22 de janeiro de 2016

Lições da Bíblia: O conflito continua

VERSO PARA MEMORIZAR:"E lhes declarei como a boa mão do meu Deus estivera comigo e também as palavras que o rei me falara. Então, disseram: Disponhamo-nos e edifiquemos. E fortaleceram as mãos para a boa obra" (Ne 2:18).

LEITURAS DA SEMANA: 1Sm 17:43-51; 2Sm 11:1-17; 1Rs 18:21-39; 2Rs 19:21-34; Et 3:8-11; Ne 1

Quando comparamos a vida de Davi, Elias, Ezequias, Ester e Neemias, surgem temas similares: Deus é capaz de usar pessoas "insignificantes" para repelir a onda do mal. Através de alguns desses relatos vemos que, apesar dos tremendos obstáculos, não precisamos sucumbir ante a enormidade do mal. Em vez disso, podemos resistir firmemente, mas somente no poder de Deus, que é fiel às Suas promessas da aliança, cumpridas em nosso favor na pessoa de Jesus. Quando o povo de Deus resistir em Seu poder, verá que as forças do mal não são poderosas o suficiente para prevalecer.

O foco e o desafio estão em nos regozijarmos em Seu livramento. Isso nem sempre faz sentido no contexto dos grandes desafios que às vezes enfrentamos, e que são muito maiores que nós. Regozijar-nos no livramento de Deus antes que ele ocorra é um ato de e adoração, e não consequência lógica do que acontece ao nosso redor. Por outro lado, por causa do que Cristo fez por nós, confiar na fidelidade de Deus é a única atitude lógica que podemos ter.

Davi, Golias e  Bate-Seba
A vida é complicada porque somos complicados. Imagine criaturas feitas à imagem de Deus, o Criador do Universo, e se corromperam. Não é de admirar que nosso potencial tanto para o bem quanto para o mal possa alcançar níveis impressionantes. Mas isso não se refere apenas ao fato de que algumas pessoas podem atingir grandes níveis de "bondade" enquanto outras, infelizmente, chegam a extremos de depravação; o que ocorre é que ambos os extremos podem se manifestar numa mesma pessoa! A boa notícia é que, alguns que antes estiveram no mais baixo nível, pela graça de Deus acabaram fazendo grandes coisas para Ele e em favor da humanidade. Ê claro que o oposto pode acontecer também: os que estão nas alturas podem cair nas profundezas. Satanás é real, o grande conflito é real, e a menos que estejamos ligados ao Senhor, até os melhores dentre nós podem se tornar presa do inimigo (1Pe 5:8).


1.      Leia 1 Samuel 17:43-51. Que palavras de Davi são tão importantes para que entendamos sua vitória? Em contraste com isso, leia 2 Samuel 11:1-17. Que nítida diferença vemos no mesmo homem? O que fez a diferença?


O mesmo Davi que derrotou o gigante Golias foi derrotado pela lascívia e arrogância. Quantas mulheres esse homem tinha? Então ele viu mais uma, casada, e onde foi parar toda aquela conversa de que "a batalha é do Senhor" (1Sm 17:47, NVI) ou de que "há Deus em Israel"? Se houve um momento em que Davi precisasse não apenas saber que "a batalha é do Senhor", mas que também devia travar essa batalha com a armadura de Deus, esse momento não foi na zona de guerra do vale de Elá, mas nos recessos de seu próprio coração. Da mesma forma, no coração de cada um de nós, é travado o grande conflito.

Após cair em si, depois da terrível queda com Bate-Seba, Davi teve tristeza e culpa suficientes para o restante de sua vida. Sua tristeza o levou a escrever o Salmo 51, no qual suplicou um coração puro (v. 10) e a restauração de sua comunhão com Deus (v. 11, 12). Na grande luta cósmica, homens poderosos são tão vulneráveis quanto a pessoa de posição mais humilde; contudo, Deus está disposto a trabalhar com todos os que se arrependem verdadeiramente.

Pense sobre seus triunfos, decepções, vitórias e fracassos. Como você pode aplicar as lições dessas histórias às situações que enfrenta?

