22 de janeiro de 2016

Um olhar Para o Céu - Meditação Diária

25 graus negativos
Eu vim do Pai e entrei no mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai. João 16:28
O início de 1999 foi gelado no estado de Michigan. Neve acumulada, neve caindo, a temperatura atingiu 25 graus negativos. Estávamos chegando ali e, para alguém acostumado ao verão tropical, dava para notar uma "pequena" diferença. Os amigos brasileiros foram incrivelmente solidários. Entre outras coisas, saíram comigo para comprar um carro. Porém, chegou o dia de nossos filhos irem para a escola, e eu ainda não havia conseguido o automóvel. A Larissa, nossa garotinha de oito anos, estava assustada. Afinal, seria seu primeiro dia de aula em um país estrangeiro. "Filha, você não pode deixar de estudar, mas eu estarei ao seu lado", prometi.
De manhã, o característico ônibus amarelo chegou, minha esposa a colocou na condução, e eu não estava lá. Mas havia um motivo: estava transpondo a neve, rumo à escola, que ficava a uns três quilômetros de distância. Como eu não podia ir no ônibus e não queria aborrecer os amigos pedindo carro emprestado, fui a pé. Quando o ônibus chegou, dei um beijo na minha filha e a levei para a sala de aula. Fiquei ali até ela se tranquilizar.
Enfrentar 25 graus negativos para acalmar minha menina foi mais do que natural. Não fiz isso porque gostasse de andar na neve ou porque imaginasse que um dia poderia contar esta pequena história num devocional. Enfrentei a neve porque a amo.
Fico pensando na jornada que Deus fez para nos tranqüilizar. Em Cristo, ele cruzou o espaço gelado e hostil a fim de estar conosco. O texto de hoje diz que o Filho veio do Pai e entrou no mundo, a grande escola da vida. Isso pode dar a impressão de que o Pai ficou no Céu apenas observando nossos temores. A realidade é outra: Deus estava em Cristo, que veio estar conosco.
O próprio Jesus enfrentou seu dia de ir para a "escola", a cruz, e sentiu-se solitário. No mesmo contexto, depois de dizer que os discípulos o deixariam sozinho, Jesus completa: "Eu não estou sozinho, pois meu Pai está comigo" (v. 32). Deus não nos deixa sozinhos nem quando todos nos abandonam.
Ao tomarmos o ônibus rumo ao desconhecido, Deus nos tranquiliza. Ele não nos libera da escola, pois sabe que precisamos estudar e aprender, mas promete estar ao nosso lado. Jesus acrescenta: "Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz" (v. 33). Só a presença de Deus conosco pode pacificar nosso coração.
Hoje, se você precisar tomar um ônibus amarelo, vermelho ou sem cor para a "escola", não tenha medo. O Pai estará lá esperando para dar-lhe um beijo, ainda que ele tenha que enfrentar 25 graus negativos ou cruzar toda a neve do universo.

