14 de janeiro de 2016

Um olhar Para o Céu - Meditação Diária


Presença indispensável


Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. Êxodo 33:15 (ARA)
O conceito de "presença" ganhou relevância no mundo digital nos últimos anos. A tecnologia atual, cada vez mais sofisticada, busca criar no espectador ou interlocutor a sensação de uma realidade natural, imediata e direta. Se os meios de comunicação tradicionais, como o telefone, o rádio e a TV, têm uma presença fraca, os meios de vanguarda, como os filmes em 3D, a videoconferência e a TV de alta definição, têm uma presença forte. Essas tecnologias conseguem criar a ilusão de que pessoas separadas por 10 mil quilômetros estão no mesmo ambiente.
No mundo antigo, a idéia de presença também era muito valorizada. Para usar um jogo de palavras intencional, a presença está presente em toda a Bíblia, aparecendo mais de 260 vezes. Na verdade, a palavra em hebraico (panim) aparece milhares de vezes, mas tem outros significados, como "face" e "pessoa". Dezenas dessas ocorrências (cerca de 50) se referem à presença Deus. A face e a presença de Deus significam a mesma coisa. A primeira vez que o termo aparece é em Gênesis 3:8, quando Adão e Eva se escondem da presença de Deus entre as árvores do jardim. E, curiosamente, a última vez que ele ocorre é em Apocalipse 20:11, quando "a terra e o céu" fogem da presença de Deus.
Estar na presença de Deus é algo tremendo. Se a presença de uma pessoa radiante ilumina o ambiente, a presença do Criador transforma tudo. Na Bíblia, o que conta e faz diferença não é o talento, a habilidade, o recurso, o poder ou a aparência, mas é a presença de Deus. Por isso, Moisés protestou diante da possibilidade de seguir sem Deus, embora com um anjo (Êx 33:2, 14-16). Contar com a companhia de um anjo é algo maravilhoso. Quem não gostaria de ter um anjo ao lado? Porém, por mais sensacional que seja, isso não pode ser comparado à presença de Deus. Não se contente com um anjo se você pode ter a presença de Deus.
Moisés sabia que o grande diferencial de Israel era a presença divina. Deus era a certeza da escolha, a legitimação da liderança, a garantia de proteção, a promessa de segurança, o segredo do sucesso, a vitória na crise. E, segundo alguns comentaristas, o alvo do êxodo era a habitação de Deus com o povo. Para Edmond Jacob, "quando os israelitas pronunciam o nome Yahweh, a idéia primária não é a de eternidade, mas a de presença". A promessa central de Deus é: "Eu estarei com vocês."
Hoje, de igual modo, precisamos da presença divina. Não perca o senso da presença de Deus devido às suas atitudes negativas, pois isso o fará perder seu diferencial. Sem a presença de Deus, nada faz sentido; com ela, até as coisas sem sentido ganham propósito.

