18 de setembro de 2015

O Coliseu e o risco de seguir a voz do povo

Os que vão morrer o saúdam!


O Coliseu e o risco de seguir a voz do povo



O Anfiteatro Flaviano, uma das maiores e mais famosas ruínas do mundo, permanece como testemunha da grandeza do Império Romano. Após a conquista de Jerusalém, imensas quantidades de ouro e prata foram trazidas do templo dos judeus pelo filho do César Vespasiano, o general Tito. 



Esses recursos foram empregados para apagar a conturbada memória do imperador Nero e dar estabilidade ao império por meio de entretenimento e da ostentação, com a construção do famoso Coliseu. O monumento ganhou seu apelido por causa de uma colossal estátua de Nero, que teve seu rosto modificado para ficar parecida com o deus sol, Hélio. 



O espaço funcionava como um anfiteatro. A parte central era coberta por madeira, e sob a superfície era formada por fileiras de paredes paralelas que permitiam a movimentação de animais, gladiadores e contrarregras que, por meio de roldanas e alçapões modificavam rapidamente o cenário acima. A portabilidade da arena era tão impressionante que nos primeiros jogos organizados por Tito, ela chegou a ser inundada para simular uma batalha naval!



A distribuição dos lugares no Coliseu colocava o imperador em um camarote no centro da parte mais estreita da arena (que possui forma elíptica), enquanto outro camarote, no outro lado do anfiteatro abrigava estátuas de deuses romanos.



Os demais assentos eram preenchidos conforme a classe social, sendo os mais próximos da arena ocupados pelos senadores, os seguintes pelos cavaleiros, depois pelos cidadãos romanos e os lugares mais altos eram destinados aos pobres, escravos e mulheres. Acima dos lugares mais altos, marinheiros (por incrível que pareça) manobravam o teto retrátil que tinha por função impedir que o sol perturbasse demasiadamente os espectadores.



Em um dia usual de programação, havia três “espetáculos” principais: a caça de animais selvagens (rinocerontes, elefantes, leões, panteras, etc.) pela manhã; execuções de criminosos (entre eles os cristãos) ao meio-dia; e as lutas de gladiadores à tarde. Os shows podiam durar muitos dias, dependendo da disponibilidade de homens e animais. Os gladiadores eram comumente prisioneiros de guerra, criminosos ou profissionais de carreira (escravos, livres ou voluntários). 



Utilizar a violência como entretenimento se tornou tão popular em Roma que, nos quatro séculos em que o Coliseu esteve ativo, o anfiteatro foi uma das grandes estratégias de a liderança romana colocar em prática a política do “pão e circo”. O filme Gladiador retrata bem a sede de sangue dos espectadores, que clamavam pela morte dos que estavam na arena.



Durante seu tempo de funcionamento, estima-se que mais de 10 mil pessoas foram mortas aos olhos de cerca de 50 mil “torcedores”. Diante dessa multidão enfurecida, fica a pergunta: Será que a voz do povo é a voz de Deus?

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Matheus Grillo

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