Lições da Bíblia - Os últimos cinco reis de Israel

VERSO PARA MEMORIZAR: “Ele defendeu a causa do pobre e do necessitado, e, assim, tudo corria bem. Não é isso que significa conhecer-Me?” (Jr 22:16, NVI).


O famoso escritor russo Fiódor Dostoiévski passou quatro anos numa prisão na Sibéria na década de 1840 devido a atividades políticas subversivas. Mais tarde, escrevendo sobre sua experiência, ele falou sobre a completa falta de arrependimento de seus companheiros de prisão em relação ao terrível comportamento que haviam manifestado. “No período de vários anos, nunca vi sinal algum de arrependimento entre essas pessoas, e nenhum vestígio de pensamento triste em relação a seus crimes, e a maioria delas no íntimo se considerava absolutamente certa” (Joseph Frank, Dostoevsky [sic], the Years of Ordeal, 1850-1859, p. 95).

As palavras de Dostoiévski poderiam ser aplicadas aos cinco reis que governaram Judá durante o ministério de Jeremias, sendo Josias a única exceção. Um após outro, esses homens pareciam totalmente destituídos de arrependimento por seus atos, mesmo quando se tornou cada vez mais claro que suas ações estavam trazendo as calamidades que o Senhor, através de Jeremias, havia advertido que viriam.

Nunca tinha sido intenção de Deus dar um rei a Israel. Quando chegarmos ao final da lição desta semana, entenderemos melhor a razão para isso. Conheceremos, também, a grande pressão que o pobre Jeremias enfrentou durante grande parte de seu ministério, cujo valor não foi reconhecido.



O governo de Josias

Josias foi o décimo sexto rei a governar no reino do sul; a data foi 640-609 a.C. Ele se tornou rei com a idade de oito anos, após mais de meio século de declínio moral e espiritual sob o governo de seu pai Amom e de seu avô Manassés, dois dos reis mais ímpios de Judá. O reinado de Josias durou 31 anos. Diferentemente de seus ancestrais, porém, Josias fez “o que era reto perante o Senhor” (2Rs 22:2), apesar do ambiente que atuava contra ele.

“Filho de um rei ímpio, perseguido por tentações para que seguisse os passos do pai, e com poucos conselheiros para encorajá-lo no caminho certo, não obstante Josias foi leal ao Deus de Israel. Advertido pelos erros de gerações passadas, escolheu fazer o que era reto, em vez de descer ao baixo nível de pecado e degradação no qual seu pai e seu avô haviam caído. Ele ‘não se desviou nem para a direita nem para a esquerda’. Como alguém que devia ocupar uma posição de confiança, resolveu obedecer à instrução que tinha sido dada para a orientação dos governantes de Israel. Sua obediência tornou possível que Deus o usasse como um vaso de honra” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 384).

1. Leia 2 Crônicas 34. Quais foram os componentes da reforma de Josias, e por que eles seriam fundamentais em qualquer tentativa de reforma espiritual, tanto no aspecto coletivo como individual?
Josias destruiu os altares e os ídolos; posteriormente, fez uma aliança pessoal com o Senhor, comprometendo-se a obedecer de todo o coração aos Seus mandamentos; então, levou o povo a também aderir a essa aliança.

A reforma de Josias consistiu em dois componentes principais: primeiro, a remoção, tanto quanto possível, de toda e qualquer coisa alusiva à idolatria; isto é, ele trabalhou para acabar com as más práticas que haviam surgido no país.

Mas esse foi só o primeiro passo. A ausência de práticas más ou errôneas não significa que boas práticas ocorrerão automaticamente. O segundo componente foi que, após ouvir a leitura do livro da lei, o rei fez uma aliança diante do Senhor para “guardarem os Seus mandamentos, os Seus testemunhos e os Seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras desta aliança, que estavam escritas naquele livro” (2Cr 34:31).

Leia 2 Crônicas 34:32, 33. Qual é o poder de um bom exemplo, especialmente entre pessoas que estão em posições de autoridade e influência? Reflita sobre a seguinte pergunta: Que influência suas palavras e atos exercem sobre outros?

