13 de setembro de 2015

Paulo: missão e mensagem

VERSO PARA MEMORIZAR:

“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13, 14).




Valendo-se das mensagens proféticas do Antigo Testamento, da história judaica e da vida e ensinos de Jesus, Paulo desenvolveu o conceito cristão da história da salvação, centralizado totalmente na vida, morte e ressurreição de Cristo. Devido a seus antecedentes culturais provenientes tanto do judaísmo quanto da sociedade greco-romana, Paulo possuía discernimento suficiente para desvincular o evangelho da complexidade das práticas civis, rituais e morais da vida judaica e torná-lo mais acessível a um mundo multicultural.

As 14 cartas de Paulo aplicaram a fé à vida dos cristãos. Ele tocou em assuntos doutrinários, bem como práticos. Aconselhou, encorajou e admoestou sobre assuntos de cristianismo pessoal, relacionamentos e vida na igreja. Contudo, ao longo de suas cartas seu principal tema foi “Jesus Cristo e Este crucificado” (1Co 2:2).

Paulo não foi apenas um homem das letras. Tornou-se também conhecido como missionário apostólico por excelência, testemunhando do evangelho desde a Síria até a Itália, e talvez até a Espanha. Dentro de uma década Paulo estabeleceu igrejas em quatro províncias do Império Romano.

Nesta semana estudaremos Paulo, tanto em sua missão quanto em sua mensagem.


Os gregos e os judeus


1. Leia 1 Coríntios 1:22-24. Quais são as diferentes maneiras pelas quais as pessoas se relacionam com a verdade? O que podemos aprender nesse texto que nos ajuda em nosso testemunho a diferentes grupos de pessoas?

No êxodo do Egito, quando os israelitas foram libertos da escravidão, Deus realizou notáveis sinais de cuidado providencial em favor deles. As gerações posteriores desenvolveram a expectativa de que qualquer novo mensageiro enviado por Deus devia se fazer conhecido por sinais, maravilhas e milagres. Em contraste com isso, e em harmonia com sua herança filosófica e científica, os gregos buscavam para a crença uma base racional, que satisfizesse as exigências da sabedoria humana.

Paulo não descartou a herança cultural e espiritual dos povos que procurava alcançar, mas a usou como ponto de entrada para proclamar o Cristo crucificado. Aqueles que desejavam sinais os encontravam na vida e ministério de Jesus e da igreja primitiva. Os que desejavam perfeição e racionalidade lógicas os encontravam nos argumentos de Paulo a respeito da mensagem do evangelho. Ambos os tipos de pessoas, em última análise, tinham apenas uma necessidade, que era conhecer o Cristo ressurreto e “o poder da Sua ressurreição” (Fp 3:10). A maneira pela qual Paulo levava as pessoas a esse conhecimento dependia do público a quem ele estava testemunhando.

Quando Paulo pregava a ouvintes judeus, fundamentava seus sermões na história de Israel, ligando Cristo a Davi e enfatizando as profecias do Antigo Testamento que apontavam para Cristo e que prediziam Sua crucifixão e ressurreição (At 13:16-41). Isto é, ele começava com o que era familiar para eles, com o que eles reverenciavam e acreditavam, e, partindo desse ponto, procurava levá-los a Cristo.

Para os gentios, a mensagem de Paulo incluía Deus como Criador, Sustentador e Juiz; a entrada do pecado no mundo, a salvação por meio de Jesus Cristo (At 14:15-17; 17:22-31). Paulo tinha que trabalhar com essas pessoas com base em um ponto de partida diferente do que usava para os judeus (ou para os gentios que acreditavam na fé judaica). Porém, nesse caso seu objetivo também era levá-los a Jesus.

Pense sobre sua fé. Em que ela se fundamenta? Que boas razões você tem para sua crença? Suas razões são diferentes das de outras pessoas? Por que é importante reconhecer essas diferenças?


Soldados e atletas


Como hábil comunicador, Paulo, em sua obra missionária, usava o conhecido para explicar o desconhecido. Ele tomava os aspectos cotidianos do mundo greco-romano para ilustrar a realidade prática da nova vida em Cristo. Para seus ensinos, extraía metáforas especialmente de duas áreas do mundo de seus conversos: os atletas com seus jogos e o sempre presente soldado romano.

A apreciação pelos feitos atléticos fascinava o mundo nos dias de Paulo, assim como em nossos dias. Ao longo dos séculos, os antigos gregos transmitiram seu amor pela competição realizando pelo menos quatro ciclos separados de competições do tipo olímpico, localizadas em diferentes partes da Grécia. Os romanos herdaram e promoveram ainda mais a competição atlética. As corridas a pé eram os eventos mais populares, e incluíam uma corrida de homens trajados com a armadura militar completa. As lutas corporais também eram populares. Os atletas treinavam assiduamente, e os vencedores eram ricamente recompensados. A etnia, a nacionalidade e a classe social tinham pouca importância, uma vez que os objetivos eram a perseverança e o desempenho.

2. Que importantes lições para a vida cristã os leitores de Paulo encontraram nas seguintes passagens? 1Co 9:24-27; Gl 5:7; 1Tm 6:12; 2Tm 2:5

A partir de Augusto, os imperadores romanos substituíram os soldados temporários por guerreiros profissionais de tempo integral, colocando-os em guarnições por todo o Império Romano. Melhoraram e padronizaram sua armadura e suas armas. No tempo de Paulo, eram recrutados soldados de vários grupos étnicos e nacionais, quer fossem ou não cidadãos romanos. Em troca de recompensas no final de seu período de serviço, os soldados prometiam lealdade total ao imperador governante, que, em tempos de conflito, ia pessoalmente à frente deles na batalha.

3. Quais comparações Paulo fez entre a atividade dos soldados e a vida cristã? 2Co 10:4, 5; Ef 6:10-18; 1Tm 6:12; 2Tm 2:3, 4

Naquela que talvez seja a última carta de Paulo, ele aplicou tanto a carreira dos soldados quanto a dos atletas ao seu próprio conceito sobre sua vida como missionário cristão: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4:7, NVI).

Em que aspecto a fé é uma luta e uma corrida? Você já experimentou a realidade de ambas as metáforas em sua vida cristã? Qual metáfora descreve melhor sua experiência? Por quê?



Paulo e a lei


4. “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rm 3:31). Sobre que lei Paulo estava falando nesse texto?

Nas traduções das cartas de Paulo para o português, a palavra “lei” aparece cerca de 130 vezes, e no livro de Atos, cerca de 20 vezes. Paulo se esforçou para fazer com que seus ouvintes e leitores, independentemente do contexto cultural em que viviam, entendessem que a “lei” tinha vários significados, especialmente para os judeus. Leis como os Dez Mandamentos estão em vigor para todas as pessoas, em todos os tempos. Mas outros tipos de leis do Antigo Testamento e da cultura judaica, Paulo não considerava que estivessem em vigor para os cristãos.

Em seus ensinos, o apóstolo usou a palavra “lei” de maneira ampla, em referência a regras para cerimônias religiosas, leis civis, leis de saúde e leis de purificação. Ele escreveu sobre estar “debaixo da lei” (Rm 3:19, ARC) e sobre estar “livres da lei” (Rm 7:6). Descreveu uma “lei do pecado” (Rm 7:25), mas também uma “lei [que] é santa” (Rm 7:12). Mencionou a “lei de Moisés” (1Co 9:9), mas também a “lei de Deus” (Rm 7:25). Por mais confusas que essas expressões possam parecer aos não judeus, para o crente judeu, criado na cultura hebraica, o contexto deixaria claro de que lei se tratava.

5. Leia Romanos 13:8-10; 2:21-24; 1 Coríntios 7:19; Efésios 4:25, 28; 5:3; 6:2. Como esses versos indicam que a lei moral de Deus, os Dez Mandamentos, não foi anulada na cruz?

Paulo compreendeu que as leis cerimoniais, que detalhavam como a pessoa devia se aproximar de Deus através do sacerdócio, do santuário hebreu e dos sacrifícios, deixou de ser válida após a crucifixão. Elas haviam cumprido seu propósito em seu tempo, porém não mais eram necessárias. (Esse ponto se tornaria especialmente evidente após a destruição do templo.)

A respeito da lei moral expressa pelos Dez Mandamentos, porém, o assunto era diferente. Em suas cartas, Paulo citou alguns dos Dez Mandamentos e sugeriu outros como sendo exigências éticas universais para todas as pessoas, tanto judeus quanto gentios. Tendo escrito contra a prática do pecado, Paulo de forma alguma teria depreciado a própria lei que define o que é o pecado. Isso faria tanto sentido quanto dizer a alguém que não ultrapasse o limite de velocidade e dizer-lhe, ao mesmo tempo, que as placas que indicam o limite de velocidade não mais são válidas.


A cruz e a ressurreição


“Decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e Este crucificado” (1Co 2:2).
Sem dúvida, a cruz de Cristo ocupava o lugar central em tudo o que Paulo vivia e ensinava. Mas Paulo não ensinava a cruz num vácuo; ao contrário, a ensinava também no contexto de outros ensinos, e um deles, talvez o mais inseparavelmente ligado à cruz, era o da ressurreição, sem a qual a cruz teria sido inútil.

6. Leia 1 Coríntios 15:12-22. Qual é a importância da morte e ressurreição de Jesus para o evangelho? Por que uma compreensão correta da morte como sono é fundamental para se entender essa passagem? Se os mortos em Cristo já estão no Céu, qual é a conclusão de Paulo?

Infelizmente, a maioria das denominações cristãs, bem como as religiões não cristãs, crê fortemente na imortalidade da alma. Contrariamente a essa crença, porém, Paulo enfatizou repetidamente que:

A. Só Deus tem a imortalidade (1Tm 6:16);

B. A imortalidade é um dom de Deus para os salvos (1Ts 4:16);

C. A morte é um sono até que Cristo volte (1Ts 4:13-15; 1Co 15:6, 18, 20).

O culto, em quase todas as religiões, inclui numerosos ensinos falsos com base no falso conceito da imortalidade da alma. Esses erros incluem coisas como a reencarnação, a oração aos santos, a veneração de espíritos ancestrais, um inferno a arder eternamente e muitas práticas da Nova Era, como a canalização e a projeção astral. Uma compreensão correta do ensino bíblico sobre a morte é a única proteção verdadeira contra esses grandes enganos. É lamentável, também, o fato de que aqueles que mostram a maior inclinação contra a aceitação dessa verdade sejam cristãos de outras denominações!

Um cristão fecha os olhos na morte e, após o que parece ser um momento de escuridão e silêncio, desperta para a vida eterna na segunda vinda de Cristo. O que a verdade sobre o estado dos mortos nos revela sobre o caráter de Deus?


Convivência com outros 


Paulo era um obreiro diligente, com personalidade forte e sinceridade de propósito. Pessoas assim podem ser reservadas, com poucos amigos mas muitos admiradores. Contudo, em suas viagens, dois ou três companheiros de trabalho frequentemente acompanhavam Paulo. Pelo menos oito desses companheiros de trabalho próximos são mencionados por nome (At 13:2; 15:22, 37; 16:1-3; 19:22; Cl 4:7, 10, 11; Fm 24).

A isso devem ser acrescentadas as saudações de Romanos 16, para 24 pessoas, além das saudações gerais para as famílias.
O apóstolo acreditava no trabalho em equipe, especialmente em situações em que havia necessidade de trabalho pioneiro. Ao mesmo tempo, porém, ele às vezes tinha conflitos com companheiros de trabalho.

7. Leia Atos 15:38-41. O que aconteceu naquela ocasião, e o que isso nos diz sobre a natureza imperfeita desses grandes obreiros do Senhor?

“Foi naquela ocasião que Marcos, dominado por temor e desânimo, hesitou por um momento em seu propósito de se consagrar de todo o coração à obra do Senhor. Pouco habituado a sacrifícios, os perigos e privações do caminho o desanimaram. [...] Essa deserção fez com que Paulo julgasse Marcos desfavoravelmente por algum tempo; severamente mesmo. Por outro lado, Barnabé se inclinava a desculpá-lo devido à sua inexperiência. Estava ansioso para que Marcos não abandonasse o ministério, pois nele via qualidades que o habilitariam para ser útil obreiro de Cristo” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 169, 170).

O relato de Atos revela que Paulo esperava que seus companheiros perseverassem nos trabalhos e perigos da missão. Para Paulo, a equipe unida constituía uma igreja em miniatura. Ele enfatizava a importância de dar um bom exemplo, de oferecer um modelo de obra missionária para ser imitado. O relacionamento voltado para o dever, mas ao mesmo tempo amoroso, entre os membros da equipe se tornou um padrão para as igrejas, que, muitas vezes, estavam sediadas nos lares. A equipe também oferecia o contexto ideal para o treinamento de novos evangelistas e missionários.

É claro que as coisas nem sempre corriam suavemente, como no caso de João Marcos.

8. Leia 2 Timóteo 4:11. O que esse texto revela sobre o crescimento e o perdã

Todos cometem erros. Como você pode aprender a perdoar aqueles cujos erros o magoaram? Pense também naqueles a quem você magoou com seus erros. Você procurou trazer cura nessas situações? Se ainda não o fez, por que não fazer isso hoje?


Estudo adicional


O apóstolo Paulo tem sido comparado com o “efeito borboleta” na teoria do caos, isto é, a ideia de que “o bater das asas de uma borboleta na Califórnia causa um furacão na Ásia”. A obra dele como escritor e pregador ajudou a transformar uma seita judaica de um local obscuro do Império Romano numa religião mundial. As ideias apresentadas em suas 14 cartas exerceram, provavelmente, uma influência maior do que a de qualquer outra obra literária grega da Antiguidade de tamanho equivalente.
Perguntas para reflexão

1. Paulo evitou o martírio fugindo para Atenas, o centro intelectual do mundo greco-romano. As cidades fornecem abrigos para os refugiados, inclusive cristãos. O apóstolo não perdeu tempo: após observar os monumentos religiosos da cidade, argumentou com os judeus e pregou no mercado. Leia Atos 17:16-31. Que abordagem Paulo usou com essas pessoas? É necessário adaptar a mensagem a cada grupo de pessoas? Paulo não abrandou nem comprometeu a verdade para alcançar aquelas pessoas. Em nossas tentativas de alcançar outros, como podemos ser fiéis às nossas crenças essenciais?

2. Por que o estado dos mortos é um ensino importante? Quais são alguns dos erros e enganos contra os quais essa verdade nos protege? Em sua cultura, quais são algumas crenças contra as quais essa verdade pode defender você?

3. Pergunte como os alunos chegaram à fé e que papel tiveram em sua experiência fatores como sinais, lógica, razão, etc. Que papel esses fatores deveriam ter, não só na origem da fé, mas também na conservação dela?

4. Qual é o contexto das pessoas em sua sociedade? Que tipo de crenças são as mais comuns? Qual é a melhor abordagem a ser usada para alcançá-las? Quais são algumas das cunhas de entrada que o capacitarão a fazer contato com elas de tal forma que não as ofenda logo de início?

Respostas sugestivas: 1. A verdade da cruz era escândalo para judeus, que buscavam sinais, e loucura para os gregos, que buscavam sabedoria. Para os crentes, a cruz era o poder e a sabedoria de Deus. A cultura influencia em nossa reação à verdade. Devemos adaptar nossa apresentação do evangelho às diversas culturas, mas Cristo deve ser o centro de nossa mensagem. 2. A vida cristã é como uma batalha, uma corrida ou uma luta; somos soldados e atletas; devemos ter a meta de vencer e fazer tudo para alcançar a recompensa dos vitoriosos. 3. Somos soldados de Cristo. Nosso combate é espiritual; por isso, nossas armas e nossa armadura também são espirituais. Lutamos pela fé e nosso objetivo é satisfazer Aquele que nos arregimentou. 4. Sobre a lei moral, que não foi anulada pela fé, mas continua em vigor. 5. Paulo citou os mandamentos da lei como requisitos ainda válidos e que devem ser obedecidos. 6. Se Cristo não ressuscitou, nossa fé é vã, ainda permanecemos nos nossos pecados e os que dormiram em Cristo estão mortos para sempre; se as pessoas continuam vivendo após a morte, a ressurreição deixa de ter sentido, isto é, não há propósito em ressuscitar pessoas que já estão fruindo sua recompensa no Céu. 7. Houve uma desavença entre Paulo e Barnabé por causa de João Marcos e eles se separaram; isso mostra que mesmo os grandes homens de fé possuem falhas. 8. Marcos, sob a bênção de Deus e o sábio treinamento de Barnabé, cresceu, transformando-se num valioso obreiro. Ele perdoou Paulo por tê-lo julgado de maneira tão severa.

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