Para Não Esquecer - Meditação Diária

A Polêmica dos Dez Chifres
E eis aqui o quarto animal, [...] era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres. Daniel 7:7
"Bem", você pode estar pensando, "este não é exatamente o texto ideal para minha meditação diária". Você está certo. No entanto, há uma história por trás dele que abalou o adventismo nos anos 1880. Tudo começou em 1884, quando a Assembleia da Associação Geral pediu a Alonzo Jones que reunisse informações históricas sobre o cumprimento das profecias, incluindo a dos dez chifres de Daniel 7.
Uriah Smith estava mais do que feliz porque Jones tinha tempo para a tarefa, mas sua animação acabou quando o homem mais jovem divergiu dele quanto à identidade de um dos chifres, sugerindo que a lista tradicional estava errada. As coisas pioraram quando Jones publicou suas descobertas em Signs of the Times. Smith o rebateu na Review and Herald, e o calor da discussão aumentou.
Por que tanto rebuliço por um ponto tão pequeno? Deixemos Smith responder. Conforme ele observou, se mudassem aquilo que havia sido pregado ao longo de 40 anos, as pessoas notariam e diriam: "Ah, então agora vocês descobriram estar enganados em relação àquilo que consideravam um dos pontos mais claros! Então, se lhes dermos tempo suficiente, provavelmente reconhecerão estar enganados quanto a tudo!" Para Smith, com esse golpe, todo o sistema de interpreta­ção profética que incluía a lei federal de guarda ao domingo entraria em colapso.
Jones também discordou sobre a questão dominical, afirmando que "a verdadeira batalha da verdade e pela verdade" ainda não havia começado. Entretanto, a aprovação da lei dominical mudaria tudo. As crenças adventistas do sétimo dia na crise do tempo do fim se tornariam "o principal tema de discussão. [...] Então, nos­sos pontos de vista serão notados pelos grandes da Terra. Todos os pontos serão analisados e desafiados. [...] Precisaremos, nesta ocasião [...] apresentar um argu­mento melhor em defesa de nossa fé do que 'é assim que pregamos por 40 anos' ou que o bispo Chandler diz que é dessa maneira".
Foi a crise dominical que transformou um tópico aparentemente sem importância, a identidade de um dez chifres, em algo explosivo. Para Smith e Butler, não parecia ser uma boa hora ficar emendando em público uma interpretação tão anti­ga das profecias. Um dos fatos da história adventista é que até mesmo uma ques­tão pequena pode abrir espaço para grandes batalhas quando as pessoas se infla­mam num confronto que não edifica.
Pai, ajuda-nos a obter a perspectiva correta ao lermos Tua Palavra e lidarmos uns com os outros.

A Polêmica da Lei em Gálatas - 1
A Lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Agora, [...] já não estamos mais sob o controle do tutor. Gálatas 3:24, 25, NVl
É mais fácil entender por que essa passagem poderia causar uma verdadeira explosão no meio adventista do que os dez chifres de Daniel 7. Ainda mais, se entendermos que o texto sugere que a lei se tornou desnecessária depois da vinda de Cristo, em vez de compreender que a lei sempre aponta para nossos pecados e, além deles, para o Salvador.
Sem dúvida, Butler e seus amigos temiam a primeira opção. Seria um problema sério se a lei em questão fosse os Dez Mandamentos. Eles contornaram o problema, interpretando que a lei referida em Gálatas é a cerimonial. Logo, compreendiam que a lei cerimonial apontava para Cristo; mas, depois que Ele veio, não necessitamos mais dela.
Então, surgiu Waggoner, em 1884, com o ponto de vista de que a lei mencionada em Gálatas corresponde aos Dez Mandamentos. Os favoráveis a Butler conside­raram tal interpretação uma ameaça ao coração da teologia adventista: a continu­ação da santidade do sábado, com base na lei moral. Por isso, a liderança da igreja via Jones e Waggoner como ameaças a um dos pilares do adventismo.
A igreja defendera a interpretação da lei cerimonial por mais de 30 anos. De acordo com a perspectiva de Butler e Smith, no meio da crise de uma lei dominical, Waggoner vinha com um ensino que minava o próprio fundamento do moti­vo para guardar o sábado, levando "grande auxílio e conforto" aos inimigos dos adventistas, contrários à lei.
Butler concebia o novo ensino como a "porta de entrada" para um "dilúvio" de mudanças doutrinárias e proféticas que poderiam "acabar entrando" na Igreja Adventista.
Smith partilhava da mesma opinião de Butler. Para ele, "depois da morte do irmão White, a maior calamidade que sobreveio à nossa causa foi quando o Dr. Waggoner publicou seus artigos sobre o livro de Gálatas em Signs of the Times". Caso a denominação mudasse o posicionamento sobre Gálatas, declarou ele sem rodeios: "Podem parar de contar comigo", pois "não estou preparado para renunciar ao adventismo do sétimo dia".
Às vezes, o medo impulsiona mais nossa teologia do que uma leitura cuidadosa da Bíblia. Quando isso acontece, reagimos exageradamente e perdemos a habi­lidade de ler com clareza.
Pai, ajuda-nos a ler Tua Palavra com ambos os olhos abertos e com as emoções em seu devido lugar.

