25 de setembro de 2015

Expressão de amor - O amor e a vida - Pequenas coisas com muito amor

Por ocasião do século XVI, na Espanha, falava-se muito que existia, numa determinada região do mundo, uma fonte maravilhosa cuja água era capaz de realizar o milagre da eterna juventude. Por causa disso, o rico governador de Porto Rico, Ponce de Léon, deixou tudo – sua família, seu governo, sua terra – e partiu com três caravelas em busca dessa poderosa fonte. Ele investiu suas riquezas, enfrentou a bravura do mar, descobriu uma nova região a qual chamou de Flórida, lutou contra tribos hostis e finalmente morreu em 1521.
À semelhança de Ponce de Léon, os casais do século XXI também estão em busca da uma fonte, a do amor correspondido, com o objetivo de sempre rejuvenescer a vida a dois. Esta busca é natural, pois uma das necessidades básicas do ser humano é amar e ser amado sempre. “Por isso, homens e mulheres procuram cada vez mais alguém que atenda às suas necessidades emocionais, que ficaram ignoradas por tanto tempo” – John Gray, Os Caminhos do Coração, p. 8.
No passado, o que geralmente se buscava no casamento, era a segurança financeira e social. Hoje, homem e mulher estão cada vez mais independentes social e financeiramente. Portanto, a base cultural do casamento de nossos avós e pais mudou.
As mulheres estão conquistando cada vez mais seu espaço no mercado de trabalho. De forma que “28% dos cargos de chefia do mundo estão nas mãos de mulheres” – Men’s Health, Setembro /2007, p. 138. À semelhança dos homens, elas estão trabalhando fora e conquistando assim, não só sua independência financeira como também status social e liderança.
Então, o que homens e mulheres estão buscando no casamento hoje não é mais segurança financeira ou status social, é aquilo que eles não têm sozinhos – o prazer da vida a dois. Esse prazer se obtém numa relação onde se prioriza e se investe no amor, na cumplicidade, na verdade, na fidelidade, na comunicação, no romantismo e na valorização um do outro. Há muita gente, que à semelhança de Ponce de Léon, deixaria tudo e sairia em busca de uma fonte assim.
Shakespeare declarou: “Viver é amar”. Por isso, priorize o amor no seu relacionamento e invista o máximo em tudo aquilo que o expressa. Essa visão e investimento darão sentido e poder ao seu casamento. Não tenha medo de expressar intensamente o amor que você sente pela pessoa com quem se casou, pois “todos os bons sentimentos do mundo valem menos do que um simples gesto de amor” – James Russel Lowell.
Lembre-se que tão importante quanto amar é ser uma pessoa que expressa seu amor com romantismo, constância e criatividade. A expressão gerada pelo verdadeiro amor é fundamental no casamento, porque, sem romantismo, a vida a dois fica insípida. Talvez por isso, Frances Paget tenha dito: “O amor é a vida; a falta de amabilidade é a morte”.
Onde procuramos e encontramos a expressão do amor no casamento? Nos olhos, nas palavras, nas atitudes do outro. Isso acontece quando tornamos o outro o centro de nossas atenções e afeições. Quando fazemos com que o outro se sinta “a única água mineral geladinha do deserto”.
Quando a necessidade de amar e ser amado (amor correspondido) é gratificada na vida a dois, passamos a ser as pessoas mais felizes do mundo, porque passamos a desfrutar das alegrias que somente o amor traz ao coração.
Medite: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” – Mateus 7:12.

