Para Não Esquecer - Meditação Diária

E a Aliança? - 1
Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel. [...] Na sua mente imprimirei as Minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei. Hebreus 8:8, 10
Uma aliança religiosa é um acordo entre Deus e seres humanos, no qual Deus promete abençoar aqueles que O aceitarem e se comprometerem com Ele.
Essa é uma boa definição. No entanto, o que exatamente ela quer dizer? Quais são suas consequências? Tais questionamentos dividiram a comunidade adventista nos anos 1880.
Smith e Butler tinham uma resposta para a questão da aliança. Era simples: "Obedeça e viverá." Aqueles que obedecessem teriam a vida eterna. Logo, sua ênfa­se estava na lei, na obediência e na justificação pessoal.
Entretanto, Waggoner virou a equação "obedeça e viverá" de cabeça para baixo. Primeiro, afirmava ele, vinha a justificação e a vida em Cristo, só depois a obediência. Portanto, podemos dizer que sua fórmula era "viva [em Cristo] e [então] obedecerá".
Da perspectiva de Waggoner, o problema crucial da velha aliança é que "ela não fazia provisão para o perdão dos pecados". Todavia, a nova aliança coloca no centro a justificação pela fé em Cristo. Trata-se de uma aliança da graça, na qual cristãos nascidos de novo têm a lei de Deus no coração. "Andar na lei", ele afirma­va, será um estilo de vida natural para aqueles que nasceram na família de Deus e têm a lei no coração.
Os adventistas de 1888 estavam preocupados com a aliança. E deveriam mesmo. Afinal, o que seria mais importante do que a salvação? Nada! Comparados com a salvação, um carro novo, uma casa melhor e até mesmo a vida terrena não têm nenhum valor.
Não devemos culpar os adventistas de mais de um século atrás pela agitação que demonstraram quando alguém questionou sua ideia de salvação e da mis­são da igreja. Cada um de nós deve se preocupar profundamente com as mesmas questões. Vivemos em um mundo caótico, cheio de doenças e morte. Essa confu­são durará para sempre? De que modo Deus pode salvar pessoas problemáticas em um mundo caótico? Essas são as perguntas que compõem a crença religiosa. As respostas a elas estimularam a criação da Igreja Adventista e estarão ligadas a seu destino final.
Pai, ajuda-nos a aprender a pensar o que Tu pensas. Ajuda-nos a entender os assuntos mais importantes da Bíblia e da vida.

E a Aliança? - 2
Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel. [...] Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais Me lembrarei. Jeremias 31:31, 34
Ellen White e Waggoner estavam em total harmonia no que se refere às alian­ças. A abordagem dela ao assunto das alianças, escrita no fim dos anos 1880, faz uma boa síntese da visão de ambos sobre o tema.
Ela escreveu: "As condições do Velho concerto' eram: Obedece e vive - 'cum­prindo-os [estatutos e juízos] o homem, viverá por eles' (Ez 20:11; Lv. 18:5); mas 'mal­dito aquele que não confirmar as palavras desta lei' (Dt 27:26). O 'novo concerto' foi estabelecido com melhores promessas: promessas do perdão dos pecados, e da graça de Deus para renovar o coração, e levá-lo à harmonia com os princípios da lei de Deus. 'Este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a Minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração. [...] Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais Me lembrarei dos seus peca­dos' (Jr. 31:33, 34, ARC).
"A mesma lei que fora gravada em tábuas de pedra é escrita pelo Espírito Santo nas tábuas do coração. Em vez de cuidarmos em estabelecer nossa própria justiça, aceitamos a justiça de Cristo. Seu sangue expia os nossos pecados. Sua obediência é aceita em nosso favor. Então o coração renovado pelo Espírito Santo produzirá os 'frutos do Espírito'. Mediante a graça de Cristo viveremos em obediência à lei de Deus, escrita em nosso coração. Tendo o Espírito de Cristo, andaremos como Ele andou" (PP, p. 372).
O conceito da aliança da graça abalou muitos dos adventistas tradicionalistas, com sua ênfase da velha aliança na primazia da obediência. O foco de Waggoner na fé em Cristo minava a teologia voltada para a lei, muito embora, conforme vimos, Waggoner, Jones e Ellen White atribuíssem um lugar de proeminência para a lei em sua teologia. Para eles, porém, a obediência fluía de uma relação de salvação com Jesus, em primeiro lugar.
Para que lado corre esse "fluxo" em sua vida? Tenho a impressão de que há adventistas demais preocupados com o próprio desempenho - como estão se sain­do -, em vez de se interessarem, em primeiro plano, por Cristo e por aquilo que Ele já fez em seu lugar.
Hoje é o melhor dia de todo o restante de sua vida para inverter o "fluxo" e começar uma caminhada de nova aliança com Deus.

A Doutrina e o Amor Cristão
Amados, se Deus de tal maneira nos, amou, devemos nós também amar uns aos outros. [...] Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o Seu amor é, em nós, aperfeiçoado, 1 João 4:11, 12
Suponho que, se pudéssemos ganhar a salvação pelos próprios méritos, terí­amos motivos para sentir orgulho de nossas realizações e até mesmo para tratar os outros como se fossem "inferiores", até com um pouco de repugnância, porque não conseguiram chegar a nosso alto nível de conquistas.
Entretanto, não é isso que acontece. Todos nós falhamos e continuamos a fazê-lo. Somente o amor divino nos resgata. Levando em conta essa realidade, a única reação possível é amar a Deus e as pessoas ao nosso redor. O amor é a única respos­ta apropriada a um Deus que nos salva, a despeito de nós mesmos.
Isso não quer dizer que a doutrina não é importante. Ellen White, por exem­plo, tinha profundo interesse pela compreensão correta da Bíblia e da doutrina cristã. Contudo, ela desejava que o estudo da Bíblia e os debates doutrinários fos­sem feitos dentro do contexto do amor cristão.
Ela alertou: "Corremos o risco de que nossos ministros estejam se demoran­do demais nas doutrinas [...] quando a própria alma deles necessita de religiosida­de prática" (Ct 37, 1887).
Em 1890, D. T. Jones (secretário da Associação Geral) escreveu para William White: "Tanto sua mãe quanto o Dr. Waggoner dizem que os pontos de doutri­na não são o problema, mas o espírito demonstrado pelas pessoas que se opõem a essas questões às quais eles são contrários. Tenho plena liberdade de reconhe­cer que o espírito não tem sido o de Cristo. [...] Tenho pensado bastante sobre o assunto e me perguntado por que temas de tão pouca importância prática causa­ram tamanha perturbação e divisão. [...] O objetivo na mente de sua mãe e do Dr. Waggoner não era trazer essas questões à tona e forçá-las sobre todos, mas ensi­nar a doutrina da justificação pela fé e o Espírito de Cristo, na tentativa de conver­ter as pessoas a Deus."
Esse é o ponto crucial! Encaremos a realidade: quando nosso "cristianismo" nos leva a agir sem amor, não estamos sendo cristãos de verdade, mesmo se estivermos corretos quanto a todas as doutrinas. Todavia, quando reconhecemos que Cristo, mediante a graça de Deus, de fato nos resgatou do abismo do pecado, nossa reação é amar. A falta de amor revela que ainda precisamos ser resgatados.
Ajuda-nos, Pai, a aceitar Tua graça para que nos tornemos um canal do Teu amor.

Deixe Jesus Entrar -1
Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai [...] afim de poderdes [...] conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Efésios 3:14, 18, 19
A ênfase de Ellen White em Mineápolis não foi um ensino novo sobre algum aspecto da teologia adventista, mas um apelo para que o adventismo exaltasse e praticasse o cristianismo básico. "Minha preocupação durante a assembleia", escre­veu ela, "foi apresentar Jesus e Seu amor a meus irmãos, pois vi evidências nítidas de que muitos não tinham o espírito de Cristo" (Man. 24, 1888).
"A fé em Cristo como a única esperança do pecador tem sido deixada de lado, não só dos discursos proferidos, mas também da experiência religiosa de muitos dos que afirmam crer na terceira mensagem angélica. Nesta reunião, testemunhei que a luz mais preciosa a brilhar das Escrituras vinha da apresentação do gran­dioso tema da justificação de Cristo ligada à lei, que sempre deve ser mostrado ao pecador como sua única esperança de salvação. [...]
"O padrão para o caráter é a lei divina. A lei é a detectora do pecado. Por meio da lei, o pecado se torna conhecido. Mas o pecador é constantemente atraído a Jesus pela manifestação maravilhosa de Seu amor, uma vez que Ele Se humilhou para morrer de forma vergonhosa sobre a cruz. Que estudo sublime é esse! Anjos têm lutado e avidamente ansiado por compreender o maravilhoso mistério. Trata-se de um estudo que sobrecarrega até mesmo a mais elevada inteligência huma­na, compreender que o homem caído e enganado por Satanás, assumindo o lado de Satanás no conflito, possa se amoldar à imagem do Filho do Deus infinito. Que os seres humanos podem ser como Ele, por causa da justiça de Cristo dada aos homens e que Deus ama as pessoas - caídas, mas redimidas - assim como amou Seu Filho. [...]
"Esse é o mistério da piedade. Essa imagem do mais alto valor deve ser coloca­da em cada discurso, exibida no corredor da memória, proferida pelos lábios huma­nos, praticada por aqueles que provaram e viram que o Senhor é bom. Devemos meditar sobre ela e usá-la como base para toda exposição" (ibid.).
Deixe Jesus entrar. Se Ellen White pudesse nos dar apenas um conselho em rela­ção às reuniões de 1888, seria esse. Que escolhamos deixá-Lo entrar agora mesmo,.

Deixe Jesus Entrar - 2
Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, e vivam, em amor, como também Cristo nos amou e Se entregou por nós. Efésios 5:1, 2, NVI
"Teorias secas são apresentadas enquanto almas preciosas estão famintas pelo Pão da Vida. Não é esta a pregação necessária, nem a que será aceita pelo Deus do Céu, pois é desprovida de Cristo. A imagem divina de Cristo deve ser apresenta­da ao povo. [...]
"Ele deve ser exaltado perante os seres humanos. Quando isso é mostrado às pessoas, o mérito das criaturas se reduz à insignificância. Quanto mais os olhos se demoram nEle, quanto mais Sua vida, Suas lições e Sua perfeição de caráter são estudadas, mais terrível e repugnante o pecado parecerá. Por meio da contempla­ção, o homem pode admirá-Lo e se atrair mais a Ele. Assim, ficará encantado e desejoso de ser como Jesus, até se assemelhar à Sua imagem e ter a mente de Cristo. Como Enoque, ele andará com Deus. Sua mente estará cheia de pensamentos de Jesus. Ele será o melhor Amigo. [...]
"Estude Cristo. Estude Seu caráter, traço por traço. Ele é o Padrão que devemos copiar em nossa vida e em nosso caráter para que não falhemos em representar a Jesus, apresentando ao mundo uma cópia espúria. Não imite nenhum homem, pois os seres humanos são defeituosos em hábitos, fala, maneiras e caráter.
"Permita-me apresentar-lhe o Homem Jesus Cristo. Você deve conhecê-Lo indi­vidualmente como Salvador antes de poder estudá-Lo como padrão e exemplo. [...]
"Todos aqueles que afirmam ser seguidores de Cristo têm a obrigação de seguir Seus passos, imbuir-se de Seu Espírito e, assim, apresentar ao mundo Aquele que veio a nosso planeta representar o Pai. [...]
"Exaltar a Cristo como nossa única fonte de força, apresentar Seu amor incom­parável ao assumir a culpa dos pecados humanos e imputar a própria justiça aos homens não elimina a lei de maneira alguma, nem diminui sua dignidade. Pelo contrário, coloca-a no devido lugar, onde uma luz apropriada brilha e a glorifica. [...] A lei só é completa e plena no grande plano da salvação quando apresentada à luz do Salvador crucificado e ressurreto" (Man. 24, 1888).
Ao ouvir Ellen White, o pensamento que vem à mente é que Jesus nunca é demais. Isso é verdade. Ele é a única coisa no mundo que você pode querer sem nenhum comedimento.

Refletindo Jesus -1
Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também. João 13:15
O humilde e amável Jesus é um exemplo digno de ser seguido, mas que os seres humanos "normais" não são tentados a imitar. É aí que entra a graça transformado­ra e o novo nascimento. Deus quer tomar seres humanos normais e transformá-los em novas criaturas - em cristãos que refletem Seu caráter de amor.
Esse foi outro tema das pregações de Ellen White em Mineápolis. Em 20 de outubro, ela apresentou um sermão que o jornal da cidade, chamado Tribune, disse ter levado muitos às lágrimas. Ela própria afirmou ter ouvido vários testemunhos emocionados de seus ouvintes.
Ela disse ao público: "Só é possível ser um cristão frutífero e ter o conhecimen­to de nosso Senhor e Salvador Jesus Crislo se você for cristão na prática, se estiver progredindo o tempo todo na vida divina. Isso é muito importante. Muitos pare­cem pensar que assim que entram nas águas, recebem o batismo e seu nome é escrito no livro da igreja, a obra está completa."
Pelo contrário, "se eles não levarem para casa a religião prática, logo perderão tudo. [...] É importante que, a todo tempo, acrescentemos graça sobre graça e, se trabalharmos no plano da soma, Deus operará no plano da multiplicação" à medi­da que desenvolve Sua "imagem moral" em Seus seguidores.
"Todo o universo celestial estáava interessado na grande obra" de Cristo. "Todos os mundos que Deus criou observam para ver como a batalha entre o Senhor da luz e da glória e os poderes das trevas terminará. Aqui está Satanás, que busca, com todas as suas forças, ocultar o verdadeiro caráter de Deus, para que o mundo não o compreenda e, revestindo-se de uma falsa justiça, opera em muitos que professam ser cristãos, mas que representam o caráter do inimigo, em vez do caráter de Jesus Cristo. Eles distorcem a imagem de meu Senhor. Distorcem o caráter de Jesus toda vez que carecem de misericórdia e de humildade" (Man. 8, 1888).
"Deus é amor" (1 João 4:8). Cristo veio demonstrar esse amor em Sua vida e morte. Deseja que sejamos como Ele, que O deixemos desenvolver Sua "ima­gem moral" em nós.
Toma-me hoje, Senhor. Ajuda-me não só a desejar Tua dádiva, como também aceitá-la e colocá-la em prática em minha vida.

Refletindo Jesus - 2
Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. 1 João 3:14
Será que realmente amamos nossos irmãos? Ainda mais aqueles que nos cau­sam aversão? O amor aos outros membros da igreja era um problema central do adventismo na era de 1888.
Em 21 de outubro, Ellen White disse aos delegados da Associação Geral: "Aqueles que amam a Deus de verdade devem manifestar longanimidade de cora­ção, julgamento e justiça a todos com quem entram em contato, pois é assim que o Senhor age. Não há nada de que Cristo necessite tanto quanto agentes que sen­tem a necessidade de representá-Lo. Falar e pensar mal dos outros arruina a alma. Isso tem sido comum nesta assembleia. Não há nada de que a igreja careça mais do que a manifestação de um amor semelhante ao de Cristo. Quando os mem­bros da igreja se unem em relacionamentos santificados, cooperando com Cristo, Ele vive e opera neles.
"Nossos olhos necessitam ser ungidos com colírio celestial, a fim de vermos quem somos e quem deveríamos ser. Esse poder provido em Cristo é suficiente para nos capacitar a atingir o elevado padrão da perfeição cristã.
"Devemos manter Jesus, nosso padrão, sempre diante de nós. Isso é e sempre será verdade presente. Foi contemplando a Jesus e apreciando as virtudes de Seu caráter que João se tornou um com seu Mestre em espírito. [...] E a ele foi confiada a obra de falar do amor do Salvador e do amor que Seus filhos devem demonstrar uns pelos outros. A mensagem que ouvistes desde o princípio é esta', escreveu ele, 'que nos amemos uns aos outros. [...] Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos.'
"O Senhor tem palavras claras para aqueles que, assim como os fariseus, se gabam de sua piedade, mas cujo coração se encontra destituído do amor de Deus. Os fariseus se recusaram a conhecer a Deus e a Jesus Cristo, a quem Ele enviara. Não corremos nós o risco de fazer a mesma coisa que os fariseus e os escribas?" (Man. 8a, 1888; itálico acrescentado).
Não é coincidência que Cristo (Mt 5:43-48; 19:21) e Ellen White (PJ, p. 67-69, 316, 384) coloquem juntos o conceito de perfeição e amor em várias ocasiões. Refletir o caráter moral de Deus não significa o que você come, nem mesmo aquilo em que você crê. Em vez disso, é ser semelhante ao Deus que é amor.

Refletindo Jesus - 3
Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espirito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus. 2 Coríntios 7: 1
"A pior coisa que existe - a mais grave - é a falia de amor e de compaixão uns pelos outros", disse Ellen White aos delegado da assembleia de 1888. "Essa é a luz que o Senhor me apresentou e gostaria de lhes dizer que se já houve um tempo em que devemos nos humilhar perante Deus, esse tempo é agora, |...|
"É obra estudada de Satanás manter o amor de Cristo longe de nosso coração. [...] Há muitas cerimônias e formas. O que desejamos é o amor de Cristo, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Quando isso acon­tecer, haverá uma derribada como a dos muros de Jericó diante dos filhos de Israel. Mas há muito egoísmo e desejo de supremacia em nossas fileiras. |...|
"O que Deus e Jesus estão fazendo? [...] Estão purificando o santuário. Bem, devemos nos unir [a Eles] nesta obra e purificar o santuário de nossa alma de toda injustiça para que nosso nome seja escrito no livro da vida do Cordeiro, para que nossos pecados sejam apagados quando chegar o tempo de refrigério na presen­ça do Senhor. [...]
"Você não tem tempo para exaltar o eu, mas [somente] pura elevar Jesus. Oh, eleve-O! Como podemos fazer isso? [...] Que o Deus do Céu faça Seu poder descer ao nosso coração, a fim de que tenhamos o caráter correto, o coração puro e sai­bamos trabalhar em prol dos enfermos [e] sofredores. [...]
"Assim que passamos a amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos, Deus opera por meio de nós. Como permanecer de pé no tempo da chuva serôdia?" Somente se tivermos Seu amor.
"O amor de Cristo no coração faz mais para converter os pecadores do que todos os sermões que você pregar. Precisamos obter o amor de Cristo, para podermos estudar a Bíblia e saber o que dizem as Escrituras. [...] Agora, irmãos, podemos jogar fora o lixo que está à porta de nosso coração [...] pois não temos tempo a perder" (Man. 26, 1888, itálico acrescentado).
Essa é a verdade. Hoje é o dia da nossa salvação. Busquemos a Deus com humildade.
Pai que estás no Céu, nos últimos dias percebi como nunca antes a centralidade absoluta do amor no cristianismo. Ajuda-me hoje mesmo a ser um canal mais frutí­fero de Teu amor na família, no meu local de trabalho e em todas as áreas da vida.

A Lei e o Evangelho
O homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus [...] pois, por obras da lei, ninguém será justificado. Gálatas 2:16
Conforme vimos nos últimos dias, Ellen White estava um pouco frustrada com o adventismo da era de 1888 - e com razão. Com o foco em corrigir a dou­trina, conservar a tradição da igreja e ser bons adventistas, muitos haviam esque­cido o real sentido do evangelho, tanto na teoria quanto na prática. Imitando os fariseus de outrora, tiveram um comportamento nada cristão uns com os outros, mesmo ao debater a lei de Deus e outros bons ensinos adventistas.
Clamando com o coração, em 24 de outubro, Ellen White disse aos delega­dos mais uma vez: "O que queremos é a verdade de Jesus. Sempre que vier algo para fechar as portas à verdade [sobre Jesus], impedindo-a de entrar, vocês ouvirão minha voz onde quer que for, seja na Califórnia, na Europa ou em qualquer lugar onde estiver, porque Deus me deu luz e meu alvo é deixá-la brilhar.
"Tenho visto almas preciosas que aceitariam a verdade [do adventismo] se afas­tarem por causa da maneira que a verdade tem sido tratada, porque Jesus não está nela. E é isto que venho suplicando a vocês o tempo todo: queremos Jesus' (Man. 9, 1888, itálico acrescentado).
Um ano e meio depois, ela continuava lutando com os ministros adventistas para "abrirem o coração e deixarem o Salvador entrar". Ela disse aos pastores reu­nidos para a escola bíblica para pastores da Associação Geral que, quando saíssem das reuniões, deveriam estar "tão cheios da mensagem" do evangelho que teriam a sensação de fogo dentro dos ossos, até que não conseguiriam ficar em silêncio. Todavia, caso exprimissem seus sentimentos, as pessoas diriam: "Você está empol­gado demais, dando importância exagerada a esse assunto, sem pensar o bastan­te na lei; você deve pensar mais na lei; não fique recorrendo o tempo inteiro à jus­tiça de Cristo, em vez disso se baseie na lei."
A esses "bons" sentimentos adventistas, ela respondeu: "Deixe a lei cuidar de si mesma. Temos trabalhado na lei até ficarmos tão secos quanto os montes de Gilboa, sem orvalho ou chuva. Confiemos nos méritos de Jesus Cristo de Nazaré. Que Deus nos ajude para que nossos olhos sejam ungidos com colírio, a fim de conseguirmos ver" (Man. 10, 1889). É bom ficarmos empolgados com algumas coi­sas, se o fizermos com o espírito correto.

Justificação Pela Fé e a Terceira Mensagem Angélica -1
Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Apocalipse 14:12
Conforme vimos, em 1888, a diferença entre o conceito evangélico e adventista sobre a salvação havia se tornado um problema. O ponto forte dos adventistas estava ligado às crenças distintivas, mas o ponto fraco era o grande ensino evangélico que os fundadores compartilhavam com os outros cristãos.
Ao contrário de alguns líderes de sua época, focados nas obras, Waggoner reconhecia que a igreja havia se afastado da doutrina histórica da salvação. Ellen White proferiu a mesma verdade ao expressar sua surpresa por descobrir que alguns achavam que Jones e Waggoner ensinavam uma "estranha doutrina", quando, na ver­dade, a "mensagem" deles não era "uma nova verdade, mas a mesma que Paulo e o próprio Cristo ensinaram" (Man. 27, 1889).
O comentário de Waggoner de que sua interpretação da lei e do evangelho refletia a de Paulo, Lutero e Wesley se tornou ainda mais esclarecedor quando ele acrescentou que "era um passo para mais perto do coração da terceira mensagem angélica". Ellen White defendia o mesmo ponto de vista. Ao mesmo tempo em que alguns temiam que a igreja estivesse se concentrando "demais na questão da jus­tificação pela fé", vários lhe haviam escrito, “perguntando se a mensagem de justi­ficação pela fé é a mensagem do terceiro anjo”. Ela respondeu que "em verdade, é mesmo a terceira mensagem angélica" (RH, lº de abril de 1890).
Tal declaração tem confundido alguns. O que exatamente ela quis dizer? Analisaremos esse assunto ao longo dos próximos dias.
Enquanto isso, devemos nos lembrar de que Apocalipse 14:12 é um texto cen­tral na história adventista: "Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus."
Reconhecendo o uso adventista desta passagem como uma descrição de sua denominação, um repórter de Mineápolis sugeriu que "uma presunção sem tama­nho ou uma fé sublime os leva a aplicar esse texto a si mesmos".
Os adventistas, é óbvio, consideravam essa interpretação uma "fé sublime". E ambos os lados, na crise de 1888, passaram a perceber, cada vez mais claramente, que suas diferenças estavam ligadas ao significado de Apocalipse 14:12.
A propósito, esse é um bom texto bíblico para memorizar enquanto medita­mos em seu sentido e em suas implicações.

Justificação Pela Fé e a Terceira Mensagem Angélica - 2
Felizes os que lavam as suas vestes, e assim têm direito à árvore da vida e podem entrar na cidade pelas portas. Apocalipse 22:14, NVI
Os primeiros adventistas eram grandes guardadores dos mandamentos - às vezes por bons motivos, às vezes por razões nem tão boas assim.
Esse lado ligado às obras do sistema adventista de crenças desempenhou um papel crucial na compreensão pré-1888 de Apocalipse 14:12: "Aqui está a perse­verança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus."
A interpretação desse versículo fora bem consistente antes de 1888. Tiago White criou um modelo para o conceito em abril de 1850. Ele sugeriu que o versículo tinha três pontos principais de identificação.
Ele mostrava: (1) um povo que deveria ser perseverante, apesar do desapon­tamento dos anos 1840, aguardando o retorno de Jesus; (2) um povo que "vence­ra a besta, sua imagem e sua marca e recebera o selo do Deus vivo, ao guardar 'os mandamentos de Deus'"; e (3) um povo que "guarda a 'fé'", um conjunto de cren­ças em coisas como "o arrependimento, a fé, o batismo, a ceia do Senhor, o lava-pés dos santos" e assim por diante. Uma parte de guardar a fé, enfatizava ele, envolvia "guardar os mandamentos de Deus". Observe que Tiago White conseguiu encai­xar a obediência à lei de Deus em duas das três partes do versículo.
Dois anos depois, ele foi ainda mais preciso: "A fé em Jesus deve ser guarda­da, bem como os mandamentos de Deus. [...] Além de mostrar a distinção entre os mandamentos do Pai e a fé do Filho, isso também mostra que a fé em Jesus a ser guardada envolve necessariamente os dizeres de Cristo aos apóstolos. Abarca todas as exigências e doutrinas do Novo Testamento."
John N. Andrews tinha a mesma opinião, afirmando que "a fé em Jesus [...] deve ser guardada da mesma maneira que os mandamentos de Deus".
R. E Cottrell escreveu que a fé em Jesus "é algo que pode ser obedecido ou guardado. Portanto, concluímos que tudo que devemos fazer para ser salvos do pecado pertence à fé em Jesus".
Conforme observamos antes, guardar é importante. Entretanto, seria verdade que "tudo que devemos fazer para ser salvos do pecado pertence à fé em Jesus"? Pense sobre isso. Discuta o assunto e ore a esse respeito.


Para Não Esquecer  - Meditação DiáriaGeorge R. Knight - CPB

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