5 de dezembro de 2015

A Aliança

VERSO PARA MEMORIZAR:"Eis vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá" (Jr 31:31).


Embora a Bíblia fale de "alianças" no plural (Rm 9:4; Gl 4:24), há apenas uma aliança básica, a aliança da graça, na qual Deus concede salvação a seres caídos que a reivindicam pela fé. A idéia de "alianças" no plural surge das várias maneiras pelas quais Deus reafirmou a promessa básica da aliança a fim de satisfazer as necessidades de Seu povo em diferentes épocas e contextos.

Mas, quer seja a aliança adâmica (Gn 3:15), a aliança abraâmica (Gn 12:1­3), a aliança sinaítica (Êx 20:2), a aliança davídica (Ez 37:24­27) ou a nova aliança (Jr 31:31­33), a ideia é a mesma. A salvação que Deus provê é um dom imerecido, e a resposta humana a esse dom (em certo sentido, o cumprimento da parte humana no acordo) é fidelidade e obediência.

A primeira referência à nova aliança está em Jeremias, no contexto da volta de Israel do exílio e das bênçãos que Deus lhe concederia. Mesmo em meio à calamidade e à angústia, o Senhor estende ao Seu povo desobediente a oferta de esperança e restauração.


A aliança de Deus com toda a humanidade

Inegavelmente, o mundo vai muito mal. Não podemos ignorar toda a maldade que nele; mas Deus ainda está nos tolerando. Assim, podemos imaginar como o mundo antediluviano estava ruim para que o Senhor o destruísse com um dilúvio. "Deus deu ao homem Seus mandamentos, como regra da vida; mas Sua lei era transgredida, e todos os pecados imagináveis foram o resultado. A impiedade do homem era franca e ousada, a justiça pisada no pó, e os clamores dos oprimidos chegava até o Céu" (Patriarcas e Profetas, p. 91).


1.   Leia Gênesis 9:1­17. Que aliança foi feita entre Deus e os seres humanos, e como essa aliança reflete Sua graça em relação à criação?



A aliança que Deus apresentou a Noé foi a mais universal dentre as alianças bíblicas; foi feita com toda a humanidade, e incluiu também os animais e a natureza (Gn 9:12). Além disso, esse foi um acordo unilateral: o Senhor não impôs exigências nem requerimentos àqueles com quem estava estabelecendo a aliança. Ele simplesmente não voltaria a destruir a Terra com água, e ponto final. Diferentemente das outras alianças, nessa nada era condicional.

Deus, então, selou Sua aliança com um sinal visível, de um arco­íris, que simboliza a promessa de que a Terra nunca mais seria destruída por um dilúvio. Portanto, toda vez que vemos um arco­íris, o simples fato de que estamos aqui para vê­lo é, de forma específica, uma vindicação dessa antiga promessa inerente à aliança. Em meio ao constante pecado e à maldade que existem na Terra, às vezes somos privilegiados com a beleza de um arco­íris, sinal da graça de Deus para com o mundo. Podemos olhar para ele e extrair esperança, não somente por causa de sua grande beleza, mas também porque sabemos que ele é uma mensagem de Deus, de Seu amor para com este planeta miserável.

Pense na grandeza e beleza do arco­íris. À luz do que a Bíblia diz sobre esse fenômeno, de que forma ele nos atrai para Deus, para a transcendência, para algo maior do que as coisas pobres deste mundo?

Você leu sua Bíblia hoje? Fortaleça sua vida por meio do estudo da Palavra de Deus.



A aliança com Abraão

2.   Leia Gênesis 12:1­3; 15:1­5; 17:1­14. O que o Senhor pretendia fazer por meio da aliança que estabeleceu com Abraão?



A aliança da graça, feita com Abraão, é fundamental para todo o período da história da salvação. Foi por isso que Paulo a usou para explicar o plano da salvação que se cumpriu no próprio Jesus.

