19 de fevereiro de 2016

Lições da Bíblia: O grande conflito e a igreja primitiva

VERSO PARA MEMORIZAR: "Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus" (At 4:13).

LEITURAS DA SEMANA: At 1:6-8; 2:5-12; Gn 11:1-9; At 4:1-30; 7:54; 10:12-29

A maior barreira que Jesus enfrentou em Seus seguidores foram suas opiniões preconcebidas. Os discípulos prestavam pouca atenção às palavras de Jesus, caso elas não estivessem de acordo com suas próprias ideias a respeito de quem Ele deveria ser. Até no momento da ascensão de Jesus, os discípulos ainda estavam perguntando quando Ele libertaria Israel dos romanos.

Somente depois de dez dias de oração e de íntima comunhão na presença de Deus, os pressupostos dominantes foram finalmente substituídos pela verdade, e os discípulos ficaram prontos para ouvir o que Deus lhes diria. Isso preparou o caminho para os eventos daquele primeiro Pentecostes ocorrido após a morte de Jesus.

Na lição desta semana, veremos o tema do grande conflito desenvolvido de várias formas. Veremos o assunto revelado abertamente, quando os que estavam no poder foram inspirados por Satanás para reprimir a verdade. Mas também o veremos ocorrendo num lugar mais sutil, porém mais importante: o coração humano.



Um novo começo
Após Sua ressurreição, Jesus passou 40 dias encontrando-Se com os discípulos para confirmar a ressurreição e ajudá-los a compreender melhor o reino de Deus (At 1:3; 1Co 15:4-7). Contudo, até o momento em que estavam reunidos, pouco antes que Ele partisse para o Céu, o tema que ainda predominava na mente deles era se aquela era ou não a época de Jesus finalmente vencer os romanos (At 1:6). Suas próprias ideias quanto ao que devia acontecer eram tão fortes que eles simplesmente não ouviram as palavras de Jesus. Mesmo depois de três anos e meio de instruções detalhadas (o equivalente a um curso de faculdade) ministradas pelo melhor Professor que o mundo já conheceu, os discípulos ainda tinham muitas noções erradas a desaprender.


1.     Leia Atos 1:6-8. Diante dessa cegueira espiritual, como Jesus respondeu?


Jesus Se concentrou na verdadeira questão, em vez de perder tempo tentando corrigir cada ponto que eles não compreendiam. O poder que o Espírito Santo traria era muito mais importante do que discussões políticas.

Depois de verem Jesus subir até as nuvens e desaparecer, os discípulos notaram dois homens vestidos de branco em pé junto a eles. Esses dois anjos na forma humana lhes disseram que Jesus voltaria. Assim como Ele havia sido recebido no Céu como Rei vencedor, viria novamente como o Rei e Conquistador que eles sonhavam quando Lhe perguntaram sobre a restauração do reino a Israel. Mas esse dia superará até os maiores sonhos deles, pois Ele virá como Rei de toda a criação, e não apenas como rei de uma faixa de terra no Oriente Próximo.

Os onze discípulos saíram do Monte das Oliveiras e voltaram a Jerusalém com a mente fervilhando de recordações e o coração ardendo com as verdades reveladas por Jesus (pelo menos as que eles compreendiam). Mas eles precisavam de algo mais. Ele lhes disse que esperassem alguns dias até que o Espírito Santo os batizasse (At 1:4, 5), pois embora o inimigo tivesse sido derrotado, não havia ainda sido eliminado, e eles precisariam do poder do alto para fazer o que Jesus os havia chamado a fazer.

Leia Atos 1:14. O que mudou no relacionamento entre os discípulos, em comparação com o relato de Mateus 20:20-24? Que mensagem há para nós nessa mudança de atitude? Como colocar de lado o eu a fim de nos prepararmos para o derramamento do Espirito Santo?

O Pentecostes
Durante dez dias os seguidores de Jesus oraram, avaliaram sua experiência com Ele à luz das Escrituras, demonstraram humildade e aceitação da parte de uns para com os outros e, finalmente, permitiram que o Espírito Santo os impressionasse com a verdade. Assim como o Espírito pairou sobre a face do abismo no princípio do processo da criação, pairou também sobre cada um dos discípulos, parecendo línguas de fogo distribuídas sobre cada um deles (At 2:2, 3). Foi um novo princípio, uma nova criação.