*

Thomas à Kempis ao falar sobre a imprevisibilidade da existência humana, nos faz uma inteligente advertência ao refletir no seguinte: “Quando começa a manhã, pense que você poderá não chegar à noite. E quando é noite, não ouse prometer-se à manhã. Sempre, portanto, esteja preparado e viva de tal maneira que a morte nunca o possa levar despreparado, pois muitos morrem de repente. Quando aquela última hora chegar, você terá uma opinião muito diferente de toda sua vida passada e se arrependerá de ter sido tão descuidado e negligente.” – A Imitação de Cristo, p. 49.
Por sua vez, Elisabeth Kübler-Ross e David Kessler nos contam uma comovente história que elucida a veracidade da ponderação existencial de Thomas à Kempis:
“Uma mulher de quarenta e um anos recordou uma noite rotineira que ela e o marido tinham passado vários meses antes. Fizeram uma refeição simples e assistiram à televisão. Pouco depois, ele comentou que estava enjoado, tomou um antiácido e disse que ia dormir cedo. Ela despediu-se do marido com um beijo, desejando que ele melhorasse. Uma hora e meia mais tarde, quando a mulher foi para a cama, o marido dormia profundamente.
Assim que acordou no dia seguinte, ela percebeu que algo estava errado. ‘Pude sentir. Olhei para Kevin e soube que ele estava morto. ’ Aos quarenta e quatro anos de idade, seu marido teve um ataque do coração enquanto dormia.
Ela diz que essa dolorosa experiência lhe ensinou que é preciso investir com mais cuidado nos relacionamentos, nas pessoas ou no tempo. ‘Depois que Kevin morreu, examinei a nossa vida em retrospecto e vi tudo de uma maneira diferente. Aquele foi o nosso último beijo, nossa última refeição, nossas últimas férias, nosso último abraço e nossa última risada juntos. Compreendi que haverá últimos dias em todos os relacionamentos. Daqui para frente quero estar mais plenamente presente nos acontecimentos e junto às pessoas. Kevin foi uma dádiva que pude conservar por algum tempo, e isso se aplica a todas as pessoas que eu conheço. O fato de ter essa consciência faz com que eu queira usufruir ainda mais cada experiência e as pessoas que eu amo.’ “ – Os Segredos da Vida, p. 36.
ShaKespeare disse: “Viver é conviver. Viver é amar.”
Existem pessoas que não atentam para essa realidade, e assim, não procuram amar mais e viver melhor dentro de seu lar. Homens e mulheres que, devido à sua insatisfação, consciência culpada ou preocupações da vida pós-moderna, se transformam em verdadeiras sombras ansiosas e desprovidas de amor no relacionamento com o seu cônjuge e seus filhos. A conclusão que se pode chegar é que desistiram de ser felizes porque não valorizam devidamente a vida que têm. Não têm tempo para amar porque vivem aborrecidos, cansados ou preocupados demais. Talvez, por isto, alguém tenha dito que “muitas pessoas existiram, mas na realidade nunca viveram”.
Roberto Shinyashiki conta que quando era médico recém-formado, trabalhou num hospital de doentes terminais, onde ocorriam várias mortes durante o dia. Então, ele afirma: -“A maioria das pessoas morre frustrada por não haver aproveitado sua vida. Elas passaram o tempo todo lutando pelas coisas erradas…” – Revista Você S/A, Ano 1, Número 6, p. 75.
Você nunca verá alguém morrer se lamentando porque amou e se dedicou a seu Deus, sua família e sua saúde de uma forma intensa e prazerosa. Você também nunca verá alguém se lamentando num funeral porque amou e expressou muitas vezes o que sentia por uma pessoa da família que está descendo à sepultura.
– “Ah! Como eu amei essa mulher!”. Era o brado angustiante daquele homem de setenta e cinco anos de idade que acabara de perder sua amada esposa. Ele chorava muito e batendo no seu peito exclamava muitas vezes: – “Ah! Como eu amei essa mulher!”.
A cerimônia fúnebre foi interrompida várias vezes por causa da forma tão apaixonada e desesperada do viúvo expressar seu grande amor. Por sua vez, os parentes e os amigos tentavam consolá-lo, mas não adiantava, o pobre velhinho continuava gritando: – “Ah! Como eu amei essa mulher!”.
Depois que o caixão desceu à cova e os familiares jogaram um pouco de terra e foram se retirando pouco a pouco, o marido enlutado, gemendo, ali permanecia com o olhar fixo na areia que cobria a vida de uma mulher que ele amou tanto. Nesse momento, o padre se aproximou e o abraçando disse-lhe: – “Pude ver toda sua expressão de amor por ela. Tenho certeza que dona Célia morreu feliz por saber que era tão amada pelo homem de sua vida”. Então, olhando para o padre, o viúvo inconsolado respondeu: – “Padre, ela não sabia… uma vez quase disse o quanto a amava!”.

