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Um olhar Para o Céu - Meditação Diária - Junho

A beleza do infinito
Grande é o nosso SENHOR e de grande poder; o seu entendimento é infinito. Salmo 147:5 (ARC)
Infinito é um belo adjetivo com muitos significados. Na linguagem comum, indica algo que não tem início nem fim, que não possui limites. Porém, a maneira de entender a palavra depende de cada um. Para algumas tribos primitivas, o infinito era qualquer número maior do que três; para o fotógrafo, é o foco além de dez metros; para o pintor, é um ponto de fuga imaginário; para o matemático, é o número maior do que um número real; para o filósofo, é um símbolo da eter­nidade; para o teólogo, é uma expressão da divindade; para o profeta, é o sonho.
Ao que parece, o símbolo de infinito, um 8 deitado (), foi introduzido na lite­ratura matemática em 1655 pelo inglês John Wallis. O símbolo pode ter sido derivado do numeral etrusco para 1.000 (CI) ou da letra ômega (ω), a última letra do alfabeto grego. No campo da matemática que estuda os conjuntos, o infinito é representado pela primeira letra do alfabeto hebraico, o aleph (α). O fato é que o símbolo descreve algo imensurável - como Deus e o que ele pode fazer por você.
Em algumas versões da Bíblia, a palavra "infinito" não aparece nenhuma vez; em outras, apenas três vezes. No entanto, sinônimos expressando o conceito são usados em muitos lugares. Além disso, usamos o termo em hinos e na literatura religiosa. "Nós te adoramos, Deus infinito", cantamos. Ellen White usa o termo "infinito" para descrever, entre outras coisas, a essência de Deus, o poder divino, a mente de Deus, a sabedoria do Criador, o amor de Cristo e a vastidão do conhecimento a que os salvos terão acesso.
No verso de hoje, o salmista exalta o conhecimento divino infinito (em hebraico, en mispar, "sem número", "inumerável"). Contudo, Deus é infinito de modo absoluto em seu ser e em todas as suas perfeições, pois seu conhecimento, seu poder, sua mobilidade e transcendência não têm medida. Deus sabe tudo, pode tudo, está presente em todos os lugares e está acima de tudo. Aqui os números, as quantida­des e as categorias entram em colapso. Você não pode colocar Deus numa caixa e medi-lo. Não dá para comprimir seu poder num tubo de ensaio e examiná-lo. Não é possível salvar seu conhecimento num arquivo de computador e pesquisá-lo.
A infinitude de Deus desperta duas reações: primeira, temos a certeza de que o Altíssimo "é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós" (Ef 3:20); segunda, nosso ser explode em louvor e adoração "ao Rei eterno, ao Deus único, imortal e invisível" (1Tm 1:17). Porque as bênçãos divinas são infinitas, seu coração pode se tranquilizar; porque Deus é infinito, sua boca não deve se silenciar.

A fé está obsoleta?
Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra? Lucas 18:8
Fé é uma preciosa palavra que, infelizmente, perdeu relevância neste mundo secularizado e injusto. Para muitas pessoas, a pergunta retórica feita por Jesus no verso de hoje tornou-se realidade. A fé foi jogada no departamento de coisas antigas e obsoletas. A descrença aumenta cada vez mais não só devido aos questiona­mentos filosóficos, mas pela própria presença do mal no mundo.
O verso de hoje foi dito no contexto de uma parábola em que uma viúva teve que bater inúmeras vezes à porta de um juiz burocrata e corrupto em busca de justiça. Naquele tempo, o juiz estabelecia a agenda e a prioridade. O atendimento era controlado pela boa vontade dos assistentes ou, muitas vezes, por meio de pro­pina. Por fim, para não ser mais importunado, o juiz acabou dando uma sentença favorável à mulher.
Essa parábola é o tipo de história que apresenta um contraste: "se isso, então muito mais aquilo." Se um juiz humano desonesto podia fazer justiça a uma pessoa que pertencia ao estrato mais baixo da sociedade apenas por motivos pragmáticos, então Deus, que é justo e sensível, fará ainda maior justiça a seus filhos. Longe de sugerir que Deus é como aquele juiz, Jesus estava dizendo que ele ouve e responde.
De acordo com o relato, Jesus contou a parábola para mostrar aos discípulos que "eles deviam orar sempre e nunca desanimar" (Lc 18:1). Cristo queria dizer que, em vez de termos ansiedade, devemos ter fé em Deus; mas, se não orarmos para fortalecer a mente, podemos desanimar e perder a fé. Devemos orar insistentemente até obter uma resposta de Deus.
Em 1990, durante um banquete em sua homenagem em Orlando, na Flórida, o magnata da TV a cabo Ted Turner revelou que havia sido um cristão estrito e tinha até considerado a possibilidade de se tornar missionário. Mas, depois que sua irmã morreu, apesar das orações, ele ficou desencantado com o cristianismo e perdeu a fé.
No panorama atual, ao ver tantas injustiças e coisas ruins, ao sentir que Deus está demorando demais para agir e tomar providências, você pode ser tentado a perder a fé e parar de orar. O mundo está imerso num fluxo incessante de aconteci­mentos, notícias e informações que conspiram contra a fé. Porém, continue crendo no juiz amoroso e justo. Apesar do ambiente propício para a incredulidade, a fé, mais do que nunca, é necessária. Quando o Filho do homem vier, ele poderá dizer se você manteve a fé em meio à incredulidade e se sua fé é real ou não. Ele trará a recompensa que você espera. A questão não é se Deus existe e fará justiça, mas se você conservará a fé apesar das circunstâncias. Acredite: a fé não está obsoleta.

Caminhos misteriosos
A tua vereda passou pelo mar, o teu caminho pelas águas poderosas, e ninguém viu as tuas pegadas. Salmo 77:19
Deus se move de forma misteriosa. Os cristãos da Inglaterra cantam há muito tempo essas famosas palavras iniciais de um hino composto no século 18 por William Cowper (1731-1800). O que nem todos conhecem é a circunstância incomum na qual o hino foi escrito. Cowper, um dos poetas mais populares de sua época, especialmente porque escrevia sobre coisas do dia a dia, era cristão e amigo de John Newton, autor do hino "Graça Excelsa". No entanto, Cowper era frequentemente assolado pela depressão, abrigando idéias suicidas. Para piorar, depois de um sonho em 1773, pas­sou a achar que estava destinado à perdição eterna.
Numa noite envolta em neblina, ele estava mergulhado nas profundezas do deses­pero. O mau tempo era uma metáfora viva de seu estado mental. Cowper chamou uma carruagem puxada a cavalos, o táxi da época, e pediu para o cocheiro dirigir para a London Bridge. "Por que alguém iria querer ir à London Bridge a esta hora da noite, com este tempo, senhor?", perguntou o cocheiro, sem obter resposta. Depois de duas horas andando em meio ao denso nevoeiro, o cocheiro relutantemente confessou que estava perdido. Desgostoso com a demora, Cowper desceu, disposto a chegar à ponte a pé. Quando olhou, descobriu que estava em frente à entrada da própria casa. Imediatamente, ele reconheceu que a mão de Deus havia guiado os cavalos, que ficaram andando em círculos, impedindo que ele chegasse ao Tâmisa, onde pretendia cometer suicídio.
Convencido pelo Espírito de Deus, ele percebeu que o caminho para sair de seus problemas era olhar para Deus, e não pular no rio. Pegou a Bíblia e leu o salmo 77. Depositando os fardos sobre o Senhor, sentiu conforto no coração. Com gratidão, escre­veu estas palavras: "Deus se move de forma misteriosa / Para realizar suas maravilhas. / Ele imprime suas pegadas no mar / E cavalga sobre a tempestade."
Séculos antes de Cowper, o salmista também se sentia deprimido, desanimado e solitário. Ele não conseguia ver a mão de Deus guiando sua vida. Para ele, Deus havia se esquecido de seu povo. Parecia que o amor divino tinha acabado. Das promessas, nada restara. Ele não conseguia falar nem cantar. Porém, finalmente, ele percebeu que Deus ainda era o mesmo que havia caminhado pelo meio do mar para abrir caminho para seu povo. Ninguém vira as pegadas divinas, mas Deus estava lá. Ao resgatar as memórias do poder de Deus, ele recuperou sua confiança.
Se você está envolto em denso nevoeiro, como Cowper ou Asafe, não pegue uma carruagem para o rio; vá logo para o mar e veja as pegadas de Deus. Um Deus que se move de maneira misteriosa.