A gênese do poder
E Cuxe gerou a Ninrode; este começou a ser poderoso na terra. Gênesis 10:8 (ARC)
Desde o início da história, os poderosos da Terra têm assombrado as mentes mais esclarecidas com sua arrogância. Eles contemplam o esplendor de seus feitos, levantam o olhar altivo para o céu, batem no peito e dizem: "Eu sou Deus!"
O primeiro foi Ninrode, o fundador de Babel, Acade, Nínive e várias outras cidades (Gn 10:8-12). Rei de vasto território, imperador antes dos imperadores, Ninrode pode ter sido o idealizador da torre de Babel. Segundo os escritos rabínicos, seu nome vem de um verbo hebraico que significa "rebelar". O Talmude Babilônico diz que ele foi chamado de Ninrode porque "incitou o mundo a se rebelar contra a soberania de Deus".
Segundo o orientalista Ernest Rosenmüller, que confirma esse significado do nome de Ninrode, "os orientais têm o costume de se referir às pessoas de destaque por outro nome dado após a sua morte, e por isso às vezes há uma notável harmonia entre o nome e os atos da pessoa". Josefo escreveu que, pouco a pouco, Ninrode "transformou o estado de coisas numa tirania, sustentando que a única maneira de afastar os homens do temor de Deus era fazê-los continuamente dependentes do seu próprio poder".
Na sequência, muitos poderosos de diversas linhagens caminharam pela mesma trilha de Ninrode, reclamando o status divino. Alguns até exigiram adoração. Entre eles estão os faraós do Egito, considerados deuses pela cultura local; os reis assírios; os monarcas da Babilônia, com destaque para Nabucodonosor; os soberanos persas; os líderes do império greco-macedônio, em especial Alexandre Magno; os imperadores romanos, começando com Júlio César, deificado formalmente em 42 a.C. como "o divino Julius"; os imperadores incas, vistos como deidades; os imperadores chineses a partir da Dinastia Qin, chamados de "filhos do céu"; e os imperadores japoneses, considerados descendentes da deusa Amaterasu, até que Hiroíto, em 1945, repudiou a "falsa concepção" de sua divindade. Alguns poderosos, como Buda, considerado um avatar de Vishnu, o Deus supremo do hinduísmo, foram deificados e adorados por grupos e seitas, enquanto outros, como Antíoco IV Epifânio, o "Deus Manifesto", promoveram a autodeificação.
A todos os poderosos que se dizem deuses, antigos e atuais, nos palácios imperiais ou nas igrejas, todos inspirados naquele que sonhava no coração subir aos céus, erguer o trono acima das estrelas, subir mais alto do que as nuvens, ser como o Altíssimo (Is 14:13-15), o Senhor diz: "Você irá às profundezas do abismo!"

A arte de culpar os outros
Disse o homem: "Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi". O SENHOR Deus perguntou então à mulher: "Que foi que você fez?" Respondeu a mulher: "A serpente me enganou, e eu comi". Gênesis 3:12, 13
Era uma vez uma empresa chamada Paradise Garden. Um dia, um erro fatal foi detectado. O presidente internacional convocou o presidente da empresa para ver o que havia acontecido. O presidente colocou a culpa do fracasso na diretora-geral. A diretora logo também arrumou um culpado. O clima na empresa se deteriorou. A criatividade diminuiu. A desconfiança predominou. Para resumir uma longa história, o presidente e a diretora perderam o emprego. Você já viu essa história?
Desde o jardim do Éden, os seres humanos têm aperfeiçoado a arte de culpar os outros, menos eles mesmos. Adão culpou Deus e Eva. A mulher culpou a serpente. Esta só não culpou a Deus porque não mais podia falar. Em vez de assumir o erro, Adão e Eva buscaram explicações externas para seu comportamento.
As coisas não melhoraram depois disso. Os cristãos culpam os ateus. Os ateus culpam os cristãos. O time culpa o técnico. O técnico culpa o clube. Os banqueiros culpam o governo. O governo culpa os empresários. O atendente culpa o sistema. O sistema não pode culpar ninguém. No fim, quase ninguém escapa de colocar a culpa nos outros. Errar é humano e culpar os outros é ainda mais humano. Robert Bloch talvez estivesse certo ao dizer: "A pessoa que sorri quando as coisas dão errado é porque se lembrou de alguém em quem pôr a culpa."
Nas empresas, a tendência é um superior culpar um subordinado, que também culpa outro abaixo dele, e, quando não existe mais ninguém para culpar, o funcionário vai para casa e chuta o gato ou o cachorro. O pior é que, segundo um estudo da Universidade de Stanford, o mau costume de culpar os outros pode ser contagioso e se espalhar pelo ambiente de trabalho.
Culpar é assumir uma postura defensiva para proteger o eu e preservar a imagem. Culpamos na tentativa de esconder nossos erros, fugir das conseqüências, reduzir os efeitos negativos de nossas ações, racionalizar comportamentos censuráveis, desviar o foco do problema, diminuir a vergonha, negar a responsabilidade pelo fracasso, rebaixar os outros.
No entanto, além de ser um ato desonesto, culpar os outros faz com que a pessoa não aprenda com os próprios erros. Boa parte do fracasso não está na falha, mas na tentativa de transferir a culpa. Por isso, quando errar, assuma a responsabilidade. Se você mesmo assumir a culpa por seus erros, ninguém precisará culpá-lo.

