10 de agosto de 2015

Pra você meditar - Amor Incomum

Acorde dissonante 
Tudo o que você tiver de fazer faça o melhor que puder. Eclesiastes 9:10, NTLH
Sou organista na igreja há muitos anos, não tanto por ter talento, mas pela desesperada necessidade da igreja. Meus filhos costumavam sentar-se no primeiro banco toda semana, não por serem piedosos, como eu esperava a princípio, mas na expectativa do tratamento criativo que eu daria ao hino de abertura. E nas ocasiões em que achavam que eu tentaria uma modulação em tonalidade diferente antes da última estrofe, eles ficavam ansiosos ao considerar o amplo leque de cenários desastrosos que sempre resultavam quando eu tentava isso.
Bem que eu gostaria de tocar uma fuga de Bach como E. Power Biggs e transportar meus ouvintes aos próprios portais do Céu. Infelizmente, não consigo – a logística de manobrar mãos e pés para tocar três melodias diferentes simultaneamente está além da minha capacidade. Mesmo assim, há ocasiões em que quase anseio tocar uma música grandiosa, deixar os acordes soarem de modo estrondoso ao redor dos meus ouvidos e explodirem no coração. Assim, uma vez por ano, em julho, satisfaço esse profundo anseio tocando "The Lost Chord" [O Acorde Perdido] como prelúdio na igreja. A peça chega a ficar devidamente trovejante em alguns trechos e atinge o fundo da minha alma.
Isso não parece incomodar a congregação tanto quanto você poderia imaginar. A essa altura, eles já estão acostumados a muitos dos meus acordes perdidos, e isso acontece faz alguns anos. Mas um ano foi diferente, porque, após minha interpretação anual costumeira, recebi um bilhete de Judye Estes. Ela escreveu: "Toda vez que ouço você tocar 'The Lost Chord', fecho os olhos e me sinto como se estivesse no Tabernáculo Mórmon, ouvindo sua bela música de órgão. Graças a você e a seus talentos, não preciso fazer a longa viagem a Salt Lake City para me sentir abençoada!"

Puxa! Desde os cinco pães e dois peixes, o Senhor não transformou miraculosamente tão pouca coisa em tanto! É claramente um exemplo de como Ele pode tomar seja o que for que Lhe ofereçamos e generosamente traduzir isso em serviço útil.

E no coração de cada filho de Adão, desde aquele dia no Éden, vem pulsando o anelo pelo toque confortante da Divindade. O anelo de saber que o grande Deus do Universo vê as circunstâncias de cada um de nós e Se importa com elas. O anelo de saber que Ele ainda Se inclina e toca os corações. A Divindade tocando a humanidade, incluindo-nos em Seu serviço.

Jeannette Busby Johnson


Maçãs de ouro
Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo. Provérbios 25:11, ARA

Quatro horas da manhã não era, geralmente, o horário de maior movimento naquele restaurante costeiro. Mas isso mudou quando minha turma de biologia marinha, numa excursão de pesquisas, entrou por suas portas. A única servidora ali, uma garota provavelmente no fim da adolescência, olhou para nós com os olhos arregalados, à medida que cadeiras e mesas começaram a encher-se com estudantes universitários. Secretamente me perguntei como a garota lidaria com aquele inesperado influxo de trabalho.

Observei com interesse, enquanto ela ia de mesa em mesa, anotando as encomendas e respondendo às perguntas. Então ela chegou à minha mesa. Ela revelava uma conduta agradável enquanto fazia um excelente trabalho ao lidar com um grupo como aquele, e eu lhe disse isso.

Ela me olhou e, com esperança no tom de voz, exclamou: "Ah, poderia, por favor, dizer isso ao meu patrão? Estou procurando passar para o turno do dia, e isso ajudaria bastante." Garanti-lhe que seria um prazer fazer isso.

Quando fui pagar a conta, mencionei à moça do caixa o bom trabalho que a garçonete fizera, ao servir tantas pessoas. Ela tirou uma toalha de papel do suporte próximo, pegou um lápis e os pôs no balcão, diante de mim. "Por favor", suplicou ela, com as mãos trêmulas de emoção, "poderia escrever isso para que o nosso chefe veja? Eu apreciaria muito!" Aquela simples toalha de papel quase tomou vida própria, enquanto eu anotava todos os itens elogiosos que observara naquela jovem funcionária.

Jesus nos fala sobre a importância do apreço na história bíblica dos 10 leprosos. Aqueles homens foram até Jesus pedindo misericórdia. Quando Ele os viu, disse-lhes que fossem e se apresentassem diante dos sacerdotes. No caminho, foram curados, mas somente um leproso voltou para agradecer. O Senhor mostrou decepção pelo fato de os outros nove não terem feito o mesmo. O leproso que voltou para dar graças glorificou a Deus, reconhecendo que o dom da cura viera dEle.

Neste mundo veloz, no qual a tecnologia muitas vezes deixa de lado a comunicação pessoal, é fácil desconsiderar as pequenas coisas que as pessoas fazem para ajudar-nos. Uma palavra ou ato bondoso, não importa quão pequeno, pode ser justamente aquilo que é necessário para mudar a perspectiva, a circunstância ou a vida de uma pessoa.