Pastor, cantor e sonhador
Porque, como imagina em sua alma, assim ele é. Provérbios 23:7 (ARA)
A primeira vez que o ouvi cantar, ao vivo, num congresso de liberdade religiosa no Rio de Janeiro, fiquei maravilhado. Voz grave, sorriso transparente, ele interpretou "Amazing Grace", em inglês, com tal brilhantismo, parecendo ter três pulmões, que deixou o seleto público enlevado, arrancando demorados aplausos. Wintley Phipps é o nome dele.
Quando era bem jovem, Wintley sonhava em conhecer os nomes famosos da música. Certa vez, encontrou-se com Tom Jones e Stevie Wonder. Mas ficou desiludido com a atitude de seus heróis. Percebeu que tinham o mundo a seus pés e, no entanto, eram infelizes.
Phipps, que já cantou para o papa, reis, rainhas e vários presidentes, incluindo todos os mandatários norte-americanos desde Ronald Reagan, nasceu em Trinidad e Tobago. Ainda jovem, mudou-se com os pais para o Canadá. Depois estudou e desenvolveu seu ministério nos Estados Unidos. É um pastor adventista ordenado. Apesar de seus contatos e da poderosa rede social, Phipps não abre mão dos princípios. Por isso, recusou um convite para fazer uma turnê com Diana Ross, pois, aos 16 anos, havia prometido a Deus que somente cantaria para a glória dele.
Nessa oração, a primeira prece real de que se lembra, Wintley entregou tudo a Deus, pedindo: "Senhor, o que quiseres que eu faça, farei. Se quiseres que eu seja um lixeiro para ti, serei um lixeiro. Tu sabes que eu gostaria de viajar e usar os talentos que me deste para a tua glória. Se essa é a tua vontade para mim, por favor abre a porta de alguma maneira." Um dia depois, dois representantes da versão canadense do Heritage Singers o convidaram para viajar e fazer evangelismo com eles. Deus honrou a decisão do jovem cantor.
Homem de oração e visão, Phipps fundou em 1998 a Academia Americana de Sonhos para ajudar na educação e no direcionamento de filhos de encarcerados, pois viu de perto os estragos do aprisionamento em sua própria família estendida. Certa vez, após cantar na prisão de Marion, na Flórida, uma moça se aproximou dele e perguntou se o nome de sua esposa era Linda. Quando ele confirmou, a menina disse: "Ela é minha tia." Todos os sete irmãos e irmãs de Linda foram encarcerados. Phipps tornou-se consciente de que o fracasso acadêmico é um indica­dor importante de perigo de prisão, e isso o moveu a criar a Academia de Sonhos.
Precisamos de sonhadores como Wintley Phipps - pessoas que não apenas tornem o mundo mais sonoro com suas vozes maravilhosas, mas que o tornem um lugar melhor por suas ações. Sonhe grande para a glória de Deus.

A primeira cúpula da Terra
O SENHOR Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo. Gênesis 2:15
No distante ano de 1992, tive a oportunidade de participar da Rio-92, ou Eco-92, ou ainda Cúpula da Terra, uma conferência que reuniu no Rio de Janeiro cerca de 180 chefes de Estado e de governo e inúmeros ativistas a fim de discutir medidas para preservar o ambiente para as próximas gerações. Durante alguns dias, o Rio voltou a ser a capital do país. Porém, a primeira cúpula oficial da Terra foi realizada há milhares de anos, quando o Criador reuniu os primeiros habitantes do mundo e confiou-lhes a tarefa de cuidar do planeta.
Estar no palco da mais importante conferência sobre meio ambiente da história me tornou mais consciente da importância da ecologia, ciência que estuda a dinâmica dos ecossistemas. A palavra "ecologia", criada em 1869 pelo cientista alemão Ernst Haeckel, é uma junção dos termos gregos oikos ("casa", "habitat", "habitação") e logia ("estudo", "reflexão", "tratado"). A ecologia está para a ciência do ambiente assim como a física está para a arquitetura.
Se até 1960 a ecologia não era considerada uma ciência importante, atualmente ela desfruta de bom prestígio. Temos muitos ecólogos, que são os especia­listas graduados em alguma área da ciência ecológica, e muitos ecologistas, que são ativistas que agitam bandeiras relacionadas com o ciclo da sustentabilidade, embora nem todos defendam corretamente o ambiente. No entanto, a consciên­cia ecológica precisa aumentar entre os cristãos, que nem sempre veem o cuidado do planeta como sua tarefa.
Na condição de cristãos, devemos valorizar a criação. E essa mensagem está em todo o nosso livro sagrado, não apenas no início dele. O tema da criação permeia a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse. Para quem acha que apenas o Gênesis fala de criação, é importante ressaltar que poucos livros do Novo Testamento não fazem alusão ao conceito. A família das palavras ktisis ("criação", "criatura"), ktisma ("o que é criado", "criatura") e ktizo ("criar", "fazer") aparece 38 vezes no Novo Testamento. Nos evangelhos, há dez alusões de Jesus à criação. As expressões "desde a fundação [katabole] do mundo" e "antes da fundação [katabole] do mundo" ocorrem dez vezes no Novo Testamento em referência a um evento definido. Portanto, a criação continua em nossa agenda.
Ao preservar o planeta, você conserva seu habitat e promove o louvor a Deus. Não por acaso, o teólogo Claus Westermann sugere que "o alvo real" das histórias da criação bíblica é "o louvor ao Criador". Hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente, faça planos de ser mais ecológico.

O jardineiro encantador
Vejam as maravilhas do Eterno! Ele planta flores e árvores por toda a terra. Salmo 46:8 (A Mensagem)
Eu não sei de onde Eugene Peterson, autor da paráfrase bíblica A Mensagem, tirou a ideia de que Deus planta flores e árvores por todo o planeta. Todas as traduções que conheço do salmo 46:8 sublinham as obras espantosas do Senhor sobre a terra, mas não falam de flores nem de árvores. De qualquer modo, é uma ima­gem encantadora e de acordo com a realidade, pois Gênesis (1:11-13; 2:8, 9) informa que, ao criar o mundo, Deus o ornamentou com árvores lindas e plantou um jar­dim esplêndido no Éden, no lado do Oriente. Deus, de fato, é um jardineiro sem igual, pois idealiza o jardim e faz surgir flores e árvores. Ele não precisa de mudas. As sementes e as flores estão na imaginação do jardineiro.
As belezas que Deus coloca no planeta revelam sua genialidade. É pena que nem todos consigam ter um vislumbre do Criador por meio de suas maravilhas. Certa vez, Agostinho, líder da igreja no 4° século, foi abordado por um pagão que lhe mostrou um ídolo e disse: "Aqui está meu deus; onde está o seu?" Agostinho replicou: "Não posso lhe mostrar o meu Deus; não porque ele não exista, mas porque você não tem olhos para vê-lo." Você consegue ver Deus andando pelo jardim e plantando flores para alegrar seus olhos?
Quando eu era menino, ficava impressionado com um jardim que eu via todos os dias. A cerca de 250 metros de um rio, ficava a casa, localizada ao sopé de uma pequena elevação. Quem chegava, tinha que subir uma escada para adentrar o alpendre, de onde era possível ampliar o horizonte e contemplar o rio, planícies, morros, pas­tos e árvores. Do lado direito da escada, protegida por um muro, estava o jardim. Não era rico como o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com suas mais de 10 mil espécies vegetais; nem tão bonito como o jardim de Keukenhof, na Holanda, com seus 15 qui­lômetros de trilhas e flores vibrantes de mais de cem cores diferentes; tampouco ins­pirador como o jardim japonês de Portland, nos Estados Unidos, com suas pontes, cascatas e delicadas cerejeiras. Mas era fotografado diariamente pelos meus olhos e armazenado no coração porque fora plantado e era cuidado pelas mãos de minha mãe.
Flores, além de serem obras de arte que deleitam quem tem sensibilidade, expressam virtudes silenciosas. Naquele singelo jardim de minha mãe cresciam amor, bondade, gentileza, alegria, paz e muitas boas emoções. E ali surgia uma semente de felicidade, pois uma árvore plantada no jardim ou na beira da estrada revela fé no futuro e transmite uma mensagem de esperança às novas gerações. Cada flor que Deus planta no planeta é uma declaração de amor.

