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Para Não Esquecer - Meditação Diária

Fracasso em Mineápolis
Achadas as Tuas palavras, logo as comi; as Tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração. Jeremias 15:16
É bom comer as palavras de Deus. Entretanto, às vezes, preferimos ingerir as de outras pessoas. Tal pensamento nos conduz de volta à questão da autoridade em Mineápolis. Embora os desdobramentos da assembleia tenham incluído sucessos, também envolveram fracassos. Talvez o mais óbvio tenha sido a tentação contínua de depender de opiniões humanas. Todavia, em 1894, não eram mais as palavras de autoridade de Butler e Smith que causavam problema, mas as de Jones. Sem dúvida, os repetidos endossos de Ellen White a ele e a Waggoner em Mineápolis e em outras ocasiões predispuseram a mente de muitos a aceitar tudo aquilo que eles dissessem ou escrevessem. Por exaltarem a Cristo e pelo poder das forças adventistas que se alinharam contra eles, foi necessário que ela "gritasse a plenos pulmões" seu apoio a eles, para que fossem ouvidos.
Sua voz não passou despercebida. Em 1894, Stephen N. Haskell foi obrigado a admitir para ela que fora "absolutamente necessário defender Alonzo e Waggoner ao longo desses anos". "Mas", acrescentou, "o país inteiro ficou em silêncio quanto a qualquer tipo de crítica em relação a eles. Essa batalha foi travada, e a vitória, obtida".
Naquele momento, porém, a denominação enfrentava o problema contrário: os membros e líderes da igreja "estavam aceitando tudo que eles [Jones e William W. Prescott] diziam praticamente como se fosse inspirado por Deus". F. M. Wilcox chegara a uma conclusão semelhante. Escrevendo em Battle Creek, constatou: "Houve um tempo em que muitos dos princípios expostos pelo irmão Jones eram alvo de oposição; mas, nos últimos tempos, as pessoas têm se apegado às palavras dele quase como se fossem palavras de Deus."
Logo, por volta de 1894, os adventistas estavam diante de uma nova crise de autoridade. Ellen White comentou: "Alguns de nossos irmãos têm olhado para esses ministros e os colocado no lugar que Deus deveria ocupar. Aceitam todas as palavras que saem de seus lábios sem buscar cuidadosamente o conselho divino para si" (Ct 27, 1894).
Será que um dia nós vamos aprender? Uma das mais importantes lições da Assembleia da Associação Geral em 1888 envolve autoridade - a verdade é que a Palavra de Deus é a autoridade suprema. Necessitamos deixar de confiar em pala­vras de seres humanos e de ler a Bíblia por intermédio dos olhos deles.
Ó Deus, ajuda-nos!

O Profeta e os Mensageiros
Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério. 2 Timóteo 4:11
De tempos em tempos, os profetas e apóstolos da Bíblia recomendavam indi­víduos que seriam uma bênção especial para a igreja. Ellen White não foi diferen­te nesse sentido. O apoio mais frequente que ela fez ao longo de seu ministério envolveu Waggoner e Jones. Em muitos momentos, ela os defendeu por sua men­sagem focada em Cristo.
No entanto, as repetidas recomendações significam que ela concordava com tudo que eles ensinavam - mesmo em relação à lei e ao evangelho?
Deixemos que a própria Sra. White responda. No início das reuniões de Mineápolis, ela escreveu que o anjo que a guiava "estendeu os braços em direção ao Dr. Waggoner e a você, pastor Butler, dizendo exatamente o seguinte: 'Nenhum (tem) toda a luz sobre a lei; nenhuma das duas posições é perfeita'". Embora o con­texto dessa declaração seja a Assembleia da Associação Geral em 1886, Ellen White conservava a mesma posição em 1888 (Ct 21, 1888).
No início de novembro, ela disse aos delegados em Mineápolis que algumas das coisas que Waggoner havia exposto sobre a lei em Gálatas não se harmoniza­vam com seu próprio entendimento do assunto. Posteriormente, na mesma fala, ela afirmou: "Não considero corretas algumas das interpretações das Escrituras feitas pelo Dr. Waggoner" (Man. 15, 1888).
William C. White confirmava a posição de sua mãe. De Mineápolis, escre­veu para a esposa que "grande parte do que o Dr. W. ensina estava de acordo com o que" sua mãe havia "presenciado em visão". Isso levou alguns a concluir que "ela endossa todos os seus pontos de vista [e que nenhuma] parte de seus ensinos dis­corda [da mãe] e de seus testemunhos. [...] Posso provar que tudo isso é [falso]".
Ellen White validava constantemente o cerne daquilo que Jones e Waggoner apresentavam sobre a justiça de Cristo. Entretanto, uma análise dos escritos dos dois revela uma série de pontos teológicos dos quais ela diferia.
Eles, porém, apontavam para a direção correta ao buscarem exaltar a Jesus e a justificação pela fé, em vez da justificação pela observância da lei.
Mesmo recebendo endosso profético, as pessoas continuavam sendo falíveis. Tudo deve ser avaliado à luz da Bíblia.