Para converter o coração  deles
Elias, o tesbita, deve ser um dos personagens mais marcantes da Bíblia. Inicialmente o encontramos diante de um rei alarmado, dizendo-lhe que não haveria chuva nos três anos seguintes (1Rs 17:1). Não era fácil chegar até um rei nem escapar de sua presença, mas esse homem vestido de pelos, que usava um cinto de couro (ver 2Rs 1:8), simplesmente passou por entre os guardas, comunicou a mensagem de Deus e depois foi correndo até as montanhas, que ficavam a cerca de 12 km.

Essa foi uma época triste para o reino do norte de Israel. A maioria das pessoas havia abandonado o Senhor (1Rs 19:10) e estava adorando os deuses da fertilidade. Dizer que não choveria era um desafio direto a Baal que, segundo se pensava, trazia chuva para assegurar colheitas e rebanhos abundantes, que tornavam ricos os fazendeiros. Os ritos religiosos prevalecentes se concentravam na fertilidade e nos ganhos financeiros.

Durante os três anos seguintes, os deuses da fertilidade ficaram impotentes. Então, Elias foi novamente até o rei e pediu um confronto entre ele, Elias, e todos os profetas de Baal e da deusa Aserá (a deusa da fertilidade), ou seja, um homem contra 850 (1 Rs 18:17-20).

Quando chegou o dia e as multidões se reuniram no topo do monte Carmelo, Elias se dirigiu ao povo: "Até quando coxeareis entre dois pensamentos?" (1Rs 18:21). Novilhos foram escolhidos e preparados para o sacrifício, e o povo esperou para ver qual deus seria poderoso o suficiente para responder com fogo do céu. O novilho era o objeto mais poderoso das antigas religiões da fertilidade, e eles acreditavam que os deuses da fertilidade mostrariam sua força.

2.       Leia 1 Reis 18:21-39. Apesar da óbvia realidade do grande conflito ali, o que Elias realmente desejava que acontecesse em Israel, e por que isso é tão relevante para nós hoje?


O texto de 1 Reis 18:37 diz tudo. O milagre, por mais impressionante que tenha sido, não era a verdadeira


questão: o importante era a fidelidade de Israel à aliança. Note, igualmente, quem havia convertido o coração deles: tinha sido o próprio Senhor, antes mesmo que o milagre acontecesse. Mas Deus não forçou os corações a se voltarem para Ele. Enviou Seu Santo Espírito, e o povo, respondendo ao Espírito, primeiro teve que fazer a escolha de voltar para Deus; então, em Sua força, eles conseguiram agir de acordo com essa escolha. Não é diferente hoje. Somente o poder de Deus mantém o pulsar de cada coração, mas nenhum dos corações que pulsam é forçado a segui-Lo.


Palavras de desafio
Ezequias era o rei de Judá quando a nova superpotência, a Assíria, conquistou Israel, o reino do norte, e espalhou seus habitantes por toda a Mesopotâmia (2Rs 18:9-12). "Aquilo que [Deus] não mais podia fazer por intermédio deles na terra de seus pais, procuraria realizar espalhando-os entre os pagãos. Seu plano para a salvação de todo aquele que escolhesse se beneficiar do perdão mediante o Salvador da humanidade ainda devia ser cumprido. E nas aflições levadas a Israel, Ele estava preparando o caminho para que Sua glória fosse revelada às nações da Terra" (Profetas e Reis, p. 292).

Alguns anos mais tarde, o rei assírio Senaqueribe voltou sua atenção para Judá, conquistou todas as suas cidades fortificadas e impôs um pesado tributo (2Rs 18:13-15). Embora Ezequias tivesse esvaziado os tesouros do templo e do palácio, o rei assírio não ficou satisfeito e enviou oficiais para negociar a rendição de Jerusalém.

Os assírios, então, zombaram do povo dizendo que, uma vez que os deuses das nações ao redor não as tinham salvado da Assíria, o que fazia os judeus pensarem que seu Deus Se sairia melhor? (Ver 2Rs 18:28- 30, 33-35.)

Ezequias, então, fez a única coisa que lhe era possível fazer: orou (2Rs 19:15-19). Antes, Deus já havia usado Isaías para encorajar Ezequias (2Rs 19:6), e agora Ele enviou o profeta novamente ao rei.