Amor pelos bichos
Deus os abençoou, e lhes disse: "[...] Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra". Gênesis 1:28
Se você gosta de bichos, talvez tenha ouvido falar de Ângelo Machado, médico, entomólogo, educador, escritor e autor de muitos sucessos infantis. Nascido em Belo Horizonte, Ângelo atribui o início de sua carreira de entomólogo ao amor pelas libélulas, aqueles insetos com corpo alongado e dois pares de asas semitransparentes,
Quando foi perguntado qual é a graça de estudar as libélulas, ele explicou: "A libélula é o animal mais bonito do mundo. As asas transparentes, os olhos grandes, a leveza, a rapidez do vôo, elas são lindas. Outro motivo é a biologia, que é muito interessante, porque ela passa parte de sua vida dentro d'água, onde bota os ovos."
A ideia para o enredo de O Menino e o Rio, um dos títulos mais famosos de Ângelo Machado, surgiu a partir da pergunta de um menino de sete anos durante uma palestra em uma escola. "Por que todos os rios são sujos?", quis saber o garotinho, que morava em Belo Horizonte e só conhecia rios poluídos. Na imagina­ção do menino, os rios eram naturalmente sujos, e os homens, em sua bondade, os limpavam para poder beber de suas águas. O livro se inicia com a interrogação do menino, que vira personagem e é levado a conhecer um rio limpo.
Machado também procura valorizar a fauna brasileira. Ele fez uma pesquisa em cem livros de ecologia, com 64 espécies animais, e constatou que apenas 33% pertenciam à nossa fauna. Assim, segundo o naturalista, as crianças aprendem a gostar dos bichos e das plantas dos outros, deixando de valorizar as espécies que vivem aqui. Não há nada de errado em apreciar os elefantes e leões, por exemplo, mas é bom aprender a conhecer e a desenhar as onças e os tamanduás.
Entre suas iniciativas para diminuir as impressões negativas das crianças sobre os animais, ele escreveu uma nova versão para a história de Chapeuzinho Vermelho, intitulada Chapeuzinho Vermelho e o Lobo-Guará. (A palavra guará, em tupi, significa "vermelho".) Nessa história, o lobo-guará, que se alimenta mais de fruta do que de carne, entra na casa da vovozinha e vai devorar Chapeuzinho, quando vê uma melancia na fruteira e pergunta: "Chapeuzinho Vermelho, para que essa melan­cia tão grande?" Ela diz: "É para você comer." Aí, em vez de devorar a menina, ele come a melancia e outras frutas.
No texto de hoje, o autor de Gênesis diz que Deus colocou o homem como um protetor dos animais. Ter domínio sobre as aves, os peixes e os animais não significa liberdade para maltratá-los, mas a obrigação de cuidar bem deles. Você não precisa ser um Ângelo Machado, mas deve amar a natureza, as libélulas e os lobos-guarás.

Guerreiro longe da guerra
Na primavera, época em que os reis saíam para a guerra, [...] Davi permaneceu em Jerusalém. 2 Samuel 11:1
Em algumas partes do mundo antigo, a guerra não era uma atividade emergencial, esporádica, de acordo com as crises políticas. Ao contrário, como escreveu o orientalista Henry William Frederick Saggs, "a campanha militar era uma ativi­dade sazonal, ocorrendo regularmente, quase como as férias de verão, entre o fim da colheita e a retomada das operações agrícolas no início do inverno".
Se o rei Davi era um guerreiro e se a temporada era de guerra, o que ele estava fazendo no palácio? Será que já havia guerreado muito e estava cansado de lutar, ou se tornara importante demais para pegar a lança, ou estava doente, ou tinha negócios em Jerusalém, ou tinha más intenções? Não sabemos. O fato é que, na hora da batalha, um guerreiro não deve fugir da luta. Ficar no palácio quando se devia estar no campo de batalha é perder a guerra.
O rei Davi teve grandes momentos, mas os dois mais lembrados certamente são a vitória sobre o gigante Golias e a derrota para a bela Bate-Seba. No primeiro caso, ele não deveria ter ido para a guerra, mas foi e se tornou o herói. No segundo, ele deveria ter ido, mas não foi e se transformou no vilão.
A narrativa de 2 Samuel 10 e 11 é magnificamente elaborada. O narrador conta que o rei ficou em casa e viu uma mulher tomando banho - bela e nua. O conquistador perdeu a cabeça. Quem era aquela tentação? Era a esposa do soldado hitita Urias, um dos mais valentes e leais homens de Davi (2Sm 23), que estava guerreando no exército de Israel. A mulher não pôde resistir. Afinal, Davi era o rei e podia tudo. Um detalhe interessante é que apenas no fim da narrativa ficamos sabendo o nome dela: Bate-Seba. Até então, ela é retratada apenas como uma coisa, um objeto nas mãos do poderoso monarca.
Porém, as coisas se complicaram. Bate-Seba engravidou. O rei então idealizou um plano para encobrir o pecado. Mandou chamar Urias para dormir com a esposa. Homem de princípios, o hitita preferiu não fazer sexo enquanto os compa­nheiros faziam a guerra. Davi o enviou para a frente da batalha, onde ele morreu. O rei ficou com a esposa. O acobertamento estava completo. Bem, quase. O texto diz: "Mas o que Davi fez desagradou ao senhor" (2Sm 11:27).
Davi quebrou um mandamento após o outro: cobiçou, adulterou, roubou, assassinou... Como podia o rei de Israel cometer tal iniquidade? Quando o guerreiro fica no palácio durante a temporada de guerra, tudo é possível. Você é um guerreiro? Vá para o campo de batalha com as tropas. Estar onde não se deve estar é um convite ao pecado.

O caçador de leões
Benaia, filho de Joiada, era um corajoso soldado de Cabzeel, que realizou grandes feitos. Matou dois dos melhores guerreiros de Moabe e, num dia de neve, desceu num buraco e matou um leão. 2 Samuel 23:20
Num capítulo que registra os feitos dos heróis do rei Davi aparece uma façanha inconcebível. O soldado Benaia enfrentou um leão numa cova num dia de neve. A Bíblia não descreve os detalhes do duelo. Porém, imagino Benaia chegando à caverna. Tempo gelado, flocos de neve caindo, ele procura um abrigo. Mas descobre que o abrigo já tem dono. Olhos amarelados, o leão olha para ele, que olha para a fera. O animal está faminto. Sua boca saliva. O cérebro do jovem envia a mensa­gem: lutar ou fugir. Não sou amigo do leão, mas aqui vai a pergunta: se fosse você, o que você faria? Talvez fugiria, pois é isso que as pessoas normais fazem quando se veem cara a cara com um leão. Contudo, Benaia não era normal.
Voltemos a cena. Agora imaginemos Benaia e o leão se aproximando um do outro. A neve cai vagarosamente. Seus olhares se cruzam. O leão solta um rugido que ecoa pelo vale. Seguindo seu instinto, retesa os músculos, e logo o guerreiro percebe uma massa de 200 quilos voando em sua direção. Ele se desvia, mas sente as garras descendo pelo seu peitoral. O sangue tinge de vermelho a neve. O guerreiro saca sua espada e atinge a costela do oponente. O leão foge. Benaia o persegue. Na seqüência, o bicho salta sobre uma área de neve macia e cai na cova. Benaia se afasta, mas não para fugir. Ele toma impulso e pula para dentro da caverna. O leão, acuado, avança contra o intruso. Os dois lutam corpo a corpo. Por fim, o leão fica estendido no chão. O soldado sai com uma história para contar aos filhos no futuro.
Logo fica sabendo que o rei está querendo contratar um chefe para sua guarda pessoal. O rei começa as entrevistas. Olha um currículo, outro, mais um... Não se empolga. De repente, ao entrevistar um jovem musculoso, pergunta: "O que você acha que o qualifica para a função?" O jovem diz: "Bem, matei um leão numa caverna num dia de neve..." Os olhos do rei brilham. Ele relembra dos tempos em que ele mesmo matara um leão, o que o qualificara para destruir um gigante. Benaia é contratado para o palácio.
Mark Batterson, que escreveu um belo livro a partir da história de Benaia, diz: "Deus está no negócio de elaborar currículos. Ele está sempre usando experiências passadas para nos preparar para as oportunidades futuras. Mas as oportunidades concedidas por Deus, com freqüência, vêm disfarçadas em leões devoradores de seres humanos. E a forma como reagimos ao encontrar esses leões determina nosso destino."
Se você estiver numa cova com um leão em um dia de neve, mate o leão. Depois, mande o currículo para o rei. Seu lugar é no palácio!

A última bênção
Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi elevado ao céu. Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria. Lucas 24:51, 52
"Minha boa mamãe: depois de alguns dias de silêncio, aqui está de novo o seu caçula, para pedir-lhe a bênção e conversar um pouco." Esse é o início de uma carta enviada por Carlos Drummond de Andrade à mãe, Julieta Augusta, em agosto de 1942. Ela faz parte de um acervo de 121 cartas escritas pelo poeta mineiro entre 1925 e 1948. Adquiridas pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade de um colecionador de Lavras (MG), em 2013, foram expostas ao público pela primeira vez em 2014, em Itabira, cidade natal do escritor. Em tom afetuoso, Drummond costumava relatar amenidades à mãe e pedir-lhe a bênção.
Receber a bênção dos pais era um costume enraizado nas Minas Gerais do passado. Contudo, a bênção real é conferida por Deus, e as pessoas que pediam e dese­javam a bênção sabiam disso. Por mais que essas bênçãos paternas e maternas sejam importantes, elas não se igualam à bênção que Jesus expressou aos discípulos em sua despedida. Em Lucas 24, um capítulo rico em emoções, o Jesus ressuscitado aparece aos amigos e, algum tempo depois, num monte fora de Jerusalém, comunica-lhes a promessa de poder do alto, ergue as mãos, abençoa-os e é elevado ao céu. Era a última bênção, que teve o efeito de criar neles imensa alegria e louvor constante (v. 49-53).
Sua alegria, talvez estranha, embora justificável, não era apenas pela bênção em si, mas pelo cumprimento surpreendente das Escrituras, a vitória miraculosa sobre a morte, a vida personificada em Jesus, a presença confortadora do Senhor, a promessa do dom espetacular do Espírito, a ida triunfante para o Céu e a perspectiva gloriosa. De fato, o clímax da missão messiânica só podia ser celebrado com alegria. Braços abertos, lábios abençoadores, Jesus reinventava a vida e o futuro diante de seus olhos.
A maior bênção naquele contexto, sem dúvida, seria o dom do Espírito Santo. Jesus subiu para que o Espírito descesse. Empolgados, os discípulos avistaram coisas maravilhosas, porque a bênção do Espírito de Deus nunca vem sozinha. "Reclamada pela fé, traz após si todas as outras", ensina Ellen G. White (O Desejado de Todas as Nações, p. 672). Bênção não é um desejo abstrato, mas um fluir (com "l", correr) e um fruir (com "r", desfrutar) do gracioso Espírito outorgador de dons. Naquele momento, uma fonte inesgotável de amor e vida eterna nascia no coração de cada um para abençoar o mundo.
Você não acha maravilhoso que Jesus tenha subido ao Céu em meio a uma bênção? As mesmas mãos que foram pregadas na cruz para nos abençoar por toda a eternidade continuam estendidas para derramar todas as bênçãos sobre você.

