1 de outubro de 2015

Para Não Esquecer - Meditação Diária

Justificação Pela Fé e a Terceira Mensagem Angélica - 3
Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Apocalipse 14:12
Quase todos os intérpretes adventistas de Apocalipse 14:12 antes de 1888 con­sideravam que a "fé em Jesus" seria um conjunto de verdades em que se deveria crer e guardar. Todavia, na maior parte das vezes, os adventistas não dedicavam muito tempo a essa parte do versículo. Era o trecho sobre a obediência aos mandamen­tos que recebia mais atenção. Portanto, conforme observamos antes, Uriah Smith deu ênfase à palavra "guardam" quando comentou o texto em janeiro de 1888 e George Butler fez o mesmo em maio de 1889.
Tal ênfase derivava da visão de que a verdade do sábado, no contexto da marca da besta, seria a última mensagem de Deus a um mundo pronto para a segunda vinda. Não causa espanto o fato de essa interpretação levar o adventismo tradi­cional para muito próximo do legalismo. Tais consequências estavam na base do vocabulário de sua crença. Palavras como "guardar", "fazer", "obedecer", "lei" e "man­damentos" lhes enchiam a mente com a importância das contribuições distintivas do adventismo para o cristianismo em geral.
Foi essa interpretação de Apocalipse 14:12 que se questionou em 1888. De Mineápolis emanou um novo entendimento do texto central da história do adventismo.
Jones aludiu à nova interpretação em dezembro de 1887. Ele escreveu: "A única forma de obter harmonia com a justa lei de Deus é por meio da justiça divina, a qual vem mediante a fé em Jesus Cristo. [...] Na mensagem do terceiro anjo, encon­tra-se personificada a verdade suprema e a justiça suprema."
Note o que Jones fez. Ele identificou uma equivalência entre "a verdade supre­ma" e "os mandamentos de Deus", e entre "a justiça suprema" e "a fé em Jesus", que ele sugeria ser a fé depositada em Cristo.
De fato, Jones ajudou os adventistas de sua época a compreenderem que somente a fé alicerçada no filho de Deus é capaz de nos conduzir a uma vida de obediência aos mandamentos. Essa é a mensagem que devemos levar ao mundo ainda hoje.


Justificação Pela Fé e a Terceira Mensagem Angélica - 4
Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Romanos 1:16
Alonzo T. Jones pode ter feito a primeira alusão ao novo entendimento do que seria a "fé em Jesus" em 1887, mas Ellen White seria ainda mais específica. Ela escreveu:
"A mensagem dada ao povo nas reuniões [em Mineápolis] apresentou em linhas claras não só os mandamentos de Deus - uma parte da terceira mensagem angé­lica - mas também a fé em Jesus, a qual envolve mais do que se costuma supor. E fará muito bem a proclamação da terceira mensagem angélica em todos os luga­res, pois as pessoas necessitam de cada jota e cada til dela. Se proclamarmos os mandamentos de Deus e deixarmos a outra metade quase sem menção, a mensa­gem será manchada em nossas mãos. [...]
"A mensagem presente que o Senhor confiou como dever para Seus servos proclamarem às pessoas não é algo novo, nem inédito. Trata-se de uma verdade antiga que foi perdida de vista, uma vez que Satanás fez grandes esforços para que isso acontecesse.
"O Senhor tem uma obra para cada um que pertence a Seu povo leal: levar a fé em Jesus ao lugar correto - dentro da mensagem do terceiro anjo. A lei ocupa uma posição importante, mas ela só tem poder quando a justiça de Cristo é colocada a seu lado para conferir sua glória a todo o padrão real de justiça. [...]
"Uma confiança plena e irrestrita confere a qualidade correta à experiência religiosa. Sem ela, essa experiência se resume a nada. O serviço se torna como a oferta de Caim: sem Jesus. Deus é glorificado por meio da fé viva em um Salvador pessoal e todo-suficiente. A fé vislumbra Cristo como Ele de fato é: a única espe­rança do pecador. A fé se apega a Jesus e confia nEle. Ela diz: 'Ele me ama e mor­reu por mim. Eu aceito o sacrifício, e Cristo não terá morrido por mim em vão.'
"Além de nós termos perdido muitas pessoas, os ministros têm negligenciado a parte mais solene de nossa obra ao não se demorarem no sangue de Jesus Cristo como a única esperança de vida eterna para o pecador. Contem a história de Cristo. (...) Digam aos pecadores: Vede e vivereis'" (Man. 30,1889).
A fé em Cristo como Salvador é o cerne do evangelho. É também o centro da terceira mensagem angélica, o coração da mensagem de 1888.
Ajuda-nos, Pai, a entender melhor a relação entre lei e evangelho à medida que refletimos sobre os desdobramentos de Apocalipse 14:12.