Antilei de Murphy
Pois o salário do pecado é a morte, mas, o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 6:23
O Brasil acordou no dia 27 de janeiro de 2013 de luto pela tragédia de Santa Maria (RS), em que 242 pessoas, a maioria jovens universitários, perderam a vida no incêndio da boate Kiss. Isso sem falar nos 680 feridos. Uma seqüência de erros e irres-ponsabilidades causou o segundo maior incêndio da história do Brasil, em número de vítimas. Coisas aparentemente banais contribuíram para essa tragédia: havia mais gente no ambiente do que a capacidade do local; a casa noturna tinha apenas uma saída de emergência e estava com o alvará vencido; as fagulhas do sinalizador, que era barato e próprio para ambiente externo, encontraram o material inflamável do isolamento acústico; o extintor falhou; os seguranças, inicialmente, tentaram impedir a saída dos jovens, na hora do pânico. Tudo que poderia dar errado deu errado.
É certo que a tragédia ocorreu por culpa de alguém. Mas, deixando de lado os aspectos humanos, emocionais e legais, podemos dizer que a lei de Murphy esteve em ação. Essa "lei", atribuída a um capitão da Força Aérea americana, Edward Murphy, diz: "Se alguma coisa pode dar errado, dará." E olha que, segundo o comentário de alguém, "Murphy era muito otimista". A partir da lei de Murphy, que ganhou o prêmio IgNobel e parece ser bem anterior ao próprio Murphy, foram criadas centenas de outras leis, juntamente com seus corolários. Exemplos: "A probabilidade de o pão cair com o lado da geleia virado para baixo é proporcional ao valor do carpete"; "O suco da fruta, ao espirrar, tende a acertar nosso olho na proporção direta de sua acidez"; "Nada é tão ruim que não possa piorar"; "Quem ronca mais alto dorme primeiro"; "Quanto melhor é o seu trabalho, maior é a chance de aparecer alguém para receber o crédito por ele"; "Ninguém ouve o que você diz, até você falar uma besteira"; "O vírus que invade seu computador ataca primeiro os arquivos que não têm cópia"; "A estrada para o sucesso está sempre em construção e o caminho para o Céu é o mais estreito"; "Se várias coisas que deviam ter dado errado deram certo, é porque deu tudo errado".
Antes de Deus criar a vida na Terra, reinava o caos, a lei total de Murphy. Ao criar o cosmos, Deus reverteu essa lei. Então veio o pecado e complicou tudo, pois o pecado é a maior e mais fundamental de todas as leis de Murphy. Para reverter essa superlei, Deus enviou seu Filho ao mundo. Jesus é a antilei de Murphy.
Hoje, a boa notícia não é que a própria lei de Murphy tem um caráter paradoxal: "Se a lei de Murphy pode dar errado, dará." A boa notícia é que temos alguém para quebrar a lógica da lei de Murphy. Com Jesus, você não precisa temer a caótica lei de Murphy.

A Torah é sua
Não faço esta aliança, sob juramento, somente com vocês que estão aqui conosco na presença do SENHOR nosso Deus, mas também com aqueles que não estão aqui hoje. Deuteronômio 29:14, 15
Pamela Tamarkin Reis é, digamos, uma estudiosa "amadora" da Bíblia. De origem judaica, ela estudou hebraico para entender melhor a Bíblia. Adotando caminhos não convencionais e usando analogias do dia a dia, ela tem escrito ensaios que foram elogiados pelos eruditos e publicados em importantes revistas especializadas. Para alguém que não seguiu a rota normal da formação acadêmica, isso é uma façanha.
Um de seus princípios é tomar o texto como uma unidade e analisar a narrativa do ponto de vista literário. Enquanto os eruditos costumam atribuir a autoria dos livros do Pentateuco a vários autores e à editoração de redatores, ela assume que esses cinco livros da Bíblia foram escritos por apenas um brilhante autor.
Por exemplo, para explicar as aparentes discrepâncias dos relatos da criação em Gênesis, ela argumenta que a mesma história é apresentada a partir de perspectivas diferentes (Gênesis 1, diz ela, é o ponto de vista de Deus, e Gênesis 2 a 4 é a perspectiva do homem). Se um filme pode mostrar um fato por vários ângulos e ser considerado obra de um artista, por que o relato do Gênesis tem que ser considerado obra de vários autores?
Sem avaliar a interpretação de Pamela, o que a levou a acreditar que podia se aventurar pelo estudo sério da Bíblia? Um dia, ela estava na sinagoga e o rabino leu Deuteronômio 29:13 e 14 (em nossa Bíblia, 29:14 e 15). O texto dizia que a aliança de Deus era com os hebreus e com os que "não estavam" lá naquele dia. Após a reunião, ela perguntou ao rabino quem eram os que não estavam lá. "Você", ele respondeu. "Você quer dizer que eu recebi a Torah no mesmo dia em que os demais a receberam?", ela perguntou. "Sim", disse o rabino. A euforia tomou conta de Pamela. "A Bíblia é minha também." A partir daí, ela passou a estudar a Bíblia com profundidade e a defender suas idéias no mesmo nível dos eruditos.
A Bíblia é sua também, leitor! Não importa se você não estava lá no dia da aliança, se você não sabe hebraico, acadiano, ugarítico ou grego, a Torah foi dada para você no mesmo dia em que foi dada para Moisés, os eruditos e Pamela. Comece a estudá-la hoje e descubra os mistérios do livro que Deus escreveu para você. A Bíblia se torna sua quando você acredita que ela foi escrita para você. A mensagem do livro sagrado não se limita ao passado, pois seu autor transcende as barreiras da história.