*


O verdadeiro amor, na vida a dois, consiste em grande medida nas pequenas coisas que falamos, fazemos e damos de coração. Madre Tereza de Calcutá, afirmou: “Não podemos fazer grandes coisas. Mas podemos fazer pequenas coisas com muito amor.” – Richard Carlson e Benjamim Shield, Os Caminhos do Coração, p. 15.
Sempre é bom lembrar o valor das pequenas coisas no casamento, onde a importância de um presente não é calculada pelo seu preço, tamanho ou peso, mas pelo seu significado afetivo. Um pequeno gesto de amor, repetido a cada dia, pode ser mais significativo do que uma grande casa mobiliada com dois automóveis na garagem.
Se você ainda tem dúvidas sobre a importância das coisas pequenas, considere a riqueza de significado e o papel essencial do átomo e do DNA na saúde e na vida dos seres humanos. São partículas infinitamente pequenas, a ponto de serem invisíveis aos olhos humanos. Contudo, são extremamente poderosas na produção de energia e na definição da vida. Talvez, assim, possamos entender o que o autor do Clássico “O Pequeno Príncipe” quis dizer ao ponderar que: “Só se enxerga bem com os olhos do coração. O essencial é invisível aos olhos”.
Uma coisa na natureza que consegue ilustrar a beleza singular de um pequeno gesto de amor é o floco de neve. Conta-se que William Bentley conseguiu fotografar e selecionar, com extraordinário talento artístico, cinco mil flocos de neve. Sua coleção encontra-se na Universidade de Harvard. Uma das coisas que mais impressionam os observadores é que não existem dois flocos iguais. Além disso, as pessoas ficam impressionadas ao perceber as incríveis variações de beleza e de simetria radial que se encontra em cada floco.
Diante desse espetáculo da natureza, pergunto-me: Como algo tão efêmero como um floco de neve pôde ter tanta atenção do seu divino Desenhista? Só consigo chegar à seguinte conclusão: Na natureza nada é insignificante, porque ainda que efêmero, pode ser singular. Por isso, você pode acreditar que no casamento, em certo sentido, não há palavras e atos triviais, por menores que pareçam. Se um floco de neve não é banal, muito menos um pequeno gesto de amor.
Alexandre Rangel conta a seguinte ilustração:
“Um homem foi chamado à praia para pintar um barco.
Trouxe com ele tinta, pincéis e começou a pintar o barco de um vermelho brilhante, como pediram-lhe que fizesse.
Enquanto pintava, percebeu que a tinta estava passando para o outro lado do casco. Verificou que havia um vazamento e decidiu consertá-lo. Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e se foi.
No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e presenteou-o com um belo cheque. O pintor ficou surpreso:
– O senhor já me pagou pela pintura do barco – disse ele.
– Mas esse dinheiro não é pelo trabalho de pintura. É por ter consertado o vazamento do barco.
– Foi um serviço tão pequeno que não quis cobrar. Certamente, não está me pagando uma quantia tão alta por algo tão insignificante!
– Meu caro amigo, você não compreendeu. Deixe-me contar-lhe o que aconteceu. Quando lhe pedi que pintasse o barco, esqueci-me de mencionar o vazamento. Quando a pintura secou, meus filhos o pegaram e saíram para uma pescaria. Eu não estava em casa naquele momento. Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiquei desesperado, pois me lembrei de que o barco tinha um furo. Imagine meu alívio e alegria quando os vi retornando sãos e salvos. Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado! Percebe, agora, o que fez? Salvou a vida de meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para pagar-lhe pela sua ‘pequena’ boa ação…” (As Mais Belas Parábolas de Todos os Tempos, vol. II, p. 244 e 245).
Esses exemplos elucidam que, a partir das pequenas coisas é que se pode obter grandes resultados. Por isso, um pequeno gesto de amor pode ser comparado à “energia atômica de meio litro de água, que é capaz de gerar calor suficiente para aquecer cem milhões de toneladas de água de 0° C a 100° C.” – S. Júlio Schwantes, Colunas do Caráter, p. 75. Sendo assim, a cada dia, aqueça sua vida a dois praticando pequenos gestos de amor.
Nunca deixe escapar uma oportunidade de expressar amor por causa dos problemas ou pressões do dia a dia. Procure fazer coisas que o outro gosta, por mais simples e rápidas que sejam. Por exemplo, Jonh Gray conta que, quando ele está dirigindo e sua esposa encontra-se ao lado, e acende a luz amarela num sinal de trânsito, ele reduz a velocidade e vai parando o carro suavemente. Então, olha para ela e diz: “Fiz isso por você, querida.” Ela sabe que se não estivesse ao seu lado, ele aumentaria a velocidade para aproveitar o sinal aberto.
As pequenas coisas que dizem “eu te conheço, te valorizo, pensei em você”, são as mais eficientes quando se quer encher a vida de amor.


Fonte: www.vidaadois.net

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