Escada de anjos
Quando Jacó acordou do sono, disse: "Sem dúvida o SENHOR está neste lugar, mas eu não sabia!" Gênesis 28:16
Você já colocou os pés na estrada para fugir de algum problema? Ou pelo menos teve vontade de fazer isso, mas faltou coragem? Jacó não teve escolha. Se ficasse em casa, seu irmão o mataria. A ameaça era séria. Então ele enfiou algumas roupas apressadamente na mochila e iniciou a longa viagem.
A ideia de ir para Harã, onde moravam alguns parentes, foi de Rebeca, que idealizara todos os detalhes do golpe da primogenitura. Porém, agora a mamãe não estava ali para dizer o que fazer. Sem celular, sem internet, sem bússola, sozinho e solitário, Jacó fazia o caminho inverso do avô Abraão. Depois de dois dias de viagem, com todo o tempo do mundo para refletir e avaliar suas decisões, ele chegou a uma cidade no meio do nada chamada Luz, que estava no escuro. Quebrado, ele precisava descansar. Porém, ficou com medo de procurar uma pousada. Resolveu dormir nos arredores. Relacionamentos destruídos, laços familiares rompidos, futuro incerto, a noite tornava sua situação ainda mais assustadora.
Deitado no solo árido, paisagem lunar, cabeça na pedra, ele olhava para as estrelas. O sonho de ser o líder espiritual da família e cumprir as promessas de Deus para o avô virará pesadelo. Por fim, vencido pelo cansaço, adormeceu. De repente, ele viu algo extraordinário: uma escada que ligava a Terra ao Céu, por onde os anjos desciam e subiam. Era um sonho dentro da realidade, ou a realidade dentro de um sonho? Não sabia. Então Deus falou-lhe e mostrou-lhe que sonho e realidade se misturavam. O Senhor havia falado várias vezes com seu avô e até com seu pai, mas nunca com ele. Jacó apenas o conhecia de segunda mão. Agora Deus falava com ele e lhe garantia que os povos da Terra seriam abençoados por meio de sua descendência.
Além de prometer estar com ele, Deus afastou a cortina da realidade para que Jacó visse os anjos em atividade. A escada era um símbolo de seu grande descendente, Jesus. Não era algo, mas alguém. Não era um meio para Jacó subir ao Céu, mas uma evidência de que o Céu descera até ele. Trêmulo, Jacó reconheceu que Deus estava ali: "Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus" (Gn 28:17). Na manhã seguinte, mudou o nome do lugar para Betel, "casa de Deus". Jacó havia tentado conseguir a bênção porque achava que Deus estava longe e não agia. Agora, descobriu que Deus estava com ele o tempo todo, bem perto de seu coração, dentro de seus sonhos.
Você está fugindo porque Deus parece distante de sua realidade? Pois saiba que Deus está a seu lado, perceba você ou não, sinta ou não, veja ou não.