A Polêmica da Lei em Gálatas - 2
Todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus. Gálatas 3:26
O fato de Ellen White ter recebido uma visão na qual identificara a lei em Gálatas na década de 1850 complicava ainda mais a controvérsia. Butler e Smith afirmavam que ela havia especificado se tratar da lei cerimonial. Ela respondeu que se lembrava da visão, mas não fizera um registro escrito a seu respeito e, por isso, não conseguia recordar o que havia dito. Também afirmou que o assunto deveria ser deixado de lado, pois não era importante. Para ela, tratava-se de um "mero arremedo" de problema. Sua preocupação não era a lei, mas, sim, "apresentar Jesus e Seu amor a meus irmãos, pois vi evidências marcantes de que muitos não têm o espírito de Cristo" (Man. 24, 1888).
Esse discurso enfureceu Butler e Smith, que passaram a acusar Ellen White de mudar de ideia. E subentendiam que nenhum profeta verdadeiro faria algo assim. Portanto, seu dom profético também foi questionado pela liderança da denominação em uma época já tensa.
Entretanto, essa não foi a primeira vez, na década de 1880, que Smith se incomodara com a profetisa adventista. Em 1882, ele se chateou com um testemunho que o culpou por sua forma de tratar Goodloe Harper Bell, no colégio de Battle Creek. Nessa ocasião, concluiu que nem tudo que Ellen White escrevia vinha de Deus. Seu conselho só seria inspirado se ela dissesse "Eu vi". Por isso, a menos que mencionasse "Eu vi", suas cartas, para ele, não passariam de bom conselho. Ou de mau conselho, conforme considerou no caso de Bell.
Na metade dos anos 1880, no calor da controvérsia em torno de Gálatas, Butler se uniu a Smith em sua visão preconceituosa sobre os maus conselhos de Ellen White.
Ela, é claro, tinha sua opinião: "Se as opiniões pré-concebidas ou as ideias par­ticulares de alguns forem reprovadas pelos testemunhos, eles assumem a tarefa de deixar clara sua posição de discriminar os testemunhos, definindo qual seria o julgamento humano da irmã White e qual seria a palavra do Senhor. Tudo o que confirma suas ideias preferidas seria divino, ao passo que os testemunhos de correção de seus erros seriam humanos - as opiniões da irmã White. Dessa maneira, anulam o conselho de Deus pelas próprias tradições" (Man. 16, 1889).
Ô Deus, protege-nos de nós mesmos.

Sons de Batalha em 1886
Há na terra estrondo de batalha. Jeremias 50:22
Butler estava decidido, no fim de 1886, a resolver os conflitos sobre a lei em Gálatas e os dez chifres de Daniel 7. Primeiro, escreveu uma série de cartas para garantir que Ellen White ficaria do lado dele. Segundo, preparou um "breve comentário" sobre Gálatas, que, na verdade, consistia de um livro de 85 páginas intitula­do The Law in the Book of Galatians [A Lei no Livro de Gálatas], cujo objetivo era se contrapor à posição de Waggoner.
Terceiro, tentou usar a Assembleia da Associação Geral de 1886 para colocar Jones, Waggoner e seus "falsos ensinos" no devido lugar, fazendo, assim, a denominação retornar para o rumo certo. O presidente da Associação Geral entregou a cada participante um exemplar de seu livro. E o mais importante: organizou uma comissão teológica para resolver, de uma vez por todas, as questões debatidas.
No entanto, as esperanças de Butler sobre elaborar uma declaração dogmática que definisse a verdade sobre os temas controversos, sem deixar espaço para dúvidas, foram frustradas. A comissão de nove membros ficou dividida, cinco contra quatro. Butler relatou: "Tivemos uma argumentação de várias horas, mas nenhum dos lados se convenceu." A dúvida seguinte, notou ele, "foi se deveríamos levar o assunto para a Assembleia e ter um grande embate público a esse respeito." Sendo um político astuto, percebeu que isso lhe causaria mais problemas.
Tanto Butler quanto Ellen White se recordariam da Assembleia da Associação Geral de 1886 como uma "reunião terrível". Ele constatou que foi uma das mais infelizes de que participou, ao passo que ela destacou que "Jesus estava triste e ofendido na figura de seus santos". Ela se incomodou sobretudo com a "rispidez", o "desrespeito e a falta de amor e simpatia entre os irmãos" (Ct 21,1888; Man. 21, 1888). A dinâmica das reuniões de Mineápolis já estava pronta.
A maior perda da Assembleia de 1886 foi de Dudley Canright, forte apoiador da posição de Butler sobre a lei. Ao que parece, ele percebeu que a posição tradicional do adventismo era problemática. Reconheceu que Butler e seus amigos "exaltavam a lei acima de Cristo". Contudo, em vez de adotar o ponto de vista de Waggoner, de que os Dez Mandamentos conduziam os seres humanos a Cristo, Canright abandonou tanto o adventismo quanto a lei e se transformou em um dos antagonistas mais agressivos da denominação.
Não há assunto mais importante do que a exaltação de Jesus.
Guia-nos, Senhor, enquanto meditamos, por meio da história do adventismo, sobre o papel de Cristo em nossa vida.

