Pare e Reflita

Batendo à Porta

"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." (Apocalipse 3:20)
Pelo menos duas mensagens principais, de sentimentos opostos, são destacáveis desse verso:

1) Traz alegria e regozijo saber que Aquele por meio de Quem tudo se fez, nosso Salvador, é tão amoroso que vai até nossa morada e delicadamente bate à porta do nosso entendimento (ou coração) nos chamando das trevas para a luz. Ele jamais força a entrada, pois Seu governo é baseado em livre arbítrio. Apela aos seus filhos particular e individualmente, pois é um Deus pessoal.
Jesus aguarda a nossa decisão de abertura para entrar, e nos promete cear conosco, repartir o pão, fazer parte da nossa vida no círculo mais íntimo.

2) Traz perplexidade e temor saber que se Ele bate e quer entrar, é porque está do lado de fora. Este apelo de Jesus acha-se no contexto da mensagem a Laodicéia, o último período da história da igreja de Deus na Terra antes de Seu retorno. Esta que deveria recebê-lo como uma noiva recebe seu noivo, corre o risco de perdê-lo eternamente se demorar muito em atender ao Seu chamado. Em cânticos vemos retratada essa terrível possibilidade:
“Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite”.
“Já despi a minha roupa; como a tornarei a vestir”? Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar?
“O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele”.
“Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos gotejavam mirra, e os meus dedos mirra com doce aroma, sobre as aldravas da fechadura”.
"Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado tinha se retirado, e tinha ido; a minha alma desfaleceu quando ele falou; busquei-o e não o achei, chamei-o e não me respondeu."
(Cânticos 5:2-6)

Se hoje ouvirmos o Seu chamado, não endureçamos o coração.

Como um Cordeiro

Isaías 53 é uma das mais lindas profecias messiânicas das Escrituras.
Desde a queda do homem, Deus não deixou a raça humana entregue `a desesperança, como cativo num campo de concentração inimigo. Ele forneceu mensagens concernentes à limitação do poder do Diabo e do livramento próximo. Desde o Gênesis (3:15) até o Apocalipse, vemos o Messias cuidando e livrando os cativos.

Quando Cristo veio, no entanto, não foi reconhecido. O povo chamado pelo Seu Nome, não conseguiu identificar as descrições do Messias vindouro com as características, caráter e missão Daquele que os visitou. O Redentor foi vítima de maus tratos e morte por parte daqueles que deviam anunciar ao mundo que "ESTE É NOSSO DEUS A QUEM AGUARDÁVAMOS”.

A cegueira espiritual foi provocada por uma falsa expectativa. Os líderes israelitas almejavam glória e poder para Israel e para si mesmos, então liam as Escrituras para acomodá-las ao seu próprio pensamento. Adotaram as descrições do Salvador como guerreiro vitorioso, destruindo os inimigos e implantando um reino eterno. Paulo foi um dos fariseus que compreendeu o grande engano. Antes de mostrar-Se como Príncipe dos Exércitos, era necessário que o Salvador viesse como os cordeirinhos que eram diariamente sacrificados nos serviços do santuário terrestre. Pelas Escrituras Sagradas, Paulo demonstrou o que estava escrito sobre a Pessoa e obra do Salvador. Também sobre o plano da salvação: "convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos" (Atos17: 3). Seguem-se algumas passagens que provavelmente ele usou: Miquéias 51; Isaías 50:6; Salmos 22:6-8, 17-18; Salmos 68:8-9, 20; Zacarias 13:6; Salmos 16:9-10.

Todo o capítulo 53 de Isaías fala a respeito do Messias em Seu primeiro advento muito antes de Sua visitação. Agora, ao aproximar-se o segundo advento de Cristo, o nosso Justo Juiz; esperamos que Seu povo possa compreender a revelação profética contida nas mesmas Escrituras a fim de preparar-se para o encontro com o seu Deus.


Humildemente Com Teu Deus

Nos tempos da apostasia em Judá e Israel, muitos perguntavam como deveriam apresentar-se a Deus para serem aceitos: "Com holocausto? Com bezerros? Muitos carneiros e muito azeite?" A resposta veio por meio do profeta Miquéias: "Ele te declarou ó homem o que é bom; e que é que o Senhor pede de ti senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e Andes humildemente com teu Deus?" (Miquéias 6-8).

Essa mensagem era apenas um eco daquela dada por Moisés antes da entrada em Canaã: "Agora, pois ó Israel, que é que o Senhor pede de ti, senão que Andes em todos os Seus caminhos, e O ames e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda tua alma, para que guardes os mandamentos do Senhor, e os Seus estatutos que hoje te ordeno para o teu bem?" (Deuteronômio 10:12-13)

As tábuas da lei dadas a Moisés eram de pedra azul, retirada da base do trono de Deus. A lei foi entregue pelo próprio Cristo, a Rocha de Israel. Simbolicamente ele estava doando-Se a Si mesmo, o Deus de amor revelando-Se ao Seu povo em palavras: o Verbo.

Dessa mesma lei, quando Jesus andou na Terra, ele atesta que o resumo é: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas" (Mateus 22:36-40).

Agora estamos novamente às portas de Canaã. Novamente revivendo os mesmos problemas. Que por meio do Espírito Santo possamos compreender que não há contradição entre a lei e a graça de Jesus. Elas são uma só coisa, assim devemos ser um povo com Cristo como Cristo com Deus. Que possamos viver o cristianismo prático que dará testemunho a todas as gentes.

 

Gabriela Josias Carnassale


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