2.     Leia Atos 2:5-12. Qual é o significado do que aconteceu nesse relato? Compare com Gênesis 11:1-9


Algum tempo após o dilúvio, os habitantes da Terra decidiram construir uma torre que alcançasse os céus (Gn 11:1-9). Para impedir esse empreendimento arrogante e insensato, bem como as novas maldades que eles estavam planejando fazer (Gn 11:5, 6), Deus confundiu sua linguagem comum e os dispersou "pela superfície da Terra" (Gn 11:7-9). No Pentecostes, Deus fez o oposto. Ali Ele não viu um grupo de pessoas construindo uma nova torre de Babel, mas contemplou apóstolos prontos para proclamar as boas-novas de que o mal, um dia, seria banido para sempre.

Havia em Jerusalém naquele dia pessoas vindas "de todas as nações debaixo do céu" (At 2:5; comparar com a dispersão na torre de Babel), e elas se ajuntaram, perplexas, à medida que cada uma delas ouvia sua própria língua sendo falada pelos discípulos (At 2:6-11).

Pedro usou aquilo como oportunidade de se dirigir a elas: falou de um derra¬mamento do Espírito Santo que prepararia as pessoas para se encontrar com Deus (At 2:17-21); enfatizou a verdadeira missão do Messias e os censurou por crucificá-Lo. Então, "ficaram aflitos em seu coração" (At 2:37, NVI), e 3.000 pessoas foram batizadas, unindo-se aos discípulos (At 2:41).


Alguns que, sob a inspiração de Satanás, consentiram na morte de Jesus, depois, sob a influência do Espírito Santo, se converteram. O que isso nos diz sobre o poder de Deus, não para perdoar os piores pecados, mas também para transformar os mais endurecidos corações?

Enfrentando  os saduceus
3.      Leia Atos 4:1-30. Como o tema do grande conflito se manifestou nessa ocasião? Seria esse um exemplo de como ele se desenvolveu ao longo da História? Como vemos a atuação de Satanás e a atuação do Senhor nesse relato?


Os sacerdotes e príncipes viram que Cristo era mais enaltecido do que eles. Ouvindo os saduceus, que não acreditavam na ressurreição, os apóstolos declarando que Cristo havia ressuscitado dos mortos, ficaram irados, compreendendo que, se fosse permitido que os apóstolos pregassem um Salvador ressuscitado e operassem milagres em Seu nome, a doutrina de que não haveria ressurreição seria rejeitada por todos e a seita dos saduceus logo se extinguiria" (Atos dos Apóstolos, p. 78).

O que mais perturbou esses líderes foi a cura que o Senhor operou por intermédio de Pedro (At 3:1-10). Mas, quando confrontados pelos líderes, os discípulos não vacilaram. Os sacerdotes não estavam esperando isso da parte de "homens iletrados e incultos" (At 4:13). Mandando os discípulos saírem do lugar, consultaram-se entre si, pensando que, se ordenassem aos homens que não ensinassem em nome de Jesus, eles obedeceriam mansamente (At 4:18). Como estavam equivocados!

Em vez de fazer isso, os discípulos voltaram, uniram-se aos outros e, juntos, louvaram a Deus (At 4:24). Eles oraram para ter mais ousadia e para que Deus estendesse a mão para realizar mais curas (At 4:29, 30). Não precisaram esperar muito tempo. Devido à crescente popularidade dos discípulos, as pessoas passaram a trazer seus doentes para as ruas a fim de que, quando Pedro passasse, sua sombra incidisse sobre eles (At 5:15). Multidões vinham de cidades próximas e seus doentes eram todos curados (At 5:16).

Em tudo isso, podemos ver o grande conflito se manifestando: líderes inescrupulosos buscando suprimir a verdade; pessoas fiéis lendo a Bíblia e orando pelo poder divino; doenças curadas e corações alcançados. Embora as coisas, pelo menos à primeira vista, nem sempre terminem tão bem como nesse caso, nunca devemos nos esquecer de como, no fim, o grande conflito terminará, e certa é a vitória final, que é nossa por causa do que Jesus realizou em favor da humanidade.