Você já leu sua Bíblia hoje? Fortaleça sua vida por meio do estudo da Palavra de Deus.


Jeoacaz e Jeoaquim: outro declínio

Jeoacaz (também conhecido como Salum) tinha 23 anos de idade quando sucedeu seu pai no trono. Seu reino durou apenas três meses. Faraó o substituiu por seu irmão (Eliaquim, a quem deu o nome de Joaquim) porque Jeoacaz não era favorável à política egípcia. Jeoacaz foi levado para o Egito, e ali morreu (ver 2Cr 36:4; 2Rs 23:31-34).

O rei que veio após Jeoacaz foi Jeoaquim, que reinou de 609 a 598 a.C. Era filho de Josias. Quando Nabucodonosor tomou Jerusalém, Jeoaquim foi levado para Babilônia junto com os vasos do templo. Novamente, Jeremias advertiu o povo de que seu novo rei estava guiando a nação por um caminho errado.

2. Leia Jeremias 22:1-19. Quais questões relacionadas com Jeoaquim motivaram uma repreensão severa do Senhor?
O rei promovia a adoração de outros deuses, não pagava o salário dos trabalhadores e só pensava na sua ganância, em derramar sangue inocente, em violência e extorsão.

Falando por meio de Jeremias, o Senhor dirigiu palavras incisivas a esse rei corrupto e ambicioso. Jeoaquim foi um rei opressor e ganancioso que aplicou pesados impostos a Judá (2Rs 23:35) a fim de pagar aos egípcios. Pior ainda, usando trabalhos forçados, fez construções sofisticadas em seu próprio palácio, em desafio à Torah, que tinha instruções claras quanto ao pagamento das pessoas por seu trabalho: “Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã” (Lv 19:13). Além disso, diferentemente de Josias, seu pai, Jeoaquim permitiu que ritos pagãos florescessem novamente em Judá.

Jeremias 22:16 é uma passagem forte. No contexto da comparação entre o corrupto Jeoaquim e seu pai, Josias, o Senhor lhe disse: “Ele defendeu a causa do pobre e do necessitado, e, assim, tudo corria bem. Não é isso que significa conhecer-Me?” (NVI). Em outras palavras, o verdadeiro conhecimento de Deus vem da nossa maneira de tratar os necessitados; vem quando saímos de nós mesmos para beneficiar aqueles que, na verdade, não podem fazer nada por nós em retribuição. Vemos aqui, novamente, como ao longo de toda a Bíblia, a preocupação do Senhor com os pobres e os indefesos, bem como a obrigação que temos de ajudar os que não podem ajudar a si mesmos.

Pense na ideia de que ajudar o “pobre” e o “necessitado” é a maneira de conhecer o Senhor. O que isso significa?


O curto reinado do rei Joaquim de Judá

Odécimo nono rei de Judá foi Joaquim, filho de Jeoaquim. Ele reinou no trono de Davi apenas por cerca de três meses e meio. Em 598 a.C., Nabucodonosor levou suas tropas para Jerusalém e capturou o rei, que tinha 18 anos, sua mãe, suas esposas e muitos outros cativos reais. Em 561 a.C., no trigésimo sétimo ano de seu cativeiro, Joaquim recebeu misericórdia de Evil-Merodaque, sucessor de Nabucodonosor. Foi-lhe concedido o direito de tomar refeições com o rei de Babilônia e permissão para usar suas vestes reais (2Rs 25:27-30; Jr 52:31-34). Seus filhos também estavam em Babilônia com ele, mas a profecia de Jeremias declarava que eles teriam que renunciar ao trono de Davi.

3. Leia Jeremias 29:1-14. O rei Joaquim, sua família e sua corte foram levados cativos para Babilônia. Mesmo em meio a essa tragédia, de que forma são revelados o amor e a graça de Deus?
Deus disse que, após os 70 anos, olharia para eles e tornaria a trazê-los ao seu país; tinha para com eles pensamentos de paz e não de mal, para lhes dar o fim que desejavam; eles O buscariam e Ele os ouviria, quando O buscassem de todo o coração.

