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Luzes, câmeras e uma missão

Por Márcio Tonetti
Diretor da Rede Novo Tempo fala sobre possibilidades e desafios da pregação do evangelho através dos meios de comunicação de massa

Há dez anos, seria difícil imaginar que as instalações de um galpão de armazenamento de arroz, localizado no município de Jacareí (SP), se transformassem num conglomerado de comunicação com mais de 450 funcionários. O avanço da Rede Novo Tempo na última década pode ser definido como o “milagre da comunicação” adventista.
Com a transferência do então Sistema Novo Tempo de Comunicação para o município do interior de São Paulo, a Novo Tempo ampliou significativamente seu alcance. Hoje o sinal da emissora está disponível para aproximadamente 80% da população brasileira. Presente em canais fechados, na TV aberta e, mais recentemente, em 25 milhões de antenas parabólicas com receptores digitais e analógicos, o canal de televisão já está entre os maiores do país em audiência potencial. Para se ter uma ideia dessa influência, a Novo Tempo tem sido procurada por operadoras de TV por assinatura interessadas em exibir sua programação, o que leva a crer que, dentro de alguns anos, ela estará presente em todos os canais pagos do Brasil.
Igualmente expressivo tem sido o crescimento da rede na internet. Nos últimos doze meses, os conteúdos do portal da Novo Tempo já receberam mais de 40 milhões de visualizações. O resultado de todos esses esforços convergentes tem sido o significativo aumento no número de interessados em estudar a Bíblia. Até o fim de 2015, a Escola Bíblica deve atingir um milhão de alunos cadastrados.
Há cinco anos na direção desse importante meio de evangelização, o pastor Antonio Oliveira Tostes conversou com a Revista Adventista sobre aspectos como o desafio de manter essa estrutura sem recorrer à publicidade paga, as conquistas mais recentes da rede e a importância de fortalecer a conexão entre a Novo Tempo e a Igreja Adventista.
Qual é o alcance da TV Novo Tempo hoje?
Nossa audiência potencial é de 177 milhões de espectadores, sem contar o alcance da rádio e da internet. Isso faz da TV Novo Tempo uma das maiores do Brasil em audiência potencial. Hoje, nosso sinal está nas principais TVs pagas do Brasil – Sky (canal 14), Net (canal 184) e Oi (canal 214) –, bem como em canal aberto em mais de 600 cidades, incluindo 18 capitais. Recentemente, também obtivemos outra grande conquista, que foi a chegada do sinal da emissora às antenas parabólicas com receptores digitais e analógicos. Deus abriu uma grande porta, pois já fazia alguns anos que o espaço no satélite C2, que agrega os canais que alcançam as parabólicas, estava completamente preenchido. Ao conseguir entrar nesse espaço, o sinal da Novo Tempo chegou a 25 milhões de antenas parabólicas, o que, segundo relatório da Secretaria da Comunicação Social de 2014, atinge 37% dos brasileiros. Boa parte desse público está concentrada em pequenas cidades, áreas rurais e nos locais em que o sinal da TV aberta não chega.
A ampliação do alcance já se refletiu na procura dos telespectadores por estudos bíblicos?
Desde que entramos nos receptores digitais e analógicos, o aumento na procura por estudos bíblicos foi imediato. No fim de maio de 2015 registramos um crescimento de quase 30% nos contatos. Diante disso, estamos fortalecendo nossa equipe no atendimento da Escola Bíblica e no setor de expedição. Hoje, enviamos, em média, 20 mil cursos bíblicos impressos, CDs e DVDs por mês. A expectativa é de que tenhamos em 2015 um aumento de até 70% no número de alunos registrados na Escola Bíblica, o que significa atender um milhão de pessoas interessadas no estudo da Bíblia.
Quais são os programas que mais atraem o público?
São aqueles que estão situados no horário nobre da televisão brasileira, que se estende das 20h30 até por volta da meia-noite. Nessa faixa de horário temos os programas evangelísticos mais fortes, como é o caso do Está Escrito, Na Mira da Verdade, Além dos Fatos, Bíblia Fácil, Arena do Futuro e aqueles voltados para a família.
Fazer televisão custa caro. Por que a TV Novo Tempo decidiu não fazer uso da publicidade paga mesmo estando atrelada a uma geradora comercial?