O paradoxo de Leona
Dos céus olha o Senhor e vê toda a humanidade. Salmo 33:13
Na condição de jovem pastor com pendores intelectuais, bom preparo acadêmico e uma memória prodigiosa, Marlon Betz (pseudônimo) se orgulhava de conhecer toda a intelectualidade da teologia adventista do presente e do passado. Era uma espécie de dicionário ambulante de "quem é quem". Além de conhecer a formação da maioria absoluta dos principais professores de teologia dos seminários da igreja ao redor do mundo, ele dizia onde cada um trabalhava. É difícil entender qual é a utilidade de ocupar espaço no HD mental com esse tipo de informação, mas esse era seu hobby.
Um dia, conversando com ele, perguntei quem foi a primeira mulher adven­tista a dar aulas em tempo integral no Seminário Teológico Adventista, em Takoma Park, nos Estados Unidos. Ele fez uma busca em todos os seus arquivos mentais e não encontrou o nome. "O que você sabe sobre Leona Running?", eu o provoquei. "Nada", ele admitiu, humilhado. "Quem foi ela?"
Leona, que, no início da carreira, trabalhou na área de línguas estrangeiras de A Voz da Profecia em seu país e atuou como revisora da revista Ministry, foi uma respeitada linguista e erudita adventista. Doutora em línguas semíticas pela Universidade Johns Hopkins, assistente e biógrafa do notável arqueólogo William F. Albright, ela lecionou durante quase seis décadas no seminário da Universidade Andrews. Inspirou gerações de estudantes com seu conhecimento e sua compaixão. Falava várias línguas e motivava os estudantes de teologia a aprender as línguas bíblicas, pois eram as "ferramentas" do pastor. "Nunca mencione a palavra 'hebraico' ou 'grego' no púlpito, mas apenas apresente o que o original diz", ela aconselhava. "Assim, em vez de as pessoas dizerem: 'Veja quanto grego ou hebraico nosso pas­tor conhece', vão dizer: 'Nosso pastor faz a Bíblia falar para mim'."
Paradoxalmente, meu amigo Marlon, que se vangloriava de saber tudo sobre os eruditos adventistas, não sabia nada sobre Leona Rachel Glidden Running. Como expli­car essa lacuna em seu conhecimento? Passei a chamar esse fenômeno de "paradoxo de Leona". Ou seja, quando achamos que conhecemos tudo sobre as pessoas e seu poten­cial, descobrimos que existem nomes e talentos notáveis sobre os quais nunca ouvimos falar! Nosso mundo mental é menor do que o mundo real. O universo das pessoas é infinitamente mais rico do que supomos e sempre tem a capacidade de nos surpreender.
Somente Deus conhece todas as pessoas e seus diferentes potenciais ocultos. Onde não vemos nada, Deus pode ver um professor, uma cantora, um médico, uma dentista, um administrador, uma construtora, um programador ou uma lingüista de enorme talento. Todos somos vítimas do "paradoxo de Leona", menos Deus.

O brilho dos teus olhos
Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mateus 6:22
O olho humano pesa apenas 7,5 gramas, mas tem uma capacidade espetacular de detectar a luz, distinguir uma infinidade de cores e perceber uma multiplicidade de formas. Metáfora perfeita para a consciência e o conhecimento, os olhos conseguem revelar a alma, decifrar o mundo, devassar o universo, explorar o espaço, contar as estrelas, criar horizontes. São janelas, avenidas, câmeras, filmes, naves. Podem esconder mistérios, cintilar vida, expressar emoções. São os olhos que ditam a moda, determinam o sucesso dos produtos, alimentam a paixão. Sem os olhos, você não conseguiria nem mesmo saber se é dia ou noite.
Ao mesmo tempo em que servem para iluminar a vida, os olhos podem distorcer a realidade, pois nem sempre são puros, imparciais e desinteressados. Eles podem ser superficiais, seletivos e julgadores. Alguns escritores e poetas de longe já haviam percebido isso. William Shakespeare disse: "O amor não se vê com os olhos, mas com o coração." Para David Hume, "a beleza das coisas existe no espirito de quem as contempla". Antoine de Saint-Exupéry ecoou o poeta inglês: "Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos."
Seu modo de olhar determina sua forma de ver as coisas, o que depende de como você utiliza os olhos. Alguns usam os olhos como espelho, para ter uma visão mais real de si mesmos. Outros gostam de usá-los como lupa, para maximizar os defeitos alheios. Ainda outros preferem usá-los como microscópio, para examinar a vida em busca de "picuinhas". Há também os que adoram utilizá-los como câmera, para fotografar tudo que veem pela frente. E um grupo menor prefere empregá-los como telescópio, para sondar o infinito e quem sabe enxergar Deus.
O importante não é se você tem olhos azuis, verdes, marrons, pretos ou um de cada cor (heterocromia), mas onde você os focaliza e como interpreta o que vê. As lentes de seus olhos podem captar um bilhão de pixels; porém, se você não sou­ber interpretar as imagens, verá apenas quadros confusos. As imagens dos olhos só podem ser nitidamente interpretadas por quem entende a linguagem do amor.
Bênção maravilhosa, os olhos tornam o mundo mais divertido. Até o caracol, que mal consegue distinguir entre claro e escuro, vive melhor por causa dos olhos. Contudo, seus olhos podem ser mais do que instrumentos ópticos. Se Deus corrigir o foco do seu olhar, você poderá ver coisas que só ele vê, e do jeito que ele vê. E, se Deus colocar um novo brilho em seu olhar, você passará a realmente viver, pois aquele cujos olhos não brilham mais não está cego, está morto.

Lamento por Jerusalém
Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedrejas os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! Lucas 13:34
Da janela de um hotel, numa sexta-feira à tardinha, sol no horizonte, contemplo Jerusalém. Nos últimos dias, andei pelas ruas largas e estreitas de Jerusalém e orei pela paz da cidade eterna, a paz que o Salvador ofereceu ao andar por suas ruas. Jerusalém, conquistada 29 vezes, escolheu seu destino quase 2 mil anos atrás, quando rejeitou aquele que trazia a salvação. Vendo a incredulidade e o futuro da cidade sagrada, o Salvador chorou intensamente por ela. Com uma lágrima de tris­teza, escrevi um lamento pela cidade do grande Rei, desejando que ela encontre o seu Messias e reescreva seu destino de cidade gloriosa.
Jerusalém, com seus contrastes, é como se fosse duas cidades, encantando e decepcionando ao mesmo tempo. É a cidade do rei Davi e a cidade do Rei Messias. Cidade da espada, cidade do cetro. Cidade da menorá, cidade da estrela. Cidade da cruz, cidade do trono. Cidade das luzes, cidade do sol. Cidade do brilho, cidade da glória. Cidade de ouro, cidade de bronze. Cidade de areia, cidade de pedra. Cidade dos vales, cidade dos montes. Cidade do riso, cidade do choro. Cidade do pão, cidade da fome. Cidade da sede, cidade da água da vida. Cidade da paz, cidade da guerra. Cidade dos conquistadores, cidade dos conquistados. Cidade dos pesadelos, cidade dos sonhos. Cidade da tolice, cidade da sabedoria. Cidade das sinagogas, cidade do templo. Cidade da letra, cidade do espírito. Cidade da morte, cidade da vida. Cidade pecadora, cidade santa. Cidade da fé, cidade da incredulidade. Cidade comum, cidade espetacular. Cidade do natural, cidade do milagre. Cidade de um povo, cidade do mundo. Cidade do passado, cidade do futuro. Cidade do tempo, cidade da eternidade. Cidade da Terra, cidade do Céu. Cidade dos homens, cidade de Deus. Jerusalém é eu e eu sou Jerusalém.
Jerusalém tem sido cantada por muitos. Na belíssima e nostálgica canção "Jerusalém de Ouro", composta por Naomi Shemer, combinando poesia e temas tradicionais de Israel, ouvimos sobre a "cidade solitária", "aprisionada em seu sonho", em que "os ventos chegam a chorar" e "o shofar chama no monte do templo na cidade velha, e em caver­nas nas montanhas milhares de sóis brilham", culminando com o coro: "Jerusalém de ouro, de bronze e de luz, por que não ser eu o violino para todas as suas canções?"
Ó linda Jerusalém das lindas canções, um dia, quando seu nome se transfor­mar em Nova Jerusalém, todos os seus moradores cantarão sua beleza eterna. Mas esse dia somente virá quando seu Rei voltar a andar em suas ruas.