3.   Leia Gálatas 3:6­9, 15­18. Como Paulo ligou a aliança feita com Abraão a Jesus e à salvação somente pela fé?



Por meio da descendência de Abraão, que se refere não apenas a seus muitos descendentes, mas em especial a um, Jesus (Gl 3:16), Deus abençoaria o mundo todo. Todos os que quisessem fazer parte da descendência de Abraão, decorrente da fé em Cristo (Gl 3:29), descobririam que o Deus de Abraão também seria seu Deus. Mesmo naquele tempo, Abraão "creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça" (Gl 3:6). Assim como o ladrão na cruz não foi salvo por obras, o mesmo se aplica a Abraão; é sempre e unicamente a graça de Deus que traz salvação. O fato de que Abraão teve oportunidade de realizar obras que resultaram da salvação não significa que as obras o salvaram. Abraão cumpriu sua parte em relação à promessa da aliança, não por ser perfeito (o que ele não era), mas por ser obediente, o que revelava o fato de que sua fé havia tomado posse da promessa da salvação. Suas obras não o justificaram, mas mostraram que ele estava justificado. Essa é a essência da aliança e a maneira pela qual ela é expressa na vida de (Rm 4:1­3).

Reflita sobre a verdade de que a esperança de salvação vem apenas da justiça de Jesus creditada a você pela fé. Que esperança e alegria você encontra nessa maravilhosa provisão feita em seu favor?



A aliança do Sinai

4.  Como foi feita a aliança entre Deus e Israel no monte Sinai? Êx 24



Moisés e alguns líderes foram para o monte Sinai. Entre esses líderes estavam Arão e seus dois filhos, que representavam os sacerdotes, e os 70 anciãos, líderes e juízes, que representavam a nação. Os homens que acompanharam Moisés tiveram que ficar parados de longe, mas foi permitido que Moisés continuasse subindo até onde Deus havia aparecido.

Mais tarde, Moisés voltou e confirmou a aliança com toda a nação. Ele proclamou o que Deus lhe havia dito, ao que a nação respondeu com as seguintes palavras: "Tudo o que falou o Senhor faremos" (Êx 24:3).

Obviamente, como a história sagrada tem demonstrado e como nossa própria experiência frequentemente prova, uma coisa é afirmar que seremos obedientes, e outra, completamente diferente, é exercer fé e realizar a entrega necessária para nos ligar ao poder divino, o qual nos dará graça para fazer o que dissemos que faríamos.

5.    Leia Hebreus 4:2. Qual foi a razão do fracasso de Israel? Como podemos evitar o mesmo erro?



Somente pela fé, e pela firme confiança nas promessas que vêm pela fé, podemos ser obedientes, uma obediência que será expressa pela lealdade à lei de Deus. A obediência à lei não era contrária à aliança eterna no tempo de Moisés, assim como não é hoje. A noção comum e equivocada a respeito da lei e das alianças, que geralmente surge a partir da leitura dos escritos de Paulo, provém da falha em levar em conta o contexto em que ele estava escrevendo, ou seja, o fato de que estava lidando com oponentes judaizantes. Eles desejavam fazer da lei e da obediência a ela o centro da religião. Paulo, ao contrário, desejava tornar Cristo e Sua justiça o elemento central.

Você disse: "Tudo o que o Senhor me disse, eu farei", e depois falhou em cumprir a promessa? Por que essa triste realidade torna a promessa da graça muito mais preciosa? Que esperança você teria sem essa promessa?

A nova aliança ­ parte 1

6.    Leia Jeremias 31:31­34. O que esses versos significam, tanto no contexto imediato daquele tempo como em nosso contexto hoje?



Jeremias proferiu essas palavras em meio à maior crise que o povo já havia enfrentado: a iminente invasão babilônica, quando a nação se via diante da ameaça de uma extinção quase certa. Contudo, como pode ser visto também em outras passagens, o Senhor lhes ofereceu esperança: a promessa de que aquele não seria o fim, e de que eles teriam outra chance de prosperar na presença do Senhor.