Acordando com Raquel
Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava. Gênesis 29:20
Desde que viu e beijou Raquel junto ao poço, Jacó se apaixonou perdidamente pela jovem pastora. Primeiro amor, amor à primeira vista. O fato de sua prima ser bela o encantou ainda mais. Um mês depois, quando o tio perguntou quanto ele queria de salário, Jacó propôs trabalhar sete anos para se casar com a filha mais nova. Labão aceitou a proposta, pois seria melhor entregar a filha a um rapaz do próprio clã do que a um aventureiro. Era uma situação em que os dois lados sairiam ganhando.
Contrato assinado, Jacó foi à luta. Sete anos tosquiando ovelhas, podando parreiras e colhendo trigo lhe pareceram sete dias. Sol no rosto, poeira na sandália, sujeira de ovelha na calça, nada disso importava para ele. O preço que estava pagando parecia pequeno demais perto do que receberia. O amor minimiza as dificuldades e maximiza a recompensa. Enfim, a espera terminou. Chegara o grande dia. Nem parecia verdade. Sem luz elétrica, Jacó dormiu com Raquel e acordou com Lia. Sua ilusão noturna não resistiu à realidade da luz do sol. O narrador capta a dramaticidade da situação com uma pequena frase: "Quando chegou a manhã, lá estava Lia" (Gn 29:25). Ducha fria na euforia. Jacó fora enganado pelo sogro. O trabalho ideal, feito por amor, recebera um pagamento injusto. Ou seria a vingança da primogênita pelo que ele fizera ao irmão primogênito?
Em seu excelente devocional de 2014, o Dr. Amin Rodor usa essa história como um símbolo das desilusões humanas. Brilhante aplicação. Porém, há outra dimensão que pode ser considerada: Jacó lutou e realizou o sonho de ter a amada nos braços. Um dia, ele acordou e tinha Raquel a seu lado. Dessa vez, era real. A felicidade havia sido adiada, mas não para sempre. Na verdade, ao fim da semana de núpcias, ele pôde beijar Raquel como esposa. Teria que suar muito mais agora para sustentar Lia, Raquel e as agregadas, além de "camelar" outros sete anos para quitar o dote de Raquel, mas estava feliz.
O romance de Jacó e Raquel mostra que podemos lutar pelo sonho da beleza amada. Apesar da decepção, o prêmio vem. Se tivermos um coração apaixonado, brilho nos olhos, conseguiremos transcender os desencantos do mundo. Labões e lambões, motivados por dinheiro, sempre vão tentar nos enganar, mas, com esforço dobrado, o amor vence. Ninguém pode negar que Jacó teve uma lua de mel inesquecível com Raquel. Se não fosse a interferência de Labão, talvez teria ficado apenas com ela.
Nesta vida, você pode trabalhar por Raquel e receber Lia, mas pode também trabalhar um pouco mais e conseguir Raquel.

A melhor luta da noite
Então o homem disse: "Deixe-me ir, pois o dia já desponta." Mas Jacó lhe respondeu: "Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes." Gênesis 32:26
Pessoas que gostam de boxe ou artes marciais mistas às vezes ficam acordadas até tarde para ver o que consideram a melhor luta da noite. Porém, um dos maiores combates de todos os tempos não foi transmitido por nenhuma TV e só teve a Deus por testemunha; não aconteceu num ringue em Las Vegas, mas às margens do riacho Jaboque, que em hebraico significa "luta".
Naquela noite, faço estava aterrorizado por um medo intensificado ao longo de 20 anos. Em Gênesis 31:3, Deus lhe diz: "Volte para a terra de seus pais e de seus parentes, e eu estarei com você". Depois, no início do capítulo 32, o narrador informa que "anjos de Deus" foram a seu encontro e que, ao avistá-los, ele disse: "Este é o exército de Deus!" (v. 2). Mesmo assim, quando ficou sabendo que seu irmão Esaú ia ao seu encontro com 400 homens, "Jacó encheu-se de medo e foi tomado de angústia" (32:7). De onde vinha esse medo? Estaria no DNA? Abraão ficou com medo, Jacó chama Deus de "o Temor de Isaque" (31:42, 53) e ele próprio expressa temor várias vezes.
Jacó tentou acalmar seu medo dividindo o grupo, ensaiando discursos e preparando um presente de 580 animais para o irmão (32:13-15). Porém, estratégias diplomáticas não transformam o coração de um homem. O medo continuava. Jacó resolve ficar sozinho para orar, clamar e se angustiar. No sonho em Betei, Deus havia garantido que não o abandonaria (28:15). Agora, Jacó relembra a promessa (32:12) e se agarra a ela.
Então, o relato dá uma guinada. O anjo do Senhor aparece e começa a lutar com Jacó. O que ele deveria fazer? E se fosse Esaú? Você lutaria ou fugiria? Como diz o poeta Gonçalves Dias, "a vida é luta renhida". "Viver é lutar" é uma verdade para você, era verdade para o índio tamoio da poesia e era ainda mais verdade para o herói de nossa história. Dessa vez, Jacó resolveu lutar. Percebendo que seu oponente era divino, agarrou-se à bênção, ainda que isso lhe custasse alguns golpes a mais. Queria a bênção do perdão, da presença divina, da promessa.
O sol estava avermelhando o horizonte quando o anjo tocou a coxa de Jacó, o abençoou e mudou seu nome para Israel. Mancando, mas vitorioso, o patriarca agora era um homem transformado porque vira "a Deus face a face" (v. 30). Abandonando seu plano estratégico, passou à frente dos grupos. Não mais tinha medo de Esaú nem de ninguém. Quem é tocado por Deus não teme.
Se Deus prometeu uma bênção para você, agarre-se a ele e lute a noite inteira. Quando amanhecer, você poderá sair com escoriações, mas será uma pessoa transformada. A melhor luta da noite está reservada para você.