Olhe para cima
Quando começarem a acontecer estas coisas, levantem-se e ergam a cabeça, porque estará próxima a redenção de vocês. Lucas 21:28
Pedras colossais, mármore branco, paredes magníficas, o templo parecia uma obra-prima construída pelos próprios anjos. Centro da vida religiosa, política, econômica e social de Israel, era o orgulho da nação. Monumental, admirado pela arquitetura e a decoração, sua área externa abrigava quase 400 mil pessoas, que se reuniam para os grandes festivais. Casa de Deus na Terra, ali o passado, o presente e o futuro se concentravam.
Um dia, sem notar que a prática religiosa do povo não mais correspondia à beleza do templo, os discípulos como que cobraram uma explicação para a declaração de Jesus de que aquela casa ficaria deserta. Com olhos que permeiam todos os atos da história, misturando fatos sobre a destruição do templo e o fim do mundo, o Mestre confirmou que não ficaria "pedra sobre pedra" (Lc 21:6). Afinal, para os judeus, a ruína do templo seria mesmo o melancólico encerramento de uma era. Naquele contexto, Cristo indicou cinco coisas que devemos fazer quando o mundo cai ao nosso redor:
1. Não seja seduzido por falsas promessas (v. 8). Cuidado para não ser enganado. Não aceite todo ensino. Evite a armadilha.
2. Não se apavore (v. 9). As guerras e agitações sociais podem suscitar o medo. Tudo que puder ser abalado será. Mas você que está firmado na rocha dos milênios não precisa ficar aterrorizado.
3. Confie na ajuda divina (v. 14). Quando surgirem perseguições e a oportunidade para testemunhar, não se preocupe com o que você vai dizer. Não se torne defensivo. Jesus prometeu-lhe inteligência e sabedoria para o momento crítico.
4. Fuja do foco do problema e busque proteção (v. 21). Os cristãos que estivessem na cidade deviam fugir para os montes e os que estivessem no campo não deviam entrar cidade. No fim dos tempos, ao perceber os ventos da perseguição, como prevê a narrativa adventista, busque refúgio em Deus e nos lugares seguros.
5. Fique de cabeça erguida (v. 28). Quando o mundo desaba, a maioria, condicionada pela ansiedade, só consegue olhar para baixo. Porém, Jesus disse que devemos olhar para cima. Quanto pior for o cenário na Terra, mais brilhante será a visão do céu. Por isso, neste momento em que os sinais encontram a realidade, levante a cabeça. Sua redenção se aproxima.

Cão fiel
Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida. Apocalipse 2:10
Dubh é o nome do cão de meus filhos. Preto, peludo, mancha branca no peito, com os dentes inferiores típicos de um Lhasa Apso (de origem tibetana), ele se afeiçoou à minha esposa de modo marcante. Quando ele era pequeno, para onde ela ia, ele ia junto. Por isso, ela o apelidou de "cãozinho fiel". Se o comportamento dele chamou nossa atenção, alguns cães ficaram famosos por sua imensa fidelidade.
Um deles comoveu a China em 2011 ao fazer vigília no cemitério do vilarejo de Panjiatun, onde seu dono, Lao Pan, fora sepultado. Quando o dono morreu, os vizinhos sentiram falta do animal. Depois de sete dias, eles o encontraram ao lado do sepulcro, sem comer. Cor amarelada, orelha direita caída, o cão chinês foi alimen­tado pelos moradores do vilarejo e permaneceu guardando e aguardando seu dono.
Bem mais incrível é a história do cão Hachico, no Japão. Todos os dias, ele costumava se despedir de manhã de seu dono, um professor universitário, na estação Shibuya, em Tóquio, e aguardá-lo à tarde. Em 1925, o dono não voltou, pois mor­rera no trabalho, mas o cão continuou indo à estação, no horário da chegada do trem, até morrer, em 1935. Hachico foi homenageado com uma estátua. A fideli­dade lendária do cão se tornou um exemplo de lealdade no país.
De fato, há inúmeras histórias de lealdade e heroísmo de cães, como Argos, o cão que, na Odisseia, espera durante 20 anos pelo retorno de Odisseu. Ou Bobby, que virou celebridade no século 19, em Edimburgo, na Escócia, ao passar 14 anos velando o sepulcro de seu dono. Ou ainda Fido ("Fiel" em latim), um cão de rua que foi encontrado machucado e então cuidado por Cario Soriani, na Itália. Afeiçoado ao seu protetor, o cão o acompanhava diariamente até o ponto de ônibus numa praça e o esperava à tarde. Quando Soriani morreu num bombardeio durante a II Guerra Mundial, Fido continuou indo ao ponto de ônibus pelos 14 anos seguintes (mais de 5 mil vezes), até sua morte, em 1958.
Ao longo da história, inúmeros cristãos também ficaram ao lado Cristo até a morte. Quando o Salvador morreu, alguns foram ao sepulcro, identificando-se com seu Senhor. Depois, outros se dispuseram a morrer por Cristo. No início do cristianismo, o martírio voluntário era um fenômeno bem conhecido, embora criticado por líderes como Clemente de Alexandria. Inácio de Antioquia foi um des­ses mártires. Ele não apenas se conformou com seu destino de morrer por Cristo, mas o desejou. Ao ser preso e levado para Roma, a fim de ser julgado e executado, ele pediu para a igreja romana não tentar interferir em seu martírio. Será que nós somos fiéis como Hachico, Bobby, Fido e esses mártires?

Perguntas de Deus
Que falta os seus antepassados encontraram em mim, para que me deixassem e se afastassem de mim? Jeremias 2:5
Desde a antiguidade, as perguntas têm feito parte do repertório humano de comunicação e aprendizado. Por exemplo, o método socrático era baseado em perguntas e respostas para estimular o pensamento e iluminar as idéias. A política e a literatura registram perguntas famosas, como: "Até tu, Bruto?" (Júlio César) e "Ser ou não ser?" (Shakespeare).
A capacidade de fazer perguntas é tão importante que o etnomusicólogo Joseph Jordânia sugeriu que esse é um aspecto essencial da habilidade cognitiva do ser humano e aquilo que o distingue dos animais. Estudos mostram que alguns macacos aculturados e bem treinados conseguem dar respostas por meio de gestos, mas não conseguem formular perguntas.
O objetivo das perguntas varia de acordo com as circunstâncias. Podemos perguntar para obter informação, motivar a reflexão ou levar a pessoa a repensar suas atitudes. As respostas, igualmente, variam conforme as perguntas. Podemos res­ponder com o silêncio, com "sim" ou "não", com outra pergunta, com um discurso analítico ou com a mudança de vida.
Na Bíblia há muitas perguntas. As interrogações fazem parte da teologia. Desde que a serpente perguntou a Eva "Foi isto mesmo que Deus disse?" e Deus perguntou a Adão "Onde está você?", as perguntas têm acompanhado o ser humano. Se o jornalismo trabalha com as seis perguntas básicas da informação (o que, quem, quando, onde, como e por que), os autores bíblicos procuram ir mais fundo em seus questionamentos. As perguntas divinas, assim como as perguntas retóricas, nem sempre pedem respostas, mas sempre exigem reflexão.
Talvez nenhum autor da Bíblia tenha feito tantas perguntas quanto Jeremias. O livro que leva seu nome tem muitas perguntas, como: "Se você correu com homens e eles o cansaram, como poderá competir com cavalos?" (12:5) e "Será que o etíope pode mudar a sua pele? Ou o leopardo as suas pintas?" (13:23). Porém, uma de suas perguntas mais importantes é a que se encontra no verso de hoje. É, na verdade, uma pergunta de Deus.
Será que o Senhor foi infiel ao concerto para que os israelitas o trocassem por ídolos inúteis e se tornassem eles mesmos inúteis? Por que trocar a Glória (2:11) por nulidade? Essa pergunta é feita a você e a mim.

