia agora ser aberta amplamente. E os gentios que aceitassem o evangelho deveriam ser considerados em condição de igualdade com os discípulos judeus, sem a necessidade de observar o rito da circuncisão.

“O Senhor agiu com muito cuidado para vencer o preconceito contra os gentios, o qual tão firmemente se havia fixado na mente de Pedro pela sua educação judaica! Pela visão do lençol e seu conteúdo, Ele procurou tirar da mente do apóstolo esse preconceito e ensinar as importantes verdades de que no Céu não há acepção de pessoas; que judeus e gentios são igualmente preciosos à vista de Deus, e que, por meio de Cristo, os pagãos podem se tornar participantes das bênçãos e privilégios do evangelho” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 136).


 Autores:
1. Os autores são alunos do 4º ano da Faculdade de Teologia do UNASP-EC que foram orientados pelo Pr. Marcelo Dias, professor de teologia e doutorando em Missiologia (PhD) na Universidade Andrews, Estados Unidos.
Alexandre Palomares, Eliel Abreu, Emenson Câmara, Charlie Castro, Felipe Cayres Lima, Felipe Dutra e Odair Silva

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