O apedrejamento de  Estêvão
Nos primeiros tempos da igreja, os discípulos não foram os únicos a ser confrontados pelos líderes da religião estabelecida. Estêvão, que era "cheio de graça e poder, [e] fazia prodígios e grandes sinais entre o povo" (At 6:8), foi conduzido à presença deles. Na verdade, seu testemunho foi tão poderoso que seus oponentes fabricaram histórias falsas e incriminadoras a respeito dele, devido às quais ele foi levado perante o conselho (At 6:9-14).

4.     Em Atos 7:2-53, Estêvão deu uma poderosa resposta àqueles que o acusavam. Eles "ficaram furiosos" (At 7:54, NTLH), isto é, se sentiram culpados diante das palavras dele. Em Atos 2:37, outras pessoas se sentiram


culpadas ao ouvir uma acusação semelhante. Qual foi a diferença na reação ao sentimento de culpa, e o que isso nos diz a respeito de como é essencial ter um coração submisso diante de Deus?


Até então os apóstolos haviam desafiado os líderes e escapado da punição, mas quando Estêvão tentou fazer o mesmo, foi morto por uma turba enfurecida. A morte de Estêvão marcou o início de um esforço concentrado da parte de Satanás para eliminar aquele novo movimento. Até esse ponto, os seguidores de Jesus haviam sido perseguidos e ameaçados, porém Estêvão foi o primeiro a ser morto. Mas o que eles esperavam? Se Satanás conseguiu inspirar alguns líderes a executar Jesus, Seus seguidores certamente não devem ter esperado que com eles fosse diferente.

Naturalmente, ao longo de todo o grande conflito, o Senhor, vez após vez, trouxe vitória a partir do que muitas vezes parecia derrota. Não foi diferente nesse caso.

"Depois da morte de Estêvão, Saulo foi eleito membro do conselho do Sinédrio, em consideração à parte que havia desempenhado naquela ocasião. Durante algum tempo foi instrumento poderoso nas mãos de Satanás para promover sua rebelião contra o Filho de Deus. Logo, porém, esse implacável perseguidor deveria ser usado para edificar a igreja que agora estava destruindo. Alguém, mais poderoso que Satanás, escolheu Saulo para tomar o lugar do martirizado Estêvão, a fim de pregar e sofrer pelo Seu nome e propagar extensamente as novas da salvação por meio de Seu sangue" (Atos dos Apóstolos, p. 102).

Às vezes vemos o bem resultar do mal. Isso é ótimo. O que fazemos, porém, quando percebemos que o mal resulta em um mal ainda maior?

Mudança de  atitude
Os discípulos não só lutavam com ideias preconcebidas que os impediam de compreender o que Jesus estava lhes ensinando, mas também compartilhavam os preconceitos nacionais. "Os judeus não se [davam] com os samaritanos" (Jo 4:9).

Os preconceitos nacionais também ficaram evidentes no relato de Cornélio, centurião romano cuja base ficava em Cesareia. Cornélio era um homem "piedoso e temente a Deus" (At 10:2), e altamente respeitado pelo povo local (v. 22). Um anjo o instruiu a mandar buscar Pedro em Jope (v. 22; ver também v. 3-8).

Enquanto isso, em Jope, Pedro subiu ao terraço para orar (v. 9, NVI). Com o abrigo do sol e a brisa fresca do mar, ele se descontraiu e começou a sentir fome. Enquanto esperava que seus anfitriões preparassem o almoço, teve uma estranha visão. O céu se abriu e foi baixado algo semelhante a um imenso lençol amarrado pelas quatro pontas. Dentro do pano estavam várias criaturas que ele considerava sujas ou "imundas", e lhe foi dito que as matasse e comesse (v. 11-14).

5.      Qual foi a reação de Pedro quando foi instruído a ingerir comida "imunda", e o que a visão significava? At 10:12-29


Nessa visão Deus ensinou a Pedro uma importante lição. Algumas pessoas hoje acham que foi nessa ocasião que Deus mudou o regime alimentar do ser humano e permitiu que as pessoas comessem tudo o que quisessem. Mas não foi isso o que Pedro entendeu da visão. Primeiro, ele ficou em dúvida a respeito do que ela significava, pois, a princípio, isso não estava claro (At 10:17). Quando os homens de Cornélio chegaram  e  explicaram sua missão,  Pedro se  sentiu compelido a ir com  eles     (At 10:22,  23).  Quando


encontrou Cornélio, Pedro estava apto a contar-lhe o significado da visão. Cristo é o Salvador do mundo todo. Os gentios também são preciosas pessoas por quem Cristo morreu (At 10:34-48).