Saia do barco
Então Pedro saiu do barco, andou sobre a água e foi na direção de Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: "Senhor, salva-me!" Mateus 14:29, 30
Num fim de tarde em 2012, ao dar uma volta de barco pelo mar da Galileia, durante uma conferência bíblica, fiquei imaginando uma viagem que Jesus e os discípulos fizeram pelo mesmo local.
Havia sido um dia agitado. Muitos milagres, um sucesso absoluto. A multidão queria coroar Jesus como rei. Os próprios discípulos, empolgados, pensavam nessa hipótese. Porém, esse não era o plano divino. Jesus teve que enviá-los para o outro lado do lago. Às vezes, Jesus nos obriga a atravessar o lago porque lá é o melhor lugar para reajustarmos o foco em relação ao fracasso e ao sucesso.
Os discípulos relutaram, pois todos gostam de estar ao lado dos heróis. O problema é que a demora em obedecer à ordem do Mestre pode nos colocar na rota das tempestades. Mesmo quando é Jesus quem nos envia para o mar, as ondas podem ameaçar virar nosso barco. O texto diz, literalmente, que o barco foi "torturado" (basanizo) pelo vento contrário.
No entanto, da posição em que Jesus estava orando, ele podia ver a aflição de seus marinheiros. Alta madrugada, ele foi ao encontro deles. Não tinha um barco, mas o Filho de Deus não precisa de barco nem de navio para cruzar o mar. No pior momento da crise, ele revela sua capacidade de manter-se acima das ondas (objetos do temor), ainda que a princípio não o reconheçamos.
Ao aparecer andando sobre a água, vestes e cabelos ao vento, quem sabe a silhueta iluminada pelos primeiros raios do sol, os discípulos, aterrorizados, pensaram que era um fantasma. Jesus acalmou-os, dizendo: "Ego eimi [sou eu]." Pedro gostou do espetáculo e, com fé ousada, pediu para fazer o mesmo. "Se ele pode, eu posso", pensou. "Venha", disse o Mestre. "Pedro, você ficou louco?", os discípulos devem ter gritado. "Você já fez isso antes? Volte aqui." Porém, quando Jesus ordena, podemos desafiar as leis da natureza e enfrentar as ondas. Se você quer caminhar sobre a água, precisa sair do barco.
Entretanto, jamais devemos tirar o foco de Jesus. Pedro começou a olhar para os companheiros e sentiu orgulho. Depois, olhou para as ondas e sentiu medo. Desviar o olhar do Mestre e voltá-lo para as circunstâncias é fatal. Entre no barco, saia do barco, volte para o barco, mas nunca tire os olhos de Jesus.

Montes inabaláveis
Os que confiam no SENHOR são como o monte Sião, que não se pode abalar, mas permanece para sempre. Salmo 125:1
Alguns dos eventos mais importantes do povo de Deus aconteceram em montes. Abraão sacrificou no monte Moriá, Arão morreu no monte Hor, Moisés recebeu a lei no monte Sinai e morreu no monte Nebo, Josué construiu um altar no monte Ebal, Elias desafiou os falsos profetas no monte Carmelo, Jesus ensinou no monte das Bem-Aventuranças, transfigurou-se provavelmente no monte Tabor, orou no monte das Oliveiras e morreu no monte Calvário. E nós hoje, em diversos momentos da vida, podemos simbolicamente escalar diferentes montes e experimentar variadas emoções.
A palavra hebraica usual para monte/montanha (har) aparece cerca de 550 vezes no Antigo Testamento e tem um importante significado teológico. O monte, com sua majestade e seu poder, indica a permanência, a firmeza e a constância de Deus. Os montes, que atravessam os séculos no mesmo lugar, são monumentos à eternidade. Além disso, simbolizam o lugar da revelação divina e da proximidade com Deus.
Embora alguns povos antigos, como os mesopotâmicos e os incas, adorassem os deuses das montanhas ou as próprias montanhas, acreditando que governassem as plantas, ás águas, os animais e as pessoas, o povo de Deus não deveria colocar sua confiança nos montes, e sim no Senhor que criou os montes. É verdade que, em alguns momentos, os israelitas adoraram falsos deuses em lugares altos. Mas, como diz o salmo 121, o socorro e a salvação não vinham dos montes.
De acordo com o verso de hoje, aqueles que confiam em Deus se tornam firmes e estáveis como o monte Sião. Numa época como a nossa, em que tudo é instável, é bom poder encontrar firmeza e permanência. Não ser abalado pelos tremores da história e da vida é um privilégio dos que confiam no Deus da estabilidade.
Os picos dos altos montes, além de serem lugares frios, têm ar rarefeito, pouco oxigênio e quase nenhum alimento. Por isso, é difícil morar nas alturas. Nossa vida, em geral, se transcorre nas planícies e nos vales. Alguns até tentam viver nos Everestes da vida, mas não conseguem. Não sei se você é habitante das montanhas ou das planícies. Porém, qualquer que seja o caso, você precisa subir o monte sagrado a cada dia, para se encontrar com Deus e visualizar um novo horizonte. Na montanha, você poderá ver, ao mesmo tempo, seus limites e potenciais. Ali, descobrirá que o Deus que criou os montes quer estabilizar sua vida e torná-la firme como o monte Sião, para que você jamais seja abalado.

Nada me faltará

O SENHOR é o meu pastor; de nada terei falta. Salmo 23:1
O salmo 23, um dos textos mais amados da Bíblia, já confortou milhões de corações em tempos de perdas e crises. Escrito há 3 mil anos por Davi, é como se tivesse sido escrito hoje por mim mesmo (ou por você), pois o Senhor continua sendo o "meu pastor". O autor era pastor de ovelhas e, por isso, via Deus como o seu pastor. Se ele fosse um executivo, poderia ter escrito: "O Senhor é o meu administrador..." Se fosse professor, poderia ter anotado: "O Senhor é o meu mestre..." Se fosse filósofo, pode­ria ter filosofado: "O Senhor é a minha sabedoria..." Se fosse editor, poderia ter dito: "O Senhor é o meu logos (ou palavra)..." Se trabalhasse na área de TI, poderia ter afirmado: "O Senhor é o meu programador..." Bem, você captou o espírito.
Embora o salmo 23 mereça um livro, quero destacar apenas uma parte do primeiro verso. As traduções normalmente dizem: "O senhor é o meu pastor, e nada me faltará." No entanto, outra tradução possível, que tem sido usada por algumas Bíblias, é: "O senhor é o meu pastor; de nada terei falta." Uma tradução enfatiza que o Senhor me dará tudo o que eu quero; a outra sublinha que o Senhor é tudo que preciso.
Infelizmente, vivemos numa época de descontentamento. Sociedades inteiras apostam no consumo como um meio para satisfazer os desejos humanos, mas não encontram satisfação. Por isso, compram cada vez mais, até encher suas casas e esvaziar o coração. Por exemplo, cada família norte-americana tem, em média, 13 cartões de crédito. Porém, será que estão felizes?
Há um poema de Jason Lehman, intitulado "Tempo Presente", que expressa nosso descontentamento. Foi escrito quando ele tinha 14 anos e enviado pela avó para Abigail Van Buren, colunista do jornal Chicago Tribune. Após certificar-se de que Jason era realmente o autor, Abigail o publicou em sua coluna. Diz: "Era primavera, mas era o verão que eu queria: os dias mornos e as brincadeiras ao ar livre. / Era verão, mas era o outono que eu queria: as folhas coloridas e o ar fresco e seco. / Era outono, mas era o inverno que eu queria: a neve bonita e a estação das férias. / Era inverno, mas era a primavera que eu queria: o calor e o florescer da natureza. / Eu era uma criança, mas era a maioridade que eu queria: a liberdade e o respeito. / Eu tinha 20 anos, mas era 30 que eu queria: ser maduro e sofisticado. / Eu estava na meia-idade, mas era 20 que eu queria: a mocidade e o espírito livre. / Eu estava aposentado, mas era a meia-idade que eu queria: a agilidade mental, sem limitações. / Então minha vida terminou, e eu nunca consegui o que procurava."
O Senhor é tudo o que você deseja? Ele satisfaz sua alma? Somente se Deus for tudo em sua vida, você não sentirá falta de nada.

Elixir branco
Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação. 1 Pedro 2:2
A história de cada pessoa com o "elixir branco" começa cedo. No meu caso, ela foi além. Desde menino, eu levantava antes do sol anunciar a aurora para buscar o gado no pasto e tirar leite. No colégio, durante um período, continuei levan­tando de madrugada para ordenhar as vacas. Modéstia à parte, eu era um excelente tirador de leite. Em minutos, o balde de dez litros estava espumando até a boca. Mais tarde, o equipamento mecânico facilitou o trabalho.
Conhecido desde os primórdios da civilização, o leite tem sido usado em muitas sociedades como alimento e símbolo de abundância. Na Bíblia, a expressão "terra onde manam leite e mel" é recorrente. Na verdade, uma porcentagem rela­tivamente pequena da população mundial bebe leite, mas seus subprodutos são muito usados. Os europeus espalharam o uso de laticínios pelo Novo Mundo. Vacas, cabras, ovelhas, búfalas, camelas, éguas, renas e iaques são algumas espé­cies domesticadas para fornecer leite, que ganhou ótimos aliados com a pasteuri­zação e a esterilização.
Além do aspecto nutritivo, há também o traço cultural e até místico. Por exemplo, no Egito, o leite era sagrado para a deusa ísis. A receita do "Leite de ísis", incluindo leite, xarope de amêndoa e morangos, ainda existe. Nos rituais hindus, o leite é utilizado na purificação.
Composto basicamente de água (mais de 85%), o leite fornece gordura, açú­cares, proteína, vitaminas e minerais. O interessante é que o tipo de ervas que o animal come influencia nas propriedades e na qualidade do leite, tornando-o medi­cinal ou venenoso. Até o odor e o sabor da bebida mudam. Por isso, tome cuidado com a qualidade do produto, pois leite contaminado pode prejudicar sua saúde.
Frequentemente chamado de "alimento perfeito da natureza", o leite é associado com as crianças e os primeiros estágios do crescimento. Para o sofisticado autor de Hebreus (5:13), "quem se alimenta de leite ainda é criança", isto é, ainda está no ABC do evangelho. No entanto, o apóstolo Pedro, usando a analogia dos bebês, tem uma opinião mais positiva do produto e recomenda que os cristãos busquem "o leite espiritual puro" para crescer. Devemos desejar o alimento espiritual assim como as crianças desejam o leite.
Goste de leite ou não, você deve desejar e ingerir o leite espiritual todos os dias. Com aveia e flocos de cereais, representando o estudo aprofundado das verdades bíblicas, o leite pode ficar ainda mais nutritivo e saboroso.