Vendedores de livros e doadores de amor
O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram. Mateus 25:40
Há muitos anos, liderei uma equipe de colportores estudantes numa cidade do interior de São Paulo. Era um tempo difícil, mas também divertido. Coisas incríveis aconteciam quase todos os dias.
Certa tarde, apareceu na igreja onde estávamos hospedados um rapaz que não tivera a oportunidade de lavar as roupas nos últimos 36 meses, para descrevê-lo com a melhor diplomacia. Demos uns trocados para ele, na esperança de que saísse logo, pois não tínhamos máscaras para aguentar o "perfume". Todavia, ele não se impressionou com o dinheiro.
Então, três ou quatro colegas se olharam e tiveram uma ideia brilhante. Levaram o rapaz para o chuveiro e o submeteram a um banho de sabonete e bucha, rasparam-lhe a barba, deram-lhe roupas novas e lhe puseram sapatos nos pés. Depois, serviram-lhe comida (nesse dia, excepcionalmente, não era aveia com banana) e, como não podia deixar de ser, entregaram-lhe literatura da Casa Publicadora Brasileira. Se ele tivesse uma pastinha na mão, alguém diria que era um colportor! Dessa vez, o rapaz não conseguiu impedir que as lágrimas corressem por sua face. Suponho que, pela primeira vez em muito tempo, ele experimentava aquilo que chamamos de amor. O que o dinheiro não tinha conseguido fazer, o amor fizera. Ele não se emocionou com as moedas, mas com o banho, a roupa, a comida, a literatura, o aperto de mão.
Naquela tarde, meus colegas obedeceram a um dos maiores mandamentos divinos. Eles não apenas falaram do amor, mas o praticaram. Naquelas férias, por meio da literatura, discursamos sobre o amor para a cidade inteira, o que era muito importante; mas, por meio da ajuda prática, amamos uma pessoa desprezada, o que era fundamental. Afinal, o amor tem que ser prático, e não apenas retórico.
Esse episódio me fez pensar em Mateus 25, em que Jesus diz que o critério de aprovação ou reprovação pelo Rei, quando se assentar no trono na glória celestial, será o amor real ou a falta dele. Os que alimentaram os famintos, ofereceram água ao sedento, acolheram o estrangeiro, vestiram o nu, cuidaram do enfermo e visitaram o preso fizeram isso para o próprio Jesus. Eles se identificaram com o amor, que é a essência de Jesus, e, por isso, podem morar com ele. Os que viram os necessitados e os desprezaram serão jogados no fogo, pois não reconheceram na face deles a face de Jesus.
Meus colegas não eram apenas vendedores de livros, mas doadores de amor. Naquela tarde, em certo sentido, ainda que sem saber, deram de vestir e de comer para o próprio Jesus. Pois o amor transcende a esfera terrena.