Ellen White Tenta Equilibrar as Coisas
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra. Mateus 5:5
Ellen White estava cada vez mais preocupada com a igreja e com os rumos que ela tomava. Por isso, expressou alguns de seus pensamentos e temores em uma carta a Jones e Waggoner, em 18 de fevereiro de 1887. Ela enfatizou: "Corremos o risco de que nossos ministros estejam se demorando demais nas doutrinas e pregando discursos excessivos sobre questões argumentativas, quando a própria alma deles necessita de religiosidade prática. [...] Concentramo-nos muito pouco nas maravilhas da redenção. Necessitamos que tais assuntos sejam apresentados de forma mais completa e contínua. [...] Corremos o risco de que mantenhamos os discursos e os artigos impressos como a oferta de Caim, desprovidos de Cristo" (Ct 37, 1887).
Parte da carta era uma repreensão a Jones e Waggoner por tornarem públicas questões Polêmicas numa época de crise, e por certos traços de caráter inde­sejáveis que demonstravam.
Uma cópia da carta reprovando Jones e Waggoner foi enviada a Butler. Exultante com seu conteúdo, ele a interpretou erroneamente como uma confirmação de sua posição sobre a lei. Em estado de euforia, escreveu para Ellen White que havia aprendido a "amar" os dois jovens, observando que sentia pena deles. "Sempre fico com pena daqueles que sofrem tamanho desapontamento." Apesar da "pena", Butler alegremente publicou um artigo agressivo na Review de 22 de março, promovendo sua opinião sobre os dois tipos de lei.
Para usar um termo bem brando, Ellen White ficou chateada com Butler pelo uso de sua carta a Jones e Waggoner. Em 5 de abril de 1887, ela disparou uma epístola para Butler e Smith, alegando que a única razão para ter enviado uma cópia de sua carta aos dois homens mais jovens era que eles precisavam ter a mesma cautela ao levar dissensões a público. No entanto, o fato de Butler ter reaberto a batalha publicamente foi apenas mais uma oportunidade para Waggoner contra-argumentar.
À medida que Ellen White começou a entender o caso com mais clareza, ficou mais enérgica em relação aos métodos arbitrários da liderança da Associação Geral. "Precisamos trabalhar como cristãos", escreveu. Sempre se voltando para as verdades bíblicas, declarou: "Nosso desejo deve ser ficar cheios da plenitude de Deus, além de ter a mansidão e a humildade de Cristo" (Ct 13, 1887).
Tais posturas continuam a ser necessárias para nós.
Senhor, ajuda-nos a ter Tua humildade e Teu espírito, mesmo em tempos de controvérsia teológica.

O Espírito dos Fariseus
Honroso é pará o homem o desviar-se de contendas. Provérbios 20:3
Ellen White "discerniu, desde o início do encontro [em Mineápolis], um espírito que a perturbou", uma atitude que ela nunca vira antes entre os colegas de liderança e pastores. Ela se sentiu incomodada porque era algo "tão diferente do espírito de Jesus, tão contrário ao espírito que deve ser exercido uns para com os outros" (Man. 24, 1888), que ela viria a chamar essa hostilidade de "espírito de Mineápolis" ou "espírito dos fariseus". A compreensão da atitude exibida em Mineápolis é essencial para compreendermos a dinâmica das reuniões de 1888 e o futuro da história adventista.
Uma descrição completa do espírito de Mineápolis, conforme o retrato feito por Ellen White, teria as características mencionadas a seguir. Primeiro, demonstrava sarcasmo e zombaria em relação aos defensores da reforma da denominação. Alguns, por exemplo, se referiam a Waggoner como o "capacho da irmã White". Segundo, levava à crítica. Terceiro, muitos manifestavam suspeitas maldosas, ódio e inveja. Quarto, despertava "sentimentos" e atitudes "mordazes". Quinto, aqueles que o possuíam estavam "embriagados com o espírito de resistência" à voz do Espírito. Sexto, induzia os participantes a falar de maneira calculada para inflamar uns contra os outros a respeito daqueles que defendiam posições doutrinárias contrárias. Sétimo, fomentava contendas e debates doutrinários, em vez de o espírito de Jesus. Oitavo, gerava uma atitude de "jogar com palavras" e "preocupar-se com minúcias" nas discussões doutrinárias. Em suma, o espírito manifesto era "descortês, deselegante e nada cristão".
Um dos aspectos que mais se destaca no espírito de Mineápolis é que ele resultou do desejo de proteger os antigos "marcos" doutrinários adventistas. Ellen White lastimou o fato de que "uma diferença na aplicação de algumas passagens bíblicas faça os homens esquecerem seus princípios religiosos" (Man. 30, 1889). Ela declarou: "Deus me livre das ideias de vocês [...] se recebê-las me tornar tão não cristã em espírito, palavras e obras" (Man. 55, 1890).
A tragédia de Mineápolis foi que, na tentativa de preservar a pureza doutrinária e as interpretações tradicionais das Escrituras, a liderança de Battle Creek per­deu todo seu cristianismo.
Senhor, salva-nos do espírito dos fariseus. Enche-nos do espírito de Jesus em tudo aquilo que tivermos para fazer hoje.