Querer e realizar
Ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele. Filipenses 2:12, 13
Na longa história da igreja, poucos assuntos geraram mais faíscas teológicas do que o método da salvação. Paulo, o maior escritor sobre o tema, clareou muitas coisas, mas sua lógica sofisticada também pode parecer complexa. No texto de hoje, por exemplo, o verso 12 parece afirmar o contrário do verso 13. Ele diz: "Ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor." Em seguida, acrescenta: "Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar." Afinal, a salvação depende de Deus ou de nós? Não foi por acaso que o teólogo escocês Donald Baillie denominou a verdade expressa aqui de "paradoxo da graça".
Em outras palavras, a salvação é um dom ou uma tarefa? Resposta curta: ambos. Em alemão, os teólogos até fazem um jogo de palavras, dizendo que ela é Gabe ("dom", "presente") e Aufgabe ("tarefa"). Não é pelo fato de Deus fazer tudo que você não precisa fazer nada. Paulo não está dizendo que nós devemos trabalhar pela salvação, mas que a salvação deve trabalhar em nós. Você precisa encarnar a salvação e deixar que ela dirija sua vida.
A força que transforma a salvação em uma realidade dinâmica vem de Deus, e não de nós. Ele opera em nosso interior para que nós operemos no exterior. A palavra "operar" ou "trabalhar", como dizem algumas versões, é a tradução do verbo grego energeo, do qual vem a palavra energia. Portanto, Deus é a energia que torna a salvação efetiva.
Deus atua no âmago de nossa vida, no nível de nossos desejos. Quando você se sente fraco demais para agir, Deus pode pôr o próprio querer dele em sua mente a fim de que o realizar se torne possível. No momento em que a vontade de Deus molda e blinda nossa vontade, nosso espírito ganha uma resistência inesperada.
O desejo é o combustível dos sonhos. Santificado, ele pode ser uma ferramenta poderosa nas mãos da graça para nos levar à ação. Desejar não é pecado. O problema não é querer, mas querer a coisa errada.
É a graça de Deus que inclina nossos desejos na direção do bem. Nossos desejos devem ser calibrados por Deus, orientados pelas Escrituras e enobrecidos pela disposição de servir. Se os desejos forem capitalizados pelo Espírito Santo, eles nos tornarão mil vezes mais fortes e úteis.
Como você entende a salvação? Você quer demais ou de menos? Deixe a salvação dirigir sua vida, e então você, com o querer transformado, será um instrumento de salvação.

Dia de festa
Este dia é consagrado ao nosso SENHOR. Não se entristeçam, porque a alegria do SENHOR os fortalecerá. Neemias 8:10
O costume de festejar é tão antigo quanto a humanidade. A vida em sociedade inclui vários tipos de festas. Isso não é diferente no caso de uma comunidade religiosa. A vida religiosa é muitas vezes circunspecta, mas pode ter também momentos de alegria. Sem dúvida, o Deus da Bíblia é mais alegre do que o Deus retratado em algumas igrejas. Festejar não é pecado, especialmente quando celebramos os feitos do Senhor.
Talvez alguns cristãos atuais, assim como os endurecidos habitantes da aldeia do filme dinamarquês A Festa de Babette, ainda achem que celebrar a vida é pecado. Nessa história, as irmãs Martine e Felippa, filhas de um rigoroso pastor protestante, vivem uma vida de renúncia em nome da fé pregada pelo pai. Porém, surge Babette, uma misteriosa refugiada da França, que passa a trabalhar para as solteironas como faxineira e cozinheira durante 14 anos. Um dia, a empregada fica sabendo que ganhara uma fortuna e convence as moças a fazer um banquete fran­cês para celebrar o centésimo aniversário do pastor, já falecido. A festa escandaliza os moradores do lugar, mas, no fim do banquete, eles se dão as mãos, formam uma roda na rua e cantam como crianças. Babette sabia que a comida tem o poder de transformar o humor e produzir alegria.
Esdras e Neemias também sabiam que celebrar as vitórias do Senhor com boa comida e alegria fortalece a comunidade. Por isso, após a reconstrução do muro de Jerusalém, disseram para o povo comer, beber e se alegrar. "Este dia é consagrado ao senhor Deus. Nada de tristeza e de choro!", enfatizaram (Ne 8:9). Neemias reforçou: "Podem sair, e comam e bebam do melhor que tiverem, e repartam com os que nada têm preparado. [...] Não se entristeçam, porque a alegria do senhor os fortalecerá" (v. 10).
Até hoje, os judeus levam as festas a sério. Além dos sete festivais bíblicos ins­tituídos por Deus, eles criaram várias festas para celebrar outros eventos marcan­tes em sua história. Por exemplo, a festa do Purim comemora a vitória dos judeus sobre seus inimigos no tempo da rainha Ester; o Hanukkah, o Festival das Luzes, celebra a vitória sobre os selêucidas no tempo dos macabeus; e o Yom Yerushalayim, o Dia de Jerusalém, comemora a reunificação de Jerusalém e do Monte do Templo sob o governo de Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Para um grupo vivendo em territórios diversos, os festivais e dias sagrados têm atuado como laços de união ao longo da história. Se os judeus preservaram os festivais, o sábado e outros dias sagrados, também foram preservados por eles.
Celebremos a Deus e o seu poder com festas! Celebremos ao Senhor com alegria!

Como matar um gigante - l
Davi disse a Saul: "Ninguém deve ficar com o coração abatido por causa desse filisteu; teu servo irá e lutará com ele". 1 Samuel 17:32
Você provavelmente já leu e ouviu mil vezes a história de Davi e Golias. Contudo, ela merece ser revisitada por todas as gerações, porque gigantes de todos os tipos e tamanhos continuam aparecendo quando menos esperamos. Como enfrentar esses gigantes indesejados? Anote dez segredos, apresentados hoje e amanhã:
1. Esteja preparado porque em algum momento o gigante invadirá seu território e desafiará você (1Sm 17:4-10). Golias invadiu o território que pertencia a "Judá" de repente. Com quase 3 metros de altura, bíceps da grossura de uma tora, arma­ dura de 60 quilos, bota número 65, atitude maior do que seu tamanho físico, ele era uma figura amedrontadora. O verso 16 diz que "durante quarenta dias" Golias desafiou os israelitas. Sim, os gigantes, assim como Golias, não vêm em um dia e vão embora; eles continuam vindo todos os dias, em todas as formas.
2. Não se intimide com aqueles que acham que você não pode enfrentar o gigante (v. 28, 33). As críticas de Eliabe e do rei Saul foram contundentes: Davi, você é pequeno, é novo, é inexperiente, é insignificante... Davi enfrentou o gigante da opinião pública mostrando resultados.
3. Enfrente o gigante quando ele surgir, em vez de ficar admirando seu poder e alimentando o medo (v. 32). Davi não hesitou. "Deixa comigo", ele disse, sem perder tempo. "Ninguém deve ficar com medo desse filisteu! Eu vou lutar contra ele." Quanto mais você demora para enfrentar o gigante, maior ele parece, e mais difícil se torna enfrentá-lo. Quando contemplamos nossos gigantes, nossos medos aumentam.
4. Lembre-se das vitórias de ontem para ter confiança na vitória de hoje (v. 34-37). Um filme dos sucessos anteriores passou pela cabeça de Davi. Ele havia enfrentado lobos, ursos e leões. O gigante era apenas mais um "animal" a ser vencido. As lembranças das bênçãos e êxitos nos animam para enfrentar os inimigos. Para isso, sua memória precisa estar cheia de casos positivos. O que você tem em seu arquivo mental é suficiente para enfrentar um gigante?
5. Lute com suas armas, do seu jeito, e não com as armas dos outros (v. 38-40). Não pense que aquilo que funcionou para outra pessoa derrotar seu gigante irá funcionar para você. Cada um deve ter suas próprias armas. Se você não lê a Bíblia, como vai querer usá-la como arma? Se não ora, como vai usá-la como arma? Para usar uma arma, você tem que conhecê-la.
Com o poder de Deus, qualquer que seja o Golias que aparecer para desafiá-lo, você poderá vencê-lo.