Pedro estava aprendendo uma lição que todos ainda precisam aprender: em Cristo, todas as barreiras foram derrubadas, e a distinção entre judeus e gentios, entre todas as pessoas, deixou de existir e, "em qualquer nação, aquele que O teme e faz o que é justo Lhe é aceitável" (At 10:35).

É bom acreditar que todos somos um em Cristo; a Bíblia ensina isso. Mas infelizmente, mesmo na igreja, nem sempre nos sentimos assim. Como podemos reconhecer os preconceitos que temos e, pelo poder divino, ser purificados desses sentimentos?

Estudo adicional
O escritor russo Fiódor Dostoiévski escreveu sobre a volta de Jesus à Terra, mas não da maneira predita na Bíblia. Em vez disso, na história que ele inventou, Jesus voltou no auge da Inquisição, quando os líderes religiosos usavam seu poder para o mal. O chefe da Inquisição mandou prender Jesus, que veio como humilde camponês, e mandou lançá-Lo num calabouço. Naquela noite ele visitou Jesus na prisão e O repreendeu severamente por dar liberdade aos seres humanos. "Em vez de tirar a liberdade dos homens", declarou ele, "Tu a tornaste maior do que nunca! Esqueceste de que o homem prefere a paz, e até mesmo a morte, a ter a liberdade de escolha no conhecimento do bem e do mal? Nada é mais sedutor para o homem do que sua liberdade de consciência, mas nada lhe causa mais sofrimento." Apesar da audácia e do cinismo do clérigo, há uma certa dose de verdade em suas palavras. Veja o que os seres humanos fizeram com sua liberdade: a dor, o mal, o sofrimento e a morte surgiram com a liberdade, ou com o abuso dela. Como vimos nesta semana, alguns, quando confrontados com o evangelho, se arrependeram e entregaram o coração a Jesus. Outros, quando confrontados com ele, assassinaram o mensageiro. A liberdade é um dom precioso, mas precisamos ser muito cuidadosos em nossa maneira de usá-la.

Perguntas para reflexão.

1.        O Novo Testamento enfatiza a unidade que temos em Cristo. Essa é uma idéia poderosa, que foi revolucionária para aquela época. Infelizmente, um dos maiores males que ainda existem é o preconceito étnico, racial e nacional. Deus sabe a plena extensão dos efeitos causados por esse mal. Embora saibamos que isso existe no mundo, acaso se manifesta também em nossa igreja? Por que essa atitude contradiz o ensino mais básico do evangelho?

2.       Como você reage ao sentir a convicção do pecado, produzida pelo Espírito Santo? É no coração que o grande conflito é verdadeiramente travado. Como as escolhas que você faz quando é convencido do pecado pelo Espírito revelam de que lado você está?

Respostas sugestivas: 1. Disse que não competia a eles conhecer tempos ou épocas reservadas pelo Pai, mas eles receberiam poder para ser testemunhas. 2. Pessoas de várias nações ouviram o evangelho na sua língua e saíram para testemunhar em sua terra. Na torre de Babel, Deus confundiu as línguas e dispersou as pessoas. No Pentecostes, Deus uniu as pessoas e promoveu a compreensão do evangelho em todas as línguas. 3. Satanás usou aqueles líderes para ocultar a verdade, mas o Senhor levantou homens fiéis para interceder por Sua obra.
4. Enquanto o coração dos rebeldes se enfureceu, houve arrependimento no coração dos sinceros. Ter um coração submisso nos livra dos enganos de Satanás. 5. Pedro se recusou a comer os animais impuros, pois nunca tinha comido algo comum ou imundo. Essa visão não se referia à alimentação, mas ao relacionamento com as pessoas de outras nações consideradas comuns ou impuras, mas aceitas por Deus, que não faz acepção de pessoas.

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