Deus te abençoe!
O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te conceda graça; o SENHOR volte para ti o seu rosto e te dê paz. Números 6:24-26
Antigamente, na região em que cresci, as crianças costumavam pedir "bênção" para os pais, os avós, os tios e as pessoas respeitáveis da comunidade. Por exemplo, toda a criançada da vizinhança pedia "bênção" para meus pais. A resposta era sempre: "Deus te abençoe!" Hoje, essa tradição está desaparecendo.
O costume de abençoar vem de longe. As primeiras bênçãos foram proferidas por Deus no contexto da criação. Mais tarde, Deus prometeu abençoar Abraão, e abençoar o mundo por meio de seu maior descendente, Jesus (Gn 12:2, 3). Os patriarcas proferiam bênçãos formais aos filhos.
Em português, às vezes, "bênção" pode ter um sentido abstrato. Porém, no hebraico, em que cada palavra evoca uma ação, algo que pode ser notado pelos cinco sentidos, "bênção" (berakah) tem um significado bem concreto. Deus abençoava com fertilidade, posteridade, riqueza, terra, saúde, proteção, vitória. A bênção de Deus é a explosão da vida, com todos os recursos para que ela floresça.
Abençoar significa santificar, honrar, exaltar, louvar, desejar o bem, expressar votos de felicidade e sucesso. Tudo isso, no fundo, depende de Deus. Por esse motivo, as pessoas que respondem a um pedido de bênção dizendo "Deus te abençoe!" estão fazendo uma declaração teológica, ainda que automática e inconsciente.
Na bênção araônica mencionada no verso de hoje, o nome "Senhor" (Yahweh) é repetido três vezes. Essa tríplice repetição é uma maneira de enfatizar que a bênção, para a comunidade ou para o indivíduo, vem somente de Yahweh. Em Números 6:27, Deus indica que ele é a fonte da bênção: "Assim eles invocarão o meu nome [...], e eu os abençoarei."
Nesta oração, a primeira parte do verso é o movimento de Deus em direção ao povo, enquanto a segunda parte expressa sua ação específica em favor dele: "O senhor te abençoe [movimento] e te guarde [ação específica]; o senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti [movimento] e te conceda graça [ação específica]; o senhor volte para ti o seu rosto [movimento] e te dê paz [ação específica]."
A bênção é a potencialização da vida. Nas palavras do erudito bíblico Claus Westermann, ela é "o avanço silencioso do poder da vida em todos os domínios", uma manifestação divina contínua, atravessando as gerações e conectando a promessa com seu cumprimento. Por meio de Cristo, as bênçãos celestiais chegam até nós e se projetam sobre os outros. O mundo é um lugar abençoado pelas pessoas abençoadas.

O faquir misterioso
Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Mateus 4:4
Pele tostada pelo sol, barba e cabelos brancos, argola no nariz, ossos salientes, o iogue indiano Prahlad Jani foi notícia nos jornais do mundo inteiro em 2010 ao alegar que não havia ingerido sequer uma caloria de alimento nem bebido uma gota de água nos últimos 70 anos. Para provar que estava com o estômago vazio desde a época da II Guerra Mundial, ele se submeteu a um teste de 15 dias num ambiente monitorado por câmeras.
O estudo foi acompanhado por médicos militares, interessados na possível façanha, que poderia ter utilidade para soldados, vítimas de calamidades e astronautas. Depois de duas semanas sem comer nem beber, tampouco ir ao banheiro, o faquir impressionou os pesquisadores. De acordo com eles, a saúde do iogue faminto estava misteriosamente boa.
No entanto, vários céticos questionaram o resultado do estudo. O presidente da Associação Racionalista Indiana disse que foi negado seu pedido para observar independentemente o experimento. Além disso, o iogue teria tido contato com água ao gargarejar e tomar banho.
Viver sem comer ou beber é simplesmente impossível. As pessoas podem sobreviver cinco a oito dias sem água, se as condições climáticas forem excepcionais; e até dois ou três meses sem alimento, dependendo do estado corporal e com a ajuda de líquidos fortificados com vitaminas e eletrólitos. Contudo, não é possível fazer um jejum contínuo.
Sem alimento, a química corporal muda, e o corpo começa a queimar seus próprios recursos. Em termos simples, a desidratação e a desnutrição matam. Se até os vegetais, que convertem energia luminosa em química, por meio da fotossíntese, precisam de substratos nutritivos, quanto mais os seres humanos!
Se não podemos ficar sem o alimento físico durante um longo período, muito menos sem o pão espiritual. "Nem só de pão viverá o homem", disse Jesus, citando Deuteronômio 8:3. Com essa frase, ele não quis minimizar a necessidade de pão, mas ressaltar a indispensabilidade da Palavra de Deus.
A Palavra é essencial. Ela sustenta a alma e nutre o espírito. Sem ela, não existe vida espiritual. Você pode sobreviver por um curto período sem "comer" a Palavra divina, mas então morrerá de desnutrição. Jamais tente fazer jejum de Deus. Você precisa do alimento celestial todos os dias. Afinal, você não é um faquir indiano, ou é?


Meditação Diária - Janeiro de 2016

Um olhar Para o Céu - Marcos de Benedicto
 

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