Assim, a primeira promessa da "nova aliança" é encontrada, na Bíblia, no contexto do eventual retorno de Israel do exílio babilônico, e da bênção que Deus lhes concederia por ocasião do retorno. Assim como a quebra da aliança feita no Sinai (Jr 31:32) os levou para o exílio, a renovação dessa


aliança os preservaria, e manteria a esperança deles quanto ao futuro. Como a aliança do Sinai, a nova aliança seria relacional, e incluiria a mesma lei, os dez mandamentos, porém, agora, escritos não apenas em tábuas de pedra, mas no coração das pessoas, onde deviam ter permanecido durante todo o tempo.

"A mesma lei que havia sido gravada em tábuas de pedra é escrita pelo Espírito Santo nas tábuas do coração. Em vez de buscar estabelecer nossa própria justiça, aceitamos a justiça de Cristo. Seu sangue expia nossos pecados. Sua obediência é aceita em nosso favor. Então o coração renovado pelo Espírito Santo produz 'o fruto do Espírito'. Mediante a graça de Cristo viveremos em obediência à lei de Deus, escrita em nosso coração. Tendo o Espírito de Cristo, andaremos como Ele andou", (Patriarcas e Profetas, p. 372).

Sob a nova aliança, os pecados deles seriam perdoados, eles conheceriam o Senhor por si mesmos e obedeceriam à lei de Deus por meio do poder do Espírito Santo que neles atuaria. Na antiga aliança, por sombras e símbolos, e na nova aliança, em realidade, a salvação sempre foi pela fé, uma fé que revelaria "o fruto do Espírito".


A nova aliança ­ parte 2

A profecia de Jeremias sobre a nova aliança contém aplicação dupla: Primeiramente, refere­se ao retorno de Israel para Deus e à atuação divina ao trazê­los novamente para casa. Em segundo lugar, refere­se à obra de Jesus, o Messias, cuja morte ratificaria a aliança e mudaria o relacionamento entre os seres humanos e Deus. É na nova aliança que obtemos a mais plena expressão do plano da salvação, que antes havia sido revelado apenas em sombras e tipos (Hb 10:1).

7.  Leia Lucas 22:20 e 1 Coríntios 11:24­26. Como esses textos se ligam à profecia de Jeremias?



O pão é um símbolo do corpo quebrantado de Cristo, representado pelo cordeiro pascal que seria sacrificado no tempo indicado no Antigo Testamento. O suco de uva representa o sangue de Jesus derramado na cruz, revelado no Novo Testamento. A obra de Jesus não começou com o Novo Testamento; ela abrangeu o Antigo também, e na cerimônia da comunhão podemos ver o elo que une os feitos de Jesus ao longo de toda a história da salvação.

O pão e o vinho, portanto, apresentam o mais breve resumo dessa história da salvação. Embora sejam apenas símbolos, ainda é por meio deles que compreendemos a maravilhosa obra de Deus em nosso favor.

Paulo usou a cerimônia da comunhão para apontar não apenas à morte de Cristo, mas também à Sua segunda vinda, sem a qual Sua morte seria quase sem significado. O que seria a primeira vinda de Cristo sem a segunda, quando seremos ressuscitados da sepultura (1Ts 4:16; 1Cr 15:12­18)? Jesus estabeleceu a mesma ligação quando disse: "Digo­vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de Meu Pai" (Mateus 26:29). Sem dúvida, a primeira vinda de Cristo está inseparavelmente ligada à segunda. A primeira encontra cumprimento supremo apenas na segunda.

Quando você participar do serviço da comunhão, pense no voto de Cristo de não beber do fruto da videira até que beba conosco no reino de Deus. Como você se sente diante disso? Até que ponto Cristo busca proximidade conosco?