A Novo Tempo produz conteúdo a partir de duas geradoras: uma educativa e a outra comercial. Para a primeira, produzir conteúdo educativo é uma obrigação legal. No caso da segunda, isso é facultativo; porém, adotamos a mesma linha editorial nas duas. Na geradora comercial e suas retransmissoras, o que temos são divulgações de caráter institucional. Mas não teremos comerciais, embora haja condições para isso e já tenhamos sido procurados por agências interessadas em anunciar na TV Novo Tempo. Essa postura se deve ao fato de que desejamos continuar sendo um canal diferenciado. Essa é a impressão que queremos que o telespectador tenha ao sintonizar o canal da esperança. Da mesma forma que não teremos comerciais em nossos intervalos, também não teremos patrocínio para nossos programas. Esses espaços serão dedicados para divulgar nossos valores e nosso estilo de vida, que são fundamentados na Palavra de Deus.
O que mantém a Rede Novo Tempo?
Esse é um grande desafio. Produzir conteúdo para televisão requer equipamentos caros e muitos profissionais. O custo do satélite e os investimentos na distribuição do sinal também demandam valores substanciais. Para manter tudo isso, nós recebemos um pequeno percentual dos dízimos, além de subvenções da sede sul-americana da Igreja Adventista. Mas nossos principais patrocinadores são os “Anjos da Esperança”. Graças a eles, podemos produzir e enviar gratuitamente estudos bíblicos, aumentar a equipe e ampliar o sinal da Novo Tempo. Portanto, esse projeto tem sido e continuará sendo o grande diferencial para a manutenção e o crescimento da Rede Novo Tempo. Desses doadores, mais da metade não é adventista.
A marca Novo Tempo se fortaleceu significativamente nos últimos anos. Há um risco de ela se tornar maior do que a da própria igreja, já que é comum os telespectadores usarem a expressão “igreja da Novo Tempo”?
Não acredito que isso possa acontecer. A marca da Igreja Adventista é muito forte e está consolidada. O que se percebe, em algumas circunstâncias, é uma desconexão entre a Novo Tempo e a Igreja Adventista. A ideia de que a igreja seja uma extensão da Novo Tempo é equivocada. A Novo Tempo é que é uma extensão da Igreja Adventista. Por isso, estimulamos a liderança e os membros da denominação a fortalecer cada vez mais essa conexão, a fim de que o telespectador que aceitar a mensagem e o nosso estilo de vida seja incentivado a procurar nossos templos e a participar da adoração em comunidade. Acredito que uma das formas de fortalecer esse vínculo é ter o logo da Igreja Adventista e o da Novo Tempo nas fachadas dos prédios, em banners, outdoors, bem como em campanhas e projetos desenvolvidos pela denominação. Ao fazer isso, no entanto, deve-se ter o cuidado para que a marca da igreja sempre prevaleça.
A igreja tem implantado espaços Novo Tempo em várias cidades para acolher esses interessados. Mas como as igrejas em geral podem estar preparadas para receber esse público influenciado pela emissora?
Em primeiro lugar, o que anunciamos de maneira tão enfática na TV precisa ser praticado pelos membros da igreja no dia a dia. Além disso, precisamos ter uma igreja acolhedora para receber quem nos procura. Cada templo pode funcionar como um espaço Novo Tempo que acolha essas pessoas. Aliás, esse modelo já tem apresentado bons resultados. Não menos importante é criarmos um canal de interação entre os interessados que fizeram contato com a Escola Bíblica e os membros das igrejas.
Como os membros podem se aproximar desses milhares de interessados que ainda não visitaram uma igreja adventista?
Um dos meios para manter contato com as pessoas que desejam conhecer mais sobre nossa mensagem é o cadastro que mantemos dos alunos da Escola Bíblica. Qualquer membro da igreja pode ter acesso à relação de interessados da sua região por meio do pastor que atende o distrito. Os pastores distritais foram cadastrados para que tivessem acesso a esse banco de informações online. Estabelecer esse contato amigável com os interessados, dispondo-se, por exemplo, a orar e estudar a Bíblia com eles, é fundamental para criar relacionamento e fazê-los sentir-se parte de uma família. Não serão os meios de comunicação que cumprirão esse objetivo. O papel da Rede Novo Tempo é proclamar o evangelho, mas fazer discípulos é uma tarefa que compete aos membros da igreja.
ADMINISTRADOR E COMUNICADOR
Natural de Juiz de Fora (MG), Antonio Oliveira Tostes já soma 33 anos de trabalho na organização adventista. Graduado em Administração e Ciências Contábeis, área na qual também concluiu uma pós-graduação, ele foi reconhecido como pastor e ordenado ao ministério em 1996. Ao longo de sua carreira, administrou várias instituições adventistas, entre elas a Casa Publicadora Brasileira, onde exerceu a função de diretor financeiro por seis anos. Além de gestor, Antonio Tostes tem experiência diante das câmeras como apresentador do programa Saldo Extra. Ele é casado com Maria José de Medeiros Tostes, que atua como supervisora do departamento Anjos da Esperança na Novo Tempo. O casal tem uma filha, Thayane, de 23 anos.

RA

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