3.       Leia 2 Reis 19:21-34, especialmente os versos 21 e 22. Qual é a mensagem de Deus para Seu povo em meio à terrível crise?


O resultado de tudo isso foi visto quando o imenso exército assírio se acampou ao redor dos muros de Jerusalém. Os assustados habitantes da cidade sitiada, ao se levantarem certa manhã, não viram os atos finais de um exército conquistador que estava prestes a vencer as defesas da cidade, mas souberam que milhares de soldados foram espalhados pelo chão, numa quietude mortal, até onde a vista podia alcançar (2Rs 19:35). O infeliz rei assírio voltou para casa, onde encontrou seu fim nas mãos de dois de seus próprios filhos (2Rs 19:36, 37).

Como aprender a confiar no Senhor em meio às situações desanimadoras e aparentemente impossíveis? Por que sempre precisamos olhar para o quadro mais amplo, especialmente quando as coisas não parecem tão positivas?

Decreto de morte
É difícil hoje, como foi também para pessoas de várias culturas ao longo dos séculos, entender os costumes e tradições do antigo Império Persa, onde se desenrolou a história de Ester. Porém, uma coisa é certa: o Senhor tinha usado esse império para o cumprimento das promessas da aliança feitas à nação de Israel, as quais foram apresentadas desde o tempo de Abraão (ver Gn 12:1-3; Is 45:1; 2Cr 36:23).


Ester, jovem judia, foi elevada à posição de rainha. Embora sua ascensão tenha ocorrido por um caminho bem diferente do que ocorreu com José no Egito ou Daniel em Babilônia, ela estava exatamente onde o Senhor desejava que estivesse (assim como José e Daniel), e foi usada por Deus de uma forma poderosa, que ilustra como o tema do grande conflito pode se desenrolar na História.

4.      Leia Ester 3:8-11. Considerando os planos de Deus para o povo judeu, especialmente em relação à vinda do Messias, que consequências o sucesso desse decreto traria?


"Mal imaginava o rei os vastos resultados que teriam acompanhado a completa execução desse decreto. O próprio Satanás, o instigador oculto desse plano, estava procurando livrar a Terra dos que preservavam o conhecimento do verdadeiro Deus" (Profetas e Reis, p. 600, 601). Desse mesmo povo, também, viria o Salvador do mundo.

É interessante o fato de que a questão teve início em torno da adoração (Et 3:5, 8), e o fato de que um grupo distinto de pessoas se recusou a seguir as leis e os costumes dos que estavam no poder. Embora o contexto seja diferente no fim dos tempos, a realidade por trás dele ainda é a mesma: o grande conflito entre Cristo e Satanás. Os que procurarem ser fiéis a Deus enfrentarão algo semelhante ao que os judeus enfrentaram nessa história. fomos advertidos de que, nas cenas finais da história da Terra, sairá o decreto declarando que devem "morrer quantos não [adorarem] a imagem da besta" (Ap 13:15). O que aprendemos com a História deve fortalecer nossa para enfrentar os perigos do futuro.

Por que temos a tendência de desconfiar dos que são diferentes? Por que as poderosas verdades da criação e da redenção, que revelam o valor de cada ser humano, deveriam mostrar o quanto é errada essa atitude? Como limpar o coração dessa tendência errônea?

Neemias
A história de Neemias também ocorreu num tempo em que a nação de Israel não mais existia como entidade política, mas como remanescente espalhado por terras estrangeiras. Porém Deus, como sempre, seria fiel às Suas promessas da aliança, mesmo que as pessoas tivessem falhado em cumprir sua parte.

5.       Leia Neemias 1. Qual é o contexto da oração de Neemias? De que forma ela nos lembra a oração de Daniel 9:4-19? Em ambos os casos, qual é a questão, e como isso se encaixa no grande conflito?


Pela graça do rei, foi dada a Neemias permissão para retornar e reconstruir Jerusalém. Quando retornou, Neemias passou os primeiros dias simplesmente observando. Ele tentou examinar a cidade à noite, mas as pilhas de entulho eram tão grandes que ele não conseguiu ir muito longe (Ne 2:14). Então, ele foi para o lado de fora dos muros, com o fim de examiná-los a partir dali (Ne 2:15).