Justificação Pela Fé e a Terceira Mensagem Angélica - 5
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se Ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro). Gálatas 3:13
A exaltação da fé em Cristo como o coração da terceira mensagem angélica se tornou central para a mensagem de Ellen White na Assembleia da Associação Geral de 1888 e depois também.
Pouco após as reuniões em Mineápolis, ela fez uma de suas declarações mais poderosas sobre Apocalipse 14:12 e o significado central da mensagem de 1888: "A terceira mensagem angélica é a proclamação dos mandamentos de Deus e da fé em Jesus Cristo. Os mandamentos de Deus têm sido proclamados, mas a fé em Jesus não tem sido anunciada pelos adventistas do sétimo dia com a mesma impor­tância, andando a lei e o evangelho de mãos dadas como deveriam. Não consigo encontrar palavras para expressar este assunto em sua plenitude.
'"A fé em Jesus' - fala-se sobre ela, mas não é compreendida. O que constitui a fé em Jesus, que pertence à mensagem do terceiro anjo? Jesus levou nossos peca­dos a fim de Se tornar o Salvador que nos perdoa. Ele foi tratado como nós mere­cemos ser tratados. Veio ao mundo e levou sobre Si nossos pecados, a fim de que pudéssemos nos revestir de Sua justiça. A fé na capacidade de Cristo nos salvar de maneira ampla, completa e sem medida é a fé em Jesus. [...]
"Só há salvação para o pecador no sangue de Jesus Cristo, que nos purifica de todo pecado. O ser humano com o intelecto culto pode ter grandes somas de conhecimento, engajar-se em especulações teológicas, ser grande, honrado e con­siderado um depositário de sabedoria; mas, a menos que tenha o conhecimento salvífico de Jesus crucificado em seu lugar e, pela fé, se apegue à justiça de Cristo, estará perdido. 'Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nos­sas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados' (Is 53:5). 'Salvos pelo sangue de Jesus Cristo' será nossa única esperança para este tempo e nosso cântico pela eternidade" (Man. 24, 1888, itáli­co acrescentado).
Cristo morreu por nós e só podemos ser salvos por meio de uma fé vital em Seu sacrifício. Esse é o centro da fé em Jesus e de Apocalipse 14:12. Ê o cerne do que significa ser adventista do sétimo dia e o coração do verdadeiro cristianismo.