A Maior Necessidade do Adventismo
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Mateus 5:6
"O reavivamento da verdadeira piedade entre nós", escreveu Ellen White em 1887, "é a maior e mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo deve ser nossa primeira ocupação". Contudo, observou ela, muitos adventistas não estavam preparados para receber a bênção de Deus, e muitos ainda precisavam se converter. "Não há nada que Satanás tema mais, do que a limpeza do caminho do povo de Deus, por meio da remoção de todos os obstáculos, para que o Senhor derra­me Seu Espírito sobre uma igreja abatida e uma congregação impenitente" (RH, 22 de março de 1887).
No fim dos anos 1880, Ellen White estava profundamente preocupada com a condição do adventismo. Tantos líderes e membros tinham uma teoria para a verdade, mas não viviam de acordo com ela.
Tal preocupação não era algo novo em seus escritos. Em 1879, ela escreveu: "Bom seria passar cada dia uma hora de reflexão, recapitulando a vida de Jesus da manjedoura ao Calvário. [...] Contemplando assim Seus ensinos e sofrimentos, e o infinito sacrifício por Ele feito para redenção da raça humana, podemos revigorar fé, vivificar nosso amor e imbuir-nos mais profundamente do espírito que sustinha nosso Salvador. Caso queiramos afinal ser salvos, todos nós devemos apren­der, junto à cruz, a lição de penitência e fé." Ela prosseguiu dizendo que ansiava "ver nossos pastores se demorarem mais na cruz de Cristo" (T4, p. 374, 375).
A mesma ênfase foi dada durante a Assembleia da Associação Geral de 1883, na qual a Ellen White disse aos ministros reunidos: "Temos de aprender na escola de Cristo. Coisa alguma senão a Sua justiça pode dar-nos direito a uma única das bênçãos do concerto da graça. Por muito tempo desejamos e procuramos obter essas bênçãos, mas não as recebemos porque temos acariciado a ideia de que poderíamos fazer alguma coisa para nos tornar dignos delas. Não temos olhado para fora de nós mesmos, crendo que Jesus é um Salvador vivo" (ME1, p. 351).
Mais uma vez, às vésperas do encontro em Mineápolis, ela escreveu: "a ênfase de nossa mensagem deve ser a missão e a vida de Jesus" (RH, 11 de setembro de 1888).
A maior carência do adventismo nos anos 1880 era de Jesus e Seu amor. Essa ainda é nossa principal deficiência.

Identificando o Problema
Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. 2 Timóteo 2:15
Em 5 de agosto de 1888, dois meses antes do início das reuniões da Conferência Geral, Ellen White escreveu uma carta poderosa para os "Caros Irmãos que Se reunirão na Conferência Geral", colocando o dedo na ferida dos problemas no coração do impasse teológico. Leia a seguir com atenção suas preocupações e os temas que abordou.
"Com a mente humilde e o espírito de Cristo, examinem as Escrituras com cuidado para descobrir qual é a verdade. A verdade em nada perde com a investigação minuciosa. Que a Palavra de Deus fale por si só, que seja a própria intérprete. [...]
"Há uma preguiça surpreendente em grande parte de nossa classe de pastores que estão dispostos a deixar outros [isto é, Smith e Butler] examinar as Escrituras por eles; e tomam a verdade dos lábios deles como algo inquestionável, sem saber se é a verdade bíblica pela própria pesquisa individual e pela profunda convicção do Espírito de Deus em seu coração e em sua mente. [...]
"Nosso povo precisa compreender as verdades bíblicas de forma mais completa e pessoal, pois certamente será chamado perante concílios; será criticado por mentes aguçadas e críticas. Uma coisa é assentir com a verdade e outra bem diferente é conhecê-la por meio do exame apurado como estudantes da Bíblia. [...]
"Muitos se perderão porque não estudaram as Escrituras de joelhos, em oração fervorosa a Deus para que a absorção da Palavra forneça luz a seu entendimento. [...]
"Um dos maiores impedimentos ao sucesso espiritual é a grande falta de amor e respeito evidenciados uns pelos outros. [...] É obra do inimigo criar um espírito partidário e nutrir sentimentos de separação, mas alguns acham que estão fazendo a obra do Senhor ao fortalecer o preconceito e a inveja entre os irmãos. [...]
"A Palavra de Deus é a grande detectora de erros; acreditamos que os equívocos devem ser levados a ela. A Bíblia deve ser o padrão para todas as doutrinas e práticas. Precisamos estudá-la com reverência. Não devemos aceitar a opinião de ninguém sem antes compará-la com as Escrituras. Nela se encontra a autoridade divina, a qual é suprema em questões de fé" (Ct 20, 1888).
Em tais pensamentos, podemos encontrar o rumo para seguir em nossa marcha hoje.

