19 de dezembro de 2015

Lições de Jeremias

VERSO PARA MEMORIZAR: "Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo Justo, e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra" (Jr 23:5).


Estamos no final de nosso estudo de Jeremias. Tem sido uma aventura; grande dose de drama, emoção e energia foi investida na saga de nosso profeta. Como todos os profetas, Jeremias não escreveu num vácuo; sua mensagem vinha do Senhor e se destinava a pessoas que viveram num certo tempo e lugar, e em circunstâncias específicas.

Contudo, por mais radical que fosse a diferença entre as circunstâncias dele e as nossas, ou as de muitas outras gerações que leram seu livro, os princípios fundamentais ali expressos são os mesmos para o povo de Deus em todas as gerações.

Por exemplo, a fidelidade a Deus e a obediência aos Seus mandamentos; a verdadeira religião do coração, em contraste com rituais vazios e mortos que levam as pessoas a um falso estado de satisfação; a disposição das pessoas em dar ouvidos à correção, mesmo quando ela vai contra o que elas querem ouvir; o verdadeiro reavivamento e reforma; a confiança no Senhor e em Suas promessas, não no braço de carne; [...]

A lista continua. Nesta semana, vamos examinar algumas das muitas lições que aprendemos com essa revelação de amor que Deus faz a Seu povo, mesmo em meio às muitas advertências trovejantes que lhes dirige a respeito dos resultados de suas ações.

O que você pode fazer para ter mais comunhão com Deus e relacionamento com as pessoas em 2016? O que você pode fazer para melhorar a vida espiritual de sua família?


O Senhor de Jeremias



Os adventistas do sétimo dia entendem que no âmago do grande conflito existe uma questão fundamental: Como é realmente o caráter de Deus?. Ele é o tirano arbitrário que Satanás faz parecer que seja, ou é um Pai amoroso e solícito, que deseja somente o nosso bem? Essas perguntas são, na verdade, as mais importantes de todo o Universo. Qual seria nossa situação se Deus não fosse bondoso, amoroso e abnegado, mas mesquinho, arbitrário e sádico? Estaríamos muito melhores se não existisse um Deus do que se existisse um Deus assim. Portanto, essas perguntas têm enorme importância. Felizmente, temos as respostas, e elas podem ser melhor vistas na cruz.

"Jamais será esquecido que Aquele cujo poder criou e manteve os inumeráveis mundos através dos vastos domínios do espaço, o Amado de Deus, a Majestade do Céu, Aquele a quem querubins e resplendentes serafins se deleitavam em adorar, Se humilhou para levantar o homem decaído; que Ele suportou a culpa e a vergonha do pecado e a ocultação da face de Seu Pai, até que as misérias de um mundo perdido Lhe quebrantaram o coração e destruíram a vida na cruz do Calvário. O fato de o Criador de todos os mundos, o Árbitro de todos os destinos, deixar Sua glória e humilhar­Se por amor do homem, despertará eternamente a admiração e a adoração do Universo" (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 651).

1.  O que as passagens abaixo nos dizem sobre Deus, Seu caráter e Sua natureza? Jr 2:13


Jr 5:22


Jr 11:22


Jr 31:3


Jr 3:7


Essas são apenas algumas das muitas imagens e expressões usadas no livro que nos revelam algo da natureza e do caráter de nosso Criador. Ele é a fonte da vida, o poderoso Criador, o Deus do juízo, que nos ama e nos chama, vez após vez, a nos arrependermos de nossos pecados e a abandonarmos os caminhos que nos levarão à destruição.

Em sua experiência, que evidências você viu do amoroso caráter de Deus?

Os rituais e o pecado

"Há um documento que registra a infindável e desalentadora luta de Deus com na religião organizada; esse documento é conhecido como a Bíblia" (Terry Eagleton, Reason, Faith and RevoluTion: Reflections on the God Debate [Razão, e revolução: reflexões a respeito do debate sobre Deus], p. 8, edição para Kindle).