Justificação Pela Fé e a Terceira Mensagem Angélica - 6
Olhei, e eis uma nuvem branca, e sentado sobre a nuvem um semelhante a Filho de hornem, tendo na cabeça uma coroa de ouro e na mão uma foice afiada. Apocalipse 14:14
Ouso dizer que não era qualquer assunto que empolgava Ellen White. No entanto, o entusiasmo que ela demonstrava pelo plano da salvação em Cristo era insuperável.
Ao refletir sobre a recém-concluída Assembleia da Associação Geral em 1888, ela constatou: "O Pastor E. J. Waggoner recebeu o privilégio de falar claramente e de apresentar sua perspectiva sobre a justificação pela fé e a justiça de Cristo em relação à lei. Não foi nenhuma luz nova, mas uma luz antiga colocada no lugar em que deveria estar, dentro da terceira mensagem angélica.
"Qual é o objetivo dessa mensagem? João vê um povo. Ele diz: Aqui está a per­severança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus' (Ap 14:12). João contempla esse povo logo antes de ver o Filho do homem 'tendo na cabeça uma coroa de ouro e na mão uma foice afiada' (v. 14).
"A fé em Jesus tem sido negligenciada e tratada de maneira indiferente, des­cuidada. Ela não ocupa a posição de proeminência que foi revelada a João. A fé em Cristo como a única esperança do pecador muitas vezes vem sendo deixada de lado, não só nas pregações, mas também na experiência religiosa de muitos dos que afirmam crer na mensagem do terceiro anjo.
"Nesta reunião, testemunhei que a mais preciosa luz tem brilhado das Escrituras na apresentação do grande tema da justiça de Cristo ligado à lei, que deve ser constantemente colocada diante do pecador como sua única esperança de salvação.
"Não foi uma luz nova para mim, pois me foi dada por uma autoridade supe­rior ao longo dos últimos 44 anos e eu a tenho apresentado ao povo por meio da pena e da voz, nos testemunhos do Espírito. Mas muito poucos têm respondido. [...] Pouco se fala e se escreve sobre este grande tema. Os discursos proferidos por alguns seriam corretamente representados como a oferta de Caim: sem Cristo. O padrão para medir o caráter é a lei divina. A lei detecta o pecado. Por meio da lei, vem o conhecimento do pecado. Mas o pecador é constantemente atraído a Jesus" que morreu pelos pecados de cada indivíduo na cruz (Man. 24, 1888).
Reflita hoje em Cristo e no que Ele fez por você. Tais pensamentos não só lhe confortarão a alma, como também revigorarão sua vida e transformarão suas ações.

Justificação Pela Fé e a Terceira Mensagem Angélica - 7
O justo viverá por fé. Romanos 1:17
Algo muito interessante que lemos antes foi o fato de Ellen White destacar mais de uma vez que a verdade sobre a justificação pela fé anunciada por Waggoner não era nova luz, que ela própria a vinha proclamando por 44 anos. Waggoner con­cordava com essa ideia, observando que a mensagem ensinada por ele fora procla­mada "por todos os eminentes reformadores" "desde os dias de Paulo até a época de Lutero e Wesley".
Em outras palavras, de acordo com Waggoner, suas ideias eram uma retomada do ponto de vista evangélico da justificação pela fé.
Essa também era a interpretação de Ellen White a respeito de, no mínimo, parte da contribuição de Jones e Waggoner. Em agosto de 1889, ela escreveu que a doutrina da "justificação pela fé" ficara "por muito tempo escondida debaixo de um entulho de erros". Tais erros, afirmou ela, foram demonstrados pelo "povo da Santidade", que pregava a fé em Cristo, mas também defendia a "eliminação da lei" (RH, 13 de agosto de 1889). De acordo com essa perspectiva, o ensino da justifica­ção pela fé estivera na "companhia do erro" (Man. 8a, 1888).
No outro extremo, estavam os adventistas que defendiam a santidade da lei, mas haviam "perdido de vista" a "doutrina da justificação pela fé". Nesse contexto, ela afirma que "Deus levantou homens [Jones e Waggoner] para atender às neces­sidades desta época. (...) A obra deles não é somente proclamar a lei, mas pregar a verdade para este tempo: o Senhor, justiça nossa".
Segundo ela, os adventistas vinham fazendo um bom trabalho no que se refe­re à lei, enquanto o povo da santidade pregava a fé em Cristo. Mas as duas partes estavam erradas. Os adventistas negligenciavam a fé, ao passo que o povo da san­tidade denegria a lei. A realização de Jones e Waggoner foi eliminar os erros de cada grupo enquanto aliavam suas verdades.
Como resultado, Ellen White podia afirmar que, por meio da ênfase de Jones e Waggoner na justificação pela fé, "Deus resgatou essas verdades da companhia do erro [os que desprezavam a lei] e as colocou dentro de seu contexto apropria­do [a terceira mensagem angélica]" (Man. 8a, 1888).
O Senhor não deseja adventistas desequilibrados, focados apenas na lei ou na fé. Ele quer um povo que coloque esses dois elementos na perspectiva correta.

