12 de janeiro de 2016

Açucarando o Evangelho

Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, pois o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 2 Coríntios 11:13, 14
 

Faz alguns anos, o U.S. News & World Report publicou, como artigo de capa, o tópico sobre a espiritualidade no mundo atual, informando que a religião, em muitas partes do mundo, tomou um manto de psicologia popular. Muitas congregações crescem oferecendo uma teologia açucarada, com uma dieta light de sermões preocupados com temas como “realização pessoal”, como ser “melhor parceiro”, “melhor empregado”, “melhor chefe” e “amigo” e até como “perder peso”. Mesmo admitindo que alguns desses tópicos possam ser uma preocupação da igreja, eles não podem ser o foco central da pregação.
Muitos pregadores modernos têm enfatizado unilateralmente os atributos da misericórdia, perdão e amor de Deus, mas negligenciado igual ênfase em Sua justiça, santidade e inimizade contra o pecado. Poderia ser que, na tentativa de agradar as pessoas e nos tornarmos simpáticos aos que queremos alcançar, estejamos comprometendo os ensinos das Escrituras? É evidente que, como o contexto em que pregamos muda, devemos fazer ajustes em nossa forma de apresentar o evangelho, mas isso não muda sua essência. Enquanto métodos de comunicação podem variar, o fundamento da verdade bíblica deve permanecer inalterável.
Em nossa pregação, não mudamos Deus nem Sua verdade. Devemos manter em equilíbrio dois polos da proclamação cristã; de um lado, manter a identidade, o caráter bíblico do conteúdo proclamado; de outro, manter a relevância, que é o relacionamento da revelação com o contexto humano atual. Muitos querem ser relevantes sem ter identidade bíblica. Outros querem reter a identidade, mas no processo deixam de ser relevantes. Os dois perigos são reais. A preocupação com a relevância tende a levar à “contextualização pragmática” do evangelho, conduzindo à utilização de recursos estranhos à Palavra de Deus. O outro perigo é a tentativa de ser “bíblico” e cair na bibliolatria, respondendo a perguntas que ninguém está fazendo. Ou tentar responder, no século 21, a questões do século 19. De qualquer maneira, devemos entender que o único evangelho capaz de satisfazer às necessidades humanas é o evangelho real, ministrado em sua fórmula original, sem açucaramentos ou diluições.



Meditações Diárias – Meditação Matinal – Amin Rodor

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