Como matar um gigante - II
E Davi disse ao filisteu: "Você vem contra mim com espada, com lança e com dardo, mas eu vou contra você em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você desafiou." 1 Samuel 17:45
Para que você seja um destruidor de gigantes realmente eficaz, aqui estão as demais estratégias de Davi:
6. Coloque seu foco no que Deus promete fazer, e não no que o gigante ameaça fazer (v. 45-47). Enquanto os outros só falavam sobre o gigante, Davi só falava sobre Deus. Ele fala sobre Deus (o Senhor), em relação ao gigante, numa proporção de 9 a 2. No verso 46, Davi menciona os "exércitos israelitas". Por que o plural, se havia apenas um exército? Porque ele via os exércitos de Deus lutando ao lado de seu povo.
7. Saiba que a vitória não vem da tecnologia, pois a batalha pertence ao Senhor (v. 45-47). Golias tinha a última tecnologia de guerra. Se fosse hoje, carregaria armas poderosas. Já o povo de Israel não tinha acesso às melhores armas, como espadas e lanças (1Sm 13:19-22). Davi não confiou em armas, mas no poder do Senhor dos exércitos. A fonte de seu poder era Deus, não a tecnologia. Ele preferia atribuir a batalha ao Senhor.
8. Tenha um arsenal suficiente em suas mãos (1Sm 17:40, 48, 49). Davi tinha uma arma poderosa em seu poder, a qual Golias talvez nem tenha notado. A funda não era um brinquedo de criança, mas uma arma mortal. Davi escolheu com cuidado as melhores pedras. Alguns brincam que Davi pegou cinco pedras porque o gigante tinha mais quatro irmãos (2Sm 21:15-22). A verdade é que ele era precavido. Arrumou munição mais do que suficiente para derrotar Golias. Se uma pedra falhasse, tinha mais quatro. Enquanto o gigante deu uma gargalhada para caçoar de Davi, o capacete se afastou um pouquinho para trás, e foi lá que Davi mandou a pedra.
9. Mate o gigante e corte a cabeça dele (1Sm 17:50, 51). Davi correu e decapitou o gigante. Se você não matar o gigante, ele vai aparecer de novo e de novo. O avô de Davi havia combatido o avô de Golias, e o bisavô de Davi tinha guerreado contra o bisavô de Golias. A situação se repetia agora. Por isso, os gigantes têm que ser destruídos. No tempo de Josué, os israelitas mataram os gigantes anaquins, mas não destruíram alguns das cidades de Gaza, Gate e Asdode (Js 11:21, 22). Adivinhe de onde era Golias!
10. Celebre suas vitórias e guarde seus troféus (v. 54). Davi levou a cabeça de Golias para Jerusalém e guardou as armas do gigante em sua barraca. O troféu era para celebrar a vitória e lembrar-se desse feito memorável. Cada manhã, quando Davi se levantava, podia ver as armas do inimigo ali, e se convencia de que pode­ ria matar novos gigantes que eventualmente ousassem aparecer.
Em nome do Senhor, destrua todos os gigantes que surgirem à sua frente.

Que fase!
Davi, porém, continuou subindo o monte das Oliveiras, caminhando e chorando, e com a cabeça coberta e os pés descalços. E todos os que iam com ele também tinham a cabeça coberta e subiam chorando. 2 Samuel 15:30
Milton Leite, locutor esportivo brasileiro, popularizou um bordão que ele usa quando um jogador ou clube está mal: "Que fase!" Esse bordão poderia ser aplicado com perfeição a um momento da vida do rei Davi. Amado como o homem que estendeu as fronteiras do reino, Davi viveu uma fase terrível.
Para começar, seu filho Absalão, o galã da casa real, resolveu usurpar o trono. A fim de evitar uma guerra fratricida, Davi preferiu fugir com o exército e um grupo de súditos leais. Destino: o deserto, a areia, o calor, o nada. O estado emocional do rei pode ser percebido pelo relato do cronista: ele ia "caminhando e cho­rando, e com a cabeça coberta e os pés descalços".
Nem bem o rei passou pelo monte, Ziba, criado de Mefibosete, afirmou que este protegido do rei também estava de olho no trono, achando que os israelitas devolveriam a coroa à família real de Saul. Então, como clímax do ressentimento dos descendentes de Saul, o benjamita Simei começou a proferir maldições contra o rei, a jogar pedra e a dizer: "Saia daqui, saia daqui! Assassino! Bandido!" (2Sm 16:7).
Para piorar a situação, Aitofel, cujos conselhos tanto Davi quanto Absalão consideravam "como se fossem a palavra do próprio Deus" (v. 23), sugeriu que o jovem príncipe tivesse relações com as concubinas do rei, o que foi feito numa "tenda no terraço do palácio", "à vista de todo o Israel" (v. 22).
Quer mais? Na batalha que se seguiu, a floresta conspirou a favor do rei, e 20 mil homens de Israel foram mortos, mas também Absalão, a quem ele queria poupar.
O impressionante é que, nesse momento de crise, Davi demonstrou realismo, submissão e generosidade. Disse para Zadoque levar a arca de volta à cidade. Se Deus quisesse, ele voltaria a vê-la. E completou: "Mas, se ele disser que já não sou do seu agrado, aqui estou! Faça ele comigo o que for de sua vontade" (15:26). Impediu que Abisai cortasse a cabeça de Simei, um "cão morto" (2Sm 16:9). "Deixem-no em paz!" disse. "Que amaldiçoe, pois foi o que o senhor lhe mandou fazer. Talvez o senhor considere a minha aflição e me retribua com o bem a maldição que hoje recebo" (16:11, 12). Além disso, obedeceu a seus generais quando, em censura a seu choro pela morte do filho rebelde, reclamaram que ele estava amando os que o odiavam e odiando os que o amavam, e, ao voltar ao trono, distribuiu perdões.
A fase pode ser de um plebeu, mas o coração precisa ser real, enfrentando os infortúnios com nobreza. Isso ajudará você a voltar ao trono.

O sucesso do fracasso
Se o machado está cego e sua lâmina não foi afiada, é preciso golpear com mais força; agir com sabedoria assegura o sucesso. Eclesiastes 10:10
Sir Edmund Hillary, alpinista e explorador neozelandês, queria chegar ao topo do Everest e, depois de três tentativas fracassadas, conseguiu. "Você conquistou a montanha", as pessoas disseram ao felicitá-lo. "Não, eu conquistei a mim mesmo." Para ele, suas iniciativas para ajudar o povo sherpa do Nepal, construindo escolas e hospitais nessa remota região do Himalaia, eram sua principal realização.
Oprah Winfrey, que teve uma infância marcada pelo sofrimento, aprendeu cedo que o fracasso é parte do sucesso. "Caia", diz ela. "O mundo parece diferente visto a partir do solo." Em 2012, após um estrondoso sucesso como apresentadora, ela resolveu criar sua própria TV.
Numa entrevista, Dick Custodio, dirigente do Twitter, disse que o Vale do Silício, na Califórnia, é um viveiro de empresas bem-sucedidas porque o fracasso é visto como parte normal do processo de inovação. Ali é permitido errar. O slogan "Falhe rápido" faz parte da cultura local.
O número de pessoas que usaram o amargor do fracasso para dar sabor ao sucesso é grande demais para mencionar. Você também já usou o fracasso para tirar lições e então vencer? Virou lugar-comum dizer que o fracasso é a escada, a chave ou o pré-requisito para o sucesso. Será mesmo que o segredo do sucesso é, paradoxalmente, o seu oposto? E o que dizer do talento, do esforço, da perseverança, da força de vontade, do trabalho em equipe, da ousadia, da herança e da sorte?
Alguns acham que é a experiência vitoriosa que conta. Um estudo da Universidade Harvard indicou que os empreendedores bem-sucedidos têm uma chance maior de obter novo sucesso do que os que falharam antes ou estão iniciando. A proporção é de 34% contra 23%. Apesar disso, parece que, em muitos casos, o fracasso fertiliza o terreno da mente, para que a pessoa cultive o desejo pelo sucesso.
Seja como for, o fracasso não é o fim da estrada; é apenas uma parada para trocar o pneu, encher o tanque e corrigir o endereço no GPS. O fracasso é a oportuni­dade que a vida oferece para você fazer melhor da próxima vez. Você pode usar o fracasso como um martelo para destruir sua autoestima ou como uma ferramenta para construir seu sonho. Sucesso é não deixar o fracasso ter a última palavra.
Salomão diz que, se o machado não estiver afiado, você terá que aumentar a força para ter sucesso. Porém, o mais importante é conhecer o vento, a inclinação, o ângulo certo e afiar a ferramenta na pedra da sabedoria. Não deixe o medo do fracasso ou a tirania do sucesso se transformar num obstáculo entre você e seu alvo.



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