A "Conspiração da Califórnia"
Jesus, sabendo o que eles estavam pensando, perguntou: Por que vocês estão pensando assim? Lucas 5:22, NVI
Pensar pode ser bom; mas nem sempre. Sobretudo, quando o pensamento é alimentado por teorias conspiratórias.
Foi esse tipo de pensamento que tomou conta de George Butler e de seus amigos às vésperas da Assembleia da Associação Geral de 1888. O fósforo que pôs fogo na conspiração foi uma carta enviada no fim de setembro por William Healey, um pastor da Califórnia, para Butler, sugerindo que os líderes da igreja no Oeste (Jones, Waggoner, William e Ellen White) haviam elaborado um esquema para modificar a teologia da denominação.
Ao que tudo indica, antes da chegada da carta de Healey, Butler estava emocionalmente estável. Ele não gostava do fato de pontos controversos em Daniel e Gálatas virem à tona, mas as cartas de William e Ellen White enviadas em agosto o haviam convencido da necessidade de permitir que isso acontecesse.
No entanto, o presidente da Associação Geral, já tenso, sentiu-se arrasado ao receber a notícia do que parecia ser uma conspiração organizada poucos dias antes do início das reuniões em Mineápolis. De repente, os acontecimentos dos dois anos anteriores começaram a fazer sentido para ele. O motivo para os White terem pressionado tanto para que a nova teologia de Jones e Waggoner fosse ouvida é que eles estavam todos juntos nessa empreitada. Com certeza, concluiu Butler, trata­va-se de uma conspiração das mais perigosas e de uma ameaça às crenças adventistas, as quais já haviam passado pelo teste do tempo.
Tal raciocínio levou Butler a uma correria frenética de última hora para organizar suas forças a fim de resistir àquilo que ele considerava uma coalizão do Oeste, enviando uma série de telegramas e cartas para os delegados, advertindo-os da conspiração e apelando para que "defendessem os marcos antigos".
Enquanto isso, os White, Waggoner e Jones, bem como os outros delegados da Califórnia, permaneciam na ignorância quanto ao fato de serem vistos como conspiradores, pelo grupo de Battle Creek. Conforme expressou William C. White, ele era "inocente como um cordeiro" acerca daquele desentendimento e isso logo levou a delegação da Califórnia a cair nas mãos dos defensores da teoria da conspiração.
Pensar com sensatez já é difícil, mas quando o raciocínio está manchado com teorias conspiratórias, a tarefa se torna emocionalmente impossível. Precisamos tomar cuidado com esse tipo de pensamento e pedir, em oração, a graça de Deus para nos livrar dele.

Um Líder Confuso
Pois, onde há inveja e egoísmo, há também confusão e todo tipo de coisas más. Tiago3:16, NTLH
Que confusão! Essa é a palavra que caracteriza a mente do presidente George Butler, às vésperas da Assembleia da Associação Geral, em 1888. Influenciado pelos pensamentos da "conspiração da Califórnia", disparou uma carta datilografada de 42 páginas para Ellen White em 1° de outubro, poucos dias antes do inicio das reuniões, a qual, na melhor das hipóteses, revela um estado de grande confusão mental.
Butler culpou Ellen White pela "exaustão nervosa" que ele estava sofrendo e pelo fato de sua "força cerebral haver esmorecido". Ele afirmou que deveria "abdicar de todas as posições de responsabilidade na causa", dizendo que White era o motivo de sua "condição atual mais do que qualquer outra coisa".
O presidente estava especialmente inflamado em relação à mudança de opinião da Sra. White quanto à natureza da lei de Gálatas. Ele estava, para dizer o mínimo, obcecado com o assunto.
Escreveu: "A abertura dessa questão, como tem acontecido na costa do Pacífico ao longo dos últimos quatro anos, se encontra repleta de mal e somente de mal. Creio firmemente que será motivo de inquietação da mente de muitos dentre nosso povo, despedaçando sua fé na obra como uma unidade. Almas se perderão e desistirão da verdade por causa disso, e haverá uma grande porta aberta para outras inovações entrarem e minarem nossas antigas posições de fé.
"O modo como o assunto tem sido tratado tende a destruir a confiança de nosso povo nos testemunhos. E creio que toda essa questão ajudará ainda mais a minar a confiança em sua obra do que qualquer coisa que já aconteceu até aqui, desde o início desta causa. [...] Abalará a fé de muitos dos nossos líderes obreiros nos testemunhos."
Ele prosseguiu culpando William C. White por boa parte do problema e afirmou que Jones e Waggoner precisavam ser "repreendidos em público".
Butler acreditava que ele havia sido "ferido na casa de amigos seus". Com a mente e o coração quebrantados, não compareceu à Assembleia de 1888. E tudo isso, por uma questão que Ellen White lhe dissera não ter importância.
Esses são os fatos. Podemos ficar chocados com Butler, mas quantos de nós nos agitamos por causa de dificuldades teológicas, até nos encontrarmos em um estado semelhante de enfermidade mental e espiritual! Que Deus nos dê a graça de não nos prendermos a minúcias, mas, em vez disso, nos concentrarmos nos grandes temas centrais das Escrituras.