6.        Leia Neemias 2:16-18. Como Neemias convenceu os líderes a começar a trabalhar em algo que eles haviam considerado impossível? O que esse líder poderia ensinar à nossa igreja hoje?


Embora Neemias, a princípio, não tivesse dito aos líderes por que tinha vindo, algumas pessoas não estavam felizes e fizeram tudo o que podiam para impedir que fosse realizada qualquer obra para melhorar Jerusalém (Ne 2:10, 19, 20). Quando começou a obra de reparo dos muros (Ne 3), esses oficiais estrangeiros "[arderam] em ira, e se [indignaram] muito" (Ne 4:1), além de zombar desses esforços (v. 2, 3). Quando viram que o povo de Deus estava levando a sério o trabalho (v. 6), ficaram irados e planejaram um ataque (v. 7, 8).


Teria sido muito fácil os israelitas recuarem; contudo, apesar de todo tipo de maquinação contra seu trabalho, eles persistiram. Confiando em Deus, Neemias cuidou da reconstrução do muro e deixou as ameaças dos inimigos nas mãos dEle (Ne 6:14, 15).

Todos enfrentamos obstáculos. Como saber quando recuar e quando continuar?

Estudo adicional
Sem dúvida, conforme estudamos nesta semana, a Palavra de Deus mostra vez após vez a fidelidade de Deus ao Seu povo. Em muitos casos, no tempo em que as coisas estavam acontecendo, essa fidelidade nem sempre era óbvia ou aparente. Nos relatos que examinamos, vimos o princípio e o fim. Alguns dos personagens envolvidos, como Urias, o heteu, não puderam ver. Hoje, estamos tão envolvidos no grande conflito quanto as pessoas que estudamos. E não apenas essas pessoas, mas muitas outras, tão reais quanto as que foram mencionadas no texto, mas que nem sempre viveram para ver as coisas terminarem tão bem. Por isso, especialmente nos momentos difíceis (que ocorrem com tanta frequência), é importante que os cristãos se lembrem das maravilhosas palavras de Paulo: "Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas" (2Co 4:16-18). Nessa passagem, Paulo procurou mostrar algo que vai além das lutas diárias, falhas e fraquezas da humanidade, para que contemplemos a única esperança que torna a vida mais do que uma farsa cruel.

Perguntas para reflexão.

1.      Que outras promessas bíblicas apontam para nossa suprema esperança? Reúna algumas delas e leia-as em voz alta. Que cenário elas nos apresentam?

2.       O que tornou trágica a queda de Davi foi que ele tinha sido abençoado por Deus de modo especial! Apesar de tudo que ele havia recebido, cometeu um grave pecado. Mas, em vez de se concentrar só no lado negativo, pense no aspecto positivo dessa sórdida história: a graça de Deus, concedida a alguém que havia caído a um nível tão baixo. O que isso diz sobre a completa e plena redenção que temos em Jesus? Não importando o que tenhamos feito nem a gravidade da nossa queda, como podemos ter a certeza de que seremos perdoados, se nos arrependermos, como ocorreu com Davi?

Respostas sugestivas: 1. "Vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos." Na outra passagem, Davi caiu em uma sequência de erros. A diferença foi que, na primeira passagem ele confiou seus atos ao Deus dos Exércitos e, na segunda ação, confiou em seu próprio poder. 2. Elias desejava que o povo restaurasse sua aliança com o Senhor e abandonasse o culto a Baal. Deus pode manter o desejo de permanecer fiel aos Seus ensinos. 3. Israel devia confiar no Senhor, porque Ele defenderia Seu povo e lhe daria a vitória sobre seus inimigos.
4. Esse decreto permitia executar todos os judeus espalhados pelo império. O povo de Deus seria eliminado e consequentemente não haveria o Messias. 5. Neemias orou pedindo perdão pelos pecados do povo exilado. Da mesma forma, Daniel orou suplicando perdão para a nação rebelde. Israel havia se afastado de Deus, mas o Senhor estava pronto a perdoar. 6. Ele mostrou como a mão de Deus o havia guiado até ali. Por mais que nossa esperança esteja em ruínas, o Senhor pode reconstruí-la.

IASD

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