Justificação Pela Fé e o Alto Clamor
Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a Terra se iluminou com a sua glória. Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia. [...] Retirai-vos dela, povo meu. Apocalipse 18:1, 2, 4
Observamos ontem que um dos aspectos da mensagem de Waggoner e Jones que empolgou Ellen White foi a junção das duas metades de Apocalipse 14:12. Eles pregavam não só os mandamentos de Deus, mas também a fé em Jesus como Senhor e Salvador. Assim, haviam resgatado as verdades da justificação pela fé "da companhia do erro [os que desprezavam a lei]" e as colocaram "dentro de seu con­texto apropriado [a terceira mensagem angélica]" (Man. 8a, 1888).
Segundo seu modo de ver, a mensagem de 1888 não era uma doutrina adventista específica desenvolvida por Jones e Waggoner. Em vez disso, tratava-se da reunião do adventismo com o cristianismo geral. Ela exaltava Jesus Cristo como a coluna central de todo o viver e pensamento cristão, proclamava a justificação pela fé e ensinava que a santificação se reflete na obediência à lei de Deus por intermé­dio do poder do Espirito Santo.
Depois de compreendermos que o âmago da contribuição de Jones e Waggoner foi unir as várias partes da terceira mensagem angélica, é possível compreender a intrigante declaração de Ellen White a respeito do início do alto clamor em 1888. Na Review de 22 de novembro de 1892, lemos: "O período de prova se encontra sobre nós, pois o alto clamor do terceiro anjo já começou na revelação da justiça de Cristo, o Redentor que perdoa os pecados. Este é o princípio da luz do anjo cuja glória encherá toda a Terra. Pois é a obra de todo aquele que recebeu a men­sagem de advertência [...] exaltar a Jesus."
Jones, confundindo a chuva serôdia (o derramamento do Espírito Santo - uma pessoa) com o alto clamor (uma mensagem), fez um grande alarde da declaração feita em 1892, proclamando que a chuva serôdia havia começado. Entretanto, ele precisava ler com mais cuidado. Era o alto clamor, não a chuva serôdia, que tinha iniciado em Mineápolis.
A poderosa ideia que Ellen White comunicou em 1892 foi que, em 1888, os adventistas do sétimo dia finalmente tinham a última mensagem de misericórdia completa para pregar ao mundo. O alto clamor proclamaria a continuidade da importância dos Dez Mandamentos no contexto de uma fé firme em Jesus como Senhor e Salvador, tudo dentro da expectativa do segundo advento (Ap 14:12).
Que mensagem! E Deus quer que sejamos fiéis a todas às suas partes.