Estava escrito?
Hoje ponho diante de vocês vida e prosperidade, ou morte e destruição. [...] Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam. Deuteronômio 30:15, 19
Em pé na estação de trem, o jovem Jamal Malik olha para a linda Latika e diz: "Este é o nosso destino." Ela apenas responde: "Beije-me!"
Esse é o último diálogo do filme Quem Quer Ser um Milionário?, que teve dez indicações ao Oscar em 2009 e ganhou oito estatuetas. Para um filme retratando a história de um jovem que veio das favelas de Mumbai, índia, ganhou um prêmio milionário num show de TV e ainda conseguiu reencontrar seu amor perdido, a ideia do destino não poderia estar ausente.
Na abertura do filme, aparece a pergunta: "O que um rapaz sem interesse no dinheiro faz num concurso televisivo? E como é que ele sabe todas as respostas? A. Ele trapaceou; B. Ele sabia as respostas; C. Ele é um gênio; D. Estava escrito." O filme termina com a resposta: "D. Estava escrito".
Destino. No Oriente, a tradição de atribuir tudo ao destino é antiga. No Ocidente, o determinismo não é menor. Apostando nesse conceito, Agostinho e Calvino construíram um imenso edifício teológico sobre a ideia da predestinação e conseguiram inúmeros adeptos. Para eles, Deus determina tudo que fazemos.
Muitos pensadores defendem que nada ocorre por acaso. Por exemplo, para o filósofo grego Crisipo de Solis, que viveu no 3° século a.C, a lei da fatalidade predomina no mundo. Se ocorresse alguma coisa sem ter uma causa ligada a ela, isso destruiria o universo como um sistema unificado. Por sua vez, o matemático e astrônomo francês Pierre-Simon Laplace dizia que, se conhecêssemos a localização e o momentum de cada átomo do universo, poderíamos prever seu estado no futuro. Albert Einstein disse que "Deus não joga dados", e outros grandes cientistas pensam do mesmo modo. Entretanto, o "princípio da incerteza", um conceito da física quântica, veio para complicar a vida deles.
Por mais atraente e até romântica que seja a ideia do destino, a verdade é que Deus criou o ser humano com livre-arbítrio. A liberdade de escolha não é uma ilusão. Não somos parte de um dominó cósmico, em que o movimento de uma peça inexoravelmente vai derrubar a seguinte. Naturalmente, o ser humano é influenciado (e, às vezes, condicionado) pelos genes e pelo ambiente. Contudo, ele tem livre-arbítrio e pode decidir. Por isso, há muitas condicionais ("se") na Bíblia. E, por isso também, conforme diz o texto acima, Deus propõe a vida e a felicidade para nós, instando para que façamos as escolhas corretas. Quanto mais próximo de Deus você estiver, mais liberdade de escolha você terá.