Um dos mais famosos versos da Bíblia diz assim: “‘Sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, ‘planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro’” (Jr 29:11, NVI). Temos ali o contexto imediato: Por meio de Jeremias, o Senhor falou aos cativos de Judá que tinham visto sua vida ser completamente exterminada pelos conquistadores babilônios. Contudo, mesmo então, por mais deplorável que parecesse a situação, o Senhor desejava que eles soubessem que Ele ainda os amava e tinha em mente apenas seu bem. Sem dúvida, considerando as horríveis circunstâncias, eles devem ter recebido alegremente essas palavras promissoras e esperançosas. Assim, mesmo em meio a todas as alarmantes advertências e ameaças, ainda foi dada ao povo a promessa de “esperança e um futuro”. Ter essa certeza deve ter sido muito importante para eles, especialmente naquele momento.

Que promessas você pode reivindicar do Senhor sobre a “esperança e [o] futuro”, apesar das circunstâncias em que se encontra?


No fim do beco sem saída

4. Leia 2 Crônicas 36:11-14. O que esses versos dizem sobre o último rei de Judá antes da destruição final da nação? Que princípios de apostasia são revelados nesse texto?
Zedequias não se humilhou diante do profeta Jeremias, o qual lhe falava da parte do Senhor; tornou-se muito obstinado e não quis voltar para o Senhor. Princípios da apostasia: O povo agia segundo todas as abominações dos gentios; estavam imitando o mundo em vez de ser um exemplo às nações.

Zedequias (também conhecido como Matanias) assumiu o trono com a idade de 21 anos, tendo sido colocado ali por Nabucodonosor como rei-fantoche. Infelizmente, como os versos dizem, ele não havia aprendido muitas lições do que acontecera com os reis anteriores e, consequentemente, trouxe ruína ainda maior à nação.

A passagem de 2 Crônicas 36:14 declara algo muito profundo, um ponto que, em muitos aspectos, estava no âmago da apostasia deles. Em meio à lista de todo o mal praticado sob o reinado de Zedequias, é dito que Judá estava seguindo “todas as abominações dos gentios”.

Ali estavam eles, séculos após o Êxodo, séculos como o povo da aliança que devia ser luz e farol para as nações (Dt 4:5-8), mas ainda tão envolvidos com a cultura dominante, tão envolvidos com o contexto cultural e religioso de seus vizinhos, que cometiam “todas as abominações” dos pagãos.

Qual é a mensagem aqui para nós?

5. Leia Jeremias 38:14-18. O que o rei perguntou ao profeta, e por quê?
A pergunta não é explícita, mas, em vista da situação, o rei queria saber se devia se submeter a Babilônia ou lutar contra ela. Ele queria que Jeremias dissesse o que ele queria ouvir e, como não foi isso que ocorreu, ele não atendeu ao que o profeta disse, como o próprio Jeremias havia predito que ocorreria.

Em numerosas ocasiões, o Senhor tinha deixado claro que a nação devia se submeter ao governo de Babilônia e que aquela conquista era uma punição pela iniquidade deles. Zedequias, contudo, se recusou a ouvir, e formou uma aliança contra Nabucodonosor. Israel confiou muito na esperança de uma vitória egípcia, mas Nabucodonosor foi vitorioso sobre o exército do Faraó em 597 a.C. Essa derrota selou permanentemente o destino de Jerusalém e da nação. Apesar de tantas oportunidades para se arrepender, fazer uma reforma e experimentar um reavivamento, Judá se recusou a mudar.

A igreja foi suscitada para proclamar ao mundo uma mensagem que ninguém está proclamando. Isso é muito semelhante ao que Judá devia fazer. Que lições podemos e devemos aprender com os erros deles?


O remanescente

6. O que aconteceu com Judá e com Jerusalém depois que rejeitaram a mensagem de Deus? Jr 39:8, 9
Os caldeus queimaram a casa do rei e as casas do povo e derribaram os muros de Jerusalém, sendo que a maior parte do povo foi levada cativa para Babilônia.