Deus nos concede muitas bênçãos todos os dias. Glorificamos a Deus quando Lhe damos graças pelo privilégio de partilhar essas bênçãos.

Márcia Mollenkopf

Confiança 

Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento. Provérbios 3:5

Confiança é algo sem o qual não podemos viver. Precisamos confiar que outros motoristas sejam prudentes e estejam sóbrios. Ou então manter uma distância segura, se não estamos tão confiantes. Confiamos que o banco cuidará bem do nosso dinheiro, ou o esconderemos embaixo do colchão e confiaremos que a casa não se consumirá num incêndio.

Não podemos viver a vida sem confiar em alguém, em algum lugar. Até um eremita precisa ter certa confiança. Ao nos associarmos com outros, com o passar do tempo, nossa confiança se desintegra e afastamos as pessoas, ou ela cresce e aprendemos a confiar ainda mais. Confiança gera confiança.

O casamento é construído sobre a confiança mútua. Esforço-me por confiar completamente em meu esposo. E, na maioria das vezes, isso acontece. Mas há exceções.

Um dia, após voltar da cidade para casa, o maridinho saltou para abrir a porta da garagem, a fim de que eu pudesse entrar com a caminhonete. Eu me sentia um tanto insegura quanto aos perímetros do veículo, de modo que ele sempre me guiava na entrada. Eu precisava manobrar, fazendo uma curva à medida que me aproximava, e dessa vez ele simplesmente continuou acenando com os braços, insistindo para que eu continuasse em frente. A ombreira direita da porta parecia perto demais para me deixar tranquila, mas, sendo uma esposa confiante, prossegui, embora a passo de lesma.

E foi a minha sorte, porque houve uma batida. A caminhonete parou prontamente, e o motor morreu. Eu havia batido contra a porta novinha de nossa garagem novinha em folha.

Que explicação viria de meu decepcionado marido?

– Achei que você continuaria virando o volante ao chegar, e haveria espaço suficiente!

– O volante estava virado, tanto quanto era possível – respondi, como criança mal-humorada.

– Eu não sabia disso – foi sua mansa e frustrada resposta.

Mas era apenas uma garagem, e as marcas foram pequenas. A expressão favorita do maridinho é: "Confie em mim, querida!" Estou tentando. Poderá levar algum tempo.

A coisa boa de se confiar em Deus é que Ele é perfeito e nunca nos deixará mal. É seguro confiar nEle, sempre. Ao avançarmos pela fé, a confiança nEle crescerá e se tornará completa.

Dawna Beausoleil

A mente de uma criança 

Quando vocês recebem os que se fizeram crianças por Minha causa, é como se estivessem recebendo a Mim. Mas, se vocês os prejudicarem, intimidando-os ou tirando proveito da simplicidade deles, logo irão desejar nunca ter feito isso. Seria melhor que vocês se jogassem no meio do mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. Mateus 18:5, 6, A Mensagem

As criancinhas se agarravam às pernas das mães enquanto as mães falavam sobre seus bebês. Então uma disse: "Vamos nos divertir um pouco hoje à noite – mas só depois de colocarmos o bebê na cama. Se ele souber, vai fazer um estardalhaço." Isso me fez lembrar dos dois pequenos que, por pouco tempo, entraram em minha vida.

Quando éramos missionários em Sarawak, meu esposo trazia regularmente, de avioneta, pessoas doentes de vilas remotas para hospitalização. Eu as levava ao hospital e ficava por perto, até que estivessem na ala respectiva. Longe dos familiares, elas apreciavam minhas visitas frequentes. Certa vez, Dick trouxe uma menina de um ano e um garoto de cinco anos. Ele não sabia muita coisa acerca do menino, exceto que o pastor local o encontrara na taba, doente, apático e sem expressão. Durante minhas visitas, as duas crianças se aproximavam ansiosamente de mim e brincavam felizes comigo.

Depois de se recuperarem, o hospital decidiu não liberar o menino enquanto o pai não viesse para receber instruções quanto ao seu cuidado. Quando entrei com o pai, o menino deu uma olhada e gritou – e não parava de gritar! O pai virou-se para mim e disse: "Ele se esqueceu de mim." Pensei: Ao contrário – ele se lembra, e muito bem. Obviamente, o garoto não queria voltar a ser negligenciado e a sofrer maus-tratos.

Levamos a menininha para sua casa, já que estávamos levando suprimentos para aquela vila. Durante a longa viagem, ela se apegou a mim. Paramos no topo da colina sobranceira à vila para verificar os freios e nosso carregamento. A distância, vi seu pai correndo colina acima. Quando ela o viu, imediatamente estendeu os bracinhos gordos e eu fui esquecida. Ela conhecia o pai e seu amor.
Que diferença na reação daquelas duas crianças diante de seus pais! A mente delas havia sido impressionada de modo muito diferente pelo tratamento que tinham recebido, e por isso o comentário daquela jovem mãe me assombrou. As crianças aprendem de maneira rápida, e podem aprender a desconfiança tão facilmente quanto a confiança. Uma vez aprendida, a desconfiança é difícil de se reverter. Deus nos confia esses pequeninos. Ele nos encarrega de transmitir amor e confiança, e de sermos gentis com os sentimentos deles.

Jean Hall

MM - CPB

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