Isso não é totalmente verdadeiro, e é por isso que a religião da Bíblia, a religião que Deus deu à


humanidade, sempre foi uma "religião organizada".

Por outro lado, não duvida de que, no livro de Jeremias, o Senhor estava procurando fazer com que as pessoas deixassem os rituais frios, mortos, mas muito organizados, que tinham passado a dominar sua fé. As pessoas acreditavam que esses rituais cobriam seus pecados.

Como foi dito anteriormente, a grande maioria das lutas de Jeremias era com os líderes, os sacerdotes e as pessoas que acreditavam que, por serem os escolhidos de Deus, os filhos de Abraão e o povo da aliança, estavam bem com o Senhor. Que triste engano, contra o qual nós, que também somos descendentes de Abraão (Gl 3:29), precisamos nos precaver!

2.     Qual é a mensagem das seguintes passagens de Jeremias? Como podemos aplicar os princípios expostos nelas à nossa experiência com o Senhor? Jr 6:20; 7:1­10



Leia Jeremias 7:9, 10. Se alguém deseja encontrar uma situação que se encaixe naquilo que tem sido chamado de "graça barata", essa passagem certamente apresenta uma dessas situações. Ironicamente, as pessoas faziam todas aquelas coisas pecaminosas, e depois voltavam ao templo para "adorar" o Deus verdadeiro e reivindicar perdão para os seus pecados. Deus não Se deixa escarnecer. A menos que mudassem seus caminhos, especialmente sua maneira de tratar os fracos entre elas, enfrentariam um juízo severo.

Os que assim pensam e agem estão sujeitos a um grande engano: a crença de que sua religião organizada e seus rituais são suficientes para cobrir seus pecados, de forma que possam continuar neles.

Qual é a diferença entre o problema sobre o qual Jeremias advertiu e o que Jesus disse em Mateus 9:12? Por que é importante conhecer essa diferença?

Religião do coração

"Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus" (Rm 14:12). Grande parte do livro de Jeremias é dirigida à nação como um todo. Repetidamente ele falou sobre Israel e Judá, de maneira corporativa, como a "videira seleta" de Deus (Jr 2:21, NVI), ou a "amada" do Senhor (Jr 11:15; 12:7, ARC), ou a "herança" de Deus (Jr 12:7­9), Sua "vinha" (Jr 12:10) e Seu "rebanho" (Jr 13:17). Sem dúvida, nesse livro obtemos um senso da natureza corporativa do chamado que o Senhor fez à nação.

Logicamente, o mesmo ocorre no Novo Testamento, onde, diversas vezes, a igreja é entendida no sentido corporativo (ver Ef 1:22; 3:10; 5:27).

Contudo, a salvação é uma questão pessoal, não corporativa. Não somos salvos num pacote. Como ocorria com a igreja do Novo Testamento, a nação de Judá era composta de indivíduos, e é no nível individual que surgem as verdadeiras questões cruciais. O famoso texto de Deuteronômio 6:5: "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força", embora dito à nação como um todo, está escrito na segunda pessoa do singular, isto é, "tu". Deus está falando a cada um, individualmente. No fim das contas, cada um de nós, pessoalmente, terá que dar contas de si mesmo a Deus.

Encontramos a mesma coisa em Jeremias.

3.   O que os textos seguintes dizem sobre a importância de uma experiência pessoal, individual com o Senhor?



Jr 17:7


Jr 17:10


Jr 29:13


Jr 9:23, 24


Embora ambos os testamentos da Bíblia falem sobre a natureza corporativa da igreja de Deus, a verdadeira fé é a entrega diária de cada pessoa ao Senhor, e a escolha pessoal de andar em fé e obediência.

Mesmo não havendo dúvida de que cada um de nós é responsável por si mesmo, como podemos ter a certeza de que estamos fazendo tudo o que podemos para inspirar e encorajar outros? A quem você pode dizer hoje algumas palavras amáveis e inspiradoras?