Dois Tipos de Justificação - 1
Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna? [...] Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Mateus 19:16, 17
Ao longo dos anos, os adventistas têm ouvido bastante sobre a justificação pela fé na Assembleia da Associação Geral de 1888. Mas o que exatamente Jones e Waggoner ensinavam? E quais posições de Smith e Butler precisavam ser corri­gidas? Dedicaremos vários dias a encontrar respostas para essas perguntas.
Talvez a melhor maneira de introduzir o assunto seja por meio dos editoriais de Uriah Smith na Review em janeiro de 1888. Em 3 de janeiro, no texto intitulado "O Ponto Principal", ele afirmou que o objetivo dos pioneiros adventistas era divul­gar a última proclamação do segundo advento e "conduzir almas a Cristo por meio da obediência a esta verdade final de prova. Este era o ponto objetivo de todos os seus esforços; e o fim que buscavam só era considerado alcançado quando almas se convertiam a Deus e eram levadas a buscar, por meio da obediência esclareci­da a todos os seus mandamentos, o preparo pelo Senhor dos céus". Smith ligou "o ponto principal" à terceira mensagem angélica ao enfatizar a palavra guardam de Apocalipse 14:12: "Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os man­damentos de Deus e a fé em Jesus."
Precisamos parar um pouco e pensar sobre isso. Como as pessoas vão a Cristo? Pela obediência, conforme defendia Smith? Ou por algum outro método?
Essa ênfase aparece mais uma vez no último editorial de janeiro de 1888: "Condições para a Vida Eterna." Ele baseou seus comentários na pergunta do jovem rico a Cristo: "Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?" De acordo com Smith, a resposta da Bíblia poderia ser resumida em uma proposição como "arrepender-se, crer, obedecer e viver". Essa, afirmava ele, fora a resposta de Jesus. Afinal, Cristo dissera ao jovem rico: "Se queres, porém, entrar na vida, guar­da os mandamentos."
Smith continuou observando que "o problema da justificação dos fariseus" é que eles ainda não haviam alcançado um teor aceitável de "caráter moral" em rela­ção à "lei moral".
Seguindo a falsa orientação de José Bates sobre o significado da história do jovem rico, Smith e os seus estavam imersos em legalismo. Eles ainda não haviam descoberto a relação entre lei e evangelho do Novo Testamento.
Alguns de nós, e me incluo nesse meio, lutam fortemente com a mesma ten­dência. No entanto, permaneçamos firmes. Foi para isso que serviu 1888.