A Mensagem de 1888 - 1
E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo. João 12:32
Ouvimos muito falar, em nossos dias, sobre a mensagem de 1888. Entretanto, qual é o conteúdo dela? Talvez a melhor síntese se encontre numa carta que Ellen White escreveu alguns anos depois das reuniões de Mineápolis. Leia e ouça com os ouvidos do coração:
"Em Sua grande misericórdia, enviou o Senhor preciosa mensagem a Seu povo por intermédio dos pastores Waggoner e Jones. Esta mensagem devia pôr de maneira mais preeminente diante do mundo o Salvador crucificado, o sacrifício pelos pecados de todo o mundo. Apresentava a justificação pela fé no Fiador; convidava o povo para receber a justiça de Cristo, que se manifesta na obediência a todos os mandamentos de Deus. Muitos perderam Jesus de vista. Deviam ter tido o olhar fixo em Sua divina pessoa, em Seus méritos e em Seu imutável amor pela família humana. Todo o poder foi entregue em Suas mãos, para que Ele pudesse dar ricos dons aos homens, transmitindo o inestimável dom de Sua justiça ao impotente ser humano. Esta é a mensagem que Deus manda proclamar ao mundo. É a tercei­ra mensagem angélica que deve ser proclamada com alto clamor e regada com o derramamento de Seu Espírito Santo em grande medida.
"O Salvador crucificado deve aparecer em Sua eficaz obra como o Cordeiro sacrificado, sentado no trono, para dispensar as inestimáveis bênçãos do concerto, os benefícios que Sua morte concederia a cada alma que nEle cresse. João não podia exprimir em palavras esse amor; era profundo e amplo demais; ele apela à família humana para que o contemple. Cristo intercede pela igreja nas cortes celes­tiais, lá em cima, rogando por aqueles por quem pagou o preço da redenção - Seu sangue. Os séculos, o tempo, nunca poderão diminuir a eficácia de Seu sacrifício expiatório" (TM, p. 91, 92, itálico acrescentado). Que mensagem!
Os adventistas exaltavam o sábado, o santuário, o estado dos mortos, o segundo advento, mas não exaltavam o suficiente a única Pessoa que dava sentido a todas essas coisas.
Ellen White se uniu a Jones e Waggoner no chamado para que o adventismo mudasse de foco. Você mudou? Se não, por quê?

A Mensagem de 1888 - 2
Sendo justificados gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Romanos 3:24
Continuamos de onde paramos ontem, na declaração que, sem dúvida, resume melhor a importância da mensagem de Jones e Waggoner em 1888:
"A mensagem do evangelho de Sua graça devia ser dada à igreja em linhas claras e distintas, para que não mais o mundo dissesse que os adventistas do sétimo dia falam na lei, mas não ensinam a Cristo nem nEle crêem.
"A eficácia do sangue de Cristo devia ser apresentada ao povo com vigor e poder, para que sua fé se pudesse apropriar de Seus méritos. Como o sumo sacerdote espargia o sangue quente sobre o propiciatório, enquanto a fragrante nuvem de incenso ascendia diante de Deus, assim, ao confessarmos os nossos pecados, e rogarmos a eficácia do sangue expiador de Cristo, devem as nossas orações ascen­der ao Céu com a fragrância dos méritos do caráter de nosso Salvador. Não obs­tante nosso demérito, devemos ter sempre em mente que há Um que pode tirar o pecado e salvar o pecador. Todo o pecado reconhecido diante de Deus com um coração contrito, Ele removerá. Tal fé é a vida da igreja. [...]
"A menos que torne a ocupação de sua vida contemplar o Salvador levantado, e pela fé aceite os méritos que é seu privilégio suplicar, não mais poderá o pecador ser salvo do que podia Pedro andar sobre as águas, a não ser que conservasse os olhos bem fixados em Jesus. Ora, é o propósito determinado de Satanás eclipsar a visão de Jesus e levar os homens a olhar para o homem, a no homem confiar, e serem educados a esperar auxílio do homem. Por anos tem estado a igreja olhando para o homem, e dele muito esperando, mas sem olhar para Jesus, em quem Se centraliza nossa esperança de vida eterna. Portanto, Deus deu a Seus servos um tes­temunho que apresentava a verdade como esta é em Jesus, e que é a terceira men­sagem angélica, em linhas claras e distintas. [...] Este é o testemunho que deve ir por toda a largura e extensão do mundo. Apresenta a lei e o evangelho, unindo os dois num todo perfeito" (TM, p. 92-94, itálico acrescentado).
O pensamento impressionante da mensagem de 1888 era exaltar a Jesus. É impossível exagerar nesse ato. Exalte-O hoje no trabalho, na família, nos esportes, em tudo. Que Ele verdadeiramente seja o Salvador e Senhor de sua vida.