A decadência dos ídolos

4.   Qual era um dos grandes pecados que o povo cometia, com o qual Jeremias tinha que lidar constantemente? Jr 10:1­15



O interessante nesses versos não é apenas o modo como o profeta mostra que esses ídolos são inúteis, vãos e tolos, mas a forma pela qual ele os contrasta com o Deus vivo. Eles são impotentes, inúteis, vazios e falsos; que contraste com o Senhor que fez os céus e a Terra! Ele permanecerá para sempre, enquanto esses ídolos desaparecerão para sempre. Portanto, a quem deveríamos estar adorando e a quem deveríamos estar dedicando nossa vida: àquele que é fraco, falso, vão e impotente, ou ao Senhor, cujo poder e força é tão grande que criou e sustenta o Universo? A resposta é óbvia.

Porém, por mais óbvia que seja, a resposta, o fato é que nós também estamos em perigo de cair na idolatria. Embora hoje talvez não adoremos o mesmo tipo de ídolos que as pessoas da época de Jeremias, nossa vida moderna é cheia de deuses falsos. Esses ídolos modernos podem ser qualquer coisa que amemos mais do que a Deus; seja o que for que "adoremos" (e adorar nem sempre significa cantar e orar) se torna nosso deus, e nos torna culpados de idolatria.

5.    Quais são algumas coisas que estamos em perigo de transformar em ídolos? Que dizer de coisas como aparelhos digitais, dinheiro, fama, ou mesmo pessoas? Faça uma lista desses ídolos em potencial, e então pergunte a si mesmo: Acaso, eles oferecem salvação real?




É claro que sabemos, intelectualmente, que nenhuma dessas coisas é digna de adoração. Sabemos que, no final, nada que esse mundo ofereça, nada que transformemos em ídolos, pode, em última análise, satisfazer nossa alma nem redimi­la. Sabemos de tudo isso, mas, a menos que sejamos cuidadosos, a menos que conservemos Jesus diante de nós, bem como o que Ele fez por nós e a razão pela qual  o


fez, podemos ser facilmente envolvidos numa forma moderna da idolatria que Jeremias, tão veementemente,  combateu.

O remanescente

"Nos anos finais da apostasia de Judá, as exortações dos profetas foram aparentemente de pouco valor; e ao virem os exércitos dos caldeus pela terceira e última vez para sitiar Jerusalém, a esperança fugiu dos corações. Jeremias predisse total ruína; e foi em virtude de sua insistência para que se rendessem que finalmente ele foi levado à prisão. Mas Deus não deixou em desespero irremediável o fiel remanescente que ainda estava na cidade. Mesmo quando Jeremias foi mantido sob severa vigilância pelos que desprezavam suas mensagens, vieram­lhe novas revelações concernentes à disposição do Céu para perdoar e salvar, revelações que têm sido uma infalível fonte de conforto para a igreja de Deus desde aquela época até hoje" (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 466).

Mesmo em meio à apostasia reinante e à destruição inevitável, Deus sempre teve um povo fiel, embora pequeno em número. Como em muitos dos livros dos profetas, grande parte da ênfase de Jeremias está na apostasia e infidelidade, porque era disso que Deus queria salvar o povo. No entanto, ao longo de toda a história sagrada o Senhor teve um remanescente fiel. Isso, logicamente, ocorrerá até o fim dos tempos (ver Ap 12:17).

6.   De que forma o conceito do remanescente é expresso em Jeremias 23:1­8? Como isso se aplica aos tempos do Novo Testamento? Jr 33:14­18




Há muito tempo os eruditos têm visto nos versos 5 a 7 uma profecia messiânica de redenção para o fiel povo de Deus. Embora seja verdade que, após o exílio babilônico, um remanescente tenha retornado, não foi um retorno glorioso. Contudo, os propósitos de Deus seriam cumpridos por meio da linhagem de Davi, através do "Renovo justo", o Rei que, um dia, governaria.