Tudo o que Deus lhes havia advertido que aconteceria foi exatamente o que aconteceu. Por mais que não desejassem crer nas advertências, com certeza passaram a acreditar depois que tudo se cumpriu. Quem já não experimentou, até mesmo na vida pessoal, algo semelhante? Somos advertidos pelo Senhor de que não devemos fazer determinada coisa, sob pena de colher as consequências, desobedecemos e, certamente, acaba acontecendo o que havia sido dito.

7. Qual é a mensagem de Jeremias 23:2-8? Que esperança foi dada às pessoas?
Deus recolheria o restante de Suas ovelhas das terras para onde haviam sido levadas, e as traria de volta para sua terra. Levantaria pastores para apascentá-las e um Rei que executaria juízo e justiça, e em cujos dias o povo habitaria seguro.

Do ponto de vista humano, tudo parecia perdido para eles: sua nação estava em ruínas, seu templo destruído, seus governantes haviam sido exilados e permaneciam em cativeiro, a cidade de Jerusalém era um montão de pedras. A nação judaica e o povo judeu, naquele momento, deviam ter desaparecido da História, como aconteceu com tantas outras nações que haviam passado por situação semelhante. O Senhor, porém, tinha outros planos, e nos versos acima, como em muitos outros, Ele lhes deu a esperança de que nem tudo estava perdido, mas que sobraria um remanescente que voltaria, e através dele as promessas se cumpririam. Isto é, em meio a todas as advertências de juízo e destruição, os profetas também deram ao povo sua única esperança.

“Os tenebrosos anos de destruição e morte que marcaram o fim do reino de Judá teriam levado desespero ao mais resoluto coração, não fosse o encorajamento das predições proféticas dos mensageiros de Deus. Por intermédio de Jeremias em Jerusalém, de Daniel na corte de Babilônia, de Ezequiel junto às margens do Quebar, o Senhor em misericórdia tornou claro Seu eterno propósito, e deu certeza de Sua disposição de cumprir para com Seu povo escolhido as promessas registradas nos escritos de Moisés. Aquilo que tinha prometido fazer pelos que se mostrassem fiéis a Ele, certamente haveria de realizar-se. A ‘palavra de Deus [...] permanece para sempre’” (1Pe 1:23, ARC; Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 464).


Estudo adicional

“Nos últimos anos da apostasia de Judá, as exortações dos profetas foram aparentemente de pouco valor. Ao virem os exércitos dos caldeus pela terceira e última vez para sitiar Jerusalém, foi-se a esperança de todos. Jeremias predisse total ruína. Em virtude de sua insistência para que se rendessem, finalmente ele foi levado à prisão. Mas Deus não deixou em irremediável desespero o fiel remanescente que ainda estava na cidade. Mesmo quando Jeremias foi mantido sob severa vigilância pelos que desprezavam suas mensagens, vieram-lhe novas revelações concernentes à disposição do Céu para perdoar e salvar, revelações que têm sido uma infalível fonte de conforto para a igreja de Deus desde aquele tempo até hoje” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 466).

Considere a expressão: “[a] disposição do Céu para perdoar e salvar”. Pense nas maneiras pelas quais foi mostrada a “disposição do Céu para perdoar e salvar”. Afinal de contas, só a cruz já bastaria para nos mostrar essa disposição. Recebemos o Espírito de Profecia, um dom maravilhoso. Quais são outras maneiras pelas quais vemos a “disposição do Céu para perdoar e salvar”?

Perguntas para reflexão

“[As pessoas se aproximaram] do profeta Jeremias e lhe disseram: ‘Por favor, ouça a nossa petição e ore ao Senhor, ao seu Deus, por nós e em favor de todo este remanescente; pois, como você vê, embora fôssemos muitos, agora só restam poucos de nós’” (Jr 42:2, NVI). O que esse verso e a mensagem de Jeremias 23:3 dizem sobre o tema do remanescente?
As histórias foram escritas como exemplos para nós (1Co 10:11). O triste é que muitas das pessoas daquela época pensavam estar fazendo a coisa certa. Que advertência isso traz para nós? Podemos estar cegos quanto à nossa verdadeira condição espiritual? De que maneira podemos lidar com isso? Por que devemos manter a cruz no centro desse processo?

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