E a Trindade? -1
Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo. Mateus 28:19
Pode ser uma surpresa para muitos dos adventistas do sétimo dia atuais desco­brir que a maioria dos fundadores da denominação não entraria para a igreja hoje se precisassem concordar com as 28 crenças fundamentais. Para ser mais especí­fico, eles rejeitariam a crença número 2, sobre a Trindade, porque eram antitrinitários; refutariam a crença 4, sobre o Filho, pois defendiam que Ele não era eter­no; e negariam a número 5, sobre o Espírito Santo, porque para eles o Espírito era uma força, em vez de uma pessoa.
Em grande medida, a Conexão Cristã havia moldado a compreensão deles acerca desses assuntos. Em 1835, Josué Himes, importante ministro dessa deno­minação, escreveu que "a princípio, eles [os membros da Conexão Cristã] eram, de modo geral, trinitários", mas se afastaram da crença quando passaram a com­preender que "não era bíblica". Himes declarou que somente o Pai era "não origi­nado, independente e eterno". Logo, Cristo seria originado, dependente e trazido à existência pelo Pai. Os conexionistas também tinham a tendência de conceber o Espírito Santo como "o poder e a energia de Deus, a santa influência divina".
José Bates, Tiago White e outros levaram tais pontos de vista para o adventismo do sétimo dia. Por exemplo, em 1846, White chamou a Trindade de "antigo credo antibíblico" e, em 1852, de "velho absurdo trinitário".
John N. Andrews partilhava das perspectivas de White. Em 1869, ele escre­veu que: "O Filho de Deus [...] tem Deus por Pai e, em algum momento passado da eternidade, teve um princípio de seus dias."
Uriah Smith também rejeitava a Trindade. Ele argumentou, em 1865, que Cristo foi "o primeiro ser criado" e, em 1898, que somente Deus não tem princípio.
Esse panorama dá uma ideia de quem era quem na Trindade segundo o modo de ver dos adventistas guardadores do sábado. Você pode ter observado que somen­te um nome está faltando: o de Ellen White. Não que ela não tivesse nada a dizer sobre o assunto. Contudo, é impossível saber exatamente em que ela acreditava com base no que disse nas primeiras décadas do movimento.
Como os primeiros líderes adventistas podem ter se equivocado em um tema tão importante? Parte da resposta é esta: Deus conduz Seu povo passo a passo e, à medida que progride, sua visão se torna cada vez mais clara. Ao longo dos pró­ximos dias, veremos uma transformação que ocorreu no pensamento adventista sobre a Trindade.

E a Trindade? - 2
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. João 1:1
Os primeiros líderes adventistas do sétimo dia eram, de modo quase unâni­me, antitrinitarianos. E os reformadores em Mineápolis?
É interessante notar que esse era um ponto teológico no qual E. J. Waggoner concordava com Uriah Smith. "Houve um momento", escreveu Waggoner em seu livro de 1890, intitulado "Cristo e Sua Justiça", "em que Cristo procedeu e se ori­ginou de Deus [...], mas isso aconteceu há tanto tempo na eternidade que, para a compreensão finita, é quase como se Ele não tivesse princípio".
Sua declaração é notavelmente paralela à de Smith na mesma década: "Só Deus não tem princípio. Em uma época das mais remotas em que se pudesse haver um início - uma ocasião tão distante, que, para as mentes finitas, é essencialmente eterna - surgiu o Verbo."
Se Smith e Waggoner estavam do mesmo lado no que se refere à Trindade, precisamos perguntar: De onde veio o estímulo para a mudança?
É aí que entra outra reformadora de 1888. A experiência de 1888 literalmente transformou o ministério escrito de Ellen White. Foi durante os acontecimentos ligados à Assembleia da Associação Geral que ela reconheceu mais plenamente a ignorância dos ministros e leigos adventistas a respeito do plano da salvação e da centralidade de Cristo.
Nos anos seguintes, seus livros mais importantes sobre esses assuntos foram publicados:
Em 1892, o clássico Caminho a Cristo.
Em 1896, O Maior Discurso de Cristo, que aborda o sermão do Monte.
Em 1898, O Desejado de Todas as Nações, seu livro sobre a vida de Cristo.
Em 1900, Parábolas de Jesus, sua obra sobre as parábolas.
Em 1905, A Ciência do Bom Viver, cujos capítulos iniciais se concentram no ministério de cura de Jesus.
Nenhum desses livros traz um capítulo ou mesmo um parágrafo sobre a Trindade ou a divindade plena de Cristo, mas ela profere expressões e palavras que levaram os adventistas a estudar novamente o assunto. Tal estudo da Bíblia acabaria por transformar a posição do adventismo sobre a Trindade e tópicos relacionados.
Obrigado, Senhor, por Tua bondosa guia. Tu fazes Tua igreja avançar na velo­cidade em que é capaz de absorver o que tens para ela.