Essa profecia teve cumprimento parcial na primeira vinda de Jesus (Mt 1:1; 21:7­9; Jo 12:13), mas terá cumprimento total na segunda vinda (Dn 7:13, 14), quando todo o fiel povo de Deus, Seu verdadeiro remanescente, habitará para sempre em paz e segurança. A redenção, simbolizada primeiramente pela saída do Egito, será final, completa e eterna.

Em que está sua esperança? Como você pode confiar cada vez mais nas promessas de Deus e no cumprimento delas em sua vida? Além delas, o que mais você tem?

Estudo adicional


Muitos anos atrás um ministro adventista chamado W. D. Frazee pregou um sermão intitulado "Vencedores e Perdedores" Ele examinou a vida de Vários personagens bíblicos, analisando sua obra e seu ministério; depois, fez uma pergunta a respeito de cada um: Ele foi um vencedor ou um perdedor?

Por exemplo, ele analisou João Batista, que viveu uma vida solitária no deserto. Mesmo que João tivesse alguns seguidores, nunca foram muitos e, certamente, não se igualaram em número aos seguidores de Jesus. Além disso, João viveu seus últimos dias numa prisão úmida onde, às vezes, era assaltado por dúvidas; por fim, cortaram­lhe a cabeça (Mt 14). Depois de narrar tudo isso, o pastor Frazee perguntou: "João foi um vencedor ou um perdedor?"


O que podemos dizer do profeta Jeremias? Quanto sucesso ele teve na vida? Sofreu muito, e também não teve receio de expressar lamentos e queixas a respeito disso. Ele foi visto até mesmo como traidor de seu povo. No final, vieram a destruição e o juízo contra os quais ele passou a vida advertindo, porque as pessoas rejeitaram suas palavras. Lançaram­no em uma cisterna lamacenta, esperando que ele morresse ali. Do ponto de vista humano, as coisas não foram muito bem para Jeremias. De certa perspectiva, se poderia dizer que ele teve uma vida miserável.

Perguntas para reflexão


1.   Jeremias foi vencedor ou perdedor? Quais são as razões para sua resposta? Qual é a importância de não julgar a realidade pelos padrões do mundo? Que padrões devemos usar para entender o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é mau, o que é sucesso e o que é fracasso?

2.    De que maneira vemos a vida e o ministério de Jesus prefigurados em Jeremias? Quais são os paralelos?

3.  Nesta semana, vimos o problema da "graça barata" o engano de que o ritual religioso, sem mudança de coração, é suficiente para cobrir o pecado. O que é a verdadeira graça, em contraste com a versão barata, inútil e enganosa da graça?

Respostas sugestivas: 1. Deus é a fonte da vida; Ele é o Criador e tem todo o poder; Ele é o Deus do juízo; Ele nos ama com amor eterno    e nos atrai a Si; Ele nos convida a abandonar nossos pecados e voltar para Ele. 2. Deus não Se agrada de uma religião formal. Ele não aprecia que as pessoas vivam no pecado ao mesmo tempo que professam adorá­Lo. 3. Devemos confiar no Senhor  e  colocar  nossa esperança nEle; Deus prova o coração e os pensamentos de cada pessoa e retribui segundo o seu proceder; devemos buscar a Deus de todo   o coração, pois assim O encontraremos; não devemos nos orgulhar de nossa sabedoria, força ou  riquezas,  mas  de conhecermos  o Senhor, que é misericordioso e justo. 4. A idolatria. 5. Quase tudo pode ser transformado em ídolo: nós mesmos, outras pessoas, dinheiro, fama, um aparelho de TV, um rádio, um celular, um computador, etc. Mas nada disso pode trazer salvação. 6. O  povo  de Deus  é  comparado a ovelhas que tiveram maus pastores, que as haviam dispersado, mas Deus recolheria Suas ovelhas e levantaria sobre elas um Renovo justo, que as faria habitarem segurança, o Rei messiânico, o Senhor Justiça Nossa. Essa profecia se cumpriu parcialmente na  primeira vinda de Cristo, e se cumprirá totalmente em Sua segunda vinda.

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