Terapia da justificação
Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Romanos 3:23, 24
O evangelho tem o poder de curar nossas feridas emocionais e possibilitar a recuperação da alegria de viver. Na verdade, ele pode fazer o que muitas terapias não conseguem. A autora e conselheira Jennifer Jill Schwirzer comenta que hoje existem mais de 300 teorias psicológicas, as quais são conhecidas através de siglas como TC (terapia cognitiva) e TCD (Terapia Comportamental Dialética); porém, a mais efetiva de todas as que ela conhece é a TJPF (Terapia da Justificação Pela Fé).
Para mostrar como a experiência da justificação pode transformar nosso mundo interior, Jennifer conta a história de Brian. Alto, forte, bonito, voz grave, sorriso brilhante, o homem entrou em seu consultório, na época em que ela era estagiária numa clínica, e começou a chorar feito uma criança. Ex-policial, aposentado precocemente devido a um problema de saúde, ele havia enfrentado o divórcio e tinha ficado com duas crianças para criar. Mas seu problema não era esse. Era depressão profunda e contínua. Motivo? Uma ferida emocional antiga. Ele havia traído sua namorada, tendo um relacionamento com a moça que viria a ser sua esposa e a mãe de seus filhos, e agora sentia-se "imperdoável".
"Eu oro todas as noites, mas não consigo merecer o perdão de Deus", ele suspirou. "Então você está querendo conquistar o perdão de Deus?" Jennifer questionou. "Sim, mas não consigo!"
A terapeuta perguntou se ele gostaria de saber o que a Bíblia diz sobre o perdão, e, diante da resposta afirmativa, explicou-lhe que o perdão não pode ser conquistado. Ninguém pode ganhar o perdão divino, pois a graça é um favor imerecido. Ela ressaltou que o perdão é oferecido gratuitamente para nos liberar do débito.
Foi um "sermão" no nível do jardim da infância, ela reconhece, mas que produziu resultado rápido. Brian recebeu o perdão divino, e a depressão desapareceu como a neblina da manhã. Depois de apenas oito sessões de aconselhamento, ele achou que poderia encerrar a terapia.
"Venho a esta clínica há 15 anos, e nenhum dos conselheiros que me trataram conseguiu curar minha depressão", ele disse. "Comecei a me tratar com você, uma simples estagiária, e, em dois meses, me sinto mais feliz do que tenho me sentido em anos!"
De fato, a justificação pela fé pode ser a melhor terapia para nossa vida. O evangelho cura. E o melhor de tudo é que é de graça! Se Jesus for o seu terapeuta, você será o paciente mais feliz do mundo.

Facebook de Deus
O SENHOR falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo. Êxodo 33:11
Tempos atrás, abri uma conta no Facebook. Dias depois, mesmo eu não sendo nenhuma celebridade, havia 200 pedidos de amigos para que eu os adicionasse. Ocorre que eu tinha me cadastrado apenas para baixar um arquivo. Não pretendia investir tempo na rede social. Ao contrário deste hesitante facebooker, milhões são adeptos entusiasmados dessa ferramenta, lançada em 4 de fevereiro de 2004 e que atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos em 4 de outubro de 2012, ou seja, em pouco mais de oito anos!
Milênios antes de Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin criarem o Facebook, Deus havia criado o seu Facebook. Todos os usuários da rede social divina tinham acesso a ele. Porém, Moisés foi adicionado como amigo especial e podia falar com o Senhor face a face (em hebraico, panim ei panim). Deus falava com os demais profetas por meio de sonhos e visões, mas com Moisés era diferente (Nm 12:6-8).
A palavra panim, traduzida como "face", também significa "presença", e Moisés tinha acesso direto à presença de Deus sem intermediários. Seu conhecimento era de primeira mão. O relato diz: "Assim que Moisés entrava [na tenda do encontro], a coluna de nuvem descia e ficava à entrada da tenda, enquanto o Senhor falava com Moisés [...] face a face, como quem fala com seu amigo" (Êx 33:9-11). Imagine participar de um contato do tipo panim ei panim Adonai, face a face com o Senhor!
Falar face a face é sinônimo de proximidade, amizade e transparência máxima. O encontro de Moisés com Deus era real, pessoal, em 3D, e não apenas um encontro indireto, virtual, bidimensional, como em uma comunicação por e-mail ou telefone. Certamente, Moisés e o Senhor aguardavam aqueles encontros com ansiedade. Note que, tão logo Moisés entrava na tenda, o símbolo da presença divina se manifestava. Isso mostra o interesse de Deus em falar com ele.
Se você tivesse a oportunidade de estar face a face com o Senhor, como reagiria? Em que isso mudaria sua vida? Saiba que Deus não quer um relacionamento a longa distância, mas um contato íntimo com você. Não quer apenas ser o Deus do santuário no Céu, mas o Senhor da tenda do encontro. Ainda que você não seja um Moisés, "a quem o Senhor conheceu face a face" (Dt 34:10), pode ter certeza de que, se buscar a face de Deus, ele o ouvirá e marcará um encontro com você. Diferentemente de mim, Deus adiciona como amigos aqueles que o buscam. Ele muda na hora o status dos usuários do seu Theobook.


Meditação Diária - Janeiro de 2016

Um olhar Para o Céu - Marcos de Benedicto
 

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