11 de junho de 2016

Querem matar o romantismo

(*) ...Em uma entrevista com o médico psiquiatra Flávio Gikovate, autor de Uma História de Amor... com Final Feliz. Na obra, ele ataca o amor romântico e defende o individualismo, "entendido não como descaso pelos outros e sim como uma maneira de aumentar o conhecimento de si próprio". "Os solteiros que estão mal são os que ainda sonham com o amor romântico. Pensam que precisam de outra pessoa para se completar. Como Vinicius de Moraes, acham que 'é impossível ser feliz sozinho'. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos." É claro que é possível ser feliz sozinho, mas isso não significa que o amor romântico não deva ser almejado e alimentado ou que o individualismo seja um mérito. A seguir, alguns trechos da entrevista, com meus comentários entre colchetes:

"As pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que se envolveram em uma trama nada evolutiva e pouco saudável. Vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém, lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação. [Gikovate se baseia em estatísticas para dar força ao seu argumento. O fato de os casamentos de hoje estarem naufragando não significa que se deva optar pelo individualismo. Que tal (**) produzir uma reportagem sobre os "segredos" dos casamentos felizes? Sou casado há 11 anos (***), temos duas filhas e nosso casamento está cada vez melhor. E, graças a Deus, conheço outros casais na mesma situação.]

Gikovate faz uma afirmação contundente: "Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo. ... Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. ... O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo." [Na verdade, optar pelo amor sempre é o melhor caminho, ainda que isso envolva sofrimento. Na busca por fazer o outro feliz é que encontramos o real sentido de existir. E isso vem de Deus, aquele que Se doou e que tem prazer em satisfazer Seus filhos. Não compreendo bem como o individualismo - que pode degenerar em egoísmo - promoverá a geração de bons frutos e o avanço moral. Amor sem romantismo e individualismo criaram aberrações como o "ficar" e o "sexo casual". Isso é "avanço moral"?]

Tem mais esta: "Em um dos meus programas de rádio, um casal me perguntou se estavam sendo ousados demais em se casar e continuarem morando separados. Isso está ficando cada dia mais comum. Há outros tantos casais que moram juntos, mas em quartos separados. Se o objetivo é preservar a individualidade, não há razão para vergonha. O interessante é a qualidade do vínculo que existirá entre duas pessoas. No primeiro mundo, esse comportamento já é normal. Muitos casais moram até em cidades diferentes." [É certo que existem situações - que deveriam a todo custo ser contornadas - que obrigam casais a viverem separados. Mas se o motivo for a preservação da tão preciosa individualidade, aí já passo a defender a solteirice...]

[O que se nota na mídia é a apologia dos relacionamentos sem compromisso, do prazer pelo prazer e da busca da auto-satisfação. Enquanto isso, o número de divórcios já supera o de casamentos, a quantidade de mães e pais solteiros só faz aumentar e as crianças que vivem sem estrutura familiar adequada vão formando a nova geração. De minha parte, vou continuar amando romanticamente minha eterna namorada - uma só carne, na mesma casa, no mesmo quarto, na mesma sintonia. Feliz Dia dos Namorados!]

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade." Carlos Drummond de Andrade




publicou Uma entrevista com o médico psiquiatra Flávio Gikovate, autor de Uma História de Amor... com Final Feliz...

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