E a Trindade? - 3
Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo? [...] Não mentiste aos homens, mas a Deus. Atos 5:3, 4
A despeito da clareza da Bíblia sobre o assunto, os primeiros adventistas falha­ram em reconhecer a pessoalidade e a plena divindade do Espírito Santo. Isso teria consequências desastrosas para a denominação por volta do fim do século 19.
Entretanto, primeiro precisamos reconhecer que, nos anos 1890, possivel­mente foi escrito mais sobre o Espírito Santo e Cristo do que em qualquer outra década da história adventista. Isso era natural, uma vez que começaram a falar sobre a justificação pela fé e a centralidade de Cristo para a salvação. Afinal, se é Cristo quem salva, é importante que Ele seja adequado para a tarefa. E se o Espírito desempenha um papel-chave nesse processo, seria esperado falar sobre Sua fun­ção. Portanto, não foi acidental o início da discussão sobre a Divindade dentro do adventismo na década de 1890.
No entanto, os adventistas não eram os únicos a falar sobre o Espírito Santo. As denominações wesleyanas, com sua ênfase na cura pela fé e na vida vitoriosa surgiram durante esses anos e, na virada do novo século, ocorreria a ascensão do pentecostalismo moderno. Ambos os movimentos tinham muito a dizer sobre a obra do Espírito na vida das pessoas e na igreja. No outro extremo do espectro teológico, encontravam-se os cristãos liberais, que renovaram o interesse em teorias ligadas ao Espírito, como a imanência de Deus e também as ideias de religiões orientais como o hinduísmo, com a perspectiva panteísta de que tudo o que existe é Deus.
O adventismo, sofrendo com a falta de um entendimento apropriado sobre esses assuntos, seria profundamente afetado pelos movimentos do mundo reli­gioso mais amplo. De um lado, aconteceria, na virada do século, um afloramento pentecostal, com o movimento da Carne Santa, o qual proclamava que até o dente caído dos fiéis cresceria de volta antes do retorno de Cristo, para todos terem uma carne perfeita. Em contrapartida, Waggoner e J. H. Kellogg se deixaram influenciar pelo panteísmo. Nas assembleias da Associação Geral de 1897 e 1899, por exemplo, Waggoner afirmou que Cristo "apareceu como uma árvore" e que "o indiví­duo pode obter justificação ao se banhar, quando sabe de onde provém a água".
Que confusão! Mas foi nesse contexto que Deus conduziu o adventismo ao passo seguinte no caminho progressivo da verdade presente.
Deus tinha uma mensagem sobre a Trindade para Seu povo; porém, ela só seria compreendida por meio do estudo da Bíblia.

E a Trindade? - 4
Mas a respeito do Filho, diz: "O Teu trono, ó Deus, subsiste para todo o sempre." Hebreus 1:8, NVI
Muito embora a Bíblia não tenha nenhuma dificuldade de chamar Jesus de Deus, os adventistas sofriam desse problema, sem dúvida com base em um pre­conceito, segundo o qual a doutrina da Trindade era produto de uma igreja em apostasia. Entretanto, tal atitude mudaria.
E à frente daqueles que direcionavam a igreja a um novo rumo se encontra­va Ellen White. Embora ela nunca tenha usado a palavra "Trindade", seus escri­tos da era de 1888 e após esse período estão repletos de expressões e conceitos trinitários. Ela observou, por exemplo, que "há três pessoas vivas pertencentes à Trindade celeste [no original, trio celeste]" (Ev, p. 615). Em 1901, escreveu sobre "os eternos dignitários celestes - Deus, Cristo e o Espírito Santo" (ibid, p. 616). Várias vezes, referiu-se ao Espírito Santo como a "terceira pessoa da Trindade [no origi­nal, Divindade]" (ibid., p. 617; DTN, p. 671). E não tinha dúvidas de que "o Espírito Santo [...] é tanto uma pessoa como o próprio Deus" (Ev, p. 616).
Com respeito a Cristo, Ellen White foi bem além de Waggoner, Smith e da maioria dos outros adventistas de sua época, ao caracterizá-Lo não só como "igual a Deus", mas também como "o Filho de Deus, preexistente, existente por Si mesmo" (ibid., p. 615). Ele era um com o Pai "desde toda a eternidade" (RH, 5 de abril de 1906).
Talvez a declaração mais controversa e inesperada da Sra. White para os adven­tistas dos anos 1890 seja uma frase de seu livro sobre a vida de Jesus, na qual desta­cou que "em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada (DTN, p. 530, itálico acrescentado). Tal afirmação pegou a denominação de surpresa. Alguns ques­tionaram se ela não haveria se afastado da fé. Não temos a menor dúvida de que Ellen White esteve na vanguarda daqueles que procuraram cristianizar o adventismo em sua compreensão sobre a natureza de Jesus.
Contudo, é crucial observar que ela nunca resolveu nenhum problema, nem desenvolveu a teologia da Trindade. Em vez disso, salpicou seus escritos com decla­rações que levaram os pastores e membros da igreja a se voltarem mais uma vez para a Bíblia a fim de estudar novamente o assunto por si mesmos.
Pai celestial, nós Te agradecemos hoje porque Cristo é suficiente para salvar e por termos o Espírito Santo ao nosso lado em Sua tarefa redentora.

E a Trindade? - 5
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte. Isaías 9:6
Ontem vimos algumas das declarações distintamente trinitárias de Ellen White, feitas durante o período de 1888. Para muitos, a mais problemática era a encontrada em O Desejado de Todas as Nações, página 530: "Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada."
A convicção dessa frase pegou muitos de surpresa. Um deles foi o jovem pre­gador M. L. Andreasen. Ele tinha certeza de que a Sra. White não havia escrito aquilo, que seus editores e assistentes deveriam ter feito alguma alteração. Por isso, pediu para ler o manuscrito original. Ela disponibilizou o documento com alegria. Posteriormente, ele recordou: "Eu tinha levado uma série de citações para ver se constavam no original escrito por seu próprio punho. Lembro-me de como fiquei pasmo quando O Desejado de Todas as Nações foi publicado, pois continha coisas que considerávamos inacreditáveis, dentre elas, a doutrina da Trindade, que não era, na época, aceita pelos adventistas de modo geral."
Tendo permanecido por vários meses na Califórnia, Andreasen teve tempo suficiente para averiguar suas suspeitas. Ele tinha interesse especial pela "afirma­ção em O Desejado de Todas as Nações que, na época, causou grande preocupa­ção teológica para a denominação: em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada'. [...] Essa frase pode não parecer muito revolucionária para você", disse a seu público em 1948, "mas foi para nós. Mal podíamos acreditar. [...] Eu tinha cer­teza de que a irmã White nunca havia escrito" a passagem. "Mas então a encontrei registrada de próprio punho assim como fora publicada."
Alguns ainda não acreditam nisso. Durante os últimos quinze anos, tem havi­do um renascimento do antitrinitarismo entre alguns adventistas. Assim como Andreasen, os adeptos desse movimento acham que os editores mudaram os pen­samentos de Ellen White.
Com certeza, isso revela muito sobre sua falta de conhecimento a respeito de Ellen White. Ela sabia em que acreditava e discordava de editores e até mesmo de administradores da Associação Geral, conforme vimos em 1888. Seus assis­tentes tinham permissão para modificar palavras específicas, por meio do uso de sinônimos, mas não seus pensamentos,
A recuperação da crença na Trindade foi mais um passo na guia progressi­va de Deus no adventismo, rumo a uma compreensão mais plena das Escrituras.


Para Não Esquecer - Meditação Diária
 George R. Knight
CPB - 2015


Nenhum comentário:

Postar um comentário