Estudo adicional


Sabemos que um arco­íris ocorre quando a luz do sol é refratada e refletida em gotas de água, dispersando a luz em vários ângulos. A luz entra na gota de chuva em um ponto, é refletida por trás dessa gota em outro, e sai por outro, criando as cores que vemos.

O poeta John Keats temia que a ciência fosse "desfazer o arco­íris", mas mesmo que pudéssemos analisar, medir, predizer e quantificar tudo a respeito do arco­íris, até chegar ao interior de cada fóton e ao fundo de cada quark, o que isso provaria, exceto que compreendemos melhor as leis naturais que Deus usou para criar os sinais dessa promessa da aliança?. Talvez a ciência um dia seja capaz de explicar tudo sobre a composição do arco­íris, com detalhes de até 25 dígitos à direita da vírgula, mas nunca poderá explicar por que ele se forma.

Nós, porém, sabemos por quê. Deus criou o mundo de tal forma que, quando a luz do sol e a névoa úmida estão na relação correta uma para com a outra, a névoa fragmenta a luz, refratando­a e refletindo­a em diferentes ângulos que criam faixas de ondas eletromagnéticas. Essas faixas de ondas, ao atingirem nossos olhos, formam em nossa mente a imagem de um arco­íris. Ele fez isso (a razão que a ciência nunca poderá explicar) para nos lembrar da promessa de Sua aliança, de que nunca mais destruiria a Terra com água.

Perguntas para reflexão


1.   Que verdades bíblicas cruciais a ciência nunca poderá nos ensinar? Poderíamos dizer que as coisas mais importantes nunca poderiam ser reveladas pela ciência?

2.    Qual é o papel da fé e qual é o papel das obras, e de que forma elas se relacionam com a experiência cristã?

3.     O que significa dizer que a lei está gravada em nosso coração? Como essa ideia mostra a perpetuidade da lei, mesmo sob a nova aliança?

Respostas sugestivas: 1. A promessa de que nunca mais os seres vivos seriam destruídos por um dilúvio. 2. Deus pretendia dar a Abraão uma descendência, ser o Deus dele e da sua descendência, dar­lhe uma herança e, por meio dele, abençoar todas as famílias da Terra. 3. Abraão creu na promessa de Deus e, por isso, a aliança foi feita com base na fé; a promessa foi de uma herança, não temporal, mas  eterna, e é recebida pela fé. Essa promessa foi feita a Abraão e a sua descendência, especialmente a Cristo. Por meio de Abraão e desse Descendente, todas as famílias da Terra poderiam, pela fé, se tornar participantes dessa herança. 4. Alguns líderes subiram com Moisés ao monte Sinai e, enquanto ficavam de longe, Moisés foi até onde Deus estava. Depois, voltou e referiu ao povo todas as palavras do Senhor e todos os estatutos; então, todo o povo disse: "Tudo o que falou o Senhor faremos". Moisés escreveu todas as  palavras  do Senhor e  ratificou a aliança, espargindo o sangue dos sacrifícios sobre o santuário, sobre o livro da aliança e sobre o povo. 5. As boas­novas (o evangelho) foram pregadas a eles, mas a mensagem de nada lhes valeu, pois não foi acompanhada  pela  naqueles  que a ouviram.  Evitamos o mesmo erro compreendendo que o ponto central da religião é a fé em Cristo e Sua justiça, que nos levam à obediência à lei. 6.   No contexto imediato, era a promessa de que, após o cativeiro, eles viveriam com Deus numa nova aliança, onde a lei não mais seria considerada apenas um conjunto de regras externas, mas estaria escrita no coração. Eles poderiam viver essa realidade, embora a ratificação dessa aliança fosse ocorrer na cruz; nós vivemos essa realidade porque essa ratificação ocorreu. 7. O pão e o vinho são os símbolos     da ratificação da nova aliança, que ocorreu na cruz.

CPB

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