A Mensagem de 1888 - 3
Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. João 13:35
Nos últimos dois dias, examinamos o cerne da mensagem de 1888 com base em uma carta escrita em 1895. Hoje analisaremos um registro do diário de Ellen White, de fevereiro de 1891:
"Muitos de nossos ministros só fazem sermões, apresentando os assuntos de maneira argumentativa, quase sem mencionar o poder salvador do Redentor. Por nunca terem tomado do Pão vivo do Céu, seu testemunho carece de substância e do sangue salvífico de Jesus Cristo, que purifica de todo pecado. A oferta deles parece a de Caim. [...]
"Por que Ele não é apresentado ao povo como o Pão vivo? Porque não mora no coração de muitos que pensam ser seu dever pregar a lei. [...] A igreja está famin­ta do Pão da vida.
"Dentre todos os que se professam cristãos, os adventistas do sétimo dia deveriam ser os primeiros a exaltar Cristo diante do mundo. [...] A lei e o evangelho, unidos, convencem do pecado. Embora a lei de Deus condene o pecado, ela apon­ta para o evangelho, revelando Jesus Cristo. [...] Em nenhum discurso devem [a lei e o evangelho] ser separados. [...]
"Por que, então, manifesta-se dentro da igreja tamanha falta de amor [...]? É porque Cristo não é apresentado constantemente ao povo. Seus atributos de caráter não são levados para a vida prática. [...]
"Há o perigo de apresentar a verdade de tal modo que o intelecto é exaltado, deixando a alma dos ouvintes insaciada. É possível apresentar uma teoria correta da verdade, sem manifestar o calor da afeição que o Deus da verdade requer. [...]
"A religião de muitos se parece com um pedaço de gelo - frio e congelante. [...] Tais pessoas não conseguem tocar o coração dos outros, uma vez que o próprio coração não transborda com o amor bendito que flui do coração de Cristo. Há outros que falam da religião como algo que depende da vontade. Demoram-se no severo dever como se fosse um mestre a governar com cetro de ferro - um mestre rígido, inflexível, todo-poderoso, desprovido do terno e doce amor e da bondosa compaixão de Cristo" (Man. 21, 1891).
Ajuda-nos, Pai, a compreender o sentido do evangelho e o que ele deve operar em nossa vida. Amém.

Na Conferência Geral - 1
Um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada, e as discussões são como as portas trancadas de uma cidadela. Provérbios 18:19, NVI
Nem todas as reuniões da igreja são igualmente agradáveis. Infelizmente, o encontro em Mineápolis caiu no lado negativo desse espectro. O jornal de Mineápolis, em 13 de outubro, alardeou que os adventistas eram "um povo peculiar, que guarda o sábado como se fosse o domingo reverencia os profetas e crê que o fim do mundo está próximo".
Em 19 de outubro, o jornal relatou que os adventistas "abordam problemas difíceis de teologia com o mesmo ímpeto que um homem enérgico usaria para cortar uma pilha de lenha". A publicação poderia ter acrescentado que eles, em seu deba­te teológico, usavam a mesma "delicadeza" de alguém cortando lenha. O espírito agressivo que foi demonstrado era justamente o que Ellen White temia acontecer.
A Assembleia da Associação Geral se reuniu na recém-construída igreja de Mineápolis, entre os dias 17 de outubro e 4 de novembro. Uma semana antes, um concílio pastoral havia ocorrido. Embora os itens administrativos tenham se restringido à assembleia maior, os debates teológicos se estenderam aos dois eventos. Waggoner observou, no fim da sessão, que os três principais itens teológicos da agen­da haviam sido os dez reinos de Daniel 7, o papado e a proposta de lei dominical, e "as várias relações entre lei e evangelho, sob o tema geral da justificação pela fé".
Desses três, o único que não dividiu a liderança adventista em Mineápolis foi a questão da liberdade religiosa. Todos concordavam que o projeto de lei dominical para todo o país representava um sinal terrível da história profética, ligado a Apocalipse 13 e 14. O resultado foi que ninguém questionou os sermões de Alonzo Jones sobre liberdade religiosa.
A assembleia votou três ações ligadas à questão dominical: publicar os sermões de Jones sobre o assunto, custeá-lo em uma viagem para divulgar o tópico e nomeá-lo líder de uma delegação de três pessoas que testemunhariam diante de uma comissão do Senado dos Estados Unidos.
Portanto, no fim da assembleia, Jones estava a caminho de se tornar um defensor da liberdade religiosa em tempo integral, posição na qual daria algumas de suas contribuições mais importantes à Igreja Adventista.
Pai, enche-nos de Teu Espírito, sobretudo em tempos difíceis, para aprendermos a trabalhar juntos de maneira mais eficaz.

Na Conferência Geral - 2

Assim, a Lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Gálatas 3:24, NVI
O debate sobre os dez chifres de Daniel 7 em Mineápolis não lançou muita luz teológica sobre o assunto. Sua principal contribuição foi o aumento da tensão, quando Smith disse que a mera discussão do tema era "completamente desnecessária" e equivalia a "rasgar em pedaços uma antiga verdade". Jones alegou que não deveria ser responsabilizado pela ignorância de Smith em relação a determinados temas, ao que Ellen White respondeu: "Não seja tão mordaz, irmão Jones, não seja tão mordaz."
Em contrapartida, ocorreu avanço teológico genuíno na área da justificação pela fé. Um dos fatos interessantes das reuniões de 1888 foi que, embora os lados opostos tenham começado com ênfase na questão da lei em Gálatas, o principal resultado do debate foi uma nova ênfase na justificação pela fé. Para muitos, é um mistério como isso aconteceu.
Waggoner deve receber o crédito pelo novo rumo que a discussão tomou. Ele fez a escolha estratégica de não só debater a lei em Gálatas, mas também suscitar o tema mais amplo da salvação em termos de lei e evangelho, para depois abordar a epístola dentro desse contexto.
Portanto, mesmo tendo feito pelo menos nove discursos sobre a lei e o evangelho, os cinco ou seis primeiros enfocaram a justificação pela fé. Só depois é que ele tratou mais especificamente de Gálatas. Isso colocou a controvérsia sobre Gálatas em segundo plano, trazendo o tema da salvação para a frente do debate.
De acordo com a teologia de Waggoner, a lei encontrada nos Dez Mandamentos nos leva "para Cristo, afim de sermos justificados pela fé". Ellen White o apoiava nesse ponto. Ela disse aos delegados: "Veja a beleza da verdade na apresentação da justiça de Cristo em relação à lei, como nos expôs o doutor. [...] [Ela] harmoniza perfeitamente com a luz que Deus aprouve me dar durante todos meus anos de experiência" (Man. 15, 1888).
Waggoner construiu uma ponte entre a lei e o evangelho, esclarecendo a função evangélica dos Dez Mandamentos. A lei continua a desempenhar a mesma função em nossa vida. Além de elevar o ideal de Deus, leva os indivíduos que dEle se afastaram a buscar perdão e justificação em Cristo.

Apelos à Autoridade Humana - 1
Pois que diz a Escritura? Romanos 4:3
O que a Bíblia tem a dizer sobre esse assunto? Essa foi a pergunta de Paulo enquanto refletia sobre a justificação pela fé no livro de Romanos. Essa também foi a pergunta dos primeiros adventistas guardadores do sábado. Eles eram um povo radicalmente comprometido com a Bíblia, que se recusava a usar a tradição, a autoridade da igreja, o conhecimento acadêmico ou qualquer outra forma de autorida­de religiosa para responder a suas inquietações teológicas. Eram o povo da Bíblia.
As coisas haviam mudado entre a liderança adventista do fim dos anos 1880. Na era de Mineápolis, eles tentaram usar pelo menos quatro formas de autoridade humana para resolver as controvérsias teológicas que assolavam a igreja.
A primeira estava ligada às posições de autoridade. Butler, com sua vontade férrea, achava-se particularmente suscetível a essa abordagem. Seu conceito de que os líderes tinham uma "visão mais clara" e uma posição mais importante que a de seus seguidores o predispunha a abusos de autoridade. Ellen White o repreendeu em outubro de 1888 por favorecer aqueles que concordavam com ele, ao passo que via com suspeita os que "não se sentiam obrigados a aceitar suas impressões e as ideias de seres humanos, [agindo] somente como eles agem, [falando] só como eles falam, [pensando] apenas como eles pensam, transformando-se, na verdade, em menos do que máquinas" (Ct 21, 1888).
A abordagem do presidente da Associação Geral ao incentivar os adventistas "a esperar que um homem pense por eles e lhes sirva de consciência" havia, aos olhos da Sra. White, criado muitos indivíduos inseguros que eram "incapazes de se manter firmes na posição do dever" (Ct 14, 1891).
Discordando da posição autoritária em questões bíblicas e doutrinárias, Ellen White destacou, em dezembro de 1888: "não devemos considerar que o pastor Butler ou o pastor Smith são os guardiães das doutrinas adventistas do sétimo dia e que ninguém pode ousar exprimir uma ideia diferente da deles. Meu apelo tem sido: estudem as Escrituras por si mesmos. [...] Nenhum ser humano deve servir de autoridade para nós" (Ct 7, 1888; itálico acrescentado).
É assim que deve ser. A Palavra de Deus, encontrada na Bíblia, é a autoridade de todo cristão. Era dessa forma em 1888 e continua a ser hoje. Com isso em mente, como fez o apóstolo Paulo, precisamos iniciar cada dia com a pergunta: "Que diz a Escritura?"


Meditação Diária

Para Não Esquecer   -   George R. Knight
*********
 

Comentários