Decisões impulsivas

“Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi. Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho” (Gênesis 25:34).
A diferença entre os gêmeos levantou preferências desiguais entre os pais, e alimentou um favoritismo cada vez mais visível. Como ocorre hoje nas famílias: filhos diferentes em temperamento e inclinações. Um gosta de esportes, de sair, andar. O outro gosta de ler. Enquanto um vai à praia surfar, o outro gosta da internet. Um gosta de mexer no carro, o outro gosta de música.
São dois rapazes diferentes assim os atores da próxima cena. Um se chama Esaú. Gosta da vida ao ar livre: de caçar, subir, descer, acampar. Eu o imagino um tipo musculoso, vestindo colete de couro, calçando botas de cano curto. E em lugar de um bom carro, usando uma dessas picapes com tração nas quatro rodas que anda por estradas difíceis. Jacó, que cuidava dos interesses da família, gostava de ficar na tenda com os trabalhadores e o rebanho.
Um dia, Esaú voltou de uma de suas caçadas na qual não tinha ido bem. Estava exausto e faminto. Quando você está com fome, o cheiro de comida assume poder de atração maior. Especialmente aqueles pratos cujo aroma é difícil de esconder: pão quentinho, pipoca, milho assado.
Ao se aproximar do acampamento, o olfato levou Esaú à tenda de seu irmão, que tinha preparado um ensopado de lentilhas. Esaú disse: “Mano, não aguento mais! Faz tempo que não como um ensopado.”
Em qualquer família o mais comum seria dizer: “Tem bastante. Pode pegar. Sente aí. Vamos comer juntos!” Mas o que vemos faz parte de uma trama incrível. “Vamos negociar”, disse Jacó. “Você me vende seu direito de filho mais velho e eu lhe dou a comida. Feito?”
Esaú não demonstrou respeito nenhum pela família, nem por sua honra. Deixou-se levar pelo apetite e menosprezou a primogenitura.
A Bíblia tem muito a dizer sobre nossas escolhas. E nos adverte para não deixarmos de lado privilégios espirituais em troca da satisfação momentânea dos sentidos.
Jesus deixou de lado Seu direito à “primogenitura” para nos salvar. Da nossa parte, vamos recebê-la como um presente da graça de Deus.
“Contudo, aos que O receberam, aos que creram em Seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1:12).
Esse é o Salvador de que todos necessitam.

José Maria Barbosa Silva

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