Dois Tipos de Justificação - 2
Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado? Tiago 2:21
A relação entre fé e obediência está no âmago do tema da justificação. Ontem vimos Uriah Smith argumentando, no início de 1888, que a obediência era a chave para a salvação. Sua principal ilustração vinha da história do jovem rico. O que Smith não conseguiu perceber é que, mesmo guardando os mandamentos, o jovem rico ainda assim se afastou de Cristo.
Smith e seus colegas acreditavam na justificação pela fé. Não havia como ser diferente, já que tal ensino está na Bíblia. Entretanto, eles baseavam sua compre­ensão na tradução de Romanos 3:25 da King James Version, que transmite uma ideia equivocada. Ela se assemelha à Almeida Revista e Corrigida, a qual afirma que a justiça de Cristo teria em vista a "remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus". Por isso, J. F. Ballenger escreveu: "Para remir os pecados do passado, a fé é tudo. Quão precioso é o sangue que apaga todos os nossos pecados e transforma o passado em um registro limpo! Somente a fé nos permite apro­priar-nos das promessas de Deus. Todavia, o dever presente cabe a nós cumprir. |...| Obedeça à voz de Deus e viva, ou desobedeça e morra."
Por acreditarem que a justificação pela fé lidava com pecados do passado, Smith, Butler e seus amigos ensinavam que, para manter a justificação após a conversão, era necessária a "justificação pelas obras". Citando Tiago, Ballenger escreveu: "Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado'?" "Quando obedecemos, tal ato, aliado à fé, garante nossa justificação."
Para esses adventistas, a justificação não era somente pela fé, mas pela fé, acres­cida das obras.
Era precisamente dessa teologia que Waggoner e Jones discordavam. Em um editorial de janeiro de 1888 da revista Signs chamado "Diferentes Tipos de Justificação", Waggoner, argumentando contra Smith, notou que não era possível melhorar a justiça moral dos escribas e fariseus, porque "eles confiavam nas pró­prias obras e não se submetiam à justiça de Deus". Na verdade, afirmou, a justiça deles "não era justiça de fato". Eles simplesmente tentavam "cobrir um pano sujo e rasgado colocando por cima mais retalhos imundos".
Como somos salvos? E como as obras se relacionam com a salvação? Essa foi a essência do embate em Mineápolis. Também foi o conflito entre Paulo e seus adversários em Romanos e Gálatas.
Pai, dá-nos entendimento sobre este assunto de importância crucial à medida que refletirmos sobre ele dia após dia.

Dois Tipos de Justificação - 3
Os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Isaías 64:6. NVI
São mesmo? Essa foi a posição de Waggoner diante da ênfase de Smith e seus amigos na justificação pelas obras. Ele escreveu: "A justiça humana não vale nem um pouco mais depois que o homem é justificado do que antes." O cristão justificado "viverá pela fé". Portanto, "aquele que tem mais fé viverá de forma mais justa". Isso é verdade porque Cristo é "o Senhor, justiça nossa". Para Waggoner, a fé era tudo, e a equação fé + obras = justificação encontrava raízes no "espírito do anticristo".
Jones se posicionou firmemente ao lado de Waggoner. Em maio de 1889, por exemplo, ele disse a seus ouvintes que a lei não era o lugar para buscar justiça. Todos "os nossos atos de justiça são como trapo imundo".
Smith se opôs a tais comentários. Um mês depois, ele disparou a artilharia em Jones em um artigo da Review chamado "Nossa justiça". Comentou que alguns dos assinantes da Review estavam caindo nas mãos daqueles que queriam invalidar a lei, fazendo comentários sobre nossa justiça ser como "trapos imundos". O editor continuou dizendo que "a perfeita obediência à [lei] desenvolve justiça perfeita e só há uma forma de obter a justificação". Declarou: "Não devemos ficar assentados, sem fazer nada, como uma massa inerte nas mãos do Redentor. [...] 'Nossa justi­ça' [...] provém da harmonia com a lei de Deus. [...] E 'nossa justiça' não pode, neste caso, ser um trapo imundo." Existe, concluiu ele, uma justificação "a ser garantida por meio da prática e do ensino dos mandamentos".
Quando esse artigo foi publicado, Ellen White estava pregando que a fé deve preceder as obras. Em uma reunião campal em Rome, Nova York, quando as pes­soas não conseguiram conciliar o discurso dela com o artigo de Smith, sua respos­ta foi que o irmão Smith "não sabe do que está falando; ele vê árvores como se fos­sem homens andando". Ela destacou que somente pelo fato de Jesus e Sua justiça serem centrais à salvação, isso não significa que descartamos a lei de Deus (Man. 5, 1889). Para Smith, a irmã White escreveu que ele estava em um caminho que o levaria a um precipício, e que estava "caminhando como um cego" (Ct 55, 1889).
Como está sua visão espiritual? Temos clareza sobre a relação existente entre fé e obras, lei e graça? Talvez não, mas essa foi a ênfase de 1888. As respostas vêm à medida que seguimos a orientação de Deus neste pedaço da história adventista.

Dois Tipos de Justificação - 4
Visto que ninguém será justificado diante dEle por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Romanos 3:20
Esse ensino da Bíblia parece bem evidente. A função da lei é exaltar o ideal de Deus e apontar para nosso pecado quando falhamos em alcançar esse ideal. O texto bíblico de hoje afirma com toda clareza que a lei não tem poder nenhum para salvar.
Tudo isso é verdade. Entretanto, se eu realmente creio que a justificação é pela graça mediante a fé, sem obras da lei, então o que acontece com a lei? Boa pergunta!
Foi o medo de que a diminuição da importância da lei acabaria eliminando a observância do sábado que preocupou Smith, Butler e seus apoiadores na era de 1888.
Ouçamos o que Butler tinha a dizer a esse respeito. Em um artigo chamado "A Justiça da Lei Cumprida por Nós", ele observou: "Há um sentimento que pre­valece em quase todos os lugares", o qual é agradável, mas perigoso, "só creia em Cristo e tudo ficará bem', [...] Jesus faz tudo." Tal ensino, proclamava ele, "é uma das heresias mais perigosas do mundo". O grande objetivo da terceira mensagem angélica é enfatizar "a necessidade da obediência à lei de Deus. 'Os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus'". O mundo cristão, acrescentou Butler, estava perdendo rapidamente essa verdade, e os adventistas precisavam anunciá-la.
Esse era o problema. Alguns temiam que o excesso de Cristo e Sua justiça aca­baria com a lei, a obediência e a necessidade de justiça humana.
Tal temor se encontrava no âmago da reação aos ensinos de Jones e Waggoner em Mineápolis.
Os dois lados tinham perspectivas bem diferentes. Para os reformadores, as palavras-chave eram "Cristo", "fé", "justificação pela fé" e termos ligados à justiça de Cristo. Já o grupo de Smith e Butler enfatizava o "esforço humano", as "obras", a "obediência", a "lei", os "mandamentos", "nossa justiça" e a "justificação pelas obras".
Essas duas ênfases continuam a ser bem distintas dentro do adventismo mais de 120 anos depois de Mineápolis. Elas precisam se excluir? Por quê? Ou, por que não?
Que posição você assume a respeito dessas questões? Pense bem. Discuta com seus familiares e amigos.

A Visão de Waggoner Sobre Salvação -1

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8, 9
A primeira coisa a destacar na teologia de Waggoner é que os seres humanos não podem fazer nada para ganhar a salvação. "Nossa salvação", escreveu ele, "se deve totalmente à infinita misericórdia de Deus por meio dos méritos de Cristo". Deus "não espera que os pecadores desejem o perdão, antes disso faz um esfor­ço para salvá-los". Essa é uma verdadeira boa-nova, mas se trata de um evangelho bem distante da visão de Uriah Smith, de que a obediência leva os seres humanos a Deus. Pelo contrário, de acordo com Waggoner, o Deus da graça vai em busca dos perdidos indignos. O Senhor toma a iniciativa da salvação.
O segundo pilar da teologia de Waggoner é que ninguém consegue se tor­nar bom por meio da obediência à lei, porque "a lei não tem nem uma partícula de justiça sequer para conceder ao ser humano". Ele afirmava que "a pessoa só é capaz de fazer coisas boas depois que ela se torna boa. Portanto, os atos realizados por um pecador não têm efeito nenhum para justificá-lo. Pelo contrário, provin­dos de coração mau, tais atos são maus e só acrescentam à soma de seus pecados". Todavia, observou, "os fariseus não estão extintos; existem muitos em nossos dias que têm a esperança de alcançar a justificação por meio das próprias boas obras".
De acordo com Waggoner, Deus nunca apresentara a lei como um caminho para chegar ao Céu. Tanto Waggoner quanto Jones criam que a função da lei era não só "tornar conhecido o pecado", como também "levar as pessoas a Cristo, afim de serem justificadas pela f é".
Ele assegurava: "Uma vez que os melhores esforços de um ser humano peca­dor não têm o menor efeito em produzir justificação, é óbvio que a única maneira de consegui-la é por meio de um presente." Nossas tentativas de alcançar a justiça são como procurar cobrir o próprio corpo nu com "trapos imundos". Mas "desco­brimos que, quando Cristo nos cobre com o manto de Sua justiça, Ele não fornece uma roupa para encobrir o pecado; em vez disso, leva o pecado embora". Na ver­dade, quando aceitamos a justiça de Cristo, nossos "pecados são anulados".
Senhor, muito obrigado pelo manto de Cristo. Depois de tentar inutilmente por anos, finalmente estamos prontos para nos entregar e aceitar Teu dom sem res­trições. Amém.

A Visão de Waggoner Sobre Salvação - 2
Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no Seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. João 1:12, 13
Waggoner afirmava que, quando uma pessoa aceita a justificação pela fé em Cristo, ela se torna parte da família de Deus. "Observe", escreveu ele, "que é pela jus­tificação mediante Sua graça que nos tornamos herdeiros. [...] A fé em Cristo Jesus nos torna filhos de Deus; por isso, sabemos que todo aquele que foi justificado pela graça do Senhor, ou seja, foi perdoado, é um herdeiro de Deus".
Entretanto, a justificação e a adoção na família de Deus não eram a soma total da salvação para Waggoner. Longe disso: "O Senhor não nos adota como filhos por sermos bons, mas para nos tornar bons."
Na mesma ocasião em que Deus justifica e adota os indivíduos para Sua famí­lia, Ele os transforma em um novo ser. Tais pessoas, acrescenta Waggoner, não estão mais sob a condenação, mas "são novas criaturas em Cristo, que devem andar em novidade de vida, não mais 'debaixo da lei', mas 'debaixo da graça'". No momento da justificação, Deus dá ao pecador convertido "um novo coração". Logo, "é correto dizer que ele é salvo".
É importante notar que Waggoner costumava falar sobre a justificação pela fé e o novo nascimento de uma vez. Isso é bem apropriado, pois ambos acontecem no mesmo momento. Em outras palavras, quando a pessoa é justificada, ela tam­bém nasce de novo pelo Espírito Santo. Logo, a justificação e a transformação da natureza acontecem simultaneamente.
Em consequência, ser considerado justo, de acordo com Waggoner, não é um fato consumado. As pessoas justificadas pensam diferente e desejam agir de manei­ra diferente sob a orientação de Deus. É claro que, quando falham e confessam o erro, a graça divina está lá para perdoá-las mais uma vez.
A adoção na família de Deus para indivíduos que nasceram fora dela (ver Ef 2: l -3) é uma bela promessa.
Obrigado, Senhor, porque podemos fazer parte de Tua família.

A Visão de Waggoner Sobre Salvação - 3
E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. 2 Coríntios 5:17
O ensino da nova "criatura" (ARA) ou "criação" (NVI) em Cristo é poderoso. Ele aparece em todo o Novo Testamento, mas recebe destaque especial nos escritos de Paulo.
Waggoner fez uso desse tema, observando que, no momento em que as pes­soas são justificadas, elas também nascem mais uma vez como um novo ser e são adotadas na família de Deus.
Ele afirmou: "A diferença entre um justo e um pecador é muito mais do que a mera diferença de crenças. É mais do que uma contagem arbitrária da parte de Deus. Trata-se de uma distinção real. [...] Deus nunca declara alguém justo simplesmente por reconhecer a verdade. Existe uma mudança verdadeira e literal de um estado de pecado para a justiça, explicando o motivo para Deus fazer tal declaração." De forma simples, a pessoa justificada vive de maneira diferente do que o pecador, porque o Senhor a transforma em uma nova criatura no momento da justificação.
Para Waggoner, a justificação, o novo nascimento e a adoção eram o princípio da caminhada cristã. Opondo-se aos proponentes da santidade, os quais defendiam uma forma de santificação "sem qualquer mudança de hábito da parte do indiví­duo", ele considerava que a "santidade"sem uma obediência que levasse à transformação da vida era uma "ilusão".
O salvo, segundo Waggoner, vive em conformidade com a lei de Deus. Ele escreveu: "É tão impossível amar a Deus sem manifestar esse sentimento em ações quanto viver sem respirar." A vitória sobre o pecado vem do poder interior do Espírito na vida do cristão. Somente aqueles que obtêm a vitória sobre o pecado, defendia ele, entrarão no reino eterno.
Conforme podemos constatar, Waggoner não era contrário à lei e à obediência, mas era totalmente oposto à ideia de que a lei e a obediência estavam no centro da experiência de justificação. Não! Tal lugar pertence somente a Cristo e à Sua justiça.
No entanto, dentro da esfera da justiça de Cristo, a pessoa recém-nascida espiri­tualmente sente, por necessidade, o desejo de andar com Deus e de guardar Sua lei.
A ordem dos fatores é crucial. Primeiramente vem a salvação. Depois, a obe­diência. Se invertermos isso, esbarramos no legalismo.


Para Não Esquecer - Meditação Diária - George R